Naturalidade E Evolução.
1 Capítulo ÚNICO
Notas iniciais
Não sei como dizer isso em poucas palavras.
Fiquei realmente abalada com os acontecimentos em torno do casal que tanto amo. (Amamos).
Tive um período dificil de aceitação, e precisei de um tempo para assimilar algumas coisas.
Ele foi generoso comigo e aos poucos, comecei a sentir falta de sentar em frente a tela e escrever.
Então foram como inspiração e a vontade de escrever falou mais alto.
Li muitas fics deliciosas, agradévis e surpreendentes.
Decidi ignorar o fim do relacionamento e retomar algumas posições e dar vazão ao meu amor por eles, como é de conhecimento de algumas pessoas.
Falei com pessoas que aprendi a amar, ouvi muito, recebi mensagens lindas das quais nenhuma palavra será suficiente para agradecer. Para exprimir minha consideração e respeito.
Ainda estou me adaptando a uma nova fase, não sei se retomo meus projetos, estou analisando, mas peço licença para "expor" esta fic, que foi fruto de um imenso desejo interior.
Ainda estou em processo de outra, estou de férias e isso me ajudou ainda mais.
Olha um enorme beijo para quem me tem em consideração e um obrigado de tamanho infinito.
Fiquem com Deus
_Tome ! — Ele estendeu uma generosa caneca de chá a ela.
_Obrigada, Gris. — Ela deslizou a mão livre sobre sua barriga dolorida.
_Está se sentindo melhor ?
Sara suspirou, bebericou o líquido quente, e encostou a cabeça na poltrona da sala de descanso.
_Vou ficar bem, não se preocupe.
_Há algo que eu possa fazer por você ?
Ela só queria se encolher com uma bolsa quente sobre seu desconforto, na cama aconchegante.
_Posso ficar um pouco aqui ?
_Claro honey … mas acho melhor ir para casa. Você precisa descansar.
_O medicamento logo vai fazer efeito, não se preocupe.
_Você … tem ideia porque está tão forte, desta vez ?
_Sim … eu tenho uma nova consulta para a semana que vem e …
_Quero ir com você !
_O que ?
Ela olhou ao redor, como se alguém pudesse ouvir aquela conversa tão íntima. Não havia movimento de pessoas ao redor deles, a maioria estava em campo e ela havia ficado no laboratório para aguardar o processamento de algumas evidências.
Um nova pontada e ela contraiu seu rosto delicado, gemendo.
_Sara … — Ele estava preocupado ao extremo com ela. Se pudesse arrancaria aquela expressão de dor de seu semblante. Geralmente seus períodos traziam desconforto, mas aquele parecia ser um de seus piores.
De novo ela descansou a cabeça no encosto e, aproveitando um rápido alívio de seus espasmos, sorriu devagar.
_Você não precisa fazer isso.
_Eu sei, mas eu quero fazer !
_Gris … — ela quis segurar sua mão e tocar seu rosto, mas se conteve e apenas olhou em seus olhos muito azuis, eles pareciam preocupados de verdade. _Hum … geralmente isso é desnecessário, você não vai se sentir … confortável. É estranho, acredite.
_Deixe que eu mesmo descubra isso.
O telefone dele vibrou em seu bolso e ele atendeu imediatamente, mas com muita discrição, segurou firme em sua mão gelada.
_Grissom !
Ele ouviu atentamente o que Catherine disse e, segundos depois, desligou, soltando a mão dela e se levantando.
_Venha, vou te levar para minha casa, tenho que auxiliar a Cath, o perímetro é mais extenso que o previsto e ela precisa de mim.
_Não é necess …
_Por favor, Sara ! Não seja intransigente !
Minutos depois, ele dirigia a Denali por Vegas, dividindo sua atenção entre as ruas caóticas e ela.
_Você vai prometer me manter informado, caso precise de alguma coisa ?
Ondas de calor começaram a tomar conta de seu corpo e sentiu náuseas. Uma dor aguda, a pior, atingiu seu ventre ela empalideceu.
