Natural Disaster
45 Capítulo 45 - Pai?
Notas iniciais
23 de Julho de 2012 — 17 horas e 20 minutos. – Apartamento de Catherine e Helena
Já haviam se passado horas e Iris já havia comprado pelo menos outros sete testes de gravidez de marcas diferentes na drogaria. Testes esses que Catherine fez um por um para ter certeza de que não estava na ínfima porcentagem de erro dos testes, para confirmar se não era um falso positivo.
Estava exausta e não tinha mais como fugir da verdade. Aqueles dois tracinhos recorrentes em todos os testes que havia feito indicavam que Cath estava mesmo grávida. Assim que acabou de realizar os testes e viu que não tinha mais escapatória, a garota sentou-se no sofá desesperada.
– Esse deveria ser um dos momentos mais felizes da minha vida, mas aquele desgraçado conseguiu de novo estragar tudo isso... Eu simplesmente não sei como me sentir. — Murmurou Catherine cabisbaixa enquanto recebia o apoio da amiga. — Às vezes penso que há alguém lá em cima rindo da minha cara, porque não pode ser... Quando penso ter conseguido enfrentar algum problema surge outro pior. Parece que eu estou fadada a fracassar em tudo. — A garota deixou uma lágrima escorrer em sua face.
– Sei que parece ridículo eu te aconselhar assim, mas você precisa manter calma. Ainda não tem certeza do que houve naquela noite. – Insistiu Iris consolando Catherine. – Não vou te deixar fazer nenhuma besteira, ainda mais sem ter certeza de como tudo aconteceu.
– Eu estou cheia de ódio. – Confessou a garota amassando uma das caixas dos testes. – Pense no quanto o Ernesto irá rir da minha cara se essa criança for mesmo filha dele. – A amiga não teve mais como tentar consolar e se calou, pois naquela situação não havia nada que pudesse amenizar o sofrimento da garota. – Teria me estuprado, me engravidado, me separado do Derick, fora tudo que já me fez passar antes. Mesmo preso ele estaria feliz, rindo, se sentindo vitorioso.
– Primeiro nós temos que esperar o laudo da médica para saber se você realmente foi... – Iris evitou falar aquela palavra que causava tanto sofrimento. – E você pode ver há quanto tempo está grávida e fazer as contas... Fora o fato de que dormiu muito mais vezes com o Derick então é muito mais provável que...
– A probabilidade é igual. – Contou Cath com uma expressão séria no rosto, como se estivesse a ponto de surtar. – Nós quase sempre nos cuidamos. – Ela afirmou, deixando a amiga ainda mais tensa. — Exceto no dia em que Ernesto, enfim... Depois que Derick me ajudou a fugir do hospital, ficamos juntos na praia e nenhum dos dois esperava que fosse rolar, foi a única vez em que nós não nos protegemos.
– Não... – Resmungou Iris arrasada. – Verdade, você tinha me dito.
– Estava planejando ir ao ginecologista antes de nos casarmos, começar a tomar pílula.
– Nossa Cath... — Iris não sabia mais o que dizer.
– Eu estou completamente perdida.
–
26 de Julho de 2012 – Apartamento de Catherine e Helena
Catherine acordou assustada com o ruído insuportável de seu interfone tocando. O relógio marcava exatamente 10:15. Era um dia frio e a garota não desejava sair de seu edredom tão cedo, pois sabia que só teria de ir ao laboratório durante a tarde. Estava com uma cara péssima, pois não havia conseguido dormir direito, no entanto, a curiosidade superou a preguiça, pois não imaginava quem poderia estar a visitando naquele horário e talvez fosse algo importante, então resolveu se levantar e atender, afinal sua mãe já havia saído para trabalhar, estava sozinha em casa.
“- Alô — Cath reconheceu a voz de imediato, era sua sogra. – Catherine, é a Lilian, será que podemos conversar?
–É claro. – A garota confirmou e apertou o botão para que a mulher entrasse.”
Tentou dar um jeito em sua aparência, colocando rapidamente um pouco de pó compacto no rosto para esconder as olheiras e uma roupa mais apresentável que seu pijama. Não imaginava o motivo pelo qual Lilian estaria àquela hora desejando conversar com ela. Em menos de 5 minutos o elevador subiu e Cath ouviu o barulho da campainha.
– Olá! – Lilian cumprimentou Catherine dando-lhe um abraço.
– Oi! – Respondeu a garota sorrindo um pouco sem jeito. – Que surpresa! Entre...
– Eu imagino que deva estar mesmo se perguntando o que eu estou fazendo aqui a essa hora e ainda mais sem avisar. – Disse a mulher se sentando no sofá.
– É... – Confessou Cath. – Mas quer um café? Minha mãe deixou preparado e está com um cheiro muito bom!
