Need You Now
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Need You Now
Memórias. Para ela, perfeitas. Julia considerava cada momento que passava com o vampiro um momento perfeito. Ela agora se lembrava dos braços dele a envolvendo enquanto a beijava suavemente nos lábios. Os beijos sempre calmos e delicados, tendo sempre a consciência que aquele momento uma hora acabaria. A ruiva aproveitava cada segundo e sorria com a lembrança de seu beijo quando estava na cama. Ela sabia que aqueles eram momentos que um dia já não existiriam mais, pois uma hora Barnabas e Victoria se acertariam. Não conseguia passar um segundo sem pensar no vampiro, no seu toque, na sua doçura. Julia achou que simplesmente fosse enlouquecer com tantos pensamentos bombardeados em sua mente. Era uma madrugada tranquila, o vento quase não soprava e a médica da família Collins se sentia uma adolescente apaixonada pela primeira vez. Ela olhou para o relógio. Uma e quinze da manhã. Julia nunca foi de pedir muito. Sempre se contentando com o resto, com a sobra. Mas, pela primeira vez, ela pedia uma coisa. Ela queria Barnabas. Só agora, por alguns segundos. Ela queria tocá-lo, sentí-lo.
- Barnabas — ela sussurrava na escuridão — Barnabas eu preciso de você.
Mas ela sabia que ele não apareceria. E Julia não era do tipo que chegava e tomava para si o que queria. A ruiva lembrava das vezes que ele realmente apareceu ali na porta, pedindo por ela. O desespero por tê-la era evidente e Julia não lembrava de ter momentos mais felizes que esses. Quando as bocas se encontravam, as peles se roçavam e os corpos se uniam. Julia não queria lembrar mas também não queria esquecer. Se lembrasse, provavelmente choraria por saber que aquilo jamais se repetiria novamente. Se esquecesse, se arrependeria por perder os momentos que ela mais se sentiu viva. Com um longo suspiro, Julia virou mais um copo de whisky. Ao pegar a garrafa notou que ela estava vazia. Com raiva por ter acabado sua bebida e por ser tão fraca a seus sentimentos, ela jogou a garrafa contra a parede oposta, estilhaçando o objeto em milhões de pedaços. A lembrança de quando Barnabas se deitou com ela pela última vez naquela cama fez a médica soltar uma lágrima. Ela tinha dito a si mesma que não ligaria, que não se importaria se nunca mais acontecesse, mas agora ela estava lá, chorando, perdendo o controle sobre si mesma, precisando dele. Julia nunca sentiu tanto a necessidade de abraçar o vampiro como agora. Ela precisava dele agora, ao seu lado. Julia pegou mais uma garrafa de whisky em seu armário e virou-a em sua garganta. Ela não conseguia parar de olhar para a porta, pedindo aos céus que Barnabas aparecesse ali novamente. A médica desviou dos cacos de vidro da garrafa que sofrera de sua fúria e se sentou no chão, encostada na parede oposta a porta, bem de frente à ela. Ela olhou para o relógio novamente. O tempo não passara, mas ela sabia que estava um pouco bêbada. Ela sussurrava no escuro, chamando por ele, suplicando a qualquer um que trouxesse o vampiro para si. Julia começou a repensar todos seus relacionamentos. Ela nunca havia sentido algo parecido com o que sentia por Barnabas. Embora a fizesse sofrer visivelmente, ela concluiu que era muito melhor se magoar do que não sentir nada, porque aquele amor lhe trouxera pequenos momentos que ela venderia a alma para ter novamente. "Será que ele precisa de mim tanto quanto eu preciso dele?" ela se perguntava internamente, virando mais um gole do whisky em sua garganta. Ela achou que ficaria a noite inteira ali, bebendo e suplicando por quase nada de uma pessoa que não a amava de volta. Ela fechou os olhos e suspirou lentamente, tentando se recordar das mãos de Barnabas passeando por seu corpo enquanto a beijava. Com um estrondo, ela abriu os olhos e se levantou num salto. A porta estava aberta e a silhueta de Barnabas era completamente reconhecível no escuro. Ele avançou um pouco mais e notou o vidro estilhaçado no chão. O coração de Julia acelerou mais a cada segundo e ela deixou a garrafa cair no chão, mas dessa vez sem quebrá-la, apenas derramando o whisky em seus pés descalços. Barnabas fechou a porta. Tudo ficou escuro novamente, um breu total. Mas os dois sabiam muito bem como agir nesse momento. — O que faz aqui, Barnabas? Ela falou rapidamente, querendo que sua vez de falar passasse rapidamente.
- Julia, eu...Eu só preciso de você.
O coração dela se derreteu e ela fechou os olhos. Não era uma sonho, era? Ela estava suficientemente bêbada para tal, mas ao sentir os braços do vampiro a envolvendo por trás e lhe beijando o pescoço ela teve a certeza de que não era uma lembrança. Mais tarde, Julia estava deitada sobre o peito de Barnabas, adormecida. Ele envolveu seu corpo nu com os braços e a puxou mais contra si. O vampiro beijou o topo de sua cabeça e se perguntou internamente se ela precisava dele tanto quanto ele precisava dela.
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