Ele diminuiu a velocidade e tocou sobre a mão que pousava em sua barriga dolorida.
_Você não está bem, Sara e eu não vou te deixar sozinha.
Ela resmungou alguma coisa coisa e mordeu o lábio com força, segurando a vontade de chorar.
Ele fez a curva com precisão e retomou a radial que levava ao hospital mais próximo.
_Onde está indo ?
_Nós vamos ao hospital !
_Oh meu Deus !
Ela não se importou com o destino que ele decidiu seguir. Não queria argumentar, só precisava de alívio e faria qualquer coisa para tanto.
Grissom afundou o pé no acelerador e fez o trajeto em metade do tempo.
Ele a ajudou a descer, abraçando seu corpo frágil e aceitando o auxílio de um atendente.
Muito rapidamente, ela foi atendida por um médico bastante ágil e atencioso.
_Você tem alguma suspeita de gravidez ?
_Não ! Ela está no meio do período menstrual.
O médico realizou alguns exames primários, descartando uma crise de apendicite, se certificou sobre alergias e providenciou os cuidados para alívio imediato de suas dores.
Grissom sentiu seu telefone de novo vibrar em seu bolso e ignorou. Sabia quem era e, assim que pudesse, ligaria de volta. No momento, ela era sua prioridade.
Em poucos minutos, ela começou a sentir o efeito benéfico do medicamento intravenoso que estava recebendo e suspirou.
As náuseas haviam cessado e seu corpo parecia relaxar aos poucos.
Ele esteve o tempo todo ao seu lado, muito preocupado.
_Gris …
_Oi meu amor, estou aqui !
_Eu estou bem, você precisa ir.
_Não ! Me dê apenas um minuto, tenho que ligar para Cath. Ele tocou sua mão e saiu pelo corredor.
_Cath ?
_O que há com você, se perdeu no caminho ?
_Desculpe, eu … estou no hospital, a Sara teve uma crise …
_Ela não teve melhora ? Como ela está ?
_Sob controle, agora !
Cath ficou em silêncio por alguns segundos, ela mesmo já tivera seus momentos difíceis, e ficar sozinha nessas horas, era terrível.
_Me libere o Hodges, Gil ! Assim você faz companhia a ela.
_Vou fazer isso.
_Me mantenha a par, por favor.
_Claro.
Ele fez sua atribuição e voltou para o quarto.
Em silêncio, se sentou ao lado dela que parecia estável e com um semblante mais tranquilo.
_Você ainda está aqui ? — Ela sentiu sua presença, mesmo de olhos fechados.
_E vou continuar. Como está ?
_Muito melhor. — Ela parecia sonolenta
Ele se levantou e pegou em sua mão, depois deu um beijo delicado em sua testa sob o olhar curioso da enfermeira.
_Isso é bom, agora tente dormir, vou ficar por aqui.
_Gris, olha eu estou bem, a Cath precisa de você. Assim que estiver liberada, eu ligo.
_Já está tudo arranjado e não vou a lugar algum.
Um tempo razoável se passou e eles foram para casa. Ele acompanhou sua namorada até o quarto.
_Se deite um pouco.
_Eu preciso de um banho bem quente.
_Quer ajuda ?
_Não. Prefiro você na cozinha, estou morrendo de fome.
_Tem alguma sugestão ?
_Você está me mimando ?
_Não ! Estou … cuidando !
Ela sorriu e tocou seu rosto com delicadeza.
_Talvez uma sopa. A receita da sua mãe.
_Ok !
Grissom tocou sua barriga e acariciou de leve, como se qualquer gesto menos delicado fosse prejudicá – la. Ela pousou a mão sobre a dele e lhe deu um beijo curto.
_Logo estarei com você !
Ele se virou, parecia muito mais aliviado.
Olhando em direção ao quarto, enquanto preparava a refeição, ele fez uma ligação que parecia meio sigilosa, conversou alguns momentos, depois ligou para Cath e pediu a ela para mantê — lo informado.
_Onde você está ?
_Em casa.
_E a Sara ?
_Ela está bem, agora.