– Eu aceito sim querida, sai de casa na correria e ainda não tomei meu café. – Era notável que as duas estavam um pouco envergonhadas com a situação e que Lilian iria fazer muitos rodeios antes de dizer o que realmente queria dizer.
– Enfim, fique à vontade, eu vou botar a mesa para você comer alguma coisa antes de ir trabalhar... – A garota também tentava não deixar o clima tão tenso mesmo não sabendo do que se tratava. — Está tudo bem com vocês?
– Conosco sim... – A mulher respondeu, deixando Cath um pouco desconfiada.
Ela então serviu sua sogra e ambas se sentaram na mesa da sala para tomar o café da manhã juntas. Não era o banquete matinal servido nas mansões das famílias ricas das novelas e na mansão dos Becker, mas havia frutas, torradas, pão, bolo e um café de aroma e sabor extremamente agradáveis.
– O café está uma delícia, mas o bolo... Está sensacional. – Disse Lilian. — Você mesma que fez? – Era evidente que a mulher estava nervosa e Catherine começou a se sentir incomodada com aquela situação, estava cansada de rodeios em sua vida.
– Obrigada! Fui eu que fiz o bolo sim. – A garota não podia mais aguentar o suspense. – Lilian, aconteceu alguma coisa? Não me interprete mal, eu só estou achando estranho você ter vindo me visitar assim do nada porque você nunca havia feito isso e desde que entrou parece que quer me dizer algo.... – Ela despejou aquele monte de dúvidas de forma tão direta que deixou a sogra além de surpresa ainda mais desesperada.
– Aconteceu sim querida... – O rosto da mulher foi ficando mais corado e estava visivelmente começando a se emocionar. – Você tem noção do quanto me orgulho do meu filho ter escolhido se casar com uma garota como você? – A garota fez que não com a cabeça.
– Você nunca me disse algo assim...
– Mas mesmo que você não saiba o quanto, sabe que gosto muito de você. – Lilian sorriu de canto e a garota assentiu. – Eu amo você quase da mesma forma que amo meus filhos.
Catherine encheu seu coração de felicidade, abriu um grande sorriso, que há tempos não abria e foi até a cadeira da mulher abraçá-la.
– Obrigada... – Disse Cath comovida, se segurando na mulher como se estivesse abraçando de fato a própria mãe.
– Tudo que tem passado...Ralf me disse, há dias não dorme direito, ele também gosta muito de você e está arrasado. – Lilian acariciava os cabelos de Catherine que tentava manter-se firme e não se derreter em lágrimas. – Você já sofreu tanto e ainda mais essa... No que depender de mim esse homem vai apodrecer na cadeia!
– Eu tô grávida... – Cath confessou involuntariamente em um sussurro.
–
06 de Agosto de 2012 — 12 horas – Universidade de Bergenthal
Catherine ainda estava muito tocada com as palavras que Lilian havia dito dias atrás e do apoio que recebia tanto da sogra quanto de Ralf, mas ainda não se sentia segura o suficiente para abrir o jogo para Derick. Havia tentado se afastar um pouco do noivo para pensar na melhor forma de dizê-lo a verdade.
O garoto percebeu que as coisas já não estavam fluindo da mesma forma, e não conseguia compreender a distância emocional que havia entre eles nos últimos dias. Tinha medo de perguntar o motivo, afinal, tudo parecia finalmente ter se resolvido. Ernesto estava atrás das grades, faltavam poucos dias para o julgamento e sua condenação era mais do que certa. O que poderia estar ocasionando o esfriamento da relação dos dois? Ele ainda amava Catherine intensamente, e temia que ela não sentisse mais o mesmo.
Era o primeiro dia de aula do segundo semestre na Universidade de Bergenthal e após o término de suas aulas da manhã, o garoto resolveu aguardar Cath na porta da sala de aula em que ela estava. Derick havia alcançado seu limite, estava tão angustiado que não conseguira dormir durante a madrugada e decidiu que precisava esclarecer tudo com a garota naquele dia.
Ela saiu da sala pontualmente, ao meio-dia. O olhava com estranheza, como se ele não devesse estar ali. Isso o deixou ainda mais incomodado, parecia que tudo o que ela queria dele era distância.
– Oi. – Disse Catherine em tom baixo cumprimentando-o com frieza e nem sequer um abraço.
– Oi. – O garoto também respondeu de forma ríspida por estar magoado.
– O que foi? – Catherine perguntou sem ter coragem de olhá-lo nos olhos.
– Tenho que ter algum motivo para querer ver a minha noiva agora? – Ela sentiu seu coração apertar notando o quanto ele parecia estar triste e então lançou seu olhar para ele.
