Naufrágio
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O quarto estava mais organizado do que costumava ficar em finais de semana quando passava tão pouco tempo em casa, fosse trabalhando, saindo com amigos ou levando Andy para algum lugar que ela gostaria de conhecer. A última opção sempre era a mais provável, não que deixasse de lado as outras pessoas a sua volta, mas estar com Andy o deixava com aquele sensação de estar sempre se divertindo. O problema de suas antigas relações era exatamente o fato de não encontrar alguém disposto a sair com a frequência que fazia ou até mesmo sem a pessoa em questão.
Andy era diferente. Ela era o tipo que topava qualquer programa, cativava as pessoas que estavam a sua volta e não sufocava. O relacionamento era fluído e foi esse ponto em particular que o fez ficar.
Estava deitado vendo televisão no quarto quando o barulho estridente do telefone o incomodou, distraindo do filme que passava. Procurou o celular em meio aos lençóis para verificar as ligações perdidas que pudesse levar alguém ao desespero e que ligasse para sua casa e nada encontrou.
Se acomodou nos travesseiros e o aparelho continuava com seu som irritante.
- Atende! – Gritou para que a mãe ou o irmão tomarem alguma providência ou jogassem o aparelho pela janela do décimo quinto andar.
Alguns minutos depois Stefan apareceu na porta do quarto que dividiam:
- Deveria atender ao invés de gritar para os seus lacaios. – Resmungou com um sorriso distraído.
- Você sabe que não era pra mim. – Damon apontou na direção do celular.
- Mas talvez te interessasse. – Girava a bola entre as duas mãos agitadas.
- O que era?
- Você deveria se perguntar quem é. Miranda Gilbert, ela ligou pra falar com a mãe. – Disse e saiu do batente da porta batendo com a bola no piso.
O que Miranda poderia conversar com sua mãe? Será que Elena teria algo a ver com a ligação? Por que ela pedira a mãe que ligasse? Provavelmente ela não se atreveria a tentar qualquer reaproximação depois do que ele fizera ao final do verão. A garota era orgulhosa demais para se aproveitar.
Ouviu sua mãe se despedir de Miranda no telefone e gritar perguntando se gostaria de um sanduíche.
Quando os créditos finais subiram na tela, resolveu ir até a cozinha para pegar o lanche.
- Achei que tivesse saído. – A mãe questionou enquanto colocava a louça suja dentro da lavadora.
- Estava assistindo um filme.
Ficou calado por um tempo e esperou que ela lhe dissesse algo sobre a conversa ao telefone, caso tivesse relevância em sua vida.
- A Miranda me ligou. Estava com saudades dela. – Isobel sorriu para o filho. – Marcamos um almoço para o mês que vem e a Elena vem. Você se importa?
- Não. – Mastigou mais um pedaço do sanduíche de rosbife. – Achei que não se falavam há anos.
- Facebook. Contei que você e Elena se encontraram alguns meses atrás, ela me falou que já sabia. Por que pararam de se encontrar?
Damon lhe lançou um olhar carrancudo.
- Sei que não é da minha conta, mas você parecia feliz de reencontrá-la e de repente...
- Estou namorando a Andy agora e ela entendeu. Na verdade, uma das poucas.
- Entendo. – A mãe se virou na direção da lava-louça e tirou alguns pratos para secar. – Foi melhor assim, você odiaria a distância.
- Ela vai se mudar de novo? – A pergunta saiu mais rápido do que esperava.
- Vai para Austrália por um ano ou mais. Miranda está empolgada e Grayson está preocupado com a filhinha longe por tanto tempo. – A mãe continuou com o falatório, contudo, não conseguia prestar atenção ao que ela lhe dizia.
Saiu da cozinha e se vestiu para encontrar com Andy.
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Andy o esperava na entrada do bar que frequentavam quando estavam muito cansados para passeios mais longos ou bêbados demais.
