Natural Disaster
40 Capítulo 40 - Provocative Cat.
Notas iniciais
A festa de aniversário de Giovanni era em uma boate relativamente pequena, que continha dois andares e era dividida em três ambientes. No primeiro andar havia um local contendo apenas um bar com algumas mesas espalhadas nas laterais e outro contendo uma pista de dança. No segundo andar, havia uma outra pista, onde o DJ tocava músicas mais lentas e havia um pequeno sofá para que os casais se acomodassem.
Giovanni estava sentado nesse sofá, olhando triste para seu celular, até que seu rosto foi erguido por uma das mãos de Catherine:
– Oi. – Disse ela com um sorriso de canto. – Bom, eu vim.
– Eu quase não to acreditando... Será que não é mesmo um sonho? – O garoto levantou-se e a abraçou, realmente estava surpreso com o fato dela ter vindo, apesar de ter avisado por meio de uma mensagem, ele acreditava que Derick daria um jeito de impedi-la.
Ele tratou de enturmá-la apresentando-a a seus amigos que a receberam muito bem. Estava realmente eufórico com a presença dela ali e não fazia questão de esconder sua felicidade. Havia outras pessoas naquela festa, visto que ele não reservara a boate para seu aniversário e, enquanto conversavam, apareceu um rapaz extremamente divertido, entregando a todos acessórios comumente distribuídos em festas.
– Eu acho que o que tem mais a ver com ela são aqueles óculos de coração! — Afirmou Giovanni para o rapaz.
– Não mesmo, eu quero a tiara de diabinho. – Disse Catherine erguendo uma das sobrancelhas e o garoto logo se assustou, pois a Cath que conhecia não tinha esse perfil.
– Então tá diabinha! – Falou o rapaz entregando-a a tiara. – Agora vocês deveriam descer, as músicas de lá são bem melhores.
Todos os convidados de Giovanni concordaram e assim desceram para a pista do andar inferior. Cath estava com uma postura bem diferente, que o garoto notou de imediato e tinha certeza que Derick estava envolvido nisso. E ainda havia outra questão, se ela havia vindo encontrá-lo não seria a troco de nada, talvez a sorte tivesse sorrido para ele, a presença dela significava alguma mudança, que ele torcia para ser em relação a ela estar deixando de amar Derick.
Preferiu curtir a noite e observar se ela lhe dava alguma brecha para se aproximar, algo que demonstrasse que ela estava afim. Dançaram juntos muitas músicas, mas Giovanni estava perto demais dela para simplesmente não tentar nada. Durante as primeiras músicas a dança havia se dado de uma forma cordial, porém em uma das danças ele a pressionou contra a parede, aproximando seu rosto do dela, de forma que um sentisse a respiração do outro.
– Eu queria tanto ter te conhecido antes... – Disse Giovanni se aproximando dos lábios dela para beijá-la. – Faria tudo pra dar certo contigo.
– Para, eu vim aqui porque você é meu amigo. – Reclamou ela empurrando-o e soltando-se dele. – Respeita a minha vontade... As coisas não mudaram.
– Tá bom. – Disse ele se afastando dela. — Agora fale a verdade, Derick te deixou vir no meu aniversário sozinha sem reclamar nem um pouquinho? – Perguntou ele com uma das mãos na cabeça.
– E desde quando o Derick é meu dono ou manda em mim? Nós somos noivos, ele tem a liberdade dele e eu a minha.
– Eu só conheço aquela Cath presa, que parece ter medo de ousar... E acho que o Derick contribui para isso, ele te trata como propriedade.
– E você acha que eu estaria aqui se fosse propriedade de alguém? – Disse ela irritada. – Eu faço o que eu quero.
– E o que é que você quer agora? – Ele disse sugestivamente aproximando-se dela novamente.
– Dançar... – Cath disse fitando-o sensualmente enquanto subia em cima de uma mesa.
– Uau. – Giovanni sussurrou hipnotizado, observando-a se remexer de um lado para o outro. – Eu to passando mal... Essa mulher me enlouquece. – Falou ele ofegante segurando-se na parede.
