Natural Disaster
52 Capítulo 52 - Obrigado Tempestade
Notas iniciais
A The Rebel Machine teve sua ascensão rapidamente desde que a música que Derick fez para Cath começou a tocar nas rádios. Vieram outros hits, as turnês, os CD’s, as entrevistas, a fama e o dinheiro. Todos da banda estavam felizes e sentindo-se realizados, divertiam-se fazendo shows pelo país, mas após as longas viagens, bom mesmo era voltar para casa.
– Finalmente! Ufa! – Desabafou Derick se alongando ao descer da van que os trouxe do aeroporto direto para o centro da cidade. – Já não estava mais aguentando de saudades. Acho que é assim que você sabe quando ama alguém.
– Assim como? – Perguntou Giulio um pouco pensativo, saltando da van também. – Quando sente falta?
– Já eu, eu não tenho do que reclamar em relação à essa viagem! – Exclamou Peter enquanto era acariciado por uma linda groupie que se encontrava dentro do veículo também.
– Também não tenho do que reclamar! – Concordou Murillo.
O motorista fechou a porta da van, deixando Derick e Giulio, mas levando os outros dois. Derick ria dos amigos enquanto enviava uma mensagem para avisar à Catherine que já havia chegado na cidade.
– Então quer dizer que eu amo a Iris pra valer mesmo!? – Giulio interrompeu o melhor amigo. – Essa saudade toda é um sintoma!? – Os olhos do garoto estavam arregalados, como se estivesse apavorado.
– É... – Disse Derick brincalhão. – Sinto muito amigão, mas relaxa que isso só vai te trazer coisas boas! – Giulio permaneceu ali, pálido, parado como uma estátua. – Você sabe o quanto eu gosto de estar em cima do palco, mas ter que me afastar da minha família... Ah, eu não quero isso pra sempre não! – Giulio ao ouvir aquilo voltou a se mover, só que dessa vez com medo do que o amigo estava querendo dizer.
– Por que isso? Você sempre sonhou em ser o que somos hoje. – Ele encostou no ombro esquerdo de Derick mostrando preocupação. – Não te entendo.
– Agora que sabe que ama a Iris, na medida em que o tempo for passando, que forem construindo uma história juntos, você vai passar a me entender sim... Quero estar com ela, ver meu filho crescer! – Ele bufou, deixando a cara emburrada. – Meu filho irá aprender a andar, a falar... Eu não quero perder isso. – Giulio estava um pouco decepcionado, mas teve de compreender o amigo.
Os dois encostaram em uma das pilastras e continuaram conversando por mais alguns minutos até que de repente uma mão tapou os olhos de Derick, pegando-o de surpresa.
– Tchan Tchan Tchan Tchan! – Catherine sussurrou no ouvido do garoto. – Adivinha quem é! – Os dois garotos viraram para trás e viram suas respectivas mulheres, além de Arthur em seu carrinho de bebê.
– Acho que vocês vão gostar do que eu tenho pra te dizer! – Afirmou Iris Maddox empolgadamente.
– Quais!? – Perguntou Derick surpreso, enquanto pegava seu filho no colo.
– Abra isso Derick! – Exclamou Iris extremamente animada entregando-lhe um pedaço de papel. – Você vai ficar tão feliz! – O garoto abriu o envelope um pouco desconfiado, mas esperando por boas notícias.
– Nã-ã-ã-o acredito! – Disse ele com os olhos brilhando ao ler o que o papel dizia. – Quer dizer que nós conseguimos!? Que resultados são esses!? Nosso projeto... – Desabafou ele sentindo-se orgulhoso.
– Essa revista publicou o artigo de vocês, e olha só o quanto de investimentos e equipamentos novos vocês conseguiram para Bergenthal! – Giulio olhava encantado para aqueles papéis. – Vocês não são de brincadeira mesmo!!!
– Disseram que a revista Galileu já publicou uma matéria falando sobre a nossa pesquisa! – Informou Catherine ainda mais empolgada.
– Cath, tem uma máquina bem ali na frente, vamos lá procurar? De repente comprar alguns refrigerantes também. – Iris puxou a amiga e as duas foram em direção à máquina procurar pela edição da revista.