O fluxo de pessoas começava a aumentar no local devido ao jogo de seu time contra o time que mais havia ganhado partidas ao longo do campeonato.
- Oi. – Deu lhe um beijo e afundou o rosto no pescoço da loira. Ela tinha um perfume exótico que sempre o deixava desejando ficar ali por horas.
- Bom ver você também. – Andy riu e o abraçou forte, como se estivesse ali para protegê-lo sob qualquer circunstância.
Escolheram uma das mesas encostadas nas paredes que dava uma boa vista do telão que transmitiria o jogo em vinte minutos, enquanto isso passavam alguns clipes de estilos variados e outros frequentadores assíduos chegavam para sentar no mesma fileira de mesas que haviam escolhidos.
- Chamei a Jenna para assistir ao jogo conosco, tudo bem? – As unhas dela faziam pequenos círculos em sua mão que estava em cima da mesa.
Jenna era namorada de Ric, seu melhor amigo. A ideia não incomodava já que ele era o responsável por elas terem se conhecido e agora serem inseparáveis. Na maior parte do tempo era fácil de lidar, mas algumas vezes queria momentos a sós com ela.
Respirou fundo e olhou na direção da entrada que agora formava uma fila com cinco pessoas que se abrigavam do sol embaixo do toldo azul que decorava a entrada.
- Ric também vem? – Ignorou a pequena irritação. – Obrigado. – Disse para a garçonete que acabara de trazer o cardápio.
- Só se saísse cedo trabalho. – Andy respondeu sem sequer olhar para o cardápio. – Quero cerveja.
- O vinho da casa e batatas fritas.
Imagens do estádio começaram a aparecer no telão e logo em seguida a escalação do time. Teve que bufar em resposta a notícia que o repórter acabara de comentar.
- Não acredito que o Lucca se machucou logo no treino de hoje. – Balançou a cabeça em reprovação.
- No jogo mais importante da temporada. – Andy seguiu seu comentário. – Estamos ferrados.
A garçonete chegou no momento em que Ric e Jenna de mãos dadas, se aproximavam da mesa.
- Mais duas cervejas, por favor. – Ric disse dando uma piscadela para a garçonete. Ela apenas revirou os olhos, já acostumada com as brincadeiras dele.
- Oi gente. – Jenna disse enquanto passava os braços em volta dos ombro de Andy e depois lhe deu um tapa na cabeça em forma de cumprimento.
- Posso bater nela? – Perguntou para Ric que acabara de sentar na cadeira de frente para ele.
- Eu deixaria, mas posso pagar muito caro por isso depois. – Ele pegou o garfo de Andy e espetou algumas babatas.
- Não se incomode, fico com fome. – A loira rosnou para Ric, que abriu a boca cheia de comida. – Nojento!
Jenna e Damon apenas suspiravam para a cena.
O jogo começou alguns minutos depois e seu vinho ainda estava intocado. O que era estranho.
Seu time fez um trabalho excelente mesmo sem o lateral direito, Lucca, e venceram o jogo. Os torcedores do outro time saíram irritados do bar enquanto os que torciam para seu time se juntaram para uma festa de comemoração conjunta. Essa era uma das melhores coisas de vir a um bar e conhecer outras pessoas que amavam o time na mesma proporção que ele.
- Você está me ouvindo? – Ric disse quando estavam na calçada de frete ao bar para aproveitarem um cigarro. – Nosso time ganhou e você parece não estar em nenhum lugar por perto. Está bêbado?
- Não. Só bebi o vinho. – Respondeu mecanicamente tentando descobrir para onde sua mente estava tentando vagar.
- Percebi. Tá tudo bem? – O amigo soprava as espirais de fumaça na direção contrária.
- Sei lá, cara. Você não acha que passamos mais tempo saindo em grupos do que sozinho?
A risada em resposta o fez perguntar se tinha dito algo muito bizarro.
- Quer discutir a relação agora?
- Não idiota. Digo que a Andy e Jenna sempre querem fazer programas juntas e nos arrastam para eles.
