Naughty Girl

1 Aquilo que você não pode ter


Notas iniciais
Boa leitura!

Por mais que alguns digam que não é verdade, o início do segundo semestre acaba com qualquer um. Deixar de acordar tarde, deixar de ir a festas... Enfim, deixar de fazer milhares de coisas legais, só para ir a escola. Sim, é chato. Ainda mais quando a maioria das garotas do instituto vivem em cima de você, perguntando como foi seu dia, o que comeu no café da manhã, se tem tempo livre a tarde, e coisas assim. Dia 30 de julho, o começo do terceiro bimestre.

Um dos alunos mais populares dali, Kyouya Takashi, andava pelos corredores da escola, fitando o chão sem me importar com o que tinha em frente. Ouviu uma voz feminina chamando seu nome. E de uma maneira odiosamente formal, argh. Deu um suspiro e levantou a cabeça, tentando parecer o mais gentil possível.

– Takashi-san!

– Ah, Kouzuki-san. Como foram as férias? – perguntou, desinteressado.

– Muito boas, muito boas mesmo! E as suas, Takashi Kyouya-kun?

– Me chame pelo nome, Kouzuki-san.

– Certo! Mas, você também terá de fazer isso, Kyouya-kun. – sorriu.

– Concordo, Shion-chan. – forçou ainda mais a expressão alegre. – E, minhas férias não devem ter sido tão boas quanto as suas, afinal-

– Kouzuki Shion-san! – gritou outra voz feminina, dessa vez, desconhecida. Vinha de trás dele, e parecia estar distante. Não se deu ao trabalho de virar, aquilo não era de seu interesse. Quando chegou mais perto, voltou a falar. – A professora Shimizu quer ver você na diretoria. Ande logo.

Nada gentil. Mas aquela voz prendeu-lhe de tal forma. Ainda não tinha levantado o rosto para ver quem era, mas tinha quase certeza que seria um king-kong de saia.

– E, Takashi Kyouya-san? – agora, era de seu interesse. Kyouya não conhecia a voz, e quem quer que fosse, sabia seu nome. – O sinal já vai bater, dê meia-volta e retorne para a sua sala.

– Tsh, e quem é você pra-

Levantou a cara, fitando aquela maldita criatura. E, não era o que esperava, digamos assim. O rabo-de-cavalo não permitia que o cabelo cor chocolate fosse além da cintura fina; as mãos delicadas repousavam entrelaçadas a frente do corpo, quase desviando sua rota original devido aos notáveis seios; as orbes azuladas que eram clareadas pela luz solar encontravam-se semi-cerradas pelas pálpebras pálidas, demonstrando a impaciência.

Engoliu as palavras, num gesto involuntário. Quem era ela? Quase como num meio telepático, respondeu-lhe.

– Sou a representante da 2-A, meu nome é Kazary Hikari. – um sorriso brincalhão surgiu naqueles lábios róseos, hesitante. Por um momento, Kyouya pensou que ela estivesse maliciando cada palavra que pronunciava. Criatura cruel. – Takashi Kyouya-san, o representante da 2-B, suponho.

Levou a mão direita até mim e, lhe cumprimentou. Ele já previa, aquela seria uma garota amargamente doce, a qual não poderia usufruir de forma alguma. A essa altura, Shion já tinha subido para a sala, deixando-o sozinho com aquela desconhecida. O que, cá pra nós, não encomodava-o nem um pouco. Ela separou o laço feito por nossas mãos. Pessoas assim criam muralhas para ocultarem a si mesmas, certo?

Errado.

– Bom, como eu disse antes, volte para a sua sala, senhor representante. – deu uma piscadela enquanto levantava uma das mãos para perto do rosto. Provavelmente um \"adeus\" acompanhado de um sorriso malicioso.

Sim, ela parecia ser terrivelmente cruel. O garoto deu uma mordida leve no lábio inferior. Daria tudo para tê-la, mas, é bem como o ditado não-tão-popular diz, \"Humanos sempre querem aquilo que não podem ter\". Aquilo já estava virando uma ala de pensamentos pervertidos em sua mente.

Subiu até o andar onde ficavam as classes do ensino médio, ouviu um barulho vindo da primeira sala do segundo ano. Duas vozes conhecidas. Era a Shion e a Hikari, conversavam num ritimo bem lento. Ainda faltavam alguns minutos para o sinal bater, ou seja, ele ainda tinha tempo para espioná-las. Foi até a janela do corredor, que tinha uma visão perfeita da sala onde encontravam-se as garotas. Sentou debaixo daquela mesma janela, escutando a conversa. Pareciam estar falando sobre alguém, ou sobre alguma coisa.

Shion não parecia ser uma garota retraida, diferenteme de Hikari. Agora que parava pra pensar direito, como aquela estranha-não-tão-estranha sabia sobre ele? Como sabia seu nome? Como sabia que Kyouya era o representante da segunda turma do segundo ano? Muitas perguntas invadiam sua cabeça sem dar tréguas. Ao menos, aqueles pensamentos e imagens pervertidas sumiram assim que sua cachola ficou sem espaço.

Um momento.

Se estava espionando elas, por que não estava prestando atenção no que estavam falando? Ajoelhou-se no chão e olhou lá dentro. Não tinha ninguém. Mas, como..? Ouviu um barulho vindo de trás de si, era como se algo leve batesse no chão várias vezes consecutivas.

Impaciente.

Olhou para trás, deparando-se com Hikari e Shion de braços cruzados, furiosas. Com um suspiro, Hikari começou a falar.

– Poderia nos explicar o que está fazendo aí?

– Eu... – antes que pudesse terminar a frase, o sinal tocou. Salvo pelo gongo.

A estranha depositou as mãos nos ombros da menor, Shion olhou-a desgostosa. Era hora da aula. Hikari empurrou-a para dentro da sala, sem um pingo de gentileza.

– Você aí, vá para a sua sala também. – disse a maior, dirigindo-se para o garoto ajoelhado no chão. – Nos vemos depois, garotão.

Aquele sorrisinho malicioso era de alguém que tramava alguma coisa. Piscou, novamente. Ela estava provocando ele. Áh, se estava. O jovem bufou, levantando-se de imediato. Não iria pegar muito bem ser visto pagando promessas ajoelhado no chão do corredor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.