Natural Disaster
47 Capítulo 47 - A verdade
Notas iniciais
Demorou alguns segundos até que a ficha caísse. Para que seus sonhos desmoronassem, e que o sentimento de ódio permanecesse. No entanto, o ódio agora era redirecionado mais uma vez para Ernesto Bellini. Derick já deveria ter aprendido que nunca nada é o que parece quando se trata de Catherine, e que todas as vezes em que a odiou não passaram de ciladas do destino nas quais ela era a principal vítima, e não a vilã.
Ralf tinha razão, o garoto nunca se perdoaria pela desconfiança e pelas acusações absurdas que fizera a Cath. Era como estar sendo envenenado. Envenenado pela cólera que sentia mais do que nunca. E esse veneno descia por sua garganta queimando tudo e sendo absorvido por cada tecido de seu corpo, possuindo-o, transformando-o em um ser cruel e impiedoso, capaz de se vingar das formas mais atrozes.
Se as cordas vocais de Derick tivessem força equivalente a um décimo da dor que ele sentia, seus gritos teriam acordado a cidade inteira. Lilian tentava tapar os olhos e ouvidos da pequena Bárbara, que havia acordado assustada e descera as escadas da mansão para procurar seus pais. Todos os funcionários e a família Becker assistiam com pesar e desespero enquanto ele perdia a cabeça.
Ganhara a força de mil homens. Em menos de dois minutos, seus instrumentos musicais estavam estraçalhados pelo jardim, foram arremessados um a um em direção ao chão. Ele precisava expulsar todo aquele ódio de alguma forma. Estava com as veias sobressaltadas, com um suor que parecia estar cortando sua pele e tão ofegante que mal conseguia respirar. Seu ataque de fúria cessou por alguns segundos e todos aguardaram em silêncio por alguma alguma reação mais sóbria e controlada de Derick, mas ela não veio.
– A culpa é minha. – Ele sussurrou com o olhar perdido e quase sem forças, enquanto fechava os punhos. – Eu deveria tê-lo matado. Deveria tê-lo matado. Eu deveria.
– Não. – Disse Peter com toda a cautela do mundo, enquanto tentava se aproximar do irmão. – Você não está pensando em dar um jeito de tentar...
– Agora não, o que está feito, está feito. Ele vai viver longos anos. – Disse Derick com os olhos em chamas. – A partir de hoje, ele é meu. – Falou ríspida e pausadamente antes de iniciar seu discurso. — Quando ele estiver atrás das grades, e se rastejar para dormir em qualquer buraco nojento dentro de uma cela minúscula, quando ele estiver virando puta de algum criminoso doente, quando seus dentes estiverem sendo quebrados por socos e chutes na cara, ele vai se lembrar de que nunca deveria ter feito o que ele fez. Ele destruiu os sonhos da Catherine e da Helena... roubou a vida e a felicidade delas... A minha também... E eu vou roubar a dele. – Seu rosto agora já estava seco, e o garoto não iria mais chorar. — Quando isso tudo acabar, e ele estiver solto depois de 30 anos na prisão, cada centavo que ele receber, é meu. Qualquer lugar que ele for, eu vou estar lá, e ele vai pagar pelo que está devendo. Vai ter que se agachar o dia inteiro limpando privadas de algum boteco podre, para ganhar menos de um salário mínimo, e eu vou estar lá, em pé, na frente dele, para pegar a minha parte. Ele vai me ver quando acordar de manhã e quando for dormir embaixo de algum viaduto imundo depois de eu ter destruído a sua casa. Mesmo que ele esteja velho e perto da morte, eu vou assombrar aquele desgraçado... para sempre... até o dia em que ele vai enfiar o cano gelado do seu revólver dentro da própria boca e puxar o gatilho... apenas para me tirar da cabeça, porque eu nunca vou deixá-lo em paz.
–
Dois dias depois – 2 horas da manhã
O barulho do interfone tocou irritantemente, porém não foi suficiente para acordar Catherine nem Helena que estavam em um sono profundo. Derick tentou ligar diretamente para o celular de Cath, mas o mesmo já estava desligado. Decidiu então que ligaria para o celular de Helena. Por sorte, estava na cabeceira ao lado da cama da mulher, que dessa forma foi acordada em plena madrugada por aquela ligação:
– Alô. Quem tá falando? – Disse a mulher.
– Derick... – Murmurou ele. – Me desculpe por ligar a essa hora, mas eu preciso ver a Cath... Estou na porta do seu prédio. Pode abrir pra mim?
– Posso sim. – Ela respondeu cheia de dúvidas em sua mente.
A mulher se levantou e foi para o interfone liberar a entrada do garoto, depois para o banheiro lavar o rosto e ficar no mínimo apresentável. Antes que pudesse entrar no quarto para acordar a filha e avisar que Derick estava lá, a campainha do apartamento tocou. Sendo assim, Helena foi em direção à porta para abri-la.