- Já falei com a Jennna que não quero ver sua cara toda vez que saímos.
Acendeu o segundo cigarro e terminaram de fumar em silêncio.
Por um breve momento achou que estava pensando em sua conversa com a mãe antes de sair.
Dirigiu até a casa de Andy, estacionou na frente da casa e esperou que ela dissesse algo.
- Você está muito calado. Ganhamos o jogo e está com essa cara de enterro quando perdemos a final. – Ela se virou para o banco traseiro e tateou até encontrar a bolsa.
- Acho que saímos demais com o Ric e Jenna. – Respondeu no automático. Não poderia ficar ignorando a fonte de seu aborrecimento.
- Ele não é seu melhor amigo? – Perguntou erguendo a sobrancelha.
- É. O que não significa que quero sempre sair com eles, precisamos passar mais tempo sozinhos. Entende?
- Você reclamava das minhas amigas, achei que sair com alguém que conhecesse melhoraria. O que você quer? – Ela já estava com a mão na maçaneta e seu rosto declarava sua irritação.
- Suas amigas que estavam mais interessadas quando era solteira, nunca pedi que deixasse de vê-las.
- Não valia a briga. Eu ainda as vejo, só evito que você encontre com elas. – Abriu a porta. – E quando me identifico com um dos seus amigos você também reclama. Melhor ir pra casa.
Ela bateu a porta com mais força do que era necessário e o deixou pensando se reclamava ou exigia demais.
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Joseph lhe deu o dia de folga após trabalhar o final de semana. Andy não ficou muito feliz que ele trabalhasse no domingo, mas era bem melhor do que encontrá-la depois do desentendimento de sábado e isso só deixava mais dor de cabeça para um final de semana que já estava sendo ruim o bastante.
Isobel saiu dando carona para Stefan ir ao basquete. Joseph estaria na adega desde cedo recebendo a nova encomenda de vinhos importados e isso lhe dava tempo antes de ir para o campus encontrar com seu grupo de estudo.
Foi até o quarto da mãe e revirou a bagunça que ela chamava de closet e encontrou fotos de família. Seu aniversário de um ano, o nascimento de Stefan, o casamento de Isobel e Joseph e uma sequência de viagens que faziam nas férias.
Por fim achou as fotos de seu aniversário de quinze anos.
Olhou as fotos de sua família reunida sem as brigas constantes que agora aconteciam, sua prima Vicki lhe dando um abraço de urso que odiava na época e começou uma sequência de fotos com Elena. Eles dançando na pista de dança, sentados juntos em uma conversa que o fotógrafo os pegou distraídos demais para notar e abraçados na hora da homenagem que havia recebido.
Lembrava que o fotógrafo insistiu que eram namorados na época, o que não era verdade. Levou para o quarto o DVD da festa e sentiu saudades daquele tempo por diversos motivos. Um deles é que a vida não era tão complicada.
Ele e Elena estavam de mãos dadas na hora da homenagem. O vídeo também mostrava que quase não se desgrudaram durante a festa.
Naquele época havia cerca de um ano que Elena se mudara para outra cidade e viera para seu aniversário. Antes que fosse embora eles já tinham terminado o relacionamento conturbado que todo adolescente merecia como experiência.
O problema dos dois eram ser como álcool e fogo quando entravam em contato. Era missão impossível se manterem por perto e não incendiarem o prédio. Em todos os sentidos.
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Rose estaria fazendo vinte e quatro anos dentro de duas semanas. Recebeu o convite da própria amiga que ligou falante e contente, como de costume.
- Leve a Andy. Exijo que você vá, o Alaric já confirmou presença. Sei que você só precisava desse incentivo. Seu nome estará na recepção, só avisar que é pra minha festa. – Ela desligou na mesma velocidade em que falara.
Andy não estava muito interessada em ir, mas se provou um bom namorado fazendo todos os programas que ela quis durante as semanas anteriores.
