Notas iniciais
Nylane acorda em um sombrio lugar habitado por pessoas muito estranhas.

O lugar era bastante sombrio e empoeirado, assim como a cama na qual Nylane acordara zonza e sem saber onde estava.

— Que maldito lugar é esse? — Perguntou a humana tão baixo que apenas um animal com audição apurada a ouviria. —

— Você está em nosso quarto de hóspedes. — Respondeu uma voz feminina que a pobre garota nunca ouvira antes — Eu sei, ele está bastante empoeirado e sujo, mas é porque não costumamos receber muitas visitas.

Nylane encarou a negra e ruiva figura que a fitava com certa simpatia nas feições, apesar de ter dentes caninos bem pontudinhos.

— Quem é você? — Perguntou a ruiva branca ao tentar processar tudo que estava analisando naquele momento.

— Meu nome é Mariene, e o seu? — Devolveu a pergunta sem hesitação.

— Nylane. Como foi que eu vim parar aqui? — Perguntou a hóspede ao se levantar e se alongar um pouco.

— Meu irmão achou você em perigo na floresta negra. Não lembra? Os lobos gigantes costumam caçar por lá. Se não fosse pelo Victor, você seria agora uma carcaça no meio do mato. — Respondeu e explicou Mariene enquanto movia as mão de um jeito engraçado.

Foi então que finalmente as lembranças retornaram a mente de Nylane; e ao perceber que ainda estava perdida, falou — Ai caramba, o Alex! Mariene, meu amigo ainda está perdido naquela floresta ou naquele rio, sei lá... —

— Calma Ny, se ele ainda estiver em nosso território os nossos pais ainda podem encontrá-lo. Claro, se ele ainda não foi devorado. — Comentou Mariene em uma falha tentativa de acalmar a jovem peregrina.

— Devorado? Maldição, por que caralhos eu fui duvidar dos aldeões? A culpa é minha de termos entrado na floresta para banharmo-nos no rio! — Praguejou e esbravejou Nylane revoltada com toda aquela situação.

Foi então que uma segunda voz, esta um pouco mais masculina falou — Relaxe um pouco, você ainda está bastante fria e com fome, por que não se agasalha um pouco e come algo para se recuperar mais rápido? —

Nylane então olhou para a direção de uma mesinha de onde a voz estranha parecia ter vindo, mas apenas conseguiu avistar um esquilo negro e de olhos vermelhos a fitando sem parar.

— É... Quem foi que falou isso? — Perguntou a andarilha temendo por mais uma estranha resposta.

— Foi o Victor, meu irmão. O que te salvou, lembra? É que ele gosta de se transformar em outras espécies de animais para não assustar as pessoas que invadem as nossas terras. — Respondeu Mariene como se aquela frase incomum fosse a coisa mais normal do mundo.

Nylane mal conseguia acreditar no que ouvira, mas depois de tudo que havia visto recentemente, perguntou — Seu irmão é o esquilo? —

— É. No momento sim, mas ele pode assumir a forma humana se isso lhe aprouver melhor. — Explicou Mariene ao olhar diretamente para o esquilo negro instigando-o a se metamorfosear.

Por alguns segundos o silêncio reinou no cômodo, mas ao perceber que ninguém faria nada enquanto não mudasse de forma, Victor falou — Tá bom, tá bom, se é para deixar todo mundo mais confortável, eu vou mudar logo. — E quase que como na velocidade de um piscar de olhos, assumiu a forma do garoto que Nylane avistara ao ser salva pelo urso negro e magro na floresta.

— Foi você! Você era o urso! — Exclamou a ruiva de olhos verdes, eufórica.

— Sim, foi ele quem te salvou. O meu irmãozinho mais novo, Victor. — Zombou Mariene ao se aproximar do irmão e apertar as bochechas palidas do mesmo.

Nylane ficou sem palavras, mas antes que pudesse pensar em algo, a porta do quarto se abriu, revelando um casal de pessoas cis bastante belos e elegantes.

— Papai, mamãe! Vejam, a nossa convidada já acordou. — Falou Mariene com uma polidez exagerada.

— Estou vendo, filha. Mas não consegues ver que ela tem fome e frio? Ofereça mais conforto a ela. — Reclamou a figura que aparentava ser a mãe com longos cabelos negros como a noite e olhos cor de madeira.

— É notável que ela precisa mais de calor que comida. Ofereça-a aquele casaco que ficou da outra garota. Creio que esteja um pouco velho, mas ainda deve ser util. — Comentou o Pai que era quase que uma versão adulta do filho, com diferença apenas na cor da pele e nos cabelos que eram ruivos, diferente do filho que puxara o cabelo da mãe.