– Olá... Eu estava indo acordar a Cath agora mesmo, mas ai você tocou a campainha e eu achei melhor atender logo.
– Tudo bem... Posso ir falar com ela? – Derick estava com olheiras e uma aparência tão abatida, que a mulher não pôde deixar de reparar.
– Depende... Se você tiver vindo aqui para brigar com ela por ela ter fugido naquele dia... – Começou a mãe um pouco desconfiada.
– Não vou... – Falou ele abaixando a cabeça para desviar o olhar. – Meu pai me contou...Tudo... – Completou gaguejando e secando os olhos, que já estavam lacrimejando. – Me deixa cuidar dela um pouco...por favor... – Após o susto inicial de saber que ele havia descoberto tudo o que acontecera, Helena tentou manter a calma e apenas assentiu para que ele entrasse no quarto da filha.
Derick caminhou lentamente para que seus passos não acordassem Catherine. Ela dormia enrolada em um edredom, com uma expressão triste em seu olhar e um sono inquieto, como se estivesse tendo algum pesadelo. O garoto se sentou em frente à cama dela, tocou suavemente o rosto de Cath com os lábios enquanto a acariciava os cabelos com uma das mãos. Como se estivesse reconhecendo aquele toque, ela sussurrou ainda de olhos fechados:
– Derick...
– Abre os olhos, minha metida... – Disse ele também sussurrando em um dos ouvidos dela.
– Você realmente está aqui? – Ela disse enquanto abria os olhos devagar, observando a figura dele se formar bem diante dela. – Não estou sonhando?
– Nunca vou te deixar sozinha. – O garoto respondeu inclinando seu corpo sobre o dela e afundando seu rosto no pescoço de Catherine. – Posso dormir aqui com você?
–
Uma semana depois – Biblioteca da Mansão Becker
Estavam reunidos naquela enorme biblioteca Catherine, Giovanni e Helena. Ralf havia os convocado para uma conversa franca, visto que o julgamento de Ernesto se aproximava e ainda havia muitas coisas que precisavam ser resolvidas.
– Eu sei que essa gravidez está sendo traumática pra você, e que vai ficar se lembrando de tudo que aconteceu cada dia que essa barriga for crescendo... E esse laudo pericial não nos ajudou em nada... esse resultado inconclusivo não pode atestar que o abuso aconteceu de fato, nem que ele não aconteceu... estamos na mesma. – Giovanni disse sentado em uma das poltronas enquanto lia aquele resultado. – Você não deveria ter fugido daquele hospital sem fazer os exames... Tudo tinha que ter sido feito na hora.
– Se alguma coisa aconteceu, eu destruí as provas sem saber... – Completou Catherine tentando ser forte. Aquele assunto era traumático para ela, mas tentava resistir. – Não encontraram algo que pudesse provar que houve uma relação forçada...
– Pensando pelo lado bom pode não ter acontecido nada... De repente ele pode ter sido antes de conseguir... – Disse o garoto com esperança.
– Quanto à sentença não se preocupem, independente de isso ter acontecido ou não, só o fato das circunstâncias nas quais a Catherine foi encontrada já são suficientes para que seja enquadrado em crime de estupro. – Falou Ralf entrando no cômodo enquanto encarava Giovanni dos pés à cabeça. — Então esse é o arqui-inimigo do Derick?
– Digamos que sim... – Respondeu Cath sem graça, e o garoto se virou na hora, ficando sem graça também. – Ele está me ajudando com aquele assunto que viemos conversar...
– Helena, nós precisamos da sua ajuda para poder reunir o máximo de evidências e fazer com que o julgamento do Ernesto não tenha um fio solto sequer... – Falou o homem. – A Cath me contou que o Ernesto tem um irmão...E como esse mundo é pequeno, os pais do Giovanni moraram no mesmo bairro onde vocês três cresceram, e eles disseram que o irmão do Ernesto sempre foi um homem saudável, mas pelo que a Catherine disse atualmente você o mantém em um hospital psiquiátrico... Gostaríamos de entender...
– O que é isso!? O que é isso Cath!? – Gritou a mulher levantando-se da cadeira assustada. – Andaram por aí investigando a minha vida!?
– Sim, porque você nunca quer me contar nada... E essas coisas que você esconde afetam a minha vida completamente, mãe! – Catherine respondeu gritando também. – Estou cansada disso tudo, eu quero saber agora! Se você não contar tudo que sabe eu nunca vou te perdoar! Preciso saber de tudo antes desse julgamento, é um direito meu! E o mínimo que você pode fazer é me ajudar! – A garota estava irritada, nunca havia gritado antes com a mãe, que ficou chocada ao ver sua filha tão transtornada.
