Nebbia

6 05 – Nuvola.


Notas iniciais
Yoo. Bom eu sei que poucas pessoas leem essa fic, mas ainda sim adoro a todos

Terça-feira, 30 de Outubro de 2009.

Localização: Bern, Suíça.

Nota: Sem seu único Céu, a Nuvem desorienta-se, perde-se, torna-se amargurada.

Seus passos eram pesados e completamente duros. Estava se irritante mais e mais com aquela Família mafiosa de merda que tentava inutilmente resistir às investidas da Nuvem.

– Roll. – e apenas em tal pronunciar mais um prédio fora levado a baixo. Segundos após o pequeno porco-espinho arroxeado já encontrava-se sobre o ombro do mais poderoso Guardião Vongola.

Hibari se quer demonstrava alguma emoção – nem mesmo o prazer de batalhar se fazia presente – enquanto caminhava em direção ao ultimo prédio erguido pela Família Nebrasca.

Viu os guardas que deveriam proteger a entrada – doze no total – fugirem com medo da poderosa e devastadora Nuvem.

Sequer deu-se ao trabalho de persegui-los, seria perda de tempo no fim. Queria apenas dar um fim definitivo a sua frustração e também a aquela família inimiga.

Seria mentira se dissesse que o Kyoya estava ali em alguma missão, pois Hibari afastara-se definitivamente da Vongola a mais de uma semana assim escolhendo buscar por si só as informações que ou lhe são negadas, ou se quer foram dadas a qualquer outra pessoa.

Avançou sem o mínimo de dó pelos corredores, enfim chegando a sala final onde o chefe da Família se mostrava – tremulo – sobre um trono.

Viu o homem – de aparentes quarenta anos – tremer sob seu lugar. Suor banhava sua face, e seus lábios secos e olhos vítreos entregavam o fato de que o medo dele era quase surreal.

Passo ante passo ele avançou, e em poucos minutos a sala fora banhada de sangue e corpos, e o prédio levado a baixo enquanto Hibari Kyoya afastava-se em passos duros.

Apertou as mãos sob as tonfas, ainda sentindo o ódio preencher seu interior. Rangeu os dentes, sentindo a amargura vir-lhe a garganta, odiava sentir aquilo, mas era inevitável não sentir.

Mas o pior de tudo era algo que não admitiram nem mesmo sob tortura.

Hibari sentia falta de Tsuna, mais do que um dia pensou em sentir. E sentia ódio de si mesmo por ter deixado que levassem adiante assuntos tão ridículos que acabaram por custar a vida de uma das poucas pessoas que o aceitou sem questionamentos e sem esperar mais do que podia oferecer.

(...)

Sábado, 12 de Outubro de 2008.

Localização: Arredores da Mansão Vongola.

Nota: Existem coisas pequenas que podem machucar tanto.

Baixou o olhar para chutar uma pedra qualquer que se dispunha em seu caminho pela trilha entre as belas arvores do grande jardim da mansão. E assim parou, encarando o restante do caminho que lhe era dado mais a frente.

Estava cansado, não de andar. Não era um cansaço físico, mas psicológico. Necessitava desabafar, precisava urgentemente conversar com alguém, pois mesmo seus sorrisos estavam sendo difíceis de aparecer.

Suspirou, talvez pela milésima vez apenas naquela tarde, e talvez fosse apenas mais um de muitos outros suspiros. Por que era tudo o que Yamamoto conseguia fazer enquanto afogava-se na frustração de ter que guardar para si tanta coisa.

Era certo que tinha amigos ao seu lado, mas dessa vez – ao menos dessa vez – o Takeshi desejava poder resolver sozinho os seus tormentos, afinal Tsuna e o restante dos guardiões também possuíam seus assuntos, Tsunayoshi principalmente por ser o Boss Vongola.

Mordeu o lábio com força.

Mesmo quando colocava toda sua mente para trabalhar não conseguia encontrar uma forma de acalentar os nervos.

Era frustrante demais.

(...)

– Boss. – a voz calma e gentil da Guadiã da Nevoa fez-se presente. Em suas mãos havia uma bandeja com um bule e uma xícara única de chá verde.