– Claro que não. – Cath o abraçou forte encolhendo-se como se estivesse pedindo abrigo.
– Mas eu tenho motivos, precisamos conversar. – Por mais derretido que tivesse ficado com aquele abraço inesperado, ele preferiu manter-se focado e pedir explicações sobre o que estava acontecendo, só assim se sentiria realmente em paz.
– Precisamos. – Ela então se soltou do abraço, percebendo o quanto ele ainda estava mal com aquilo tudo.
Foram caminhando lado a lado sem dizer uma palavra sequer e apenas trocando olhares estranhos, até que chegaram ao jardim de Bergenthal, o único local onde poderiam ficar a sós, pois não havia quase ninguém. Sentaram-se em um banco de pedra próximo lado ao chafariz.
– Você se lembra da primeira vez que nós dois ficamos aqui? – Catherine fez que sim com a cabeça e Derick a envolveu com o braço direito, abraçando-a. – Horas antes de eu te pedir em namoro.
– Eu me lembro. – Disse ela timidamente. – Você me disse coisas lindas, foi tão carinhoso. – Sussurrou Cath.
– Você me beijou de um jeito tão quente, nenhuma garota tinha me beijado assim.
– Claro que tinha, você já se envolveu com várias...
– Mas nenhuma tinha me beijado com amor. – Ele acariciou o rosto de Catherine, fazendo-a sorrir.
– Estávamos só nós dois aqui, você tinha acabado de dizer que me amava pela primeira vez, e as coisas esquentaram. – Disse ela. — Acho que na hora você se lembrou do que havia acontecido algum tempo atrás quando estávamos no seu quarto e se conteve. Mesmo que você não soubesse ainda todo o trauma que eu tinha em relação a sexo, você sabia que eu era virgem e tímida, percebi que se controlou, respeitou o meu tempo...Sempre respeitou o meu tempo...
– Cath, por mais que você me enlouqueça, nunca te pressionaria... Esperei até que se sentisse pronta, você sabe que eu esperaria o tempo que você precisasse.
– Você foi o único que conseguiu me fazia esquecer todo o horror que passei. Eu tinha pânico de qualquer garoto me tocando. – Ela confessou abraçando-o ainda mais. – Nem beijar eu conseguia direito... Tinha nojo. Lembrava de tudo. – Disse ela em tom baixo. – Mas foi diferente com você, desde a primeira vez em que nos beijamos. Nunca te disse isso, mas eu não sentia medo, nem ficava pensando no passado... Sentia desejo, vontade de ficar com você. – Derick a puxou para si, beijando-a intensamente. – Eu só estava insegura...confusa...Querendo entender o que se passava com o meu corpo. – Ela disse enquanto ele a enchia de beijos no rosto. – Não consigo explicar o que sinto quando você encosta em mim... – Cath murmurou no ouvido do garoto deixando-o arrepiado.
– Sei que tudo o que passou te deixou muito mal, mas agora que as coisas começaram a se resolver você parece cada vez mais distante. Está tudo tão estranho. – Falou Derick com um semblante triste. – Quase não me beija, não temos mais dormido juntos... Está sempre enjoada, se sentindo mal, triste ou cansada... Quase se suicidou naquele dia, fiquei com tanto medo... Tem algo acontecendo...Parece que não se interessa mais quando eu falo sobre o nosso casamento... Não quer ir aos ensaios da The Rebel Machine, nunca quer ou pode sair comigo... Não entra mais no laboratório para ver as coisas do projeto... Você gostava tanto... – Derick abaixou sua cabeça, encostando-a no ombro de Catherine. – Você sabe que você deve ser amiga de quem quiser, que você tem a sua liberdade e eu não tenho que me meter nisso. Mas poxa, além desse clima estranho, tem dias que você fala mais com o Giovanni do que comigo... – O garoto estava arrasado e Cath mais ainda, só ela sabia o quão difícil estava sendo agir daquele jeito. – O que está acontecendo? Você não me ama mais como antes? Me diz a verdade, não aguento mais ficar imaginando coisas... Precisamos conversar, não fique com receio de me dizer o que está havendo...Metida, se eu fiz algo de errado quero consertar, se você está triste com outras coisas, por favor me diz...Me diz porque está assim...
– Meu deus... – Derick estava quase chorando e tão manhoso que Catherine não pôde se conter e o beijou suavemente nos lábios. – Não pensa besteira... Te amo tanto. Não parei de te amar, e eu sinto tanto a sua falta. Mas nós precisamos realmente conversar... As coisas não são tão simples, não agi dessa forma por vontade própria... – Disse ela totalmente sensibilizada. – Estava pensando em uma forma de te dizer isso... Eu recebi os resultados daqueles exames esses dias...Fui com a Iris buscar... – Cath estava nervosa e segurou forte na mão de Derick. – Tava pensando em uma forma de te contar...
