Nebbia

2 01 – Sole.


Notas iniciais
Yooo.

Bom, eu pretendia fazer a fic ser mensal, mas acho que nem cola '-'

Vou postar sempre deixando um capítulo sobrando e tals.... os posts podem demorar, nao posso garantir nenhuma data quanto a isso -q

Boa leitura

Foi-se um ano desde que tudo ocorrera.

O Nono chefe da Vongola voltou a seu posto de Boss apenas para amenizar o caos que se espalhou após o anuncio da morte de Sawada Tsunayoshi.

Ninguém aceitava o fato de que aquele homem que mudou o mundo da máfia por dentro pode ter perecido pelas mãos de alguém, ainda mais tendo os Guardiões que tinha. Mas todos também sabiam a personalidade do Décimo Vongola. Tsuna seria capaz de perder a própria vida antes de ver algum de seus Guardiões perecer bem em frente a seus olhos.

E mesmo após um ano, não havia ninguém que não lamentasse por tamanha perda.

Mas dentre todos aqueles no mundo da máfia que conheciam e admiravam Tsuna, ninguém era capaz de sentir o peso da morte tanto quanto os Guardiões da Décima Geração. Até mesmo Hibari frustrava-se pelo ocorrido, afinal o Herbívoro lhe devia uma luta.

Não eram apenas os Guardiões que ainda viam-se em choque pelo ocorrido. As Famílias mais próximas a Vongola foram informadas sobre o assassino – ou melhor, assassina – do Décimo Chefe, e chocados era o mínimo que se encontravam.

Chrome Dokuro, a Guardiã traidora.

Mesmo após um ano esta ainda encontrava-se em Vindicare, e aparentemente ficaria lá pelo resto da vida, pois se saísse certamente seria assassinada por qualquer família aliada a Vongola.

(...)

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2009.

Localização: Mansão Vongola.

Caminhava quieto pelos corredores desertos da Mansão Vongola. Avistava um ou outro empregado, mas todos ocupados e até cabisbaixos demais.

Parou, logo quando se viu frente à porta do escritório do atual Chefe Vongola.

- Entre. – a voz abafada ecoou em resposta.

- Mandou me chamar Senhor? – indagou o prateado após uma leve mensura.

- Hayato-kun não precisa de tanta formalidade... – comentou o velho homem. Por alguns segundos o homem de cabelos prateados pareceu hesitante diante da atmosfera que apossou-se do local. Engolindo em seco Gokudera mexeu levemente no nó da gravata tentando disfarçar o desconforto presente. – Sim pedi que lhe chamassem... – e assim o olhar do velho voltou para as folhas em sua mesa. – Em breve fará um ano que o Tsunayoshi-kun foi assassinado e preciso que você, como braço direito dele, vá junto de outros dois Guardiões a Vindicare interrogar Chorme Dokuro, mesmo depois de um ano ela nega-se a proclamar uma palavra se quer aos Vindice, talvez a alguns dos ex-colegas dela ela diga algo.

E mais uma vez o olhar do idoso decaiu pesadamente sobre Gokudera. O prateado paralisara-se no momento em que foi citado o assassinato de seu precioso Jyuudaime – mais que qualquer outro o Guardião da Tempestade recordava-se bem daquela data marcante.

- Tudo bem Nono. – pronunciou logo quando percebeu o olhar do mais velho sobre si. – Quem serão os outros dois Guardiões?

O velho tornou a suspirar retirando os óculos e depositando-o sobre a mesa.

- Estou pensando em Hibari Kyoya e Rokudo Mukuro. – comentou. – Mukuro-kun como outra metade da Névoa deve ser capaz de fazê-la falar.

- Mukuro está em missão ainda, Senhor. – informou Hayato. – Levarei Ryohei e partirei ainda hoje com eles.

Novamente o velho acenou antes de dispensar o prateado.

Novamente estava a caminhar pelos corredores vastos e vazios da mansão. Milhões de pensamentos passavam por sua mente, assim como milhões de perguntas, todas sem respostas.

