Notas iniciais
apresentando um mundinho novo (e ao mesmo tempo antigo) desfrutai-o

Nas águas do rio Tietê havia seres belíssimos, outros, no entanto, extremamente perigosos. Não era necessário ir tão fundo para ser observado por algum destes. A única daquelas criaturas magníficas que Aurora confiava se chamava Serena, filha da mãe-d’água, que era bastante responsável com o ambiente e apaixonada pela vida. Quando Aurora a chamou, não fora respondida. Então ao pular nas águas com as pedras nos bolsos corria o risco de cair sem fim, mas ela tinha outro plano caso Serena não a socorresse. Ela era assim, sempre tinha um plano.

Enquanto afundava sua mente ia para todos os planos possíveis em busca de alguém. Não se permitiria perder as esperanças, alguém iria lhe dar a mão. Foi quando Serena apareceu e lhe pôs imediatamente na terra.

“FICOU MALUCA!”, ela gritou. “Ficou simplesmente maluca?”

Aurora cuspiu a água que havia engolido e buscava recuperar o ar.

“Você pode morrer de afogamento secundário agora, sabia?”

Serena não era nenhum cientista da medicina, mas sabia que aquilo poderia acontecer.

“Eu não tive outra escolha,” Aurora tentava se explicar enquanto tirava as pedras do bolso. “Eu estou com fome e estava sem forças para me manter correndo e não podia correr o risco de levá-los para o abrigo”.

Serena encarou-a. “Sabe que isso foi extremamente arriscado”.

‘Sei, mas o que eu poderia fazer se não havia nenhum ser para me ajudar?”

A amiga suspirou e quando pretendia respondê-la, sentiu algo no rio.

Havia um homem lá e ele estava sendo arrastado pelas águas, Serena conseguia sentir aquilo como se estivesse acontecendo ao lado dela. “Espere”, falou antes de entrar nas águas.

O rapaz nas correntezas estava sendo arremessado contra as pedras e todas as suas buscas de tentar se segurar em algo no caminho estava sendo em vão. Parecia que a correnteza ia se tornando cada vez mais forte enquanto ele lutava, na verdade, era um fato. Terminou sendo jogado tão forte contra uma pedreira que desmaiou. Serena não salvava humanos costumeiramente. Sua mãe havia lhe ensinado justamente o contrário com relação aos humanos homens que, normalmente, tinham interesses abomináveis. Mas sempre havia algo que ela queria aprender com eles. Serena era jovem e também um pouco ingênua ainda.

Foi o mais rápido possível, e o mais rápido possível para uma sereia era praticamente o ano-luz nas águas. Ela conseguiu o resgatar e deixou-o na margem do rio. O observou momentaneamente. “O que me fez fazer isso? Por que faço essas coisas por essas criaturas vulgares? Ele nem sequer é simétrico”. Queria bater em si, mas optou por deixar as coisas como estavam, era muito capaz daquilo lhe trazer algum mal depois, contudo preferiu esquecer.

Tão rapidamente quanto foi voltou ao encontro de Aurora, que já estava em pé.

“Você acabou de salvar um daqueles homens, não salvou?”, ela questionou enquanto espremia o excesso de água das madeixas.

“Bem…”

“Você sabe que se acaso ele vier a ferir algum ser, terminará sendo responsável de alguma forma?”, Aurora queria que a amiga fosse um pouco mais consciente dos perigos de ser um bom ser.

“E se ele vier a também salvar alguém assim como eu fiz com ele?”, Serena respondeu sem hesitar “consegui sentir um coração bom nele, por isso o salvei”.

“Ele estava tentando me capturar!”

“Ele estava apenas seguindo o bando, como todos os machos fazem”.

“E o que pode vir a fazer com que ele não faça mais isso? É esse o problema, Serena!”, Aurora estava perturbada com aquela situação. “Ele vai continuar seguindo as trilhas da destruição”.

“Deixe que ele viva, primeiramente.”

“E?”

“E eu me responsabilizo por sua educação.”

“O quê?”, Aurora gostaria muito de ter ouvido errado.

“Isso mesmo, vou lhe dar outra consciência! Vou fazer com que ele trilhe um caminho bom! Mãe me ensinou isso, não para usar para o bem, mas acho que ainda serve”, Serena disse antes de entrar nas águas novamente.

“Serena, não!!”, foi tudo que ela escutou antes de ir novamente em direção aquele homem.

Colocou em mente que tinha que resolver racionalmente o que havia feito com base em instintos. De maneira ocasional Serena se metia em uma enrascada daquelas, como se suas atitudes nunca estivessem plenamente conforme a realidade, mas ela também sentia haver muitas realidades com a qual lidar e que era extremamente complicado conciliá-las. Ela queria ser boa, terminava sendo boa demais o que a tornava má sob algum ponto de vista. Quando chegou na margem onde deixou o homem, cheia de esperança sobre como daria tudo certo, ele não estava mais lá, o solo onde o deixou ainda estava úmido. Ela procurou por mais alguns segundos, mas ele devia ter ido simplesmente embora.

Serena voltou em direção a amiga, dessa vez chorando, mas Aurora não estava esperando dessa vez.

E tão rápida quanto se movia nas águas, Serena entrou num vórtice de lamentos.

Notas finais
Serena, Serena...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.