Natural Disaster
27 Capítulo 27 - "Eu esqueço de tudo..."
Notas iniciais
Derick estava tendo um sonho tranquilo, até ouvir um barulho e abrir os olhos do nada, assustado. Acordou ofegante, e reparou que o abajur estava com a luz acesa, e achou estranho, pois ele se lembrava de ter apagado. Achou também que o barulho fosse o vento batendo na janela, então decidiu se levantar para fechá-la.
Assim que ergueu seu corpo para se levantar viu Catherine desacordada ali no chão de seu quarto, próxima de sua cômoda. Levantou-se então rapidamente para socorrê-la, sem nem pensar no que ela estava fazendo ali:
– Cath? Acorda amor... – Ele pediu enquanto segurava a cabeça de Catherine, que estava com a pele mais pálida ainda do que o normal. – Acorda, vai... – O garoto tentava acordá-la beijando-a e acariciando-a no rosto, estava muito nervoso.
Derick viu que ela estava com o jornal da reportagem em sua mão. Ela havia descoberto que ele sabia de todo seu passado. O garoto sentia muito medo naquele momento, e como Catherine não esboçava nenhuma reação, Derick a pegou no colo e a deitou em sua cama.
Estava terrivelmente preocupado e sem saber o que fazer, guardou aquele jornal e as reportagens em uma gaveta qualquer e correu então para o quarto de hóspedes onde dormia Helena e a acordou:
– Helena. – Derick disse ligando a luz e assustando a mulher, que despertou um pouco desorientada.
– O que é isso Derick? O que está fazendo aqui?
– A Cath desmaiou, eu não sei o que fazer, eu não sei! – O garoto disse desesperado. – Eu vou ligar para uma ambulância!? O que eu faço!?
– QUE!? – A mãe levantou em um segundo e os dois foram para o quarto dele ver como estava Catherine.
Ao chegarem a garota ainda estava desacordada e a mãe se aproximou para tentar reanimá-la. Pediu a Derick o celular e decidiu ligar para a ambulância de um hospital o qual seu plano de saúde modesto cobrisse. O temporal ainda dominava aquela madrugada e precisou ligar umas cinco vezes até que fosse atendida:
– Por favor, uma ambulância! Minha filha desmaiou, o que eu faço? – A mulher do outro lado da linha comunicou à mãe sobre a possibilidade da ambulância demorar devido ao temporal.
– Minha senhora, infelizmente talvez a ambulância demore por conta da chuva, mas tentaremos chegar o mais rápido possível! – A atendente repassou a ligação para um médico, que orientou a mãe sobre como lidar naquele primeiro momento, até que a ambulância chegasse.
Após terminar a ligação, a mãe logo se assustou ao se deparar com Derick segurando as pernas de Catherine. Ele estava posicionado na frente de sua cama, erguendo as pernas da garota de forma que elas ficassem 50 cm mais altas do que o corpo. A mãe também reparou que Derick havia virado a cabeça de Catherine de lado, aberto a janela e afrouxado as roupas de sua filha.
O garoto repetia incansavelmente a mesma frase:
– Acorda Cath, acorda vai.
– O que é isso? – Helena realmente queria entender a situação.
– Eu serei um médico, eu não posso ficar nervoso, eu... – Derick gaguejava e seu queixo tremia. – Eu tenho que ajudar a Catherine.
– Obrigada. Você ajudará, e muito. — A mãe se comoveu com a situação.
Os dois ficaram ali por cinco minutos apenas, até que Cath abrisse os olhos devagar, deparando-se com os dois ali, cuidando dela.
– Minha filha... – Helena disse com a voz suave. – Ainda bem que você acordou.
Derick nada disse, apenas deitou as pernas da garota na cama, se ajoelhou e a abraçou ali, envolvendo-se nas pernas dela. Estava aliviado, Catherine havia acordado e aquilo já o tranqüilizava de certa forma.
– O que eu estou fazendo aqui? – A garota perguntou ainda zonza. – Ai minha cabeça... – Helena sinalizou para que Derick se aproximasse do rosto de Cath e falasse com a garota.
– Você está bem? – Ele disse amorosamente enquanto a acariciava.
– Minha cabeça dói muito...
– Qual é o seu nome? Quantos anos você tem? – O garoto perguntou em tom baixo, para averiguar se ela realmente estava bem.
– Me beija, Derick...– Catherine sussurrou e logo recebeu os beijos, juntamente com um abraço forte.
– Quer me matar, garota? – A garota fez que não com a cabeça e Derick a beijou na bochecha e ela se acalmou.
Helena então pegou o celular novamente, cancelou o pedido de ambulância e acompanhou atentamente os procedimentos que Derick fazia com sua filha.
– Respira fundo, dona metida. – A garota então respirou fundo algumas vezes, seguindo o que o noivo lhe indicava. – Agora me dá o seu braço, se apóia em mim e tenta levantar. – Cath colocou os pés no chão, se segurou em Derick e levantou da cama. – Agora tenta andar devagar... Fica tranqüila que eu estou te segurando.
E assim ela deu alguns passos pelo quarto e o garoto viu que Catherine já estava aparentemente melhor. Derick então a sentou novamente em sua cama para tentar examiná-la mais um pouco. Pegou seu esfigmomanômetro (aparelho medidor de pressão arterial) digital em uma de suas gavetas e mediu a pressão de Cath.
– 9 por 6. Sua pressão normalmente é baixa assim?
– Não, está bem mais baixa que de costume. – Ela disse ainda sem forças. – Eu to com sede...