_E está aí com você, Gil ?
Ele demorou alguns segundos para responder, depois admitiu.
_Sim … ela precisava de ajuda.
_Sei !
Ele desligou no momento em que ela entrou na cozinha, bocejando.
Sara o abraçou pelas costas, depositando pequenos beijos barulhentos. Grissom cobriu seus braços, depois se virou.
_Já está pronta ?
_Huhum e estou faminta. — Ela olhou por cima de seu ombro para a panela fumegante.
_Você parece bem melhor.
_E estou, embora esses medicamentos me deixam sonolenta.
Ele deslizou os dedos pelos seus braços a encarando de baixo para cima.
_O que foi ?
_Eu falei sério quando disse que quero ir com você em sua consulta.
_Eu sei.
_Tudo bem ?
Ela balançou a cabeça e sorriu sem mostrar os dentes.
_Fazer o que ? Você … é você !
Sempre que ele tinha algo em mente, dificilmente arredava o pé, principalmente se esse algo se tratava dela.
_Eu … falei com minha mãe.
Ela se afastou com relutância e se sentou à frente da mesa posta.
_Sobre ?
_Essa dores … afinal ela é uma mulher.
_E … ?
_Ela também já passou por isso, você sabia que pode ser emocional, não é ?
_Em alguns casos, pode ser apenas genético. Mas também pode ser apenas por conta de ambientes frios, ou ainda uma disfunção do organismo que dificulta a expulsão das placas.
_Hum … minha mãe tinha endometriose.
_Não é meu caso, Gris.
_Fico aliviado.
Ela o encarou e deu outro sorriso de lado.
_Ela não quis saber por que de sua curiosidade ?
Ele assoprou o conteúdo quente da colher, olhou para ela e, com a maior naturalidade do mundo, disparou.
_Eu contei a ela.
_Sobre mim ?
Ele engoliu devagar, degustando o sabor peculiar. Adorava quando sua mãe fazia aquela sopa.
_É !
Sara rasgou um pequeno pedaço de pão, juntou uma outra porção e também mastigou devagar, assim como ele.
_Isso está bom, como sempre.
_Obrigado !
_Você pode me dizer exatamente o que disse a ela ? Que sou uma amiga ?
Ela pousou os dedos cruzados sobre a mesa e lhe deu total atenção. Tinha certeza que ele havia se referido a ela como apenas uma amiga. Seria curioso ser diferente.
_Claro que não ! — E foi curioso ele continuar. _Eu … fiquei preocupado, conversei por alguns minutos com o médico, mas nada como uma mulher para saber exatamente os sintomas. Então eu falei com ela, disse que … estava preocupado.
_Hum … — a conversa estava interessante.
_Minha mãe é esperta o bastante e é claro que ela quis saber. Contei a ela que estamos juntos há alguns meses.
Ela quase não acreditou no que estava ouvindo. Incrível como aquele relacionamento era totalmente surpreendente.
_Tem uma coisa que precisa saber.
_O que foi ?
_Ela quer te conhecer, Sara.
Por essa ela não esperava, e foi com total incredulidade que olhou para ele.
_Me conhecer ? Você já tinha feito isso antes ?
_Sabe que não.
Não que ele tenha dito, mas ela sabia que os relacionamentos dele nunca chegaram ao nível em que eles estavam.
_Eu preciso me preocupar ?
Ele riu. Era bom quando ele fazia aquilo, parecia até mais jovem, com suas bochechas rosadas e covinhas sob a barba.
_Acho que não.
_Não ?
_Vamos para a sala. — Aquela conversa não havia terminado, parecia ser mais abrangente que ela pode precisar.
Ele empurrou o prato, ela também, logo estavam sentados no sofá, esperando a cafeteira anunciar o café.
Sua cabeça estava no colo dele. A mão dele sobre sua barriga, acariciando bem devagar. Era tão confortável.
Sara estendeu os dedos para sua face cabeluda com muita intimidade.
_E então ?
_Ela nunca foi tão curiosa como está em relação a você.