A boate ficava no centro da cidade e o lugar tinha uma imensa fila que se formava na entrada debaixo de suas luzes em néon que dizia: Odisseia. Agradeceu internamente que a amiga reservara uma espaço para aniversariante, também o poupou de encarar aquela multidão para entrar.
O local contava com paredes de tijolos expostos do chão até o teto e seus três andarem acima eram abertos e davam vista para o térreo.
Rose abriu os braços assim que o viu na entrada da área reservada. Andy a cumprimentou com dois beijos no rosto e logo em seguida sua atenção se desviou para o ambiente. Puxou a amiga para um abraço forte:
- Que saudades. Quando passou a ter bom gosto para sair? – Perguntou tirando o cartão presente do bolso. – Seu presente.
Conseguiu notar que os olhos dela brilhavam de excitação.
- Não precisava.
- Então me devolva. – Fez menção de tomar o cartão. – Deveria abrir, sei que vai adorar.
Rose abriu o cartão e teve que fazer um pequeno esforço para ler, já que as luzes coloridas atrapalhavam a leitura. Deu um gritinho logo em seguida.
- Você é o melhor amigo do mundo. – Apertou suas bochechas.
- Achei que eu fosse o melhor. – Ric chegou da direção em que alguns convidados já estavam sentados e outros dançando alguma música ruim que o DJ tocava para começar a noite.
- Os piores e melhores. Espero que me paguem uma bebida até o final da noite. – E saiu na direção oposta.
- Vamos beber? – Ric perguntou depois de abraçar Andy. – A Jenna está dançando, pode ir se encontrar com ela.
Andy lhe deu um beijo rápido e saiu para encontrar a amiga.
- Uísque? – Damon disse com um sorriso de criança em dia de Natal.
- Sempre.
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Rose estava ocupada demais recebendo os convidados que chegavam, dançando uma música ou outra com algum amigo, tentando conversar com as amigas e bebendo tudo que lhe davam como presente.
Seguiu a amiga enquanto ela conversava com alguém que não consegui ver de certa distância, com as luzes também desfavorecendo. Queria convidá-la para dançar e estava quase impossível encontrar um segundo dessa noite agitada.
- Deveria ter pelo menos me avisado.
- Não tinha ideia de que isso te afetaria. – Rose respondeu para a garota.
- Parece que você escondeu isso para não ter que escolher qual dos dois convidaria.
- É meu aniversário, será que podemos discutir isso amanhã? – Rose abraçou a garota que era Elena.
- Olá, Damon. – Elena cumprimentou com o pior sorriso que já tinha visto no rosto da garota.
Rose se virou e olhou os dois na atmosfera pesada.
- Oi, El. – O apelido era mais pela força do hábito do que algo que fosse usado estritamente entre eles.
- É Elena.
Ela estava com um vestido vermelho, cabelo preso e saltos que destacavam o que vestia.
As duas saíram em direção a pista de dança e em pouco tempo estavam rindo. O desentendimento estava esquecido, ao menos pela noite e Elena parecia com a garota de sempre. Sorridente, conversava com alguns poucos amigos, dançou com alguns caras que a abordaram e talvez aquele tratamento fosse exclusivo para Damon.
Andy não era namorada que seguia seus passos a cada saída para uma bebida diferente, uma volta no bar ao até mesmo quando ia para área de fumantes.
- Droga. – Elena travava uma luta com o isqueiro. Então prendeu o cigarro entre os lábios e revirava a bolsa em busca de algo quando Ric se ofereceu para acender.
Sorriu em resposta até notar quem lhe oferecera ajuda.
- Ric! – Pulou no pescoço do antigo amigo. – Não sabia que estava aqui.
- El, você está diferente.
- Um colírio para os seus olhos. – Disse rindo e tragou pela primei vez o cigarro. – Jenna deixou você sair de casa?
- Ela está aqui. – Ric revirou os olhos. – E não tem lugar que esse cara está e eu não.