– Eles viram alguma coisa incomum? Você está doente!? O que... – O garoto perguntou tenso e Catherine fez que não com a cabeça imediatamente.
– Eu estou bem de saúde... – Ele então respirou aliviado e a garota fechou os olhos para que o noivo não percebesse que ela estava prestes a chorar.
De repente ambos ouviram passos de alguém correndo pelo jardim. Catherine abriu os olhos e os secou rapidamente. Derick sentiu uma irritação profunda ao perceber quem estava se aproximando.
– Desculpe por interromper o casal, mas eu preciso falar contigo agora Cath!!! – Era Giovanni, estava correndo, aparecendo na hora mais inconveniente possível. – Estava te procurando igual um louco! Não dá pra esperar!!!
– Não está vendo que estamos conversando? – Disse Derick encarando o garoto.
– É sobre o Enrico Cath, eu vim correndo só pra te dizer. – Giovanni ignorou o que Derick havia dito, deixando-o ainda mais furioso.
– Quer dizer que ele sabe do Enrico também? – Perguntou Derick ciumento.
– Sei de várias outras coisas também. – Giovanni provocou.
– Que coisas?
– Não acredito nisso! Já vai começar essa briguinha ridícula de vocês dois!? – Catherine os repreendeu mas nenhum dos dois estava disposto a dar uma trégua.
– Sei que ela merece um cara muito melhor do que um playboyzinho. Merece um homem de verdade, com atitude... A propósito, já arrumou um emprego ou ainda acha que pode ficar brincando de ter uma bandinha? – Giovanni estava passando dos limites e Derick fechou os punhos, extremamente enfurecido.
– Para de falar assim Giovanni!!! – Cath interferiu.
– Ah, esqueci que você está contando com a mesada do papai!!! Você é um BECKER! – Giovanni começou a bater palmas debochadamente. — Grande bosta! — Derick não aguentou mais ouvir aquilo, não seria humilhado por aquele garoto. Puxou Giovanni pela camisa e fechou as mãos para socá-lo.
– Você é ridículo! Vivia pagando o maior pau pra minha banda, tinha até camiseta da The Rebel Machine! – Derick se lembrou. – E agora está de olho na minha noiva! Você é um invejoso, um parasita! Vou quebrar a sua cara, te deixar de um jeito que nem a sua mãe vai te reconhecer!!
– Não!!! – Catherine berrou e segurando o braço de Derick antes que ele pudesse fazer alguma besteira. – JÁ CHEGA. – Ela foi firme e olhou para o noivo com reprovação.
Derick obedeceu Cath, soltando Giovanni, no entanto estava cheio de fúria e o fato dela ter defendido o amigo o deixou ainda mais perturbado.
– Ok, fica ai tricotando com esse babaca!!! – Ele saiu irritado, indo embora para sua casa de cabeça quente.
– Derick... – Catherine gritou para que ele não fosse, mas o garoto fingiu não escutar e seguiu seu caminho.
–
06 de Agosto de 2012 – 20 Horas e 35 Minutos — Mansão Becker
A noite era linda e estrelada, Derick estava na beira da piscina prestes a acender um cigarro enquanto pensava sobre a vida. Foi interrompido por Peter, que o repreendeu severamente:
– Achei que tinha prometido para sua noiva que não iria ficar mais se intoxicando. – Derick revirou os olhos e apagou seu cigarro no chão. – Como foi a conversa com a Cath?
– Ela me disse coisas lindas, e ia me explicar tudo quando apareceu aquele babaca do Giovanni, nos interrompeu e quase caímos na porrada.
– Nossa... Mas ela não chegou a te dizer nada? – Perguntou o menino erguendo as sobrancelhas, estava bem curioso.
– Só disse que não era nenhum problema de saúde, mas que não estava sempre enjoada, pra baixo e afastada por vontade própria... Não entendo a Cath... – Disse Derick com tristeza.
– Mas se disse que ela te falou coisas lindas já sabe que pode descartar a hipótese de que ela tenha parado de te amar.
– Verdade... Pelo menos quanto a isso estou mais tranquilo, ela disse que me amava e foi tão carinhosa quanto antes.
Os garotos começaram a pensar no que poderia ser. Ficaram parados ali por uns cinco minutos até que de repente Derick começou a gritar e correr euforicamente em volta da piscina.
– ENLOUQUECEU? – Perguntou Peter assustado. – O que houve!?
– Eu sou tão burro!!! Ela está GRÁVIDA !!! – O garoto pulou na piscina em êxtase, estava radiante de tanta felicidade. – Ela disse que estava procurando uma forma de me contar!!! Eu vou ser pai Peter, EU VOU SER PAI!!!
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