_Jura ? Isso tem uma razão ?
_Sim …
_Qual ?
Ele desceu a cabeça até os lábios dela e lhe deu um beijo longo e apaixonado.
_Disse a ela que você é muito importante para mim.
Ela suspirou em surpresa, e desta vez foi ela quem encaminhou seus lábios aos dele em um contato úmido e delicioso. E então, o gemido !
De todas as suas “maneiras e manias”, aquela era a mais intrigante. Ele sempre gemia quando o beijo era mais profundo. Como se saboreasse seu gosto, com o paladar apurado de um grande chef.
A cafeteira apitou e eles pararam o contato como se tivessem sido pegos de surpresa.
_O café ! — Eles disseram juntos entre sorrisos.
_Fique aqui, vou trazer uma bandeja para nós dois.
Sara se sentou adequadamente no sofá e logo estava tomando posse de sua xícara de café.
_Você quer falar sobre o que aconteceu hoje ?
Seu pensamento se voltou para algumas horas atrás, antes de começar a sentir o peso de seu período menstrual.
“
Ecklie esteve todo o tempo em seu encalço. Era sempre assim quando estavam às voltas com o tempo da avaliação. Ele sempre escolhia alguém para chafurdar.
E a bola da vez era ela.
Talvez por ele ter percebido que ela não estava disposta a travar nenhuma batalha com ele, ignorando observações que na maioria das vezes, valeria uma boa briga.
Mas ouve um momento em que ela se virou, em pleno corredor, sua cabeça pesada com a possibilidade de desconfortos à vista e disparou.
_Qual seu problema, Ecklie ? Você está me induzindo a te ofender, é isso ?
Ele não respondeu, estava quase conseguindo seu intento quando de repente, ela deixou ele às moscas bem no meio do corredor.
Ele olhou ao redor e viu rostos sarcásticos sobre ele.
_Volte aqui, Sara Sidle.
Grissom não deixou por menos, havia visto seu empenho em tirar a paz dela naquele dia e veio em seu socorro.
_O que está acontecendo, Conrad ?
_Pergunte a sua subordinada, ela está me ignorando e eu preciso das respostas.
_O que exatamente você quer saber ?
Ele notou que ela observava os dois a uma certa distância.
_Não que esteja contestando suas avaliações, mas preciso valer dos meus direitos de bom observador.
_Fazer jus ao seu salário, você quer dizer ?
_Entenda como quiser. Se estivesse em meu lugar, com toda certeza saberia que qualquer equipe também tem que avaliar seu supervisor. E Sara não está colaborando.
_Por acaso passou pela sua cabeça que talvez não seja um bom momento ?
_É horário de trabalho, não vejo porque ela estaria em um mau momento.
Ele quis gritar para ele sua insensibilidade, mas se calou. Ele era um homem ignorante que passava por cima de qualquer coisa para se valer de seus propósitos.
_Grissom … — Sara se aproximou desta vez. O que menos precisava naquele momento era fazer Ecklie pensar que havia algum favorecimento. _Onde você me quer ?
Aquela pergunta soou muito estranha, mas o homem carrancudo se virou para a morena, com olhar vencedor.
_Na minha sala.
Depois daquela conversa, ela pareceu piorar, e ele queria saber, não o que haviam conversado, mas o quanto ela se afetara com aquilo.
.”
_Ele é um idiota !
_Importunou você ?
_Nada mais do que o costumeiro.
_Devo me preocupar com ele ? — Ele riu com timidez. Se ela tivesse travado uma batalha com Ecklie, ele pegaria ainda mais no pé do supervisor.
Ela se virou para ele se divertindo desta vez.
_Por que ? Não acertei a cada dele, mas bem que pensei na possibilidade.
Aquele assunto foi esquecido assim que ele retirou a xícara de sua mão e puxou seu corpo para junto dele, assistir ao programa de perguntas e respostas que ela adorava.
Bem mais tarde, ele se ajeitava por trás dela e o sono chegava mansamente.
….......
_Mãe !
_Oi filho !