Damon sentiu como se não fizesse parte da figura e deu um sorriso amarelo na direção da garota.
- Sei como é. – Soprou a fumaça.
Ric o olhou em busca de resposta.
- Tem um clima estranho aqui ou estou imaginando coisas?
A risada de Elena era de quem havia escutado a melhor piada de todos os tempos.
- Não. Damon e eu já nos encontramos na entrada, só isso.
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- Que merda estava acontecendo lá fora? – Ric perguntou enquanto Jenna e Andy dançavam na proximidades.
Teve que controlar a respiração.
- Nada.
- Como nada? A Elena sempre fica feliz em te encontrar, não importa quantos anos se passem e ela agiu como se você fosse um desconhecido do meu lado.
- Lembra quando disse que estava conversando com ela de novo? – Ric fez que sim. – Nós estávamos saindo, depois conheci a Andy e as coisas saíram do controle. Tive que contar pra Elena que estava enrolado e nunca mais nos falamos.
- Babaca! Isso tem quanto tempo?
- Quatro meses.
- Só você mesmo. Sabia que ela estaria aqui?
- Não e nem ela.
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Depois de muitas doses de uísque era melhor lavar o rosto e procurar o balcão de bebidas não alcoólicas.
Não foi a melhor ideia da noite encarar o andar inferior com metade das pessoas circulando e as outras estavam apinhadas no balcão.
Avistou Elena sentada no balcão bebendo algo alaranjado e mexendo no celular distraidamente.
- Dando um tempo?
Ela levantou a cabeça e fez que sim.
- Você não sabia que eu viria, não é?
- Detalhes que a Rose esqueceu. – Disse acenando com a mão demonstrando que não fazia diferença.
- Sinto muito.
- Pelo que?
- Acho que não viria se soubesse.
- É aniversário da minha amiga, encontrei outras pessoas que não via há anos e é claro que eu viria. Acho que você precisa voltar. – Se virou para o barman. – Quero outro desse.
- Dois, por favor. – Olhou para Elena. – Minha mãe falou que você vai morar na Austrália.
- Mês que vem.
- Nunca achei que você fosse embora, mesmo que por um ano.
- Talvez você não me conheça pra saber.
- Claro que conheço. Nós nos conhecemos há mais de dez anos e passamos por muita coisa juntos. Deixar sua família deve ser a parte mais difícil. Tem certeza de que essa é a melhor escolha?
- Você passar alguns minutos comigo nesses dez anos não te faz expert sobre o que quero da vida. Aquelas pessoas que achamos conhecer realmente são as mesmas que nos mostram como estávamos errados. – Tomou um gole da bebida. – E estou feliz por ir.
- Sinto muito pelo que aconteceu. Não quis te magoar. – Era verdade mesmo que parecesse tão distorcida agora.
- Corta esse papo. A importância que deveria ter dado de pedir desculpas foi naquele momento e não agora. Você não precisa do meu perdão.
Elena saiu pela multidão e foi a primeira vez que acreditou nas palavras que saíram daquela boca. Ela não o perdoaria.
- Está mais sóbrio? – Andy sentou ao lado quando voltou para o andar da festa.
- Suco de laranja.
- Bom garoto. – Ela disse dando tapinha em sua testa.
Sorriu para a namorada até que sua visão periférica flagrou Elena dançando com Matt, seu primo. Logo depois estavam se beijando como se não houvesse ninguém na boate, dançando em volta deles ou o fato de que estavam em local público.
Negou a voz no seu inconsciente que sua visão estava focada nos movimentos da garota antes mesmo de qualquer movimento que atraísse seu real interesse.
Elena não era aquele tipo de pessoa. Detestava chamar atenção para seus relacionamentos, até para suas aventuras sem importância. Ela sempre fugiu do foco, dos comentários maldosos ou das intromissões em sua vida particular e qualquer um que se metesse nisso receberia uma má resposta.