Cath realmente tinha razão e Helena não poderia mesmo esconder isso por mais tempo. Todos a encararam exigindo respostas e ela não teve outra escapatória a não ser contar.
– Eu era jovem, livre, sonhadora...tinha meus ideais, pensava por mim mesma e isso era demais para um machista como o Ernesto, que cresceu em uma família do interior, conservadora e extremamente religiosa, ainda mais naquele tempo... Eu usava roupas curtas, falava palavrão, fumava muito, andava com homens... – Relatou ela um pouco constrangida. — Os meus pais não conseguiam me moldar, não conseguiam que eu fosse a garota perfeita, que obedecia a tudo que eles falassem, que se prepararia para ser mãe e esposa... Eu queria ser independente. Era mal vista em toda a vizinhança, me julgavam... diziam que eu me tornaria... uma vadia.
– E onde o Enrico entra nessa história? Continua... – Catherine estava furiosa, ela com certeza já não era mais a garotinha amedrontada de outrora.
– Entra desde o começo... Nossas famílias eram vizinhas, e eu e o Enrico começamos a namorar escondido, porque eu era muito nova, e os pais dele também não me aceitariam. Todos ali me odiavam, e o Enrico era o único que parecia me entender e não se importar com a minha reputação... – Disse Helena ponto as mãos na testa enquanto todos a ouviam atentamente. — E nós disfarçávamos bem, ninguém nunca havia desconfiado de que houvesse algo entre nós... Até que o Ernesto começou a nutrir uma certa obsessão por mim... Me perturbava, me perseguia nos lugares, e ficava com ciúme dos meus amigos, mesmo que eu não quisesse nada com ele. Eu o rejeitava, estava apaixonada pelo Enrico e pedia para o Ernesto me deixar em paz... mas ele me cercava...até que...eu apareci grávida... – A mulher então parou de falar, estava realmente constrangida com aquele interrogatório, mas Catherine não ia desistir de saber de tudo.
– E qual foi a reação do Enrico? – Perguntou a garota.
– Eu nunca havia dormido com o Enrico e contei a ele que o Ernesto havia me pegado a força... A reação dele foi não acreditar em mim. E é por isso que eu digo que todos os homens são machistas. Em proporções maiores ou menores, mas nenhum deles já se livrou completamente disso... A primeira coisa que o Enrico fez foi me abandonar quando todos se voltaram contra mim e disseram que eu dormi com o Ernesto porque quis, que eu era “atirada” e agora estava me fazendo de vítima.
– E por que você ficou com o Ernesto? Digo, se casou com ele...
– Não tive muita escolha... Eu tinha 15 anos, havia sido expulsa de casa...Fiquei os 6 primeiros meses de gravidez vagando por aí...E o Ernesto se fazia de bom moço para todos, dizia que iria me tornar uma mulher de verdade... uma mãe de família, que me amava e se casaria comigo... mas eu não aceitava... odiava ele. – A mulher se emocionou enquanto relembrava daquele tempo, pensar no passado a fazia sofrer. — Só que o tempo foi passando, e ele me fez acreditar que estava arrependido por ter me forçado, e me manipulou para achar que a culpa era minha por tudo que havia acontecido... Comprou aquela casa, e eu não queria que você passasse fome, temia por você... E por um tempo, ele foi um bom pai e um marido suportável... realmente achei que ele havia mudado, e que ele me amava. Sinto tanta raiva de mim mesma...por ter acreditado naquilo.
– Então eu sou filha mesmo daquele monstro? – Questionou Cath decepcionada. – Eu pensei que...
– É sim, infelizmente...Eu nunca havia dormido com o Enrico... E quando eu me casei, ele passou a ter ainda mais certeza de que eu não havia sido abusada. Me odiou por muitos anos... Até que...- Falou Helena ainda hesitante. — O Ernesto achou algumas cartas de amor antigas, do tempo eu que eu e o Enrico namorávamos...e passou a achar que você não fosse filha dele. Então o inferno recomeçou...Ele estava sempre bêbado ou drogado, nos agredindo e fazendo tudo o que você já sabe. Até que aparecemos nos jornais, fomos resgatadas daquele porão pela polícia e todos viram do que o Ernesto era capaz. Enrico enlouqueceu. Se sentiu tão culpado por ter me abandonado que começou a ter alucinações e delírios...Ele não conseguiu lidar com aquilo...
– Mas mãe, por isso vocês o internaram naquele hospital psiquiátrico? Por que não cuidaram dele em casa, ele estava tão mal assim!? – Resmungou Catherine indignada. – Esses hospitais são horríveis.