Catherine estava irreconhecível e todos ali estavam empolgados com sua performance. Era sensual, mas sem ser vulgar, encantando todos os rapazes ali, não só Giovanni. Estavam babando, completamente abobalhados e ela com certeza era o centro das atenções na festa. Cath sabia que se normalmente era discreta, era por opção, uma escolha pessoal, porque tinha todo o potencial para não ser, sabia que seu corpo era estonteante e que podia dançar e agir com sensualidade.
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Depois que Catherine foi embora, Derick pediu a Emma educadamente que se retirasse, pois teria que resolver as coisas. Outras pessoas também foram para a área aberta da mansão e ao verem o garoto sozinho pediram explicações e ele relatou o que havia acontecido. Peter estava perto da piscina, entretido com sua irmã Bárbara e a babá da menina. Na frente do portão, Derick explicou tudo a Murillo, Jax, Robert e aos dois jovens infratores, David e Willian.
– Você tem certeza de que quer ir atrás dela? – Disse Robert Bailey preocupado, Derick estava com uma cara péssima.
– Eu vou atrás dela sim. Não vou agüentar ficar aqui sem saber o que aconteceu, ela ta puta comigo. – Falou o garoto um pouco nervoso. – Eu sei onde é essa festa de aniversário e tenho certeza de que ela está lá.
– Você realmente vacilou, você sabe que ela morre de ciúmes dessa tal de Emma. Ainda bem que pelo menos você já a despachou. – Afirmou Jax, repreendendo o garoto. — Uma burrice tremenda você ficar de abraços com outra mulher dentro de um ambiente que sua noiva está... Ela poderia ver isso e óbvio que não ia gostar.
– A Cath não entende e vocês não entendem também... Eu sou amigo da Emma há anos, como é que eu vou tratá-la mal? Ela estava triste, ela estava chorando, ela se declarou pra mim, me pediu perdão por algumas coisas... E eu tenho carinho por ela, não quero que ela sofra. – Falou Derick tentando se explicar. – Mas depois de tudo que eu já vivi com a Catherine, ela ainda tem dúvidas do meu amor por ela? Alguém ainda duvida?
– E ela tem carinho por esse tal de Giovanni, e também não quer que ele sofra e é por isso que está lá com ele na festa.
– Eu odeio esse cara, odeio muito! – Disse Derick socando o muro da mansão. – É um babaca, que vive atrás da minha namorada, que não se toca.
– É a mesma coisa que ela pensa da Emma, ela não é obrigada a te compreender também. – Jax ria do ciúme do garoto, porque era realmente hilário. Derick estava nervoso e com os olhos molhados, provavelmente imaginando o que poderia estar acontecendo na festa.
– Eu vou pra lá agora, eu vou pedir desculpas, vou fazer as pazes com a Cath. – Disse o garoto abrindo o portão da mansão e pedindo para o motorista o levar. – Eu não vou perdê-la pra esse cara, por causa de uma briga idiota como essa!
– Você ta certo. E eu vou com você. – Falou Murillo o apoiando.
– Nós vamos. – Disse Jax. – Quero ir para conter os ânimos e te lembrar que você ainda está devendo à justiça e tem que andar na linha. Não quero confusão.
– Eu vou ficar pra que o resto do pessoal não entre em desespero ao saber que vocês não estão na mansão. Eu invento uma desculpa qualquer. – Robert estava sendo maleável, porque desejava muito que Cath e Derick se acertassem. – E eu ainda tenho que olhar esses dois aqui. – Falou apontando para os dois garotos, David e Willian.
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A sombra do passado que estava perseguindo Catherine obviamente era o foragido Ernesto Bellini. O homem estava devidamente disfarçado. Seu cabelo grisalho estava negro, utilizava um óculos de armação espessa, um boné de aba reta e uma roupa comumente utilizada por jovens para se camuflar entre as pessoas da festa. Era difícil reconhecê-lo com aquele disfarce. Nem mesmo os seguranças o identificariam visto que ele estava com uma carteira de identidade falsificada.
