Necromante

9 Capítulo 7: Exploração (Parte 1)


(PDV Gloss, líder mercenário)

Sentado no banco do carona do nosso caminhão, eu olhei pela janela, para a noite. Mais um trabalho que paga bem. Metade do dinheiro já foi transferido, só falta completar o trabalho. Eu trouxe alguns membros do meu bando comigo.

Ao que parece, nós vamos ter que lutar contra algumas daquelas criaturas que apareceram ao redor do mundo. Eu mesmo não cheguei a encontrar uma ciosa dessas, mas alguns dos meus membros disseram que as viram de longe.

Nó não temos dinheiro o suficiente para comprar essas armas, que são relativamente caras. Comparado com armamento convencional, as pistolas ACS têm o mesmo preço de um lança-mísseis.

Nem se fala da munição, aqueles cristais são extremamente caros. O trabalho que nós vamos fazer é um pouco barato para nossos preços, mas nos foi prometido um patrocinador que pode nos conceder armas ACS e manter um suprimento constante de munição.

Essa missão é para julgar nossas habilidades. Se nós passarmos no “teste”, nós conseguiremos o patrocinador. É um trabalho de alto risco, então eu trouxe somente meus melhores membros. Nós viemos para o Tibete para cumprir o trabalho.

Meus mercenários neste trabalho serão vinte e cinco, o número pedido incluindo eu. Eu sempre participo nas missões de campo, mesmo sendo o líder do grupo. Um bom líder lidera seus soldados no campo de batalha.

Os dois caminhões sobem pela neve. Quando chegamos ao ponto de encontro, começa a nevar. Nós descemos dos caminhões. Eu olho em volta, encontrando duas figuras. Uma delas é a mulher mais linda que eu já vi na minha vida.

Olhos vermelhos penetrantes, cabelos longos e negros presos em um rabo de cavalo, pele branca como a neve que cai a minha volta. De alguma forma, ela parece não estar afetada pelo frio a sua volta. Vestida em uma camisa de botão branca com calças pretas e sapatos pretos de couro sociais.

Ao lado dela, uma criança usando um manto preto que cobre o corpo todo até tocar o chão, com um gorro que cobre seu rosto, mostrando somente a parte inferior do rosto. Eu me aproximo.

— Você é a contratante?

— Sim, sou eu. Gloss, do grupo de mercenários Winters, certo?

A voz dela é fria e severa.

— Sim, sou eu... E essa criança...

Ela olhou para a criança com indiferença por um momento antes de me responder.

— Meu guarda costas. Não se preocupe, pense nele como uma... arma.

— Ora, ora, você não confia na nossa capacidade de te proteger?

Eu pergunto em um tom de brincadeira.

— Não. E também, esta criança aqui é mais perigosa do que todo seu grupo de mercenários. As armas e munição estão naqueles caixotes. Creio que saiba como usar armas, afinal, as ACS funcionam quase da mesma forma que as armas comuns.

Eu fiquei em silencio. A confiança dela nessa criança me fez pensar em o quão perigosa essa criança pode ser. Eu sei que algumas crianças agora têm poderes sobrenaturais, mas eu não sabia que já as estavam usando como armas.

Com isso, eu percebi que nossa missão não é proteger essa mulher, mas sim sobreviver a missão com o máximo de membros possível. Talvez... eu não deveria ter aceitado este trabalho...

Esse pensamento logo some de minha cabeça quando eu vejo os caixotes que estão por perto. Notando meu olhar, a mulher fala.

— As armas ACS estão ali dentro. Preparem seu equipamento e se armem. Nós vamos entrar na Dungeon assim que vocês estiverem prontos.

— Sim senhora.

Eu não estou vestido em meu equipamento, mas os outros estão. Eu vou me vestir e colocar um colete. Voltando para meus caminhões, eu bato na lateral de um deles falando em voz alta.

— Podem sair, hora de trabalhar! As armas estão nos caixotes assim como a munição!

Meus companheiros saíram dos caminhões, vestidos em roupas camufladas pesadas por causa do frio, coletes e capacetes, assim como máscaras cobrindo a parte inferior dos rostos. Enquanto eles se encaminharam para os caixotes, eu subi em um dos caminhões e me vesti em um equipamento igual ao deles.

Saindo, um dos meus subordinados me entregou uma metralhadora e uma pistola ACS e alguns cristais de munição. Porém, tem muito mais munição do que armas. Eu penso por um momento em deixar a munição aqui, quando eu percebo que a nossa contratante está olhando para mim.

Não, deve ter uma razão para ter tanta munição assim. Nós vamos para um território desconhecido, com inimigos desconhecidos. Esses cristais tem uma capacidade parecida com os cartuchos de munição normais, a mesma quantidade de tiros.

— Vamos nos dividir em quatro unidades, linha de frente, suporte, retaguarda e batedores! Linha de frente vai carregar mais munição consigo, batedores vão carregar menos para ter mais velocidade! Retaguarda não vai se afastar dos clientes e suporte vai pegar algumas bolsas nos caminhões e encher até o limite com cristais de munição!

A partir daí eu dividi meus vinte mercenários em grupos de cinco. Depois que o grupo de suporte encheu as bolsas grandes com munição, nós estamos prontos para partir. Eu me aproximo da contratante.

— Estamos prontos para partir.

Ela responde:

— Excelente. Vamos logo, eu tenho um compromisso depois disso.