– Calma, eu já vou pegar sua água. Deixa eu só terminar aqui, você sabe que é importante. – O garoto então pegou sua lanterna clínica e direcionou a luz em direção aos olhos de Catherine, comparando se as pupilas da garota dilatavam igualmente. – A sua cabeça ta doendo muito?
– Calma, foi só a pancada. – Realmente estava tudo ok com a garota, nada fora do normal.
– Agora eu vou pegar sua água e algo bem leve pra você comer, Cath, você tem que ficar bem logo. – Ele a beijou suavemente e foi para a cozinha de sua casa preparar alguma coisa para que sua namorada se alimentasse. Não acordaria empregada alguma àquela hora, e, apesar de Helena ter se prontificado a fazer, ele fez questão de preparar.
Ao ver que o garoto saiu do quarto, Catherine logo abraçou a mãe:
– Eu sou uma burra, uma burra, uma burra!
– Minha filha, o que está acontecendo? – Helena estava muito preocupada, pois a agonia da garota era visível. – Fala comigo...
– Derick sabe de tudo. – A mãe a encarou surpreendida.
– Mas como!? Você contou a ele!? Enlouqueceu!?
– Não...Eu vim vê-lo dormir e achei um envelope com as notícias sobre o tempo que passamos no porão. Eu preferia morrer do que ter que me lembrar daquilo e hoje Derick sabe de tudo...Eu não posso suportar.. – Catherine chorava num desespero desolador.
Apesar de apreensiva, Helena tentou manter-se firme na frente da filha, para poder apoiá-la.
– Não fica assim. Nós lutamos tanto para sobreviver, você não pode se render agora. Não agora que Ernesto está em algum outro lugar no mundo e é um foragido, não pode mais pôr as mãos sujas dele na gente. Ele desapareceu há anos... – A mãe a beijou na testa enquanto a abraçava, e secou as lágrimas no rosto da garota.
Ao ouvir aquelas afirmações, Catherine desejava mais do que tudo dizer que Ernesto estava perto, naquela mesma cidade e que já havia colocado as mãos sujas dele nela, mas não podia desesperar sua mãe com aquela notícia do nada. Esperaria mais um pouco, então tudo que pôde fazer foi assentir. Ficaram ali conversando por alguns minutos enquanto Derick não voltava:
– Eu fui idiota de achar que poderia ter uma vida normal, agora Derick está morrendo de pena de mim e me pediu em casamento... – Ela disse sem perceber que ele já havia entrado no quarto com uma bandeja na mão.
– Eu estou morrendo de sono minha filha, estou exausta, mas não quero deixar vocês dois aqui sozinhos. – Helena tentou desconversar e o garoto fingiu não ter escutado aquilo, apenas se sentou ao lado de Catherine na cama e começou a lhe dar comida na boca.
– Não acredito que a sua preocupação é essa no momento, mãe... Olha como eu estou... – Disse Cath indignada. – Ele só está cuidando de mim, não sei como pode pensar tanta besteira.
– É verdade. Comportem-se e qualquer coisa me chame, filha... – Helena foi para seu quarto dormir, deixando-os a sós para que conversassem, sabia que tinham muito a resolver.
Derick terminou de alimentar Catherine sem trocarem sequer uma palavra, apenas trocavam olhares.
– Não vai me dizer nada, Cath? – O garoto falou com cautela, olhando-a nos olhos. – Eu sei de tudo... E você sabe que eu sei, tanto que passou mal...
– O que te fez pensar que tinha o direito de invadir assim a minha privacidade, ficar procurando mil e um fatos sobre a minha vida!? – Ela respondeu irritada, batendo com uma das mãos no colchão da cama.
– O que te faz pensar que eu veria você sofrer sem saber o que havia de errado? Eu só queria fazer essa sua dor desaparecer. – Derick tentou argumentar que suas intenções eram apenas de protegê-la, mas nada parecia ser o suficiente para o gênio forte de Catherine.
– Eu não quero saber, você não tinha esse direito! Se eu não contei, foi porque não quis, porque essa história me corrói por dentro. Você viu como ficou o meu rosto naquela foto e sentiu o quê!? – Cath não gritava por conta do horário, mas sua vontade era realmente essa, estava brava demais e aos prantos. – Por que me pediu em casamento!? Por pena? O melhor que tem a fazer é me esquecer de uma vez, garoto... – Catherine disse se levantando da cama rapidamente.
– Escuta aqui, você não vai a lugar algum. – Derick disse sério enquanto a segurava pela cintura. – Me diga, quantas vezes eu vou ter que provar o meu amor pra você até você acreditar? – Ele segurou o rosto da garota, fazendo com que ela olhasse em seus olhos. – Eu senti dor, raiva por quem havia feito isso com você. Casar com você por pena? Pena!?
– Você.. – Catherine ainda tentou argumentar alguma coisa, mas o garoto a interrompeu com um beijo intenso, fazendo com que ela se acalmasse e também parasse de chorar. – Você ainda quer se casar comigo? – Ela perguntou já mais calma e Derick ficou em silêncio a encarando.
O garoto a puxou para si repentinamente, beijando-a de forma ardente, fazendo-a se entregar. Tirou então sua camisa e a deitou na cama, percorrendo com as mãos o contorno do corpo de Catherine, despindo-a, mordendo-a e beijando-a no pescoço. Cath já sentia muito a vontade com Derick, e o desejo que ele a despertava a fazia se arrepiar e não pensar mais em nada.
– Fecha a porta, que eu esqueço de tudo. – Ela sussurrou no ouvido no garoto enquanto ele tirava sua calcinha. – Eu amo você.
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