Nebula's Sorcery

5 Chapter Four - From The Ashes


A escavação estava quase no fim. O relógio marcava dez minutos para as seis da tarde, mas o sol escaldante mostrava que ainda faltava muito para o dia acabar. Tomas Ross subiu as escadas saindo daquele vasto túmulo, alguns homens estavam descansando sob a sombra da tenda montada no meio do Deserto do Tibesti. Tomas juntou-se à eles pegando uma xícara empoeirada e enchendo-a com água. Todos ali se sentiam exaustos devido ao grande esforço físico e ao calor excessivo naquele lugar.

Apesar dos grandes avanços da tecnologia, os arqueólogos responsáveis pela escavação decidiram prosseguir com o projeto do jeito antigo, usando ferramentas manuais e não levaram consigo nenhuma máquina que pudesse acelerar o processo.

Há três meses acampados no deserto, o grupo de quinze pessoas estava quase desistindo da ideia de que ali havia a salvação para o fim da guerra que estava destruindo o planeta e a humanidade. Eles já haviam explorado toda a extensão territorial do deserto à procura do mitológico metal sagrado e não haviam encontrado nada além de fósseis.

— Porque não liga para o departamento e pergunta se estamos mesmo no lugar certo? — Perguntou Elaine enquanto Tomas se sentava em uma das cadeiras livres.

— As coordenadas são exatamente onde estamos. — Respondeu Tomas que não sabia pensar em mais nada para argumentar com o resto do grupo que estava completamente sem motivação para continuar o trabalho.

— Seria mais fácil se soubéssemos o que estamos procurando. — Disse um dos escavadores passando hidratante na pele bastante queimada pelo sol.

Enquanto os outros descansavam em baixo da sombra, Ahmal Al-Asiri contemplava aquele enorme cemitério de coisas tentando buscar dentro de si uma ponta de esperança de que aquela missão estivesse perto do fim e com um resultado positivo. Foi então que por um milésimo de segundo ele viu uma luz fraca em meio aos ossos que não conseguia definir se eram humanos e outros objetos obsoletos. Colocando suas luva sujas de terra, Ahmal foi rapidamente em direção ao brilho ofuscado pela poeira daquele lugar. No meio dos restos mortais e terra, havia uma pedra escura tão brilhante e limpa que parecia ter sido polida e recém colocada naquele lugar sujo.

— Pessoal, encontrei algo! — Gritou Ahmal saindo do buraco com a pedra na mão. Mesmo com as luvas grossas, ele podia sentir uma forte vibração vinda da pequena pedra.

O grupo aproximou-se dele perplexo e ao mesmo ansiosos para que aquela pedrinha preta fosse realmente o que estavam procurando por tanto tempo. Todos sentiram um arrepio na espinha enquanto uma corrente de ar gelada correu por entre eles fazendo-os tremer com o frio repentino.

— Vou comunicar ao departamento que encontramos o objeto sagrado. — Disse Tomas indo na direção de uma barraca onde os aparelhos de comunicação ficavam. — Ninguém toca na pedra. Ainda não sabemos nada sobre sua composição química.

Mas antes de Tomas terminar de falar, Ragot um rapaz filipino pegou a pedra nas mãos e num segundo depois estava caído no chão. Todos ao seu redor ficaram desesperados. Ahmal que estava com a luva pegou a pedra de volta e foi guardá-la longe daquela multidão. Martha que era enfermeira aproximou-se do jovem para examiná-lo mas foi impedida por Tomas.

— Não o toque, Martha. Não sabemos se é um efeito da pedra ou ao menos se é contagioso. — Disse ele sério — Fearghas, chame a equipe de resgate.

Um homem alto e magro correu para a barraca onde Tomas estava indo antes do ocorrido. Pegou um rádio transmissor e começou a pedir por ajuda.

— Ele está morto? — Perguntou um homem negro em pé ao lado da enfermeira.

— Não saberemos até eu examiná-lo. — Respondeu Martha olhando irritada para Tomas.

— Pegue essas luvas, Martha. — Disse Brenda, uma moça ruiva aparecendo do nada e entregando um par de luvas brancas para Martha e seu kit de primeiros socorros.

A enfermeira pediu para todos se afastarem enquanto escutava os batimentos cardíacos de Ragot pelo velho estetoscópio.

Fearghas retornou para onde eles estavam com Ahmal chegando logo depois dele.

— Quando a equipe vai chegar? — Perguntou Elaine preocupada.

— Em meia hora.

— Como ele está? — Perguntou Ahmal ignorando as reclamações dos outros escavadores.

— os sinais vitais estão fracos, parece estar em choque. — Respondeu Martha sem muitas expectativas.

— Você acha que ele ficará bem?