Com suavidade depositou a bandeja sobre a mesa – esta que a pouco fora desatolada de tantas notificações das “curtas” missões de Kyoya – e assim pôs-se a servir seu chefe.

– Obrigado Chrome. – sorriu o moreno, um terno sorriso, mas apesar de tudo a Dokuro podia ver o semblante triste por detrás dos dentes brancos. Era doloroso para si assistir seu amado chefe sofrer em silencio, apenas esperando e confiando que seus queridos Guardiões e amigos encontraram o momento certo para lhe pedir ajuda, ou mesmo desabafar consigo.

Devagar sorveu a bebida quente.

Não que Tsuna não soubesse o que estava acontecendo. Ele sabia de TUDO, sem escapar um detalhe se quer. E muitas das coisas que aconteceram, Tsunayoshi soube antes mesmo de chegarem a se concretizar, e esse era o mais poderoso e atual dom que o Jovem Décimo descobriu.

Assim como Uni, ele podia prever o futuro.

(...)

Sexta-feira, 02 de Novembro de 2009.

Localização: Mansão Varia.

Nota: Mentiras são como cicatrizes na alma.

Tremeu diante do Constante e imensurável poder de seu Boss, mas nem mesmo a gritaria constante pelo corredor – esta provindo de um Squalo no auge de toda sua fúria – fora capaz de lhe arrancar das pilhas de papeis que se erguiam, muitas que já haviam sido bagunçadas por Belphegor.

Respirou profundamente, depositando por fim a folha que tinha em mãos sobre a terceira pilha – da direita para a esquerda – que havia sobre a mesa.

No total havia seis pilhas, todas desreguladas quanto a quantidade de papeis, mas uniformemente organizadas de acordo com as informações que cada ficha tinha.

Há algumas semanas Marmon pouco ligaria para aqueles papeis, mas depois do ocorrido a alguns dias atrás e sobre as perdas de cada família, e também sobre quem foi que causou toda aquela catástrofe... Algo chamou claramente a atenção da Ilusionista, algo inalcançável e perigoso, e que a mesma rezava para não ser verdade.

Passou novamente o olhar pelos nomes de cada pilha.

Sol. Tempestade. Chuva. Trovão. Nuvem. E Nevoa.

Tantas mortes inexplicáveis, tanta desordem e tudo tendo apenas um causador. Chrome Dokuro. Suspirou em um alivio inumano enquanto erguia-se e seguia para fora do cômodo.

Já no corredor seguiu em passos calmos até a sala de Xanxus – onde podia jurar que o mesmo agora encontrava-se dormindo sobre os papeis que deveria assinar -, era certo que era sentença de morte acordar seu chefe, mas ao menos Squalo encontrava-se na mansão para o moreno poder descarregar sua raiva no albino.

Bateu na porta, logo ouvindo um baixo e raivoso ‘entre’. A surpresa não tardou em se mostrar ao ver quem se encontrava no interior do cômodo.

Rokudo Mukuro era a ultima pessoa que desejava encontrar aquele dia, mas algo lhe incomodava sobre aquela repentina visita.

– Kufufu, quanto tempo Arcobaleno? – ironizou o grande Guardião Vongola da Nevoa, também conhecido por seu a metade cruel e sanguinária da Nevoa.

– O que quer aqui? – rápida e direta, Marmon jamais esqueceria a vergonha de ter perdido para aquele homem, e também o ódio que nutria pelo mesmo.

– Kufufufu, apenas quero ter certeza de que, dessa vez, estou errado. – anunciou o sorriso em sua face tornando-se tenso a cada palavra proclamada. – É sobre Nagi... – e assim ergueu uma pasta vermelha, esta que apenas naquele momento fora notada pela criança Ilusionista. – E o Caminho dos Sonhos.

(...)

Sexta-feira, 02 de Novembro de 2009.

Localização: Vindicare.

Nota: Quando pensar em desistir, lembre-se de todos os motivos que te fizeram suportar até agora.

Sorria, mesmo que com os lábios trêmulos ela sorria enquanto caminhava.