Sara estava vindo do corredor e mesmo que não tivesse motivos para preocupações, sua mente a traiu. Estava ansiosa por aquele encontro, desde a conversa há dois dias atrás.
Depois de ter se recuperado daquele transtorno, com Grissom redobrando seus cuidados com ela, já que não havia sido muito presente nas outras vezes em que ela passara por aquilo, pois havia sempre uma circunstância que fizesse com que ficassem longe um do outro, ela parecera mais confiante. Mas agora, diante da possibilidade real, as coisas não eram tão simples.
Ela viu a delicadeza com que ele abraçou a mãe e sorriu. O olhos azuis da velha senhora encontrou com os castanhos dela, por cima do ombro dele.
_Sara ?
Ela assentiu de leve com a cabeça, as mãos mexendo nervosas.
_Olá Beth, como vai ?
_Muito bem, querida, mas e você, melhorou ?
_Sim, obrigada.
Elas se abraçaram com ele observando, logo ele se pôs ao seu lado e passou um braço por seus ombros magros.
Ela corou, demonstrações explícitas de carinho com a presença de uma terceira pessoa, eram nulas.
Ele estranhou, ela carregava apenas uma pequena sacola e era sabido que ficaria até o dia seguinte. Ela era prática. Tal mãe, tal filho.
Ele a levou até o quarto de hóspedes, e saiu para deixá – la à vontade.
_Você está nervosa, honey ?
_Acho que … um pouco.
_Não se preocupe, ela vai gostar de você. — Ele beijou suas têmporas e foram para a cozinha.
..
_E então, você … trabalham juntos, é isso ?
_Sim, ele é meu supervisor, Beth !
_Como é que vocês estão lidando com isso ?
Ela se virou para o filho, com ar de preocupação genuína.
_Nós tomamos o cuidado de não misturar as coisas, é … — ele parecia sem jeito, mas ela era sua mãe e precisava dizer a verdade a ela. _Não abrimos, ainda, nosso relacionamento.
_Não ? — Ela sorriu com cuidado, para não parecer sarcástica, Beth era discreta e inteligente, mas saber que seu filho, um homem de meia idade, mantinha um romance às escondidas. Era surpreendente e estranho.
_Preferimos assim. — Ele pegou a mão de Sara por cima da mesa, mas para tranquilizá – la, enviando uma mensagem íntima que tudo estava bem, que n]ao haveria um confronto direto com ela. _Temos algumas regras que, por hora, decidimos manter longe do nosso … relacionamento. Ainda estamos nos … adaptando, mãe !
Sara estava quieta, apenas sendo ouvinte, não cabia comentário algum naquele momento.
Para seu alívio, Beth depositou os talheres sobre a mesa e encarou o casal, inclinando a cabeça da mesma maneira que Grissom estava habituado a fazer.
_Com toda certeza, confio em você, filho, para saber o que é melhor. Eu só quero sua felicidade. Você estando feliz, estarei também.
_Ela me faz feliz, mãe.
_Você é sempre tao quieta ?
Sara sorriu, sentindo o coração palpitar.
_Geralmente.
A verdade é que havia gostado dela, mesmo sem conhecê -la. Era uma pessoa discreta, com toda certeza inteligente, e em nenhum momento demonstrou arrogância, ou autoridade. Geralmente, o confronto sogra-nora -primeira-impressão, carregava o estigma de disputa. Ela não sentiu isso na mulher que havia ganhado o coração de seu filho.
Beth quis ajudar, mas eles não permitiram.
Ela permaneceu sentada ainda à mesa, enquanto Sara lavava a louça e ele preparava o café.
A conversa girou em torno do trabalho dela, o deles e algumas curiosidades que toda mãe adora revelar sobre o filho “mimado”.
Como por exemplo, o perfeccionismo, percebido desde muito pequeno pelos pais, a adoração pelos insetos, as maluquices de ter transformado a garagem em um mini centro curioso de pesquisas.
Sara adorou saber detalhes tão agradáveis, contados de uma maneira natural e tranquila pela sogra.