— Se conseguirmos levá-lo a tempo ao hospital e fazer uma bateria de exames, saberemos se ele ficará bem. — Respondeu Martha, virou para Tomas e disse desanimada — Precisamos levá-lo para a sombra antes que se desidrate nesse sol.

Dois homens altos e fortes colocaram suas luvas de escavação e levaram Ragot para a barraca onde eles dormiam colocando-o em sua cama. Seu corpo estava frio como o de um cadáver, um dos homens o cobriu com um lençol e os dois saíram da barraca com um olhar triste e ansiosos para que o resgate chegasse logo.

Enquanto isso na Base Espacial, o presidente Charles Peterson recebeu um telefonema de um dos funcionários do Departamento Histórico das Nações Remanescentes. A notícia era de que seu colega de liderança estava bem e havia encontrado o artefato que era procurado pelos humanos há séculos. Ele liberou uma equipe de resgate junto com alguns pesquisadores bioquímicos para conter qualquer risco de contágio biológico.

Assim que desligou o monitor na sala de comunicação. Ligou para o Hospital nacional onde a terceira líder da Nação estava trabalhando, pedindo a Bernadete que liberasse uma ala apenas para a equipe de arqueólogos pois todos teriam que passar por exames físicos e psicológicos para depois serem liberados para duas famílias.

Depois de resolver todos os detalhes do resgate do grupo de arqueólogos, Charles voltou para a sala de monitoramento interestelar para acompanhar o desfecho da missão espacial que estava se mostrando um quanto tanto complicada demais para eles.

Meia hora depois a equipe de resgate chegou ao deserto numa imensa nave. Alguns homens com uniforme militar descem da nave para escoltar um grupo de bioquímicos e médicos que foram direto para onde Ragot estava deitado sendo levados por Martha e Brenda. Todos usavam máscaras para evitar qualquer tipo de contaminação presente no ar.

— Onde está o objeto? — Perguntou um dos bioquímicos.

Ahmal levou os três homens para a tenda onde a pedra estava cuidadosamente guardada dentro de uma caixa de isopor.

— Cuidado, essa pedra parece ser venenosa. — Alertou-os Ahmal enquanto um dos homens que pareciam astronautas com seus macacões contra contaminação abria a caixa.

— Não se preocupe, estamos protegidos. — Respondeu ele com a voz abafada.

— Mas é melhor você sair daqui. Não queremos que outra pessoa seja afetada por essa pedra. — Disse o outro.

Ahmal se afastou da tenda e foi ajudar os outros a guardar as caixas de ferramentas na nave. Alguns minutos depois todos já estavam na nave e prontos para irem embora.

— Nós iremos para o Cairo? — Perguntou Fearghas assim que a nave decolou.

—Vocês irão para o Cairo, mas não agora. — Respondeu um dos soldados sentado mais próximo deles.

— E para onde iremos agora?

— Para o Hospital Nacional das Nações Remanescentes.

— Nações Remanescentes? — Indagou Tomas — Isso é alguma entidade filantrópica nova?

— Essa é a Nação onde vivemos. — Respondeu um dos soldados olhando para os outros arqueólogos que também pareciam confusos.

— E quando iremos voltar para nossas casas? — Perguntou Fearghas mudando de assunto, pois aquela conversa estava soando estranha demais para ele.

— Assim que os resultados dos exames saírem garantindo que todos estão bem.

— Isso não é preciso. — Respondeu Martha — Eu fiz exames periódicos neles durante esses meses. Estão todos saudáveis com exceção do Ragot por causa daquela pedra.

— Desculpem, mas eu preciso perguntar. — Disse um bioquímico que ouvia a conversa levantando-se e indo até o grupo. — Quanto tempo vocês ficaram naquele deserto?

— Três meses. — Respondeu Ahmal sem entender porque ele estava lhe perguntando aquilo sendo que todos ali sabiam sobre a missão.

— Oitenta e sete dias, para sermos mais exatos. Porque? — Tomas parecia um pouco abalado quando falou.

— Deem uma olhada nisto. — Disse o bioquímico entregando a Tomas um jornal em holograma. Todos leram atentamente às notícias e espantaram-se quando viram a data.

— Vocês ficaram naquele deserto por mais de três anos. — Disse o soldado mais próximo após o grupo terem uma leve discussão sobre o assunto.

— Como isso é possível? Como não percebemos o tempo passar? — Indagou Elaine incrédula.

— Não temos certeza sobre isso, mas pode ser algum efeito do artefato que encontraram.

Nesse momento a luz de alerta da nave começou a piscar. O piloto da nave avisou que eles estavam sob ameaça de ataque aéreo e teriam que fazer um pouso de emergência.