Chegando lá perceberam que dentre as 16 revistas vendidas na máquina, praticamente todas eram de fofoca, televisão, cinema ou dietas, portanto a Galileu não era vendida ali. “Olhos verde, cabelos loiros... Arthur Becker ou Bellini?” Cath tremeu ao ler essa manchete em uma das revistas. Havia uma foto dela, de seu filho e de Derick. Colocou algumas notas e retirou um exemplar, queria saber exatamente o que estavam falando sobre eles. Folheou os papéis até chegar na matéria, leu e ficou arrasada ao perceber a quantidade de comentários maldosos feitos em relação à sua família.
– Não acredito nisso... – Resmungou Iris puxando a revista da mão da amiga. – Cath!? Não fica assim... – Catherine estava com os olhos encharcados, prestes a transbordar. – As vezes a mídia é cruel, é nojenta mesmo! Que raiva!
– Você não tem ideia do quanto isso dói. – A garota secou seus olhos porque precisava ser forte. – Terei que lidar com isso para sempre. Agora que o Derick é famoso, não tem como fugir disso...
– Mas você me disse que o Ernesto falou que não houve nada entre vocês, que prometeu...
– E você acredita no que esse homem diz? – Cath perguntou um pouco irritada e sem esperanças. – E agora eu acredito ainda menos... Eu vejo meu filho crescendo, igual a revista diz, loiro, olhos verdes... – Ela rasgou a capa da revista furiosamente e arremessou seus restos na lixeira. – Parece filho do Derick? Derick tem os cabelos e os olhos mais escuros que eu já vi...
– Que os professores que te passaram em Genética não ouçam a merda que você está falando! – Bufou Iris sacudindo Catherine, como se quisesse fazê-la cair na real. – Você sabe muito bem que isso não tem nada a ver! Cath, você estuda medicina, não vê o quanto é absurdo querer determinar paternidade por cor de olho e de cabelo!?
– Eu sei... – Cath abaixou a cabeça, concordando com a amiga. – Tenho que tirar essas coisas da minha mente... – Iris se desesperou ao ver que Derick e Giulio vinham se aproximando, pois não queria que Derick visse aquela revista, e ainda havia outros exemplares na máquina.
– Hey, não estão achando a revista? – Perguntou Giulio já a somente 3 metros de distância e se aproximando ainda mais.
– Não tem não. Já procuramos mil vezes. – Iris encostou-se na máquina, tapando os exemplares da revista ao ver que eles continuavam andando.
– Por que está tão vermelha Cath? – Disse Derick chegando perto da esposa e acariciando seu rosto. – O que houve?
– Ela tá bem, não se preocupe, não é Cath? – Afirmou Iris encarando a amiga.
– Estou ótima... – Mentiu Catherine com o olhar perdido.
– Sério, eu to preocupado... – Os garotos olhavam com desconfiança, sabiam que estavam tentando esconder alguma coisa.
– É que eu morro de saudade quando você viaja... – Catherine abraçou Derick com força, acomodando-se em seus braços. – Acho que não sei mais viver sem você...
– Calma... – Ele relaxou, acreditando na garota. – Eu tô aqui... Estava falando com Giulio, é realmente muito difícil pra mim me afastar de vocês...
–
Penitenciária
Após um ano e alguns meses na prisão, Ernesto Bellini tentava se regenerar da forma que podia, e aos poucos percebia a dimensão de cada erro seu. Muitas vezes nas penitenciárias, pastores evangélicos conversam com os presos com a intenção de convertê-los, pois acreditam que dessa forma talvez esses indivíduos consigam tornar-se pessoas melhores.
O homem vinha sendo evangelizado por um desses grupos, e começara a ler mais a Bíblia, pois além de não ter muito o que fazer trancafiado em sua cela, pensava que pudesse encontrar nesse livro algo que o motivasse.
– Eu não mereço perdão, você sabe o quanto de coisa ruim que eu fiz! Minha ex-mulher... Eu a agredi, eu a estuprei, traumatizei minha própria filha, sequestrei e quase assassinei o marido dela... Eu quis ver o meu irmão morto por ciúme, por machismo, por inveja.
– Você precisa esquecer isso... Agora a sua filha está casada, feliz, bem-sucedida. Você errou, mas precisa parar de se punir, seguir em frente. Deus dá uma segunda chance para todos os arrependidos...