Muitas risadas e aquele ar de timidez por ser o centro das atenções.
_Você levou uma sapo para a garagem, Gris ?
_Protegi minhas mãos, e minha mãe nunca descobriria se não fosse … pelo cheiro !
Beth desatou a rir, contando que o pai, um botânico, o incentivava às escondidas. Ele ensinou o filho a usar com moderação o formol e o problema foi resolvido.
Ela contou que a perda do chefe da família deixara seu garoto ainda mais introspectivo e, ela fez de tudo para que isso não acontecesse.
Enfim, foi agradável, revelador e imensamente gratificante ter conhecido Beth.
Eles estavam e folga e trabalhariam apenas na noite do dia seguinte.
Grissom ofereceu um programa a três. Um passeio por uma galeria de arte, e um bistrô bastante simpático que descobrira do lado oposto da cidade. Assim o risco de serem vistos era quase nulo.
Enquanto caminhavam pelos corredores da galeria, Sara sentiu uma vontade enorme de fazer contato com ele. Estavam entre pessoas estranhas e talvez não houvesse problema nenhum se ele apenas segurasse sua mão.
Beth estava distraída com a quantidade de telas e obras esplêndidas, diferente da pequena galeria que administrava.
Ele não parecia disposto a arriscar, mas notou as mãos que se mexiam nervosas.
_Algum problema, Sara ?
_Não, eu … estou bem.
_Tem certeza ?
_Huhum …
Eles estavam sentados em uma mesa com telhado transparente quando uma presença inesperada, surgiu surpreendendo a todos.
_Beth ? Você está em Vegas ?
Ela se virou e reconheceu a amiga e colega de trabalho de muitos anos do filho.
_Catherine ?
Ela olhou para os dois, com uma expressão bastante estranha. Tinha sido realmente uma surpresa.
Sara retirou a mão da coxa dele, imperceptível pela mesa, imediatamente.
Elas se abraçaram, mas Cath manteve os olhos sobre eles, por cima do ombro da boa senhora.
_Não sabia que estava visitando o Gil. Por que não me avisou ?
Ele não conseguia dizer uma só palavra que fosse, anestesiado pelo susto.
_Cheguei esta manhã, e tivemos a grata surpresa de ter mais uma companhia.
Beth não era adepta à mentiras. A explicação era verdadeira, porém omissa.
A CSI entendeu que havia sido um mero acaso, mas não ficou convencida totalmente. Sara não costumava ir até aquele lugar, geralmente passava a maior parte do tempo, dormindo. Ela mesmo havia a convidado para programas como aquele, mas raramente aceitava.
A conversa foi interrompida pelo atendente.
_Fique conosco, Cath.
Grissom conseguiu destravar e fez o que achou necessário. Ela aceitou.
_Estava pesquisando um presente para minha mãe.
Ela apontou o outro lado da rua, onde um aglomerado de pequenas lojas formava um centro comercial.
_E o que conseguiu ?
_Não consegui ! Minha mãe é um pouco difícil de agradar.
_Dê a ela algo como uma viagem, não precisa ser longa.
Beth conhecia a família, desde que eles eram adolescentes.
A sugestão caiu como uma luva. A mãe era apegada a neta, e não gostava de ficar longe dela.
_Saiba que a ideia é fantástica.
_Sua mãe ainda gosta de lugares históricos ?
_Sim, ainda lê muito sobre isso.
_Faça uma surpresa, ela vai adorar
Sara parecia um pouco mais calma, mas Grissom ainda tinha reservas.
_Quando é o aniversário dela, Cath ?
_Semana que vem, Sara. Estava até pensando em fazer uma reunião, ela vai gostar de receber todos em casa. E você, Gil, ela vive me cobrando, não tem aparecido ultimamente, nem nas suas folgas.
Ele passava todas com Sara. Esse era o motivo.
_Vou manter isso, e me redimir.
Cath se despediu e foi em busca do novo projeto. A viagem da mãe.
Beth não mencionou o constrangimento em momento algum. Foi como se tudo tivesse ocorrido dentro da normalidade. Muito sábio.