(PDV Umbra)

Hoh~, dividir o grupo foi um bom movimento, e criar um grupo de apoio que carrega munição extra é uma excelente estratégia. Dentro da Dungeon, nós vamos gastar uma grande quantidade de munição, e carregar a maior quantidade possível é a melhor opção.

Eles passaram no meu primeiro teste. A forma na qual ele organizou suas tropas também deu pontos extras, o que falta é ver como ele se adapta a situação dentro da Dungeon. Analisar seu oponente, principalmente quando se é um monstro, é muito importante. Claro, vai haver um desconto em relação a isso, afinal, os humanos deste mundo não estão acostumados com este tipo de combate.

(PDV Gloss)

Nós entramos na Dungeon. A primeira coisa que me veio foi “eu entrei no subterrâneo, certo?”

Acima de nossas cabeças. Eu posso ver um céu nublado... não, é um teto de caverna extremamente alto, com algum tipo de fumaça que se assemelha a nuvens. Está escuro, então eu acendo minha lanterna, assim como meus mercenários. No chão, grama preta cresce.

Na distância, eu posso ver uma muralha com tochas acesas. A muralha tem cerca de seis metros de altura, parecida com uma muralha chinesa. Mas o que...

— Como eu suspeitava, a Dungeon tomou forma da cultura local.

Nossa contratante diz. Eu me viro para ela e pergunto.

— Como assim?

— Normalmente, quando uma Dungeon surge, ela geralmente toma forma de acordo com a cultura local. Aquela muralha é uma muralha Tibetana. Nós provavelmente vamos encontrar criaturas da mitologia tibetana, fiquem atentos.

— Sim senhora. Vamos para aquela muralha verificar o que está por trás dela! Batedores, o equipamento de comunicação está funcionando?

— Sim senhor!

— Ótimo! Façam o reconhecimento do terreno a frente, nós vamos seguir em passo lento. Me notifiquem se encontrarem alguma coisa, e não entrem em conflito se encontrarem um inimigo, nos chamem primeiro. Voltem a cada vinte minutos.

— Entendido!

Os batedores foram na frente, e nós esperamos alguns segundos antes de começar a andar. Nós seguimos até a muralha sem nenhum problema. Os batedores encontraram um portão com dois “guardas”, então eu decidi ir até lá. Usando os óculos de visão noturna, eu observei os inimigos.

Nossa cliente e o resto do grupo estão estacionados longe daqui, e eu estou aqui com um membro do grupo de batedores. Os guardas do portão são dois humanoides. Humanos de pele verde e meio apodrecida. Eu diria que são zumbis, mas a postura deles é perfeitamente reta.

Eu os encaro por algum tempo. Então, eu sussurro para meu subordinado.

— Você conseguiria acertar um alvo desta distância com uma pistola comum, certo?

— Mas é claro, eu sou o melhor atirador do grupo afinal de contas.

— O que você achou das ACS?

— Leves, bem mais leves do que as armas comuns. Elas não têm coice quando atiramos, fazem menos barulho, os tiros têm maior poder destrutivo, e os disparos não são afetados pelo vento. Com isso eu duvido que eu poderia errar um alvo.

— Ótimo. Derrube os dois.

— Sim senhor.

Pegando a metralhadora, ele a apoia no chão. Estamos os dois deitados no chão de bruços. Segurando a arma, meu subordinado mira. Eu seguro os óculos de visão noturna, observando os zumbis.

Ele atira duas vezes rapidamente, acertando as cabeças em cheio. Os disparos destruíram completamente as cabeças dos zumbis. Excelente. Nós voltamos para o rosto do grupo e caminhamos para o portão.

Abrindo o portão, nós entramos na cidade que está dentro das muralhas. Uma cidade com arquitetura tibetana antiga, e estranhamente as portas são muito baixas, forçando a pessoa que quer entrar ter que se abaixar.

Um dos meus subordinados comenta:

— Porque as portas são tão baixas?

Surpreendentemente, nossa contratante respondeu:

— Na mitologia budista desta área, um fruto mais comum do folclore tibetano são os Ro-langs. Se eu não me engano, os tibetanos antigos construíam as portas dessa forma para manter os Ro-langs fora das casas.

— Como assim? Se não for incômodo, poderia elaborar mais o assunto?

Eu pergunto. Se alguma forma a cultura local afetou a arquitetura por aqui, ela também pode acabar afetando os monstros. Me informar pode ser o melhor curso de ação.

— Ro-langs são um tipo de zumbi, mais comumente erguidos com magia. Eles não podem falar, e mal podem dobrar as juntas do corpo, o que torna seus movimentos duros e desengonçados. Eles não conseguem se curvar, então passar pelas portas baixas é simplesmente impossível para eles.

— Entendo. Nós trouxemos suprimentos para acampamento, mas não trouxemos barracas. Podemos usar as casas como abrigos e base de operações se necessário no futuro. Mais alguma informação que nos possa ser útil?

Eu pergunto.

— ... Não olhe somente para frente, mantenha um olho para cima também.

Só isso. Mesmo assim, eu decidi me atentar ás palavras dela. Eu olhei para o mesmo membro que atirou nas cabeças dos Ro-langs mais cedo, os zumbis no portão.

— Fique junto do grupo principal, sua função não é mais escoltar, mas sim manter um olho para inimigos. Não esqueça de manter um olho no céu.

— Sim senhor.