– Vá para o inferno! Demônio! – Berrou um outro preso de uma outra comarca ao ouvir o pastor falar com o Ernesto.
– Você também errou rapaz, não deveria julgar os outros. Se não tivesse errado não estaria aqui. – Exclamou o pastor recolhendo sua Bíblia e indo embora, pois o horário de visita já havia sido encerrado.
– Alguns erros são maiores que os outros, pastor. Ele está certo.
– Você não pode mudar o passado... Precisa é fazer o bem a partir de hoje! – O homem despediu-se de Ernesto saindo da cela.
– Fazer o bem...
“Não posso mudar o que houve, não posso mudar o que eu fiz, não posso também exigir o perdão dos que eu prejudiquei. Eu não sou digno disso, porque o meu arrependimento não apaga nenhum sofrimento. Catherine, eu precisei ter a certeza de que era minha filha para poder te amar, precisei saber disso para não desejar o mau para sua mãe e para o meu irmão. Para refletir sobre o meu egoísmo e minha insensatez. Se eu precisei disso, é porque minha alma é podre, porque eu não tenho nem nunca tive caráter. O que fiz ainda causa dor, ainda assombra sua vida e o tempo não volta atrás. Você é boa demais para querer vingança e nada do que eu esteja sofrendo se compara com o que fiz com que todos vocês passassem. Quero que Deus saiba que eu não quero misericórdia. Que eu não sou digno do reino dos céus. Eu não posso apagar as memórias ruins, não posso apagar seus pesadelos, mas posso acabar com o que os causa. Essa é a minha chance de fazer uma coisa boa. Catherine, eu vou queimar por você. ”
Enforcou-se e agonizou com essa carta na mão. Seu enterro foi vazio. Apenas os coveiros e alguns repórteres estavam presentes para noticiar aquilo. Não havia um amigo, alguém que ele tivesse cativado durante a vida e que poderia sentir falta dele. Nenhuma lágrima foi derramada por ele.
– Perturbador. – Confessou Helena atrás de uma das lápides do cemitério onde Ernesto estava sendo enterrado. – Infelizmente eu não consigo não estar feliz.
– Ele não merecia morrer. Isso é muito fácil. – Desabafou Enrico. – Sofreu pouco naquela cadeia.
– Merecia sim, porque isso vai fazer com que eu pare de me envenenar com tanto ódio. – Disse Catherine encolhendo-se no abraço de Derick, que tentava a consolar.
– Acabou... – O garoto murmurou no ouvido dela para que ela se acalmasse.
–
Quatro anos depois
Eram uma família unida. Daquelas que almoçam aos domingos juntos e conforme os anos se passaram esse união só crescia. As coisas mudaram muito após o nascimento de Arthur e Ralf tornara-se um homem muito menos ambicioso e rígido. Estavam todos na mansão dos Becker e o garotinho se divertia tentando aprender a tocar bateria. Derick ficava orgulhoso ao saber o quanto seu filho também se interessava por música e o quanto aprendia rápido.
– Quando eu crescer, eu vou ser um Rockstar, igual o meu pai! – Afirmou a criança deixando os outros dois sem graça.
– Você vai ser o que você quiser! – Ralf olhou para Derick um pouco constrangido, lembrando da resistência que tivera ao aceitar a carreira do filho. – Vai fazer o que te fizer feliz!
– Nunca achei que fosse ouvir isso vindo de você! – Derick abriu um sorriso sincero. – É uma excelente surpresa! Quando foi que começou a pensar diferente?
– Desde que a música me mostrou que é tão poderosa que pode até salvar vidas. – Ele pegou seu neto no colo o balançando de um lado para o outro. – Vidas como a desse garotão aqui! – Arthur gargalhou com a brincadeira de seu avô.
– Quanto mais esse garoto cresce, mais ele se parece com você! Eu estava comentando com o seu pai... – Lilian apareceu na sala para chama-los para o almoço, mas não conseguiu ocultar seu pensamento, soltando então o comentário.
Lilian não percebera, mas Catherine estava logo atrás, mas hesitou e não quis entrar na sala ao ouvir aquele comentário. Permaneceu atrás da porta, apenas ouvindo a conversa para saber a reação de Derick sem influenciá-lo com sua presença.