..
_Você está blefando !
Sara olhou para Beth, adorando a petulância dela em desafiar o filho no pôquer. Ela era uma jogadora habilidosa, como o filho. Sara, nem tanto.
Seu namorado ficou impassível, não esboçou reação nenhuma, acostumado a escondê -las. Arma importante no jogo.
_Sua vez, honey !
Ela pensou, pensou e descartou a carta ruim.
Ele arqueou suas sobrancelhas e desta vez, Beth captou a mensagem.
_Acho que você arrasou com a jogada dele.
Puro engano, ele sorriu com cinismo e disparou suas armas, cartas fortes e … fim da partida !
_Ah … depois me diz que não há sorte no jogo.
_Pura estratégia, mãe !
Sara começou a rir, se levantando, pegou uma nova cerveja para ele e outro refrigerantes diet para elas.
_Acho que chega por hoje, essa última foi de arrasar.
_Vamos desempatar isso ! Que tal ?
_Não. Assim é melhor, ninguém perde, ninguém ganha !
Ele viu a mãe se levantar com uma conhecida expressão.
_Já vai dormir ?
_Ainda não. Trouxe uma surpresinha para minha nora.
Sara olhou para ele. O que seria ?
Ela voltou rapidamente com um álbum de tamanho médio e chamou eles para o sofá maior, um de cada lado.
Logo na capa dura, o nome dele.
_Você não fez isso !
Antes de abrir, ela brincou.
_Você gostaria de saber como ele era, querida ?
_Adoraria !
Ele fez uma careta desgostosa e levantou os ombros.
_Não posso competir com duas mulheres.
Uma infinidade de fotos muito fofas.
Ele foi um bebe gordinho de cabelos lisos até um ano de idade, logo os cachinhos apareceram na altura da nuca e nunca mais o abandonou.
Mesmo com o cabelinho repleto de gel, eles ainda insistiam em se rebelar.
A idade escolar, o sorriso banguela, que ele quis passar rapidamente, e elas não deixaram.
_Essa bicicleta está pendurada na garagem. Era vermelha com buzina e acessórios.
Depois, mais algumas, já sem os sorrisos abertos, apenas muito discretos. A morte do pai havia realmente, o abalado.
A última foto chamou a atenção dela. Ele estava abraçado a uma garota, a mão no bolso e o olhar conhecido.
_Júlia, mas foi breve, não é, filho ?
_Foi mãe, muito breve.
_Ela se casou e tem dois filhos. São gêmeos e se parecem com ela. Estão da adolescência.
_Que bom.
Sara sorriu, era um sentimento novo e estranho olhar para a quela foto. Não era ruim, apenas desconfortável.
_Isso deve ficar com você, agora. Você aceita, Sara
_Claro Beth, vou guardar com carinho, muito obrigada.
Ela encostou o álbum no peito e beijou de sua sogra.
..
_Ela gostou de você, eu não disse ?
Sara estava deitada em seu peito, acariciando sua pele sob a camiseta branca.
_Também gostei dela, muito !
Ele beijou sua cabeça, depois segurou seu queixo para receber sua boca.
O beijo se transformou em algo mais profundo e ele se ajeitou sobre ela.
Sara deslizou as mãos em suas nádegas por cima da calça listrada de seu pijama. Grissom deslizou seus lábios pelo pescoço delicado e arranhou sua pele sensualmente com os pelos de sua barba, do jeito que ela gostava. Isso a excitava de uma maneira enlouquecedora.
Suas mãos brincaram em seus seios, depois foi a vez de sua boca sugar cada um deles, por um longo tempo.
Muito excitados, logo terminaram de se despir e fizeram amor lenta e deliciosamente por duas vezes, depois dormiram saciados e tranquilos.
Na manhã seguinte, eles acordaram cedo e preparam juntos, o café da manhã.
Beth sempre acordava um pouco mais tarde, e assim que alcançou as escadas para chegar à cozinha silenciosamente, flagrou o casal aos beijos encostados na pia.