– Ernesto é um homem perigoso, estava foragido e caçando o Enrico, queria matá-lo. Eu e sua avó optamos por pegar os exames psiquiátricos e interná-lo até que Ernesto fosse preso e ele estivesse a salvo. – Disse a mãe tentando esclarecer tudo antes que a filha a interpretasse mal. — Sua vó faleceu por causa disso, não se lembra? Ficou com tanto desgosto por saber que um filho era um criminoso, e o outro havia perdido a razão... não suportou. Mas eu nunca abandonei o Enrico, e hoje ele está bem melhor... Sempre dei um jeito de ir vê-lo.
– Eu não posso estar grávida do meu próprio pai... – Desabafou a garota. — Isso é doentio, essa história toda.
–
Um mês depois – Dia do Julgamento
A relação de Derick e Catherine havia mudado muito desde o ocorrido e o garoto parecia ainda não ter conseguido digerir aquele acontecimento. Cath tentava descobrir o que fazer diante daquela situação e como ambos não apareciam em Bergenthal, todos especulavam sobre qual poderia ser o destino do casal. No entanto, de uma coisa todos tinham certeza: no dia do julgamento de Ernesto tudo seria esclarecido. Os jornais noticiavam a todo instante qualquer nova informação. O dia havia chegado finalmente, e mesmo que a sentença parecesse óbvia, a tensão era grande.
A sala 35 do palácio de justiça estava lotada de espectadores, quatro horas antes do início do julgamento. A sala escolhida havia sido a maior das que julgavam crimes hediondos. O Tribunal era um enorme prédio de arquitetura clássica que tomava conta de todo o quarteirão e os corredores estavam abarrotados de policiais e agentes uniformizados para manter a ordem.
– O que é isso, Cath? Cadê a sua aliança? — Antes de entrar na sala, Iris Maddox reparou que Cath já não estava usando aliança e a repreendeu.
– Essa sou eu enfrentando a realidade. – Respondeu Catherine completamente arrasada. – Não quero que o Derick pense que eu ainda não entendi o que ele vem tentando me dizer todos os dias...
– Do que está falando? – Disse inconformada a amiga. – É tão óbvio que ele te ama, ele continua te apoiando, sempre te procura e quando ver o seu dedo sem essa aliança ficará muito mal.
– Você sabe que as coisas já não são como antes... Desde que ele descobriu o que aconteceu nós ainda não tivemos uma conversa sobre isso. – Falou Cath abraçando Iris. – Eu sei que está sendo demais para ele...que ele não está conseguindo passar por cima de tudo... Ele está todo estranho, nunca conversamos, ele só me abraça, me faz carinho, fica perto de mim me olhando mas não abre a boca...O Derick é um príncipe e com certeza não tem coragem de me dizer que não consegue lidar com isso. Eu não quero que ele se sinta obrigado a ficar comigo. – Iris secou as lágrimas da amiga imediatamente, mostrando toda sua solidariedade, mas sabia o quanto o garoto estava estranho e que não poderia condenar Cath. – Ernesto conseguiu me destruir. Perdi o Derick...
A sala era um cenário normal e nada impressionante e já havia sido palco de outros espetáculos tão polêmicos quanto aquele. Em média tinha 15 metros de largura por 100 de comprimento e era dividida em três grupos, cada um com 10 assentos em cada. Havia uma plataforma elevada de madeira com cadeiras de encosto alto para os três juízes-presidentes e uma de centro para o presidente da corte. Em frente à essa plataforma estava localizado o banco das testemunhas e à esquerda o banco dos réus.
Ernesto estava sentado em seu banco e era a atração principal daquele circo. Já havia sido condenado em todos os jornais e o ninguém tinha dúvidas de que ele havia de fato cometido todos aqueles crimes, o espetáculo do julgamento estão seria a população ver com seus próprios olhos o homem que cometera um dos crimes mais bárbaros do país ir para o inferno finalmente.
Ao contrário do que se pensa, ele não parecia se importar muito. Ainda portava aquele sorriso irônico e debochado no rosto, como se estivesse rindo da população inteira e principalmente de Catherine, Helena e Derick. O garoto não tirava os olhos do homem e parecia ter sido possuído por algum espírito ruim. Seu coração não suportava olhar para Ernesto Bellini, ele não tinha sangue frio o suficiente. O Promotor Especial do Estado iniciou o discurso de abertura e logo em seguida introduziu o caso e dirigiu os comentários de acusação a Ernesto Bellini em um discurso breve e conciso, sendo então a vez do advogado de defesa se pronunciar.
– Isso tudo é uma perda de tempo. Eu cometi cada crime dos quais sou acusado, e não sinto nenhum remorso. Eu venci. Não há melhor vingança do que fazer as pessoas que nossos inimigos amam sofrerem. – Disse Ernesto interrompendo a fala do próprio advogado. – Se vocês queriam me ver confessando, aqui está: Eu estuprei a Catherine e eu faria tudo de novo. Esse é o meu presente para você, Helena, e para o Enrico. Agora vocês podem ser felizes juntos, como sempre sonharam.
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