Não estava sozinho, havia com ele mais três capangas, também devidamente disfarçados de jovens adultos, estando os quatro a procura de Cath.
– Você não disse que não tinha interesse em pegá-la? – Falou um dos capangas. – Não estava procurando um cara?
– Ainda estou procurando, mas Helena não dá uma brecha, nem uma pista e nunca está sozinha para que eu possa interceptá-la e obrigá-la a falar. Sempre tem pelo menos três policiais com ela ou ela está em algum ambiente muito movimentado em que eu não possa fazer nada.
– E pra que foi que pegamos aquele moleque antes?
– Vai dizer que não foi divertido ver aquela vadiazinha chorando por achar que o namorado havia a abandonado? Vai dizer que não foi bom enchê-lo de porrada? – Disse o homem rindo sadicamente. – Já me diverti o bastante, mas agora eu quero só me vingar. Vou descobrir onde está o meu irmão e a Catherine finalmente vai ser minha.
O plano do psicopata era simples, seqüestrou Derick para torturá-lo, divertindo-se com o sofrimento dele e de Catherine enquanto perseguia Helena para descobrir o paradeiro de seu irmão. Quando descobrisse, vingar-se-ia dos três. Acabaria com a vida de seu irmão e de Derick, tendo de volta o que acreditava que deveria ser propriedade sua, Catherine e Helena. Mas por que desejava vingar-se de seu irmão? Esta é a interrogação que permaneceu na mente de seus capangas.
Já que esse plano havia dado errado, tentaria ir por outro caminho, perseguiria a todos, esperando por alguma oportunidade de acabar com a felicidade de Catherine e Derick. Acabaria com Derick assim que pudesse e pegaria Cath para si. Estando com a garota sob eu domínio, daria um jeito de se apossar de Helena e obrigá-la a dizer onde estava seu irmão. Acabaria com os quatro.
Deixaria mais uma marca na vida de Catherine, terminaria o que não havia feito quando ela ainda era criança, abusaria dela de todas as formas antes de morrer. Não havia a possuído completamente quando ela era apenas uma criança porque sabia que ela era frágil e não suportaria. Mas agora ela já era uma mulher formada, com o corpo preparado para recebê-lo, e era um corpo escultural, que poderia diverti-lo muito mais.
O ódio que nutria por todos cada dia mais crescia, e já não mais se importava se fosse viver ou morrer, queria viver apenas até conseguir se vingar. Era um plano suicida, porque a polícia agora estava de olho nele, na família Becker, em Cath e em Helena, mas não havia mais nenhuma solução para que conseguisse acabar com todos e escapar com vida. Ernesto sabia disso, mas pouco se importava, desde um certo ponto de seu passado, Helena revelara uma coisa que acabara com sua vida, ou melhor, que havia tornado a vida daquele homem uma vida miserável e monstruosa, cujo único objetivo era a vingança.
–
Catherine não se resumia apenas a uma garota reservada e traumatizada por seu passado, não era só a nerd estudante de medicina. Sabia se divertir também e ser uma mulher fatal, ser atrevida, ser quente. Sabia provocar e foi isso que começou a fazer quando viu que Derick estava lá, a observando de longe. Percebeu que ele estava morrendo de ciúmes e estava adorando isso. Mordia os lábios pintados com o batom vermelho e o garoto a olhava de uma forma que ela não conseguia distinguir se era raiva ou desejo.
Giovanni também notou a presença de Derick e resolveu juntar-se a Cath em cima da mesa, retirando a camisa para impressionar a garota e deixar Derick ainda mais irritado. Ela não iria pegar tão pesado, afinal não estava afim de destruir seu relacionamento e aquilo realmente era passar dos limites. Por isso, a garota desceu da mesa e foi em direção ao namorado.
