Natureza Caos
1 Afogando- se
Notas iniciais
De todas as coisas que Aurora não entende talvez o que mais a perturba seja, não saber em que pontos seus pensamentos colocaram uma corrente atada ao seu tornozelo e a aprisionaram no fundo do lago.
Aurora sempre foi uma garota de metáforas, sua favorita é comparar pensamentos a um rio, uma hora é sereno, noutra a correnteza colide violentamente contra as rochas fazendo todos se afastarem, você nunca sabe o que esta acontecendo no fundo, de um rio, é lá que as criaturas monstruosas vivem.
Pensamentos e sentimentos estão interligados na concepção da menina, você não pode falar de um e esquecer o outro, e é isso que os tornam tão complicados.
Tamanha dor que sente, tanta dor que a faz desejar que a água invada seus pulmões e a livre de todo o sofrimento. Você não pode se afogar em seu próprio lago, por mais que o queira.
Em pensar que tudo começou quando ainda era muito nova, quando o colchão tomou a silhueta de seu corpo, quando sua energia se esgotava por tão pouco, quando ela percebeu que havia desistido de si mesma.
Então entraram os medicamentos, o que deveria ser as pequenas pílulas da felicidade, onde a garota depositou todas as suas esperanças, ate que a próxima crise veio.
Onde ela esta agora nem o diazepam poderia ajuda-la. O fundo do rio é escuro de uma forma aterrorizante, sempre tivera medo do escuro, a luz ficara a alguns metros a cima, fazendo com que a mesma possa ver os vultos se movimentando a sua volta.
A garota se contorce em agonia, o medo tomando conta de seu peito a impedindo de respirar, e ela sente tanto medo, medo de não voltar a sanidade, medo de o seu eu ter se perdido junto com a chave em toda essa bagunça, a chave que soltaria o fecho da corrente em seu tornozelo, ela está perdida por aqui, provavelmente dentro das entranhas de alguma criatura.
Sua psicóloga costumava dizer que o pior tipo de prisão é a que sua mente pode criar, é desesperador saber que foi você mesma que apagou a luz e se trancou em uma jaula no porão.
Não tem saída, ela não enxerga nenhuma saída, apenas pode esperar, esperar que um dos vultos tenha piedade e a liberte, ou que a água finalmente invada seus pulmões, esperar que fique tudo bem, tem que ficar, ela não sabe o que fazer se não ficar.
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