Bateu levemente na porta dos aposentos particulares do Guardião da Nuvem.

Os passos foram ocos e baixos. Em segundos a porta do quarto fora aberta por um mal humorado Hibari.

- Temos uma missão em Vindicare. Eu, você e Ryohei. – o moreno acenou. – Em quinze minutos lá no salão principal. – e assim a porta fora fechada. Gokudera apenas seguiu seu caminho para o quarto do lutador de cabelos albinos.

Bateu na porta, logo nos primeiros minutos quando viu que não seria atendido o homem abriu a porta, isso apenas para deparar-se com um aposento vazio.

Suspirou, já imaginando onde o albino possivelmente podia estar.

(...)

Quinta-feira, 11 de Outubro de 2009.

Localização: Nova York, Manhattan – Upper Uest Side.

Nota: Nenhuma mentira permanece mentira aos olhos dos justos.

- Kufufufu, vocês são extremamente patéticos – a voz sombria ecoou pelo cômodo destruído enquanto aos poucos a poeira baixava.

Um par de olhos heterocromáticos brilhou ao centro da sala, e quanto a poeira dissipara-se completamente pode-se ver Rokudo Mukuro empunhando seu tridente enquanto fitava, desinteressadamente, a jovem mulher encolher-se ao canto do aposento.

A jovem era ninguém menos que Christopher Roseta a única filha do Sétimo Chefe da Família Del River, e futura Oitava River – isso é claro, se sobrevivesse ao Guardião da Nevoa.

O homem de cabelos azulados sorriu, um sorriso sádico que há tempos lhe emoldurava os lábios, enquanto se aproximava da jovem de cabelos arroxeados tremula. Esta vagueava olhares atônitos entre os corpos daqueles que um dia formaram a Elite River.

Roseta sabia que uma hora ou outra seria descoberta pela Vongola, assim como seu pai sabia. O plano deles era perfeito, mas nada escapava da Vongola, nada. A garota só não imaginava que fosse ser pega tão fácil e rapidamente, ainda mais que quem viria atrás de si fosse Rokudo Mukuro, a famosa metade sádica da Névoa que só perdia em crueldade e sadismo para Hibari Kyoya,

Abaixou-se frente à arroxeada erguendo-a pelo pescoço, enquanto punha-se de pé logo em seguida.

- Uia, uia. Eu devo matar-lhe lenta e dolorosamente por tentar trair a Vongola que Sawada Tsunayoshi tanto lutou para criar? – fora uma pergunta simples, e até direta, mas quando o nome do Décimo Vongola fora pronunciado Roseta pode jurar que viu um brilho incomum tomar seu olhar e certamente a jovem Del River não queria descobrir o significado dele. – Ou talvez eu lhe prenda e leve para Kyoya... – sorriu-o ao recordar-se de que o Guardião da Nuvem estava cada vez mais agressivo com suas “visitas”.

Novamente a garota tremeu suplicando mudamente para ser morta ali e agora.

- Tudo menos Kyoya, onegai... – chorou-a. – On-negai... Tudo menos Kyoya... – as lágrimas escorriam por sua face suja de sangue, sangue daqueles que tentaram inutilmente lhe proteger.

O azulado sorriu.

Kyoya – apesar de ser seu grande e frio rival – acabara-se tornando ainda mais cruel e sanguinário após certo incidente e isso facilitava ainda mais a vida de Mukuro, pois a cada missão adorava ver o pavor na face de seus patéticos inimigos enquanto indagava-os sobre matá-los naquele momento, ou os levar a Kyoya para o mesmo desestressar.

- Onegai... – as suplicas constantes já o estavam irritando, tal como os soluços e o choro idiota.

Bufou quebrando o pescoço da jovem com apenas um movimento de mão. Em segundos o corpo sem vida fora largado indo de encontro ao chão num baque alto. Virou-se e caminhou para fora do cômodo. Seguiu calmamente pelo corredor ignorando os corpos daqueles que matara anteriormente, assim como ignorava também os estragos na estrutura do prédio.