Abriu os olhos, que não percebera ter fechado, e chamou Andy para levá-la em casa.
Saiu da festa dando a desculpa que estava bêbado demais e precisava da sua cama.
Na verdade só queria ficar sozinho e dormir.
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Acordou com a boa e velha ressaca, deitado na própria cama King Size com as roupas da noite passada. Teve de forçar seu corpo a levantar da cama e caminhar em passos arrastados até o banheiro no final do corredor. Observou seu rosto e a barba por fazer já o deixava com as expressões mais abatidas do que uma simples ressaca lhe dariam.
Terminou o banho e decidiu tomar o café, que ele não gostava, para se sentir mais disposto.
Stefan chegou algum tempo depois e se junto a ele no café da manhã.
- Vou descer para a piscina. Tá afim? – Perguntou para o irmão depois que a geleia da torrada melava seus dedos.
- Levo a bola para jogarmos uma partida depois.
Pensou que se prendesse a respiração debaixo da água também poderia afogar seus pensamentos que não o abandonavam desde a noite anterior. O que diabos estava acontecendo? Não tinha o direito de sentir arrependimento de terminar com Elena.
Nos anos que perderam o contato teve medo de que se retornassem a amizade, acabaria iniciando algo que daria errado mais uma vez e deixasse de lado uma boa amizade. Amigos de uma forma distorcida, claro.
No início do verão notou uma notificação de amizade, mas sem prestar atenção realmente acabou aceitando. Conhecia muitas pessoas sempre que saía e tinha um critério simples de que se tivessem amigos em comum, poderia aceitar e depois analisar.
Alguns dias depois notou uma alteração de foto e viu uma Elena sorridente o encarando pela tela do notebook. Então era ela que o havia adicionado e nem se dera o trabalho de mandar mensagens ou tentar algum contato. Sem pensar muito no assunto fez o que era de se esperar.
Sinto saudades.
Essa foi o final da mensagem. Seu rosto se contorceu ao lembrar do fato. Apenas uma atitude dela já o deixava com vontade de conversar, rir com ela e dela, saírem para comer e estarem próximos novamente.
Ela não parecia tão receptiva de início, mas deu o novo número de celular e começaram as conversa diárias. Sentia necessidade de acordar e perturbá-la, durante o trabalho, na faculdade e até enquanto dirigia.
Depois das primeiras conversas de atualizações, tudo passou a ser mais tranquilo e bem humorado como sempre foram um com outro. Era quase impossível ter uma conversa com Elena e não sorrir para o celular, como se ela estivesse ao seu lado falando baboseiras.
Algumas semanas depois ela teria uma viagem com o pessoal da faculdade e estaria perto o bastante para se encontrarem.
Sua primeira atitude depois do oi? Acabou a beijando sem cerimônia e ela apenas o correspondeu sem hesitar como se estivessem namorando por todo esse tempo e não se passando quatro anos desde a última vez que se viram.
- Seu cabelo está diferente. – Disse quando estavam deitados na cama de seu quarto.
Elena o olhou diretamente nos olhos, passou as pequenas mãos por seus ombros.
- Não poderia ter ficado daquele jeito pra sempre.
- Que bom. Ficou muito melhor agora.
- Não lembro de ouvir você reclamando antes. – Riu e aproximou os lábios do seu, inspirando sua respiração e mordiscando seu lábio inferior.
Levantou e a puxou junto consigo para irem a cozinha.
- Será que dá certo colocar pão de queijo no micro-ondas? – Perguntou para ela que estava encostada no balcão de mármore.
- Não sei. – Respondeu na dúvida. – Eu sou a visita e você que se vire para fazer algo para comer.
- Você é a mulher e eu que cozinho?
- As coisas sempre funcionam do meu jeito.
Colocou a comida congelada e esperou que o aparelho apitasse quando finalizasse o tempo programado.
No fim não parecia apetitosa, mas insistiu que levassem para o quarto e tentariam comer sem morrer de indigestão.
