Nebulosa Cristalis: Parte 2
3 O sol nascente e a queda da Imperatriz Violeta
O salão estava cheio. A corte inteira havia ido prestigiar a menina que se apresentava. Sua família era da baixa nobreza, mas, era de se admirar suas capacidades. Com 10 anos, já estudava astronomia, e escrevia sobre suas teorias quanto ao grande desastre. Sua contribuição acadêmica para a química haviam transformado o Japão em uma enorme potência. Sua luta pela preservação das espécies em extinção era admirada por todos. Mas, naquele dia, era um simples recital de violino que trouxera até o Imperador para o teatro.
Ushio tremia, não de medo, mas de ansiedade. Queria logo mostrar para todos que suas capacidades iam além da ciência. Ela realmente havia se esforçado, afinal, suas verdadeiras paixões sempre foram a conquista, e ouvir o ecoar de seu nome pelas galáxias.
— Filha, tudo pronto? — Perguntou a mulher avoada, usando um vestido longo, preto.
— Sim. — Respondeu Ushio, com desprezo na voz
A mulher abaixou até seu rosto ficar na altura da menina, e olhou fundo em seus olhos. As duas se encararam por um momento, até que um beijo na testa de Ushio cortou o ar pesado que ficara no ambiente.
— Seu pai estaria orgulhoso de você. — Disse a mulher, enquanto se levantava e saía. "Provavelmente para ir flertar com algum grande nobre", pensou a menina.
Fazia um ano que seu pai havia ido. Logo após um acidente que ela sofreu em um observatório abandonado. Sua mãe a culpou, de início, dizendo para a menina que o velho havia morrido de desgosto. Já ela, culpava a mãe. As duas nunca se deram bem, pois Ushio, sempre observadora, percebia as saídas e os flertes da mãe com homens ricos, enquanto seu pai sempre fingia que não percebia. Algumas vezes, a menina acordava com o som do velho violino tocando. "Como alguém consegue manter a postura em meio a tantas lágrimas?" se perguntava. A admiração da menina pelo homem que a ensinou a sonhar que não haviam limites para a capacidade humana crescia a cada dia, e hoje, seria o dia que ela mostraria a si mesma que realmente não haviam limites para ela.
Ou assim ela pensava, enquanto os sons de tiro ecoavam pelas ruas. Em segundos, o prédio havia sido tomado por homens fardados, com a insígnia da União. A União era uma frente paramilitar contrária à restauração dos poderes do Imperador, que havia ganhado muita força depois do Grande Desastre, por consequência da perda total das colônias Japonesas na fronteira do sistema. Os soldados entraram em uma tentativa de golpe, e tomaram o Imperador como refém. Para Ushio, toda essa politicagem não importava, ela apenas queria tocar o seu violino, e honrar seu ancestral.
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