O vazio e a escuridão eram seus únicos companheiros naquele momento.

Seus passos era silenciosos e calmos enquanto seguia pela corredor. Aos poucos o momento certo estava se aproximando, e rezava para que seu coração fosse forte o suficiente para que o plano desse certo.

– Boss... – o murmúrio simples aqueceu o frio que lhe envolvia o corpo magro. Nenhum guarda ousou lhe parar, nem as sombras que lhe acompanhavam se aproximaram, não quando era possível sentir a quilômetros de distancia o queimar de suas chamas de Nevoa.

Mais do que nunca Chrome estava convicta do que deveria fazer.

E mesmo que lhe partisse o coração, o faria, por que ele... Por que eles mereciam tudo aquilo, e um pouco mais.

(...)

Sábado, 03 de Novembro de 2009.

Localização: Desconhecida.

Nota: Ela era complicada demais para ter alguém ao seu lado.

Cerrou o olhar em direção ao vasto branco que se estendia pelas montanhas.

A neve impregnava cada mínimo lugar, e o frio que se fazia presente seria capaz de matar um. De matar a garota que se arrastava tremula e frágil, com roupas frouxas e velhas. A mesma garota que estava sendo caçada.

Poderia ele mesmo matá-la ali e agora, mas isso estava fora de cogitação. Ao menos agora.

Puxou os óculos sobre os olhos e o capuz sobre a cabeça. Assim se aproximando do corpo magro e gélido que agora pendia sobre a neve.

Tomou-a nos braços assim a levando para a cabana que havia ali próximo.

Como ela suportara o frio da nevasca desde a saída de Vindicare, ele não entendia, mas – aparentemente – ela possuía um propósito e uma convicção muito forte para suportar o frio intenso.

Fitou a venda sobre os buracos onde um dia esteve seus olhos. Certamente haviam sido um belo par de olhos, pena que tivera a chance apenas de ver um deles, mas tinha certeza de que foram lindos.

Suspirou, reprimindo o ímpeto de matá-la, ou mesmo de deixá-la ali para morrer no frio. Ambas eram opções inviáveis, pois ele queria – não – ele precisava saber o porquê ela fez tudo o que fez.

Sentiu-a remexer-se em seus braços, inquieta, triste. Fosse o que fosse, deixava-o apenas ainda mais curioso a respeito da mulher de cabelos azuis.

Curioso e irritado.

Talvez Chrome Dokuro estivesse destinada a ser a herbívora que mais intrigava e irritava Hibari Kyoya.

(...)

Sábado, 03 de Novembro de 2009.

Localização: Mansão Vongola – Sala de Conferencia.

Nota: O fato de o mar estar calmo não significa que nada está acontecendo nas profundezas.

Tamborilou os dedos sobre a mesa numa angustia que não conseguia reprimir.

As palavras de Verde ainda se faziam presentes em sua cabeça, mas fora a declaração de Marmon que marcara uma presença desumana em seu psicológico.

O Caminho dos Sonhos.

Ele recordava-se dela dizer.

O mais perigoso e poderoso caminho que se pode trilhar no inferno. O único em que o próprio Rokudo Mukuro não se atreveu a passar. Havia conseqüências nesse caminho, tal como sacrifícios eram necessários para atravessá-lo. Sacrifícios os quais nem mesmo o Ilusionista Vongola atrever-se-ia a fazer.

Mas o pior de tudo isso era que tudo – todos os ditos sacrifícios — já havia sido preparado. E talvez a pior parte ainda estivesse por vir.

Passou o olhar por cada um que constituía o circulo interno da Vongola. Todos ansiavam pela cabeça Chrome, talvez Enma fosse o único que temesse mais o que estava por vir do que lamentasse o que aconteceu. Não que o ruivo fosse frio, ele apenas tinha consciência de que os ataques as famílias aliadas apenas faziam parte de um plano maior da Dokuro.

E por reflexo o Don Shimon apertou as mãos em punhos. Sua raiva e indignação se espalhavam quase como um veneno por seu corpo, e isso apenas dificultava para o mesmo manter a aparente calma.