– Ah mãe, esquece essas coisas... – Disse Derick um pouco magoado. – Para...
– O nariz, a boca... as expressões que ele faz... São exatamente iguais às suas. – O garotinho olhava para o pai sem entender o objetivo daquela conversa.
– As pessoas acabam pegando características de quem elas convivem muito, do ambiente em que elas estão... – O garoto deu de ombros.
– Estou falando sério Derick, ele tem o rosto idêntico ao seu quando tinha quatro anos, só que com os olhos verdes e o cabelo loiro... Não estou brincando.
– Às vezes o afeto nubla a nossa capacidade de ver as coisas como elas realmente são... – Derick olhou bem nos olhos da mãe com o olhar triste. – Deixa isso pra lá mãe, isso não muda em nada... Nós somos pai e filho, e é isso. Só não fique alimentando essas coisas na cabeça da Cath. Vai que a senhora está errada, não é?
A cabeça de Catherine estava confusa, ela não sabia o que pensar. Aquela dúvida havia a consumido por diversos anos e o medo de alimentar falsas esperanças a fez querer enterrar aquele assunto para sempre. Mas era impossível enterrar aquilo, sempre vinham alguns pensamentos, a cada vez que ouvia algum comentário sobre o assunto, aquilo a atormentava.
O que faria quando Arthur crescesse e soubesse da verdade? E se ele quisesse saber de quem era o sangue que corria em suas veias, o que ela diria? Ela concluiu que aquilo só seria mais um assunto mal resolvido, mas que não tinha escolha, como sempre ficaria renascendo, até que tudo estivesse esclarecido. Ela tinha que saber a resposta, sendo ela boa ou ruim. Quantas coisas ela já havia enfrentado? Continuaria sendo covarde quando o assunto era Arthur? Não, não mais.
–
Iris e Catherine caminhavam rapidamente pelo corredor da clínica para buscar o resultado do exame. Cath não conseguia conter o nervosismo e apoiava-se na amiga para conseguir andar, pois suas pernas estavam bambas e sentia-se fraca.
– E como fez pra coletar o sangue do Derick? – Perguntou Iris curiosa. – Você não me contou.
– Não coletei Iris... – Respondeu Catherine rapidamente.
– E então? – A amiga ficou sem entender.
– Uma vez ele ficou o dia inteiro brincando com o Arthur, de noite estava exausto e dormiu como uma pedra... Então eu aproveitei e coletei um pouco de saliva dele.
– Você é terrível! – As duas caminhavam tensas tentando encontrar o local de retirada de exames daquele tipo e olhando todas as placas.
– Estou com tanto medo! – Exclamou Cath ao encontrar o balcão.
– Mas olhe essas fotos! – Iris retirou de suas bolsas fotos de Derick na infância que haviam conseguido com Lilian. – Eles realmente se parecem demais... – Catherine olhou para aquelas fotos e respirou firme, conseguindo um pouco mais de confiança.
– Por favor, eu vim pegar um exame de DNA. – Ela se dirigiu à recepcionista colocando seus documentos em cima do balcão, e a mulher rapidamente tratou de procurar.
– Aqui senhora... – A recepcionista entregou o exame lacrado à Cath, que assinou na ficha o recebimento do mesmo.
– Abre Iris, eu não consigo. – Ela rasgou o envelope, mas não teve coragem de ler, então entregou à amiga.
Após alguns segundos de suspense, talvez os segundos mais demorados da vida de Catherine, Iris a encarou com um sorriso enorme, mostrando que tudo havia dado certo. Abraçou a amiga com força, e Cath sentiu uma felicidade incomensurável, já sabia o que aquele abraço queria dizer.
–
As mãos de Catherine tapavam os olhos de Derick, mas era óbvio que ele sabia onde estava, aquele cheiro de maresia e a textura de areia entregavam tudo.
– Faz tempo que a gente não vem aqui sozinho... – Disse ele com os olhos tapados, sendo conduzido por Cath. – Acho que desde o dia do nosso casamento...
– Aham. – Murmurou Catherine enquanto destampava os olhos do marido e mostrava para ele o que havia preparado. – Acho que aprendi com você a fazer surpresas românticas.
