Navios Rachados
1 Kamui Gakupo x Kagamine Rin
Notas iniciais

Rin iria enlouquecer se ele não dissesse algo naquele mesmo instante.
Era o último dia de aula, o último dia em que ela veria seu senpai antes de ele se formar. O último dia para se declarar.
Gakupo continuava parado ali, estóico, o vento soprando seu rabo de cavalo roxo.
O coração dela ainda batia enlouquecido, como se quisesse escapar de seu peito, e Rin sentia uma vontade enorme de hiperventilar, mas não dava para ser rídicula assim ali, naquele exato momento, na frente dele.
— Kagamine... — Ele disse. Finalmente. — Eu não...
Os olhos dela ardiam. Por que tinha que ser assim? Por quê?!
Ele era seu senpai, seu lindo e fabuloso senpai. O (ex?) namorado da menina mais bonita da escola. O capitão do time de basquete. O queridinho dos professores. O melhor amigo do cara mais popular. O que tinha o melhor físico entre os rapazes do terceiro ano. O que estava com os cabelos sempre sedosos e brilhantes. O garoto mais bonito que ela já vira na vida.
E Rin era o quê? Uma pirralha. Novata. Baixinha. Magra demais. Sem peito. Sem graça. Membro do clube de fotografia (no qual não fazia nada fora do comum). Tinha notas medianas. Chata. De voz anasalada e irritante. E que só era reconhecida por causa do nerd do seu irmão gêmeo, que tinha as melhores notas do primeiro ano.
Ela era um nada. E ele era tudo.
— T-tudo bem... — Ela murmurou, seu lábio tremendo e as lágrimas quase transbordando. — Eu...
As mãos dele estavam em seus ombros, e ela sentiu o cheiro do desodorante. Os olhos cinzentos olhavam no fundo dos dela, e era incrível como ele parecia mais alto e mais majestoso daquele ponto de vista.
O rosto dele se aproximou do seu e, por um milésimo de segundo, Rin teve toda a certeza do mundo que seu primeiro beijo aconteceria ali, com o seu tão amado Kamui-senpai.
Ela fechou os olhos e se preparou para sentir os lábios dele nos seus, como em todas as incontáveis vezes que ela imaginou como seu primeiro beijo seria.
E os lábios dele tocaram sua testa.
E Rin sentiu tudo e nada ao mesmo tempo.
— Calma — ele disse, um tom inseguro tão estranho que só podia ser fingido. — Você vai ficar aqui por mais dois anos, ainda tem muito tempo para encontrar alguém.
Kamui a abraçou, e ela pensou que aproveitaria mais aquele momento se não estivesse se sentido fora de seu corpo.
Então, ele foi embora, deixando Rin sozinha para chorar pelas suas ilusões, frustrações e pelo seu primeiro amor não correspondido.
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