Notas iniciais
Vamos aprimorar nossas bizarrices ♥ Reviews? Já to esperando para responder.

Jason injetou uma espécie de tranquilizante por vias intravenosas em Eva e depois a deixou trancada no porão ainda amarrada a cadeira. Caminhou sem pressa até um móvel da sala onde havia um tocador de discos, escolheu um LP dos Beatles e o colocou para tocar no volume máximo. Subiu as escadas dançando, até o sótão, onde pegou o defunto e o arrastou dentro de uma lona preta até um cômodo no térreo, que até então tinha sido mantido fechado.

A grosso modo aquele lugar era um abatedouro, um açougue. Tinha barras no teto e ganchos de metal pendurado a elas, no centro do quarto tinha uma bancada revestida por cerâmica branca. A borda da bancada era um nível mais alta que o resto, de forma a evitar que o sangue ou qualquer que fosse o líquido que derramasse ali, não escorresse para fora e caísse no piso, mas fosse drenado em um ralo, num dos cantos da bancada.

Jason colocou o corpo do homem morto sobre a bancada, removendo o plástico e ajeitando o defunto. Caminhou até a parede do fundo, onde havia um balcão com uma pia e armários com portas de madeira embutidos e retirou seu avental branco e um case porta facas preto, abrindo-o sobre a bancada, ao lado do corpo. Entre todas as lâminas Jason escolheu um cutelo, afiado e brilhante, levantou-o acima de sua cabeça e desceu o braço com força, atingindo o moribundo entre o braço e o antebraço. Depois de cortar todo o homem em pedaços, Conrad dividiu as partes em diferentes sacos plásticos e os levou ao porão, pondo-os dentro dos freezers.

Guardou tudo exceto as mãos. Estas eram especiais e precisavam de preparo imediato, enquanto ainda estavam frescas. O rapaz ruivo foi até a cozinha e misturou em uma panela as palmas das mãos e os dedos separados com diferentes temperos, sal, um pouco de água e molho de tomate. Levou a panela ao fogo por cerca de trinta minutos e quando faltava pouco para ficar pronto adicionou os olhos, que tinha arrancado e deixado em água para mantê-los hidratados.

***

Eu acordei meio zonza e nauseada, amarrada a cadeira e sendo observada pelos manequins apáticos, imóveis e inexpressivos. Tentei me soltar mas foi inútil, as fivelas estavam muito bem apertadas e presas para que eu pudesse tirá-las. De repente ouvi passos na escada e no segundo seguinte o psicopata ruivo apareceu com um objeto nas mãos.

— Está na hora do jantar – ele anunciou.

Chegou mais perto, me olhando como se fosse a pessoa mais bondosa do mundo, sem demostrar nenhum traço de insanidade. Mas não durou muito tempo. Jason estendeu subitamente a corrente que carregava nas mãos e a colocou em volta do meu pescoço, prendendo-a de forma justa. Agora eu era um animal de estimação, domado, domesticado e pronto para satisfazer seus desejos. Ele me entregou também um vestido branco e eu o vesti.

— Fique de quatro – ele disse depois de desfazer as amarras.

Eu não me movi.

— Fique de quatro! – ele repetiu mais alto e eu continuei imóvel até que ele desferisse um tapa no meu rosto que me fez cair. – De quatro vagabunda.

Jason me fez subir a escada daquela forma até a cozinha, obrigou-me a sentar à mesa e me prendeu a um gancho no chão com a ajuda de um cadeado. A mesa estava posta: dois pratos, talheres e copos, e uma panela cuja tampa tinha três furos laterais por onde passava o vapor. Ele pegou o meu prato e serviu uma concha do conteúdo da panela.

Meu Deus! Aquilo são dedos?

Meu estômago embrulhou. Eram dedos e um olho! Fiquei apavorada, entrei em pânico e comecei a chorar, porém o pior estava por vir, quando passou pela minha cabeça que aquelas partes poderiam pertencer ao meu falecido marido.

— Está uma delícia – ele disse saboreando um dos dedos, o caldo escorreu pelo canto de sua boca, descendo até o queixo.

Eu não conseguia aguentar aquela cena bizarra, iria vomitar em cima da mesa.

— Coma sem vomitar, ou eu arranco os seus dedos usando o liquidificador.

Meu corpo tremia de medo e raiva. Dei uma colherada no prato e puxei o que parecia ser o dedo indicador, colocando-o na boca. O líquido estomacal veio parar na minha garganta, mas eu não podia vomitar. Mastiguei o dedo pela primeira vez e a vontade de cuspir tudo foi maior, mas eu segurei firme.

Pouco tempo depois eu aceitei que para que eu sobrevivesse e vingasse a morte de Cayo, teria que jogar o jogo dele.

Notas finais
Próximo capítulo dia 26/11/2016 às 15:10