Por alguns minutos ela assistiu a cena, percebendo o carinho com que seu filho tratava sua namorada. Ele tocava seus cabelos e segurava seu rosto com delicadeza. Era lindo e ela se comoveu, se sentou nos degraus com os olhos marejados.
Assim que ele a abraçou e encostou o queixo em ombro, ele notou a mãe.
Não levou um susto, a mãe sorria e ele retribuiu, deslizando as mãos pelas costas de Sara.
Calmamente ele se separou dela.
_Mãe ?
Sara sim, levou um pequeno susto, tentando precisar quanto tempo ela estivera ali, os observando.
_O café está pronto.
Grissom interveio para deixar sua namorada mais à vontade.
Beth degustou da refeição farta e se levantou, o avião partiria em uma hora. Eles a levaram para o aeroporto.
_Venha mais vezes.
_Não, agora vocês é quem me devem uma visita, eu vou cobrar.
Sara a abraçou muito forte, depois Beth segurou as mãos dela entre as suas.
_Você está fazendo meu filho feliz, obrigada. Foi a melhor coisa que ele fez, querida.
Ela sabia que eles se amavam.
_Acho que tenho que concordar com você.
Ela beijou o filho e foi para o portão de embarque, ouvindo a segunda chamada.
..
_Sara ? Vamos entrar ? O Dr. Phillip vai atendê -la.
Eles se levantaram e entraram na sala espaçosa do consultório de seu ginecologista.
Grissom ouviu as explicações detalhadas dela com atenção, assim como seu médico de aparência tranquila e confiante.
Ele descobriu que, no caso específico dela, a alimentação, ambientes de baixa temperatura, somado ao estado emocional, nos dias que antecediam seu período menstrual, eram responsáveis pelo seu desconforto.
Ela se lembrava de não ter conseguido refeições decentes e regulares naqueles dias, além de ter auxiliado em um caso ocorrido em um frigorífico. Foi extenuante e lhe tirou muitas horas de sono.
Mais tranquilo, ele viu sua namorada se deitar na maca e o médico puxar a cortina para que tivessem privacidade, em um exame mais específico apenas para confirmar que estava tudo bem. Geralmente os homens ficavam mesmo constrangidos observando suas mulheres em um momento como aquele.
Ele ouviu o médico, com sua voz calma, conversar o tempo todo com ela, além do bom humor que ele fazia questão de manter. Ele desconfiou que fosse para tornar o exame mais agradável.
Por fim, eles se despediram e foram para casa.
..
Sara saiu do banho, e continuou sua conversa com Grissom que estava sentado na cama.
_Não disse que está tudo bem ? Está mais tranquilo agora ?
_Sim, mas foi bom que eu tenha acompanhado sua consulta.
_Por que ? Não estava acreditando em mim ?
_Não querida. Estou enxergando uma vantagem em ser o seu chefe !
_Como assim ?
_Nada de casos estressantes, lugares frios, e mais atenção com sua alimentação nos dias críticos.
Ela sorriu para ele, tirando o excesso de água dos cabelos e antes de ligar o secador, brincou.
_Isso é favorecimento !
Ele se levantou e foi para a cozinha preparar o jantar, também sorrindo.
Eles tinham feito amor há alguns minutos atrás, logo que chegaram da consulta e ele estava bastante relaxado.
Grissom colocou a torta semi congelada no forno elétrico e abriu a porta para jogar o lixo pelo duto, no corredor.
Ele estava chegando a porta, quando sentiu alguém forçando a abertura novamente.
_Cath ?
_Oi Gil. — O porteiro a conhecia e ela pode entrar sem ser anunciada.
Um tanto abobalhado ele olhou para dentro em direção ao corredor, mas era tarde demais …
Cath viu uma Sara muito sorridente, vestindo apenas um roupão rosa de flores miúdas, chamando pelo supervisor muito intimamente, sem notar sua presença.
_Amor … o cheiro está delicioso … — foi então que ela estacou, assim como ele, ao notar o sorriso endiabrado daquela visita.
_Eu só queria ter certeza !!!
Fim
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