Natural Disaster
42 Capítulo 42 - "Helena!"
Notas iniciais
Derick sentiu todos os pelos de seu corpo arrepiarem-se com o toque úmido e macio dos lábios da garota em seu pescoço. Olhava com fascínio para a nudez dela, enquanto sentia sua camisa ser arrancada. Catherine o dominou como um servo, conduzindo-o a se deitar na areia. Posicionou-se de forma com que ele ficasse entre suas coxas.
O garoto teve seu pescoço marcado por aquela boca e estremecia ao sentir os dentes de Cath arrastando-se por toda a sua superfície. Era como se estivesse sugando o sangue dele para posteriormente fazer seu coração parar. Ela parecia dançar sensualmente sobre ele, já não era mais a mesma garota inexperiente com quem Derick costumava estar.
– Você tem certeza? – Gaguejou o garoto quase que sem forças para resistir àquele ritual. – Eu não te trouxe aqui para te pressionar... – Ele ergueu seu tronco, envolveu-a em seus braços e sussurrou. – Eu te amo Cath, e você sabe que me leva às estrelas cada vez que ficamos juntos...
Catherine sorriu timidamente e ergueu seu rosto para olhar diretamente nos olhos do garoto.
– Eu juro. – Sussurrou ela em um dos ouvidos de Derick. – Quero você agora.
Sem perder mais tempo, ele a tomou em seus braços com firmeza, beijando-a com intensidade enquanto carregava-a em direção a água. Ao entrarem no mar, a garota murmurou:
– Posso te contar um segredo? — Conta... – Disse ele tentando recuperar o ar que aquela situação o havia tirado.
– Não sou mais a Catherine Bellini.
– E o que é que você é agora? – O garoto perguntou um pouco confuso.
– Sua. – Cath revelou beijando-o com paixão. – Completamente.
Não era a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que ficavam juntos, mas sabiam que era diferente de todas as outras, um novo laço se formaria entre os dois a partir dali. Tudo naquele lugar era especial, aquele momento de entrega e desejo, os beijos, toques, sensações, gemidos, delírios, carinhos.
Permaneceram na água, desfrutando de a liberdade que haviam conquistado, até o sol nascer. O dia clareava e os raios solares refletiam nos fios loiros do cabelo de Catherine e deixavam os olhos verdes dela ainda mais ressaltados. Derick parecia não acreditar no que havia acontecido ali e encantava-se com a figura daquela que durante a madrugada havia mostrado o quanto ansiava por ser sua mulher. Deitarem-se na areia exaustos...
–
O dia amanheceu e a mansão Becker estava em polvorosa por conta do desaparecimento de Catherine e Derick. Todos dormiram na sala, aguardando por notícias. Helena também estava lá, havia dormido agarrada a um terço, que segurava com toda força do mundo, implorando a Deus que trouxesse sua filha sã e salva. Eles já haviam acordado e Ralf já havia acionado alguns homens para que começassem a busca pelo casal, já que a polícia só faria isso com 48 horas de desaparecimento, até porque as câmeras do hospital haviam mostrado que Derick e Cath saíram por conta própria.
No entanto, o policial que baleara Ernesto não mediu esforços para ajudá-los por conta própria, aquela era uma história tão esquisita, que por mais que não houvesse motivo para pânico, ninguém desejava arriscar. O psicopata já havia sido preso, e, por isso, uma dúvida permeava a mente dos familiares dos dois: Eles haviam fugido ou alguém os havia raptado logo após saírem!? Torciam para ser a primeira opção, porém, em vista dos últimos acontecimentos, não conseguiam se sentir tranqüilos até que os dois aparecessem. O relógio marcava 10 horas da manhã e nada, nem uma mensagem, nem um telefonema. Helena já estava com os olhos fundos e avermelhados, mas não havia mais nada que pudessem fazer a não ser aguardar.
Exatamente ao meio dia, uma das empregadas anunciou a chegada do casal e um “Graças a Deus” ecoou pela sala, vindo da boca de Lilian. Todos então se sentiram mais tranqüilos e Bárbara correu para abrir a porta da sala e vê-los se aproximando.
– Derick! – A garotinha saltou nos braços do irmão mais velho, abraçando-o de forma comovente. – Você está de castigo!
– Você que está! Vai ficar aqui no alto até eu decidir te soltar! – Brincou ele carregando-a no colo e balançando-a de um lado para o outro.
Catherine parecia constrangida com a situação, pois a família de seu noivo e sua mãe estavam um pouco furiosos.
– Onde vocês se meteram!? – Esbravejou Ralf. – Nós estávamos aqui morrendo de preocupação! Isso não se faz!
