Need
2 Um Último Adeus.
Notas iniciais
Acordei feliz da vida apesar de cansada. Como sempre faço de manhã, eu fiz minha higiene matinal e fui me arrumar. Santa foi a pessoa quem inventou o final de semana.
Ahh! Como amo os sábados, sem aulas, sem professores irritantes, sem lideres de torcida invejosas. Eu definitivamente amo final de semana e feriados.
Estava a sair do quarto, já com a mão na maçaneta, quando minha mãe grita da sala:
-Maggie telefone pra você. – ele gritou de modo gentil, se é que existe modo gentil de se gritar. Ópera não conta, pois ainda fere meus tímpanos.
Enfim, saí do quarto toda sorriso, mas quando cheguei à sala meu sorriso morreu. Os olhos verdes da minha mãe estavam avermelhados, meu pai tinha um braço em volta dos seus ombros, consolando-a.
-O que houve? – perguntei preocupada.
Mamãe me estendeu o telefone que só agora notei ainda estar nas suas mãos. Peguei o telefone com a mão meio tremula. Esperando algo ruim.
-Alô? – chamei insegura.
-Margaret, querida, por favor- a voz da minha sogra estava manhosa e triste. Pensei no pior.
-O que aconteceu com Mattew, Sônia? – perguntei esperando que ela dissesse: “nada querida, é só que eu estou resfriada e queria saber se pode vir aqui fazer companhia” Mas como minha alegria dura pouco e a sorte que eu tenho quase se equivale a nada. Ela falou:
- Aquele amigo dele Edwin, bateu o carro na moto do meu bebê e...
Eu deixei o telefone cair da minha mão. Lágrimas intrusas e nem um pouco bem-vindas molharam meu rosto. Vi meu pai pegar o telefone do chão e coloca-lo na orelha. As coisas que meu pai dizia chegavam a meu cérebro como se fosse um eco muito, muito distante.
Mal consegui ouvi-lo chamando por mim.
-Filha! — não parecia ser a primeira vez que ele me chamava. – Pegue sua bolsa. Vamos ao hospital ver Mattew.
Sorri triste e me arrastei, literalmente, para o meu quarto. Peguei uma bolsa qualquer e coloquei as coisas de modo automático, mas eu nem sei o que eu pus ali dentro.
Dentro do carro o silêncio só não reinava por causa de nossas respirações. O dia lá fora parecia lindo hoje de manhã antes deu sair do quarto. O sol brilhava fortemente, pássaros cantavam felizes e o meu mundo parecia um mar de rosas. Mas agora. Agora o sol parece uma ofensa para mim, os cantos dos pássaros mais me pareciam choramingos e o meu mundo... Bem, meu mundo de mar de rosas, virou um lugar cinzento e triste.
Chegamos ao hospital bem rápido. E logo que sai vi minha sogra na portaria do hospital esperando por mim.
Corri em sua direção e a abracei assim que a alcancei. Ela chorava e eu também. Uma molhava os ombros das outras. Ouvi minha pequena família dizer palavras de consolo para Sônia, que chorava aos soluços.
Eu tentei parar de chorar. Eu queria vê-lo e descobrir se ele estava bem e que nada demais tinha acontecido.
Eu funguei. – Quero vê-lo. – falei pra Sônia – preciso vê-lo agora.
Ela assentiu e seus cabelos castanhos balançaram com a rajada forte de vento, não quente como o dia lá fora, mas frio como a morte. Eu tremi. Era esses um dos motivos para não gostar de irão hospital. Havia sempre uma pessoa de luto. Sempre havia choros de tristeza. Aquele lugar me dava arrepios só pelo fato deles guardarem cadáveres ali.
Sônia me levou ao quarto do meu quarterback¹ e deixou-me sozinha lá com ele adormecido e terrivelmente machucado. Seu peito estava todo enfaixado e com poucos pontos vermelhos.
Eu me aproximei dele, lutando contra as lágrimas.
-Oh Mat! Você deveria ter ficado comigo, seu tolo. – algumas lágrimas escorriam pelo meu queixo e molhavam sua mão.
Eu tive medo de tocá-lo e machuca-lo, mas vi sua mão se mover e ele abrir seus lindos olhos.
Ele esticou sua mão e eu a toquei, segurando com cuidado entre minha duas mãos.
