Notas iniciais
Provavelmente a última história que vou postar antes de ir viajar. Well, espero que não tenha ficado confuso. Essa one faz referencia à uma outra história minha, a qual ainda não publiquei, mas parando de centrar nos personagens principais (Beauty, o "ele" em questão da one, e Madelline, a que Natalia chama de vibora) e centrando em Natalia. Mas chega de spoilers da minha próxima (ou não) história, né? xD
Boa leitura, espero que gostem!

Arrasta-se, joga-se aos seus pés. Uma esperança quase mortal de retorno põe em suas mãos adornadas em riqueza seu próprio coração e, oh!, quão sangrento e abatido é esse órgão que, em pungência infinita, espera por aquele a quem sempre pertenceu?

Que direi então dos olhos, estes belos olhos de uma rara tonalidade cinzenta, que com o tempo perderam o brilho de pureza que outrora possuíram?

Sem dúvidas és uma tola. Não pareces entender que amizades infantis não podem “se tornar algo mais” quando ele — amaldiçoado seja! — esquece até mesmo de dizer adeus! Por que, Natália, insistes ainda em por a culpa em si? Por que insistes em dizer que foi tu quem não fizestes nada ao ver aquela víbora entrar no reino e encantar a todos com sua inocência – a qual não se atreves a dizer que seja falsa -, conquistar a confiança de todos e então dar o bote lentamente, como que saboreando a dor que causara ao tirar-lhe tudo que lhe era importante?

E quando o castelo foi preenchido pela fumaça de tonalidade negra lembrastes do mar, não lembrastes, Natei? Aquele mar revolto e de águas tão cristalinas e violentas que vistes com ele, Beauty, e que viria a desfazer o castelo de areia de um pequeno e causar-lhes risadas. E a fumaça preencheu tudo com voracidade, assim como as chamas atiçaram-se impiedosas e ansiosas para tocarem-lhe a pele.

Ouvistes o grito do barão, não? “Tirem a rainha!”, foi o que ele disse. Então ficastes presa por entre as chamas, sendo consumida lenta e dolorosamente, aos poucos tornando seu ego uma criatura monstruosa, inflada e cinzenta – proporcionando a ti queimaduras que diriam serem graves.

Tolos! Nada é mais grave que a sensação de abandono que se instalou na pobre. Nem os cortes, as mortes ou o fato de seguires sem rumo em busca de dois fugitivos que outrora foram donos de grande confiança.

Mais grave é apenas vosso ódio, essa fúria insana, poética e apaixonada. O ódio de um amor morto, de um coração postiço, de um ser iroso, incompleto, destruído e esquecido.

“-Vê? É isso que dá não teres ensinamento para jogar com fogo. Agora estás aí, amedrontado com a mera ideia de eu alcança-los. – Olhastes nos olhos dele, chamas cinzentas contra pedaços de céu azul. Olhavam-se violentamente, perigosamente, lançando facas imaginárias através da simples visão.

-Nem eu nem Madelline seremos capturados por ti, Natei. – O tom do jovem de cachos dourados era cauteloso – Desista desta vossa estupida ideia de justiça e estarás a salvo.

Você rosnou como um animal selvagem, lançou todas as aulas de etiqueta que lhe deram aos ares. Um brilho assassino passou por suas orbes diante da simples menção da outra.

-Captura-los-ei! Então condenarei-a à mesa de evisceramento* e a ti à algo pior ainda! Verás, verás, Cygnus! – Bradou, trincando os dentes e fazendo a imagem tremeluzir. Uma jovem loira de traços angelicais pôde ser vista encolher-se atrás do rapaz, fazendo com que a risada da "bela e pura princesa Knight" ecoasse maldosamente.

Realmente sentistes prazer ao ver a menina, a qual antes ajudastes, encolher-se assustada, Natália?

-É o que veremos, Knight. – Pôs com desprezo, abraçando a menor em proteção.

Seu ódio ferveu dentro de ti, não foi? Ele viu, mas não teme a ti. Já ela tremeu diante do brilho assassino que aquele teu olhar cinzento possuiu.

Caístes de joelhos com o fim da chamada mágica e os dois ficaram a martelar na cabeça maldições, planos de captura ou de fuga e promessas que logo nada viriam a significar.

-Não venha a se preocupar, Madel. Apesar de tudo, ela não é cruel o suficiente para condenar-te... Ao menos não a ti.

-Preocupo-me com ela também. — Sua voz doce fez o jovem tremer de satisfação — Ela não foi criada para sair perseguindo os outros. Aliás... Ela não foi criada nem sequer para sair das barreiras de Knight.”

Notas finais
Mesa do Evisceramento*: Era uma mesa ou tábua sobre a qual havia uma roldana e um sistema de cordas e pequenos ganchos. O verdugo abria o ventre da vítima amarrada sobre a tábua de maneira que ela não pudesse debater-se, em seguida introduzia-lhe os ganchos na abertura, prendendo-os firmemente às entranhas do condenado. Ao manipular a roldana, as entranhas eram puxadas para fora, com a vítima ainda viva; esta era então abandonada e deixada para morrer neste estado. A morte demorava por horas ou até dias. Quanto mais tardasse, isto é, quanto mais o condenado sofresse, maior era considerada a habilidade do carrasco. Num resumo, era um dos meios para condenação à morte na Idade Média.

Maaaas (deixa até eu dar uma afastada da minha nota final dessa mesa aí), quem se interessou pela história relaxe que não vai ter nenhuma morte nessa mesa não.
Espero que tenham gostado e, à quem se interessou², acho que já estarei postando a história se não na semana que vem na outra semana.
Não esqueça o review 8D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!