– Enma? – o indagar baixo de Adel lhe trouxe a realidade. Talvez não devesse pensar tanto naquilo. Ao menos não naquele momento. Não quando podiam suspeitar de algo.

– Está tudo bem. – respondeu mantendo uma aparente calma. Por dentro ele desejava poder soltar tudo o que sabia, mas Enma tinha plena certeza que fazendo isso às conseqüências seriam devastadoras. – Está tudo bem... – repetiu mais para si do que para sua Guardiã, talvez apenas como uma forma de tentar se acalmar verdadeiramente.

– Nono. – fora a voz de Reborn que sobrepujou a dos outros chefes e nisso todos se calaram para ouvir o pronunciar da criança mais temida de todo submundo. – Ela fugiu de Vindicare e Hibari desapareceu.

A surpresa foi geral.

Ouviu-se reclamações e diversas pessoas anunciando que caçariam a Guardiã pelos quatro cantos do mundo enquanto outros temiam que o desaparecimento do mais poderoso Guardião fosse para se aliar a inimiga.

O ruivo suspirou. Era tão ridículo aquilo tudo. Se ninguém se acalmasse jamais chegariam a algum lugar. Talvez fosse mesmo melhor contar sobre a conversa com Marmon.

E assim o Kozato desviou o olhar para a outra figura infantil mais ao canto, esta que o fitava como se esperando que o mesmo a observasse. Um aceno foi o suficiente para fazer com que o Kozato se erguesse de seu lugar e batesse o punho fortemente contra a mesa.

– Chega! – sua voz, mais autoritária do que gostaria, ecoou assustando, inclusive, seus próprios Guardiões. – Estão agindo como crianças criando todo esse alvoroço! – e mais uma vez sua autoridade se mostrou. – Chrome não irá atacar ninguém agora, ela fugiu de Vindicare e posso afirmar melhor do que qualquer um de vocês que ela está fraca, pois não é fácil lugar contra nenhum Vindice. Vocês são chefes de suas famílias, ponham-se em seus lugares e pensem nisso de forma eficaz, pois caçar alguém que está simplesmente desaparecida não vai os levar a lugar algum. – e assim o ruivo suspirou. – E sobre o Hibari isso já era esperado, e não alimentem esperanças de que ele pode voltar, pois sua fidelidade devia-se única e somente ao Décimo Vongola. – anunciou ao fim, sentindo o peito doer por não conseguir pronunciar o nome do melhor amigo. – Irei me retirar, quando se acalmarem e decidirem ser civilizados, retornarei.

E assim o Don Shimon de retirou tendo apenas Suzuki Adelheid e Katou Julie em seu encalço, ambos surpresos e confusos pelas reações de seu chefe.

Em passos pesados e mudos Enma dirigiu-se a saída da mansão. Suas mãos fechadas em punhos denunciavam a tensão que apossava-se de seu corpo.

Logo fora da mansão dirigiu-se ao jardim, não tardando em encontrar a Ilusionista Varia.

Fitaram-se numa muda conversa antes da criança desaparecer.

Suspirou, cessando os passos para fitar o céu escondido por densas e pesadas nuvens.

De alguma forma sentia que algo estava para acontecer. Algo grande. Algo que afetaria a todos.

(...)

Quinta-feira, 17 de Outubro de 2008.

Localização: Mansão Vongola.

Nota: Conquistas só duram até estragarem. Fracassos duram para sempre.

Baixou o olhar passando os dedos suavemente pelas teclas do piano.

Seu peito doía, sua alma estava quebrada. Perdera o chefe, e não apenas isso. Tsuna era muito mais do que um simples chefe para si. Era como um irmão, um melhor amigo. O Sawada fora a primeira pessoa a aceita-lo como ele realmente era, sem esperar nada em troca. Aceitava-o desde suas explosões infundadas a seus excessos devido ao titulo de Boss que ele próprio carregava.

Mais do que nunca Gokudera sentia-se solitário. Mais do que nunca desejava poder ter chegado alguns minutos antes para poder salvar seu amado Chefe, ou mesmo para morrer no lugar dele. Pois por Tsunayoshi o Hayato seria capaz de qualquer coisa, inclusive de perder a própria vida para salva-lo, mesmo que Tsuna fosse totalmente contra essa idéia.