— Outra garota? — Perguntou Nylane um pouco esperançosa — O nome dela por acaso era Alex? —

Porém Mariene logo acabou com a expectativa da invitada ao dizer — Não, não é a pessoa que você procura, se trata de uma garota que apareceu por aqui há muito tempo atrás, mas ela nem mais viva está. —

Foi então que Nylane se lembrou da voz feminina que falara com ela na floresta, a provável voz de uma garota fantasma.

— Bem, viva ou não o casaco dela ainda está aqui. — Falou Victor ao entregar a peça de roupa para a garota humana que agora estava mais pálida do que nunca estivera em toda a sua vida.

— Excelente, agora só falta alimento. Eu e sua mãe iremos colher frutos silvestres na floresta; enquanto isso cuidem bem de nossa jovem amiguinha. — ordenou o alto homem ao sair acompanhado de sua bela esposa.

— Espera! — Gritou Nylane por impulso.

— Pois não? — Perguntou a mãe ao se virar elegantemente.

— É.... Se por acaso encontrarem outra pessoa por ai... E o nome dessa pessoa for Alex... Digam que eu estou aqui, por obséquio. — Pediu Nylane usando toda a educação e palavras pomposas que conhecia.

A bela mãe apenas sorriu e concordou com um leve balançar de cabeça, antes de sumir misteriosamente junto de seu esposo.

— Escuta, espero que seu coração não esteja batendo assim tão rápido por medo da gente. — Zombou Mariene ao perceber o nevorsismo da alva.

— Eu.... É... Será que eu posso fazer uma pergunta? — Pediu Nylane com um pouco de medo na voz.

— Pode sim. — Respondeu Victor antes mesmo da irmã pensar sobre.

— É... Agradeço. Mas.... Sem querer ser indelicada ou mal educada.... O que são vocês? — Perguntou a sobrevivente temendo um pouco por sua vida.

— Como assim o que somos? Somos uma familia. — Respondeu Victor sem pestanejar.

— Sim, eu entendo, mas.... Vocês não são humanos, né? — Perguntou Nylane temendo que aquela pergunta fosse ofensiva ou algo do tipo.

— Ah, isso nós realmente não somos. — Respondeu Mariene dessa vez mais rápida que seu irmão.

— Ah.... — Sussurrou Nylane antes de suspirar fundo e murmurar — E o que é que vocês são? —

Aquela pergunta fez o silêncio retornar ao comôdo, mas ao perceber que teria que contar uma hora ou outra, Victor falou — Bem, nós temos muitos nomes pelo velho mundo e talvez até alguns diferentes no novo.... Mas somos aquilo que geralmente é chamado de... —

— Vampiros! — Completou Mariene sem hesitar.

Foi então que o coração de Nylane começou a bater mais forte ainda e as palavras da garota fantasma passaram a ressoar na mente da garota sem parar.

Mas antes que a mesma tivesse uma crise de pânico e corresse em fuga dali, Victor se adiantou e falou — Mas não se preocupe! Não vamos te devorar ou algo do tipo. Nós não caçamos humanos e outros animais. Apenas bebemos leite de nossas cabras, ovelhas e vacas que criamos no curral. —

— Leite!? — Indagou Nylane incrédula — Que tipo de vampiro bebe leite de cabra ou vaca para viver? —

— Do tipo esperto, ué. — Zombou Mariene com um sorrisinho provocante no rosto. — Leite é nada mais nada menos que sangue filtrado. Se vampiros se alimentam de sangue obviamente podemos consumir leite. — Explicou a vampira se utilizando de uma logica irrefutável.

Nylane ainda estava insegura sobre aquela informação, mas como não podia fazer nada além de confiar na pessoa que lhe salvou a vida mais cedo, falou — Bem, é um prazer enorme conhecer vocês, mas preciso encontrar o meu amigo, ele ainda está por ai perdido e se eu não encontrar ele logo, talvez ele morra devorado por lobos, como vocês mesmo fizeram questão de me lembrar. Então agradeço a ajuda e a hospitalidade, mas preciso mesmo ir. —

— Ei, não vá antes de se alimentar, a floresta é perigosa e nossos pais já devem estar procurando pelo seu amigo enquanto colhem frutinhas para você. Tu não achas que consegues ser melhor na arte de procurar alguém que dois vampiros né? — Indagou Mariene sempre usando o bom senso como aliado.

Percebendo então que não teria como argumentar Nylane apenas se rendeu e ao vestir o casaco da garota morta e se sentar relaxadamente na cama, pediu — Tem água para essa tola humana beber? —

Victor apenas sorriu alegremente e ao desaparecer e aparecer poucos segundos depois com uma jarra de porcelana antiga e uma taça de cristal na mão, perguntou — Uma taça cheia? —

Nylane apenas suspirou para acalmar um pouco mais o seu coração e ao olhar para o belo e pálido vampiro, respondeu — Me dá a jarra mesmo. — E bebeu como nunca havia bebido em toda a sua vida.


Notas finais
Continua...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.