Logo quando se encontrava fora da construção decaiu suas orbes heterocromáticas sob o relógio de pulso que apitava incessantemente chamando a atenção de alguns poucos civis que caminham a aquela hora da noite em direção as suas casas. As explosões que se seguiram pela estrutura do velho prédio, fazendo-o desabar, acabou por chamar a atenção de todos que estavam próximos que ficaram horrorizados com tal destruição.

Jogou um ultimo olhar sobre os escombros antes de se afastar da multidão desesperada que buscava sobreviventes. Seu tridente – assim como ele próprio – encontravam-se envolvidos numa densa ilusão e quem o visse podia jurar que era apenas um homem cujos negócios bem sucedidos o fazia nadar em Euros e Dólares.

Seus passos eram calmos e – de certa forma – impassíveis. Ao longe o soar das sirenes da policia gritavam juntamente com as sirenes de ambulâncias.

Fez uma careta continuando seu percurso por entre arruelas a fim de se livrar da multidão que começava a se formar. De jeito algum queria ser identificado.

Por isso e outras coisas que Mukuro odiava a America.

(...)

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2009.

Localização: Mansão Vongola.

Nota: Nunca devemos nos envergonhar das nossas próprias lágrimas.

Lambo remexia-se em sua cama, inquieto. Não tinha sono, mas também não possuía animo algum para levantar. Treinar apenas o faria se lembrar de seu nii-san morto, e isso era a ultima coisa que o Bovino precisava se lembrar, já bastava os constantes pesadelos que tinha desde aquele fatídico dia.

Rolou novamente sobre o leito macio puxando o lençol para cobri-lo completamente. Em breve faria um ano que perdera a pessoa mais preciosa de sua família e a cada vez que se lembrava disso Lambo tendia a passar horas chorando e se culpando. Se fosse um guardião mais forte e responsável aquilo não teria acontecido. Se houvesse insistido em ir com ele, Tsuna provavelmente estaria ali brigando consigo por ter se recusado a ir a aula pela oitava vez no mês.

Afundou a face no travesseiro macio derramando as lágrimas culposas e doloridas que pareciam nunca querer cessar.

Sem Tsuna ali... Sem seu nii-san... A vida havia perdido a graça.

Era o mais frágil da Família, não levaria muito tempo para ser posto de lado e rotulado como fraco, ainda mais agora que Gokudera e Yamamoto mostravam-se sempre ocupados demais para treiná-lo. Treinar com Ryohei estava fora de questão, pois o lutador era muito... Extremista – apesar de que isso diminuiu bastante após a morte do Sawada. Hibari negar-se-ia prontamente e ainda por cima lhe aplicaria uma bela surra. Mukuro era uma tentativa que o jovem Bovino não estava disposto a correr, afinal a personalidade do azulado começara a se distorcer – mais do que já era – após o súbito incidente com Chrome... E Reborn... O ex-Arcobaleno era sadista demais para si, tinha plena certeza que acabaria morrendo caso “treinasse” com o mesmo, apesar de que se sobrevivesse certamente seria tão forte quanto Gokudera ou Yamamoto.

E novamente voltava a estaca zero.

Não havia quem o treinasse. Não havia quem o quisesse por perto. Não havia missões para si. Era fraco aos olhos de todos e pelo visto jamais receberia chance alguma para provar sua força. Apenas Tsuna acreditava em suas capacidades.

Encolheu-se, soluçando e fungando. O nó em sua garganta apenas o fazia ficar pior.

Mesmo após um ano... Mesmo que ninguém percebesse... Mesmo que não quisessem perceber... Lambo sofria. Afinal era apenas mais um trauma para si. Fora abandonado na infância, mas no mesmo período Tsuna o “adotou” como um irmãozinho em sua casa, mas agora fora “abandonado” na adolescência... Não que Tsuna possuísse alguma culpa ao ver do mais jovem Guardião.