– Cath, pare de fugir de mim, precisamos ter uma conversa... – Afirmou Helena com pesar. – Tudo isso acontecendo, e vocês não dão nenhuma satisfação!?
– Ontem foi um dia difícil, vocês deveriam ser um pouco mais sensíveis... – Falou Lilian, tentando amenizar o clima tenso daquele cômodo. – Precisavam relaxar, não percebem!? Ficar longe de tudo... Nós todos sabemos como esses dias tem sido estressantes... – A mulher colocou as mãos na cintura, olhou para Helena e para o marido com um ar de reprovação. – ACORDEM! O Ernesto acabou de ser preso! Vocês realmente querem perder tempo brigando com eles dois!? – Catherine e Derick se entreolharam e sorriram simultaneamente, podendo então finalmente relaxar...
– Ok, você venceu! – Afirmou Ralf já mais sorridente. – Nós temos muito o que comemorar!
Cath correu em direção a sua mãe, abraçando-a com força.
– Me perdoa, eu não conseguia te encarar... – As lágrimas escorreram inevitavelmente do rosto da garota. – Estamos livres, mãe... Acabou.
– É você quem deve me perdoar... Sofreu demais por erros meus. – Lamentou a mãe emocionada, envolvendo a filha nos braços. – Eu te amo tanto... Eu só quero vê-lo, preso, amedrontado... rendido...Se soubesse quanto ódio guardo dentro do meu coração...
– Mãe, eu sinto exatamente o mesmo, mas... – Catherine respondeu aflita. – Quando vi o rosto do Derick todo machucado... Só gostaria de tirar esse sentimento ruim de dentro de mim.
Ralf imediatamente avisou ao policial e a todos os homens encarregados na busca. Feito isso, sinalizou aos filhos para que fossem para o escritório. Derick não entendeu muito bem o objetivo daquilo, mas obedeceu. Chegando lá, o pai se sentou em sua poltrona e pôs as mãos na cabeça, aparentemente preocupado. Peter e Ralf olhavam um para o outro, como se nenhum dos dois tivesse coragem de começar o assunto. Incomodado com aquela situação, Derick decidiu se manifestar:
– O que é!? O que está acontecendo aqui? – O constrangimento dos dois o deixou apreensivo.
– Você precisa convencer a Cath a voltar para o hospital, ok? Mano, é só isso.
– Por quê? – Ele perguntou olhando bravo para o irmão. – Ela está bem.
– Calma, filho! — Disse Ralf se levantando e aproximando-se do garoto. – Os médicos não explicaram muito bem, mas ela precisa fazer ainda alguns exames.
– Que exames? – Derick estava muito aflito, sabia que havia algo que os dois não queriam contá-lo. – Vocês sabem de alguma coisa, senão não estariam assim.
– Nós não sabemos de nada! – Ele afirmou tentando ser convincente. – Não sabemos.
– Eu vou convencê-la a voltar para lá, mas alguém vai ter que saber me explicar que exames são esses. – Disse ele espremendo os olhos. – E eu sei que vocês estão tentando me enrolar. – Derick estava mais do que desconfiado, tinha a certeza de que havia algo oculto naqueles olhares esquisitos que Ralf e Peter lançavam um ao outro. E ele estava certo. Havia mesmo.
O pai de Derick havia tentado tranqüilizá-lo afirmando que provavelmente deveriam ser mais alguns exames comuns, apenas para confirmar que Catherine estava bem após ter passado por uma situação tão estressante. O garoto, porém, não se sentiu convencido de que era apenas aquilo, mas a levaria, pois de qualquer forma conseguiria alguma explicação com os médicos.
–
Quatro horas depois – Hospital Psiquiátrico
Catherine foi para casa tomar banho e ele ficou encarregado de levá-la. Acreditava que Helena iria com eles, no entanto, a mulher disse que os encontraria mais tarde, porque precisaria resolver alguns problemas do salão de beleza. O casal desceu o elevador e ficou aguardando pelo taxi que a garota havia pedido pelo telefone. O carro não demorou mais do que cinco minutos para chegar. Assim que se sentaram no banco de trás, Cath entregou ao motorista um papel com um endereço escrito e, após ler o destino que iriam seguir, o carro acelerou.
O casal ficou abraçado e em silêncio durante o caminho. No então, em uma determinada parte do trajeto, Derick percebeu que não estavam indo para o hospital e reclamou com o motorista:
– Nós não estamos indo para o hospital, você está indo para a zona oeste e o hospital fica na zona sul. – Falou tentando ser educado. – Você deve ter se perdido.
– Estamos indo sim, diretamente para o endereço que sua namorada me pediu para que fosse. – Respondeu tranquilamente o motorista. – Não estamos perdidos, eu conheço bem esse bairro e se observar no GPS já estamos na rua do hospital.