Pressionou uma das teclas do instrumento de calda. O som agudo ecoou grave por sua mente.

Diversas foram às vezes em que tocou para o Sawada – e apenas ele – ouvir. Compôs musicas apenas para Tsuna, apenas para entretê-lo e fazê-lo relaxar após um dia cansativo de trabalho.

E antes que pudesse impedir as lágrimas já escorriam pingando sobre as teclas de marfim. A dor em seu peito jamais mostrou-se tão proeminente desde que ocorrera a perda de seu chefe.

Com lágrimas doloridas e um ódio descomunal, o Hayato jurou a si mesmo que vingaria o assassinato de seu amado chefe. O faria mesmo que morresse no processo.

(...)

Segunda-feira, 05 de Novembro de 2009.

Localização: Desconhecida.

Nota: Todos têm algo a esconder.

Despertou, sentindo-se aquecida e protegida. Já havia tempos que não se sentia assim e, de certa forma, era estranho sentir novamente.

Ouvia os sons da neve chocando-se contra a cabana do lado de fora, e não podia deixar de se sentir intrigada para com seu salvador.

Logo o calor aconchegante fora substituído pela gélida e assustadora presença do Guardião da Nuvem.

– Então foi você... – murmurou-a rouca reconhecendo a aura cruel que rodeava Kyoya. – Por quê?

Não houve resposta, mas ela sabia o por que. Hibari estava frustrado e isso era palpável e visível – mesmo que ela não enxergasse de forma alguma.

Remexeu-se sob o leito quente. Podia sentir que suas roupas haviam sido trocadas e quase corou ao imaginar que o moreno a vira nua, mas não era momento para isso, e também não havia com o que se preocupar, afinal Hibari nunca faria nada consigo – exceto lhe matar. Mas não era como se meio mundo também não a quisesse morta.

– Você ainda não descobriu o por que? – questionou-a deitando-se novamente. E mais uma vez obteve apenas o silencio como respostas, a única coisa que denunciava a presença do moreno no aposento era o frio desumano que suas chamas transmitiam. A Dokuro sorriu. – Não pretendia contar a ninguém, mas... Não há por que eu esconder de você agora...

(...)

Quarta-feira, 09 de Outubro de 2008.

Localização: Ilha Shimon – Castelo Shimon.

Nota: As palavras pesam muito.

Bocejou cansado. Mesmo que fosse manha e já houvesse tomado seu café, não conseguia evitar o cansaço, ainda mais quando havia passado – novamente – a noite inteira acordado resolvendo alguns assuntos pendentes.

Deixou a caneta de lado por alguns instantes, baixando a cabeça logo ao resolver que um pequeno cochilo não faria mal algum. Sequer pode fechar os olhos quando batidas na porta fizeram-se presentes.

Com um suspiro, e tornando a assumir sua postura, Enma permitiu a entrada de quem quer que fosse, surpreendendo-se ao deparar-se com a figura sorridente do Don Vongola e também de seu melhor amigo.

– Tsu-kun? – indagou ainda surpreso, também surpreendendo a sua Guardiã da Geleira, Adel, pela forma como se dirigira ao Vongola.

O moreno apenas alargou seu sorriso já seguindo para próximo do ruivo enquanto a porta atrás de si era fechada.

– Que... Surpresa. – comentou o ruivo ainda sorrindo, ato que facilmente fora devolvido pelo Don Vongola.

– Apenas queria lhe ver. Faz bastante tempo desde que saímos apenas nós dois para conversar. – afirmou o moreno parando de pé de frente para o Shimon.

O Kozato apenas alargou seu sorriso e em pouco mais de algumas horas já podia-se ver a dupla de Dons – muito antes conhecidos por serem a dupla-bom-em-nada – já caminhava pela pequena cidade ainda em formação que abrangia parte da Ilha Shimon.

Crianças brincavam na rua e os mais velhos trabalhavam, todos felizes, todos sorrindo e até acenando para o homem – Enma – que os protegia naquela ilha.