– Uau... Flores, velas, vinho... – Ele disse enquanto subiam no gazebo de madeira decorado especialmente para aquela noite. – Ainda bem que você pediu para não desmontarem no dia em que casamos... Isso aqui ainda vai ter muita utilidade... – Derick a puxou por trás beijando-a no pescoço e Catherine fechou os olhos, estremecendo.
– Você é um safado! – A garota afirmou um pouco tonta e ofegante após aquela investida, se soltando das garras dele. – Senta aqui... – Ele a olhou sedutoramente, quase a fazendo esquecer o que precisava falar.
– Diga dona metida... – Derick se deitou na rede e a puxou para perto, ficando os dois abraçados ali. – Eu acho que agora é oficial, esse é o nosso lugar!
– É verdade... – Concordou ela encolhendo-se no abraço dele.
– Mas o que você queria falar?
– Que por tudo que eu passei, por causa do machismo, de toda essa violência que eu sofri, eu achava que todos os homens eram terríveis quanto o Ernesto...
– Mas a verdade é que muitos são sabe? – Confessou ele um pouco envergonhado. –Muitos pensam como ele, acham que as mulheres os pertencem... E acham isso normal, aceitável... – Respirou fundo lamentando que aquilo fosse verdade. – Por isso as mulheres andam com medo nas ruas...
– Exatamente, mas aí eu te conheci... – Cath ergueu seu corpo para olhá-lo face a face. – E vi que alguns homens não eram assim, alguns homens podiam prestar. – Disse pensativa. – E sabe isso fez com que eu odiasse ainda mais os homens.
– Como assim? – Perguntou ele sem entender.
– Porque agora eu sei que eles são capazes de ser bem melhores do que são. Porque um monte de mulher ainda vai sofrer, vai apanhar, vai ser prisioneira, vai ser abusada... – Ela o acariciou os cabelos o olhando apaixonadamente. – Sinto raiva por todos eles não serem como você.
– Nós nascemos e somos exaltados... O mundo nos vê como superiores, nós somos mimados, temos um monte de privilégios por sermos homens... – Concluiu Derick, sendo sincero. – Desconstruir essa mentalidade é um aprendizado constante, mas sabe Cath, como eu poderia dizer que eu amo você, se te quisesse minha prisioneira? Se te quisesse minha sombra, ou se não te apoiasse em todos os momentos? – Catherine sorriu ao ouvir aquilo, pensou por alguns segundos, e então resolveu confessar.
– A sensação de ser obrigada a estar com alguém é a pior de todas... Mas quando eu descobri que estava grávida... Sabe o que mais doeu naquele momento?
– Não sei... – Derick estava emocionado com o que ela havia falado sobre ele, e tocar naquele assunto o fez ter vontade de chorar, as lágrimas simplesmente escorreram.
– Foi achar que iria me decepcionar com você, porque o Derick por quem eu tinha me apaixonado tinha enfrentado tudo por mim, mas que aquilo seria demais... – Catherine secou as lágrimas do garoto e o beijou no rosto carinhosamente. – Que eu tinha me iludido ao achar que algum homem seria diferente, que você podia não ser como o Ernesto, mas era como o Enrico, que abandonou a minha mãe...
Cath então se levantou na rede e pegou em sua bolsa o papel do exame de DNA que demonstrava que Derick era mesmo pai biológico de Arthur. O garoto se sentou na rede meio perdido, sem saber o que aquele papel significava. Ela se pôs na frente dele, o entregou o papel e ele imediatamente abriu para ler.
– Cath... – Ele se permitiu chorar, deixando-se levar pelo momento de extrema felicidade. A abraçou com carinho, um abraço apertado, desesperado. Os dois se olhavam sorrindo, como se estivessem sob efeito de algum encantamento, ou alguma magia. Talvez fosse isso.
Catherine se sentou no colo de Derick, aproximando seu rosto do dele, para que ele pudesse sentir sua respiração. – Eu quero mais. – Sussurrou no ouvido do garoto, fazendo-o se arrepiar. – Eu te amo porque você enfrentou o inferno comigo...
Derick encostou seus lábios nos dela e a puxou para um beijo ardente, percorrendo o corpo de Catherine com suas mãos e roubando-lhe o ar.
– E eu te amo porque você veio como uma tempestade que me destruiu... Só para eu me reconstruir em uma pessoa muito melhor.
E viveram felizes para sempre.
~ FIM ~
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