– Ele está certo, amor. – Catherine disse com delicadeza. – Eu quis passar nesse hospital aqui antes de irmos fazer meus exames. Confia em mim, eu sei o que estou fazendo.
– Que lugar é esse, Cath? – Ele perguntou olhando com estranheza para as grades de ferro daquele local. — Prometi que te levaria de volta para fazer os exames, e olha onde nós estamos... Não estou entendendo nada. – O garoto entregou o dinheiro do taxi para o motorista e então saíram do veículo.
“Hospital Psiquiátrico Jean Baptiste Pussin” Derick leu em voz alta o nome escrito no enorme portão de ferro enquanto segurava uma das mãos de sua noiva. Era um local enorme, com árvores por todos os lados e um jardim encantador, com flores de cores e espécies variadas. Na parte frontal havia grades resistentes e uma guarita onde o segurança estava sentado lanchando e vendo televisão distraidamente, já nas laterais havia um muro de concreto coberto por plantas trepadeiras.
O solo do jardim era um gramado de um verde intenso. Havia um caminho de chão de pedra até um enorme prédio de arquitetura clássica, de cor acinzentada devido ao desgaste causado pelo tempo, janelas e portas grandes e muitas grades para garantir a proteção do local e evitar as fugas dos internos. Também era possível notar que os internos cobertos por vestimentas brancas transitavam pela área externa.
– Ainda não estou entendendo, Cath... – Ele falou um pouco confuso.
– Venha Derick... – Disse ela o arrastando até a lateral do local. – Vou te explicar porque estamos aqui.
– Me explique...
Catherine o encostou no muro, aproximou seu rosto do dele e confessou em tom baixo:
– Você se lembra daquele dia em que recebi um telefonema de um hospital psiquiátrico procurando a minha mãe? Há muito tempo estou desconfiada, você sabe disso, mas com tantas coisas acontecendo, o seu desaparecimento, e tudo mais, eu acabei não procurando mais nada sobre isso.
– Descobriu algo novo? – Ele ergueu o cenho. – Também fiquei intrigado com aquilo.
– Sim... Minha mãe ajuda a manter um homem aqui... Enrico Bellini. – Cath estava firme, parecia determinada a descobrir o que aquilo tudo significava. – Minha mãe esconde muitas coisas... Eu cansei, Derick... Cansei de ficar esperando até que ela resolva esclarecer tudo... Isso nunca vai acontecer. – Ela respirou fundo para continuar a falar. — Me ajude a pular esse muro, por favor.
– É claro que sim. Gosto de você sem medo. – Disse o garoto. – De qualquer forma, é alguém da sua família. Descobrir as coisas vai mudar a sua vida para sempre. – Ele pôs os cabelos dela para trás da orelha. – Tem certeza de que quer mesmo vasculhar isso? Se sente pronta?
– Sim, eu não agüento mais. – Ela afirmou sem hesitar.
– Estou orgulhoso da mulher que se tornou. – Os dois se abraçaram com cumplicidade e Catherine recostou seu queixo no ombro do garoto.
– Minha mãe deve estar chegando aqui, disse que foi resolver problemas do salão mas tenho certeza de que veio para cá... Esse é horário de visita... Podemos ficar em algum lugar escondido que dê para ver quem está chegando... Depois a seguimos e vemos o rosto de quem ela vem visitar... E quando eles estiverem juntos, ela vai ter que me dizer tudo... – Disse ela realizando pausas entre as frases. – Obrigada por me apoiar.
– Vamos metida... – Ele a beijou rapidamente e a pegou no colo para ajudá-la a pular o muro.
Cath não tinha muita habilidade nisso e se atrapalhou um pouco até conseguir chegar até o outro lado. O muro era alto, no entanto as plantas trepadeiras acabavam por facilitar a descida, amenizando o atrito de sua pele com o concreto. Ele também conseguiu pular o muro e aproveitaram os arbustos para se esconder. Não poderiam ser vistos pelos enfermeiros, portanto deveriam passar o mais despercebido possível.
Os dois viram que ao lado da guarita havia um grande arbusto onde poderiam se esconder e evitar que o guarda os flagrasse por estar fora do ângulo de visão dele.
– É um bom lugar, Cath... Podemos ficar ali... – Derick sussurrou enquanto se esgueiravam entre as plantas.
– Vamos pra lá... – Ela concordou.
Eles ergueram seus corpos em um momento de tensão, tentando passar sem serem percebidos, caminhando lentamente até o arbusto em que desejavam se esconder.
– Helena! – Um grito desesperado os surpreendeu antes que pudessem dar o próximo passo.
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