Sawada Tsunayoshi não tinha culpa alguma sobre isso, era dono de uma Hiper Intuição – bem aguçada por sinal — não o dom de prever o futuro.

O único culpado, ou melhor, a única culpada de tudo isso era Chrome... A metade Traidora da Nevoa. A metade que ninguém jamais desconfiou que um dia pudesse vir a traí-los. Mukuro era quem tinha mais chances para tal coisa.

A única coisa que Lambo não entendia era o porquê?

Tsuna sempre fora bom com a garota, atencioso. Até mesmo conseguira incluí-la ainda mais na família sendo que esta sempre fora a mais tímida e acanhada.

Então por que ela o traiu? Por quê?

Entre o próprio pranto o adolescente adormeceu, e o fez mesmo sabendo dos pesadelos que lhe acordariam em poucas horas.

Por trás da janela de vidro, sobre o grosso galho de uma arvore próxima, uma ave pequena de penas escuras e olhos violetas manteve o olhar centrado sobre o Bovino. Não perdera um movimento da criança desde que esta começara a chorar horas atrás.

Era quase possível ver a tristezas nos olhos obscuros da ave.

Quase.

(...)

Sexta-feira, 12 de Outubro de 2009.

Localização: Mansão Vongola – sala de treino da Chuva.

Com uma maestria fenomenal o moreno cortava e fatiava o ar. Seus movimentos eram perfeitamente calculados enquanto continuava seu treinamento.

Suor já escorria pela lateral de sua face diante das horas seguidas que Yamamoto mantinha-se sob treinamento rígido.

Não se perdoava desde que Tsuna morrera. Era seu melhor amigo droga, como deixou-se fraquejar logo quando ele precisava ter a vida salva?

Inspirou profundamente antes de avançar pelo tatame em direção aos tubos de bambu que o aguardavam imóveis. Em segundos estes jaziam fatiados e o moreno limitava-se a um murmúrio baixo antes de suspirar.

Voltou a treinar sem a precisão de nada para poder fatiar – apesar de que o Takeshi necessitava muito de algo para fatiar naquele momento.

Concentrava-se ao máximo buscando aperfeiçoar a décima oitava forma ofensiva de seu Shigure Soen Ryu.

Levemente tocou a espada no chão fechando os olhos, avançou três passos antes de investir a arma contra um inimigo invisível qualquer. A mão esquerda passou desarmada e logo a espada cortou o chão formando um circulo perfeito ao seu redor e finalizando com um corte vertical fatal. A lâmina que fora envolta em Chamas da Chuva fizera muito mais do que simplesmente aumentar o dano. Era como Tsuna havia dito ao seu Guardião poucos dias antes de morrer. Se manejada precisamente a Chuva poderia virar Granizo.

- Exatamente como você disse Tsuna... – murmurou-o ao vento vendo os pequenos fragmentos congelados chocarem-se contra o chão. – Shigure Soen Ryu... Tsubame Yuki...

(...)

Sábado, 13 de Outubro de 2009.

Localização: Prisão de Segurança Máxima Vindicare – andar superior ala Leste.

Nota: Onde a escuridão prevalece à loucura reina.

Inspirou profundamente ignorando os gritos e suplicas que ouvia ecoarem por sua cela escura. Ia fazer um ano desde que tivera de fazer aquilo.

Um ano presa em Vindicare.

Suspirou acomodando-se sobre o leito desconfortável.

- Doze meses... – murmurou. – Já é tempo para uma mudança... – concluiu virando-se a fim de ficar frente com a parede escura.

Em pouco mais de alguns minutos a respiração da jovem mulher tornava-se regular.

Chrome jazia perdida na terra dos sonhos, há muito seu Céu havia se apagado deixando apenas a escuridão prevalecer.

Notas finais
Ficou bom o cap? Pretendo escreve-los +/- nesse tamanho, seram menos de 10 caps a fanfic toda... ao menos assim espero -q

Beijos, Ree.