– Gosto daqui, é calmo. – comentou Tsuna respirando fundo e fitando o céu claro. A pouco a dupla havia sentado em uma clareira que havia mais afastada da cidade. Apenas eles dois é claro, não havia perigos naquela ilha, Enma garantia isso com sua vida.

O ruivo apenas limitou-se a acenar em afirmação enquanto apreciava a brisa calma e suave que cantava para os chefes mafiosos.

Quem os vi-se ali jamais diria que aqueles dois rapazes – ambos no auge de sua juventude e beleza – seria poderosos e perigosos mafiosos. Mas as aparências muitas vezes enganam.

– Enma-kun... – chamou o Don Vongola após um sutil silencio. – Se acontecer algo... Comigo... Você seria o primeiro a saber. – comentou por fim fitando o céu que aos poucos era coberto por nuvens escuras.

– Como assim Tsuna-kun? – questionou o Kozato tendo uma sensação ruim sobre tudo aquilo.

O moreno apenas balançou a cabeça de forma negativa.

– Caso algo aconteça comigo, apenas me prometa que vai ficar bem, ok? – pediu Tsunayoshi encarando o ruivo nos olhos, ato que arrancou certo rubor do Don Shimon.

– Eu... – e assim suspirou, não conseguiria nenhuma resposta para aquela estranha conversa. – Tudo bem Tsuna-kun, só me prometa que fará o possível para que nada de ruim lhe aconteça, certo?

Fora a vez de o moreno rir. Um riso calmo e, de certa forma, culpado.

– Tudo bem Enma-kun.

(...)

Terça-feira, 06 de Novembro de 2009.

Localização: Desconhecida.

Nota: Ás vezes são as escolhas erradas que te levam ao rumo certo.

Sorriu enquanto digitava no teclado de seu computador.

As peças estavam quase todas em seus lugares, apesar de que o quebra-cabeças estava completamente formulado em sua mente.

Genial. Era isso que o plano de Tsunayoshi era. Mirabolante, perigoso e genial.

E apesar de que inicialmente Verde não conseguia ver nenhum beneficio a si – apesar de que deu continuidade ao plano – logo com o passar dos dias o ex-Arcobaleno cientista teve um lapso de todo o beneficio que teria.

Era absurdamente notável o quão bem planejado fora tudo aquilo, ainda mais com o tempo de espera de um ano. Foram doze sofridos meses, mas enfim tudo estava em seus conformes.

A máfia se desfazia em pontos estratégicos e a Vongola estava ficando a beira do precipício.

Dino Cavallone beirava um ataque de nervos de tanto trabalho enquanto Enma estava histérico devido às breves ‘conversas’ que tinha consigo e com Marmon, Uni Giglio Nero encontrava-se num luto depressivo que aparentava não ter fim e o restante das famílias envolvidas afogavam-se num ódio desumano pela ex-Guardiã. Não tardaria muito para todos se reunirem contra a perigosa mulher que os colocava contra a parede, isso se não resolverem agir às cegas antes, o que geraria famílias mafiosas sendo totalmente aniquiladas por um perigoso Guardião da Nuvem.

Sorriu de forma larga enquanto ajeitava melhor os óculos.

Com Hibari do lado deles a balança tendia a pesar mais aumentando as chances – estas que já eram absurdamente grandes – de tudo se concretizar com uma perfeição irredutível.

Girou a cadeira, pondo-se de pé em um pequeno pulo.

Seguiu por um estreito corredor metálico, logo chegando a um pequeno aposento – este que continha apenas uma cama e uma escrivaninha baixa.

O melhor a se fazer no momento seria dormir, pois precisaria de força para quando o plano fosse posto em ação.

Notas finais
Gostaram? Bom posso dizer que as emoçoes ja começaram a ficar a flor da pele, mas ainda ha coisas por vir, ainda mais depois da fuga de Chrome ;) Mil tretas viram, e ainda ha uma coisa a espera dos ex-Arcobalenos e também uma pequena treta Mukuro vs Hibari, ushiushiushiushi ;) Espero que tenham apreciado o capítulo, o proximo virá o mais breve possivel. Ja'ne