-Me desculpe. – ele falou com dificuldades.
-Shhh! Não tem porque se desculpar. A culpa não foi sua, meu amor!
Ele sorriu triste. – Ele jogou o carro pra cima de mim – Mattew parou para torssir. Mordi os lábios, preocupada. – Disse que se ele não poderia te – um ofego –ter, ninguém teria.
-Chega dele, Mat! Descanse, por favor. Não me deixe mais preocupada. – pedi. Estava odiando o ver assim.
-Me dá um beijo? – pediu. E eu apenas pressionei levemente meus lábios sobre os seus e me afastei.
-Um de verdade, Maggie! –exclamou, sorrindo maliciosamente.
Eu ri francamente.
-Você está machucado, deveria estar descansando e não sendo um pervertido.
-Só um? – pediu, fazendo carinha de cachorro sem dono.
-Não é justo, você sabe que não resisto quando faz essa carinha de cachorro abandonado.
-Vem cá, vem. – chamou – me ajude a sentar.
-Não, continue deitado.
-Só se me der um beijo decente. – Suspirei feliz por ele se mostrar bem.
Eu me aproximei dele e o beijei. O beijo parecia triste, parecia um adeus. Franzi as sobrancelhas.
-Você está realmente bem, não é? – perguntei.
-É claro. – deu um sorriso torto, que me parecia sei lá... não gostei do jeito que ele sorriu, por mais eu ache sexy seu sorriso torto, ele não parecia certo.
TOC TOC TOC (n/a:onomatopéia ridícula)
Uma enfermeira gorda e velha, de cabos ruivos presos num coque baixo e de rosto parecido com o de um anjo, entrou no quarto e disse que eu precisava sair para que ela pudesse aplicar o remédio nele.
Eu estava prestes a sair, quando senti um aperto no peito e um forte dor no coração, virei-me para o olhar Mattew e ele murmurou:
-Eu te amo mais que minha própria vida.
-E eu amo você minha vida. – respondi saindo do quarto.
Mesmo estando do lado de fora do quarto e apenas alguns metros longe de Mat, eu sentia como se eu estivesse perdendo algo, ou alguém.
Então eu ouvi o som que eu menos queria ouvir. Aqueles biiiiiiiiiiiip estava dificultando muito para o meu lado.
Novamente entrei no quarto e segundos depois os médicos chegaram, eles começaram a falar coisas que eu não conseguia entender. Mas uma eu entendi.
-Ele está morto. – logo pontos negros apareceram em minha vista. EU NÃO VOU DESMAIAR!, gritei para minha mente. – Hora do óbt...
-NÃO! – gritei. Então tudo se passou em câmera lenta. Meus pais e os de Mattew entraram no quarto, meu pai me segurou quando tentei ir até Mat. Minha mãe abraçava Sônia que chorava histéricamente, idem a mim. O pai de Mattew socou a parede e depois veio me segurar. – NÃO, ELE NÃO PODE MORRER! – meus pais saíram levando Sônia e George ficou me segurando para que eu não pulasse nos médicos.
-Não! – saiu como um murmúrio sofrido o que era pra ser um grito de dor. Eu me balançava tentando soltar-me de George. Quando consegui me soltar fui a toda pra cima de Mattew. Ele tinha os olhos fechados.
Eu caí ajoelhada enfrente a cama da pessoa que mais amei no mundo.
-Não! – era a única palavra que saia da minha boca. George me ajudou a levantar e saiu não agüentando ficar ali. Debrucei-me sobe Mattew e dei-lhe um beijo de lágrimas.
Eu olhei pra ele e falei um trecho de uma música que ouvi nessas semanas e que achei muito parecida conosco.
- Eu não tenho bastante certeza de como respirar sem você aqui. Eu não tenho bastante certeza se estou preparada pra dizer adeus para tudo que fomos um pro outro.
Dois meses depois e eu ainda tinha pesadelos com a morte de Mattew, toda noite eu acordava procurando sua mão na escuridão do meu quarto. Mas de certa forma eu ainda o tinha comigo. Afinal o bebê que eu esperava tinha vinte e três cromossomos dele. Certo?!
Notas finais
Gente se vocês gostaram ou não, mandem reviews, quero saber se devo mudar algo ou deixar do jeitinho que estar.
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