O policial que a protegia havia a perdido de vista por culpa dos capangas de Ernesto Bellini, que o cercaram, impedindo que ele encontrasse Cath. Ernesto então aproveitou-se para tentar raptá-la, escondido em um pequeno corredor vazio, uma das passagens para o banheiro. Ela teria de passar por perto daquele corredor, ele a puxaria para lá e a desmaiaria utilizando um lenço contendo Éter, escapando com ela pela janela do fim daquele corredor.
Catherine foi andando e assim que passou pelo corredor foi segurada pelas mãos brutas do psicopata, desfalecendo em seus braços. No meio da multidão de pessoas da festa, Derick a perdeu de vista também, e decidiu procurá-la junto com seus amigos. Acabou esbarrando com Giovanni:
– Onde está a Cath?
– Não está mais dançando para mim, infelizmente. – Disse Giovanni provocando o garoto.
– É sério seu babaca, ela sumiu! – Derick falou impaciente. – Estou com um mau pressentimento...
– Tá virando mulherzinha agora, pra ter sexto sentido?
– Ser chamado de mulher é uma honra, mulheres são seres inteligentes. – Derick resolveu não cair na pilha, pois estava de fato preocupado com Catherine. – Tão inteligentes que nenhuma quer você! – A expressão do rosto de Giovanni, que antes estava risonha, ficou imediatamente brava, Derick havia o deixado sem argumentos. – Bom, eu vou procurar a minha namorada... Tchau!
Conforme os minutos se passavam, o garoto ia ficando cada vez mais agoniado, pois não a encontrava em lugar algum. Decidiu então se separar de Jax e Murillo, para ver se a encontravam com mais rapidez. Cada um foi para um lado diferente da boate, Jax permaneceu pelo no andar inferior, enquanto os dois jovens foram para o andar superior imaginando que era mais provável que ela tivesse subido.
Jax tentou ligar para o celular da garota algumas vezes, sem êxito, estava fora de área. Depois de um tempo, acabou encontrando com o policial que deveria estar vigiando Catherine e por alguns segundos teve a ilusão de que ele soubesse onde ela estava:
– Ué, a Cath não está com você? – Perguntou ele para o policial.
– Deveria, mas ela estava dançando em cima da mesa, e vieram uns garotos para perto de mim fazendo zona... Acabei perdendo-a de vista. Não faço ideia de onde ela esteja! – Bufou o homem, sentindo-se incompetente.
Conversaram por alguns minutos e Jax o explicou que todos estavam à procura da garota. Contou que havia apenas um local em que não havia a procurado naquele andar: o banheiro feminino. O policial também não havia entrado ali, então decidiram que tentariam não ser vistos, apenas dar uma olhada rápida e sair. O banheiro parecia estar vazio, pois eles olhavam para a abertura inferior das portas das cabines e não viam pés.
Foram caminhando sorrateiramente, tentando não fazer barulho, até que viram que havia pelo menos uma pessoa na última cabine. Era um tênis, aparentemente masculino, acreditavam não ser Catherine ali e foram andando em direção à porta. Mas, para que saíssem do banheiro com a consciência tranqüila de que ela de fato não estava lá e partissem para procurá-la em outro local, decidiram tentar chamá-la:
– Cath!? – Jax gritou quase sem voz, era mais para um sussurro do que um grito, pois ele não queria chamar muita atenção.
Ninguém respondeu, mas ouviram um ruído alto vindo daquela última cabine, parecia que alguém havia esbarrado com força na porta, assustando-se com a presença de mais alguém ali. Ouviram também o que parecia ser um corpo caindo no chão. Correram então até o final do banheiro, e puxaram a porta com força, arrombando-a, para ver quem realmente estava lá dentro.
Era uma figura masculina, que estava de costas para a porta, com as calças um pouco arriadas e o corpo que caíra era feminino, mais especificamente o de Catherine Bellini. Estava desacordada, nua da cintura para baixo, com os cabelos bagunçados. Uma cena de provável abuso. O sangue do policial ferveu em suas veias, sentia-se culpado pelo ocorrido, enraivecido e enjoado, e, não conseguindo se controlar, atirou quatro vezes em direção ao corpo do homem, atingindo-o nas pernas, nas costas e em um dos braços.
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