- Come! – Tentou colocar o garfo na boca de Elena que desviava a todo custo.
- Não. Isso está mais pra torta de queijo.
- Especialidade da casa, agora pode comer. – Fez a segunda tentativa e dessa vez ela abriu a boca em resposta.
- Tem gosto de borracha de queijo.
Afinal não era tão ruim e ver a cara de Elena para a comida tornava tudo mais divertido.
Deitaram novamente depois de comer a gororoba plástica e conversaram amenidades até caírem num silêncio confortável.
Ela apoiava a cabeça em seu ombro e percebeu que estava com os olhos fixos em seus movimentos.
- Está se apaixonando por mim de novo? – Perguntou numa tentativa de tirar dela aquele olhar que o prendia.
- Você bem que queria.
- Damon! – Stefan gritou. – Estava pensando em que?
- O que? – Disse balançando a cabeça para clarear das lembranças.
- Estava te chamando e você parecia estar em outro planeta. Vamos jogar?
Aceitou a partida para se exercitar e deixar a mente focada em uma atividade útil que lhe daria resultado.
Stefan treinava bastante na equipe de basquete, mas isso também não queria dizer que Damon era ruim no esporte. Hoje em especial parecia ter dois braços esquerdos, não conseguia dar os passes certos e sequer fazer uma cesta para não parecer vergonhoso.
- No que está pensando, droga? – Stefan jogou com força a bola em direção ao seu peito.
Contar para Stefan pareceu uma ideia melhor do que pensar nisso por mais tempo. Precisava lidar com tudo antes de encontrar com Andy novamente. Seu irmão tinha a fama de bom ouvinte, o que era verdade.
- Eu conheci a Andy nas festas da faculdade, ela é irmã de uma das minhas amigas. Começou a aparecer todas as vezes que marcávamos para beber depois das aulas, ela é divertida, gosta de ter contato com muita gente, sempre quer sair e a Elena não era bem assim. Ela odeia ficar no meio de muitas pessoas, ter que interagir com ela era puro sofrimento e sair é algo que não a atrai muito. Como poderia ficar com alguém que não vai querer conhecer meus amigos? – Disparou de uma vez sentindo seus ombros relaxarem depois de contar.
- Mas parecia gostar dela. – Stefan retrucou sentado ao seu lado na arquibancada da quadra que estavam jogando minutos atrás.
- Quero alguém do meu jeito. Sempre que Elena vinha para a cidade, ficávamos em casa ou em programas normais. Ela não se incomodava de eu deixá-la e logo depois ir para uma festa. Como alguém faz isso?
- Talvez achasse muito cedo para te sufocar. Por que terminou com ela?
Sua cabeça recostou no degrau de cimento acima de sua cabeça.
- Ela se preocupou quando a tia Carol morreu, se aproximou mais, foi mais atenciosa e carinhosa. A Andy estava por perto. Poderia encontrar com ela quando quisesse e a Elena estava a duas horas de distância. Achei melhor desse jeito e liguei pra ela dizendo que apareceu uma pessoa. Nunca achei que a ouviria pedindo para conversar uma última vez como a tentativa de me fazer mudar de ideia.
- E você disse não. Ainda quer saber o motivo dela não olhar na sua cara? Ela era uma das suas melhores amigas, gostava de você e resolve terminar com a garota por telefone? Você sequer deu a chance para Elena lhe dizer algo.
- Eu não queria ouvir.
- Ou estava com medo de ouvir e ela conseguisse te fazer mudar de ideia? – Assim seu irmão levantou, jogou a bola no meio da quadra e começou uma série de exercícios.
No fim a conversa o deixara com mais perguntas do que respostas.
Notas finais
Se você leu minha história, muito obrigada. Deixem suas opiniões que são sempre bem recebidas. Sabem aquela história que você precisa colocar em prática, essa me incomodou até que eu conseguisse finalizar. Só teremos mais um capítulo. VEjo vocês em breve.
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