Natural Disaster

15 Capítulo 15 - Consequências


Notas iniciais
Capítulo um pouco perturbador, Derick cada vez pior.. Comeeeeeeeeeeentem!

– O que? Derick está aonde!?
– 21ª Delegacia de Polícia, senhora.
– Eu não acredito nesse absurdo. – Lilian pôs a mão na cabeça. – Pode colocá-lo na linha para que eu fale com ele?
– Lógico que sim. Aguarde um minuto. – Disse o policial enquanto passava o telefone para Derick.
– Mãe!? Eu, eu... – O garoto tremia e sentia arrepios por todo corpo, estando prestes a desmaiar.
– Filho...O que está fazendo ai? O que houve!? – A mãe disse desesperada enquanto as lágrimas escorriam em seu rosto. – Derick!?
A mulher insistiu, porém ninguém respondeu mais, ela apenas pôde ouvir o barulho de uma correria, cadeiras arrastando no chão e pessoas discutindo. Agoniada, desligou o telefone em prantos e logo correu para acordar o marido, que dormia feito uma pedra no quarto do casal.
– Por que me acorda a essa hora, meu amor? – O homem respondeu calmo, apesar do horário.
Ralf era um homem importante, mas isso não diminuía sua sensibilidade, logo notou os olhos tristes e chorosos de sua mulher. Diante daquilo, imediatamente o homem se levantou.
– O que aconteceu? – Ele disse colocando as mãos no rosto da mulher a fim de secar suas lágrimas.
– O nosso filho... – Ela mal conseguia falar.
– Acalme-se... — Ralf disse docemente.
– Quer dizer, ligaram agora falando que Derick está na delegacia. – Lilian disse dolorosamente. – Mas não consegui falar direito com ele, pararam de responder... Eu sinto que aconteceu alguma coisa! Ele disse que não ia dormir em casa!
A face do homem ficou seria, ele realmente parecia muito preocupado.
– Vamos para lá agora! Avise às empregadas para ficarem de olho na Bárbara e em Peter! Vamos!
Os pais estavam nervosos demais e se apressaram o máximo possível para chegar logo à Delegacia e averiguar a situação. Demorou cerca de 25 minutos até que conseguissem chegar. A delegacia era próxima à casa de Rui, em um bairro menos luxuoso do que o deles, porém bem próximo. Na porta da Delegacia estavam os responsáveis dos únicos dois menores de idade, além de Derick, presentes naquele incidente. Em dois casais, pais e mães em desespero pelo que havia acontecido com seus filhos.
Lilian e Ralf cumprimentaram todos discretamente e entraram na delegacia. Logo puderam ver os rostos de outros jovens e o estado em que se encontravam, era uma situação deprimente, que fez o casal se sentir pior do que já estava. Alguns policiais gritavam no sentido de humilhar os jovens ali presentes. Ralf e sua esposa, apreensivos, logo procuraram o filho, que não demorou a ser encontrado.
Derick estava sentado em um dos bancos da delegacia, com uma marca vermelha próxima ao olho esquerdo e um pequeno corte no rosto. Lilian correu aos prantos em direção ao filho, o abraçou, beijou e, se conseguisse, até o colocaria em seu colo. O garoto estava com uma aparência péssima, suava frio e tremia. O pai, decepcionado, apenas olhou com frieza para o filho e passou reto indo em direção ao balcão para solicitar esclarecimentos sobre o ocorrido.
Após saber de tudo, Ralf estava furioso, e, se Derick estivesse menos pior, com certeza levaria uma surra, porém, foi apenas um golpe certeiro, um tapa na cara na frente de todos em plena delegacia.
– Eu não te criei para ser esse vagabundo que você é! – Imediatamente dois policiais seguraram o homem, que estava fora de si.
Com a confusão todos olharam e o caos tomou conta do lugar. Como o garoto já estava com o nariz irritado devido às drogas, o tapa que levou no rosto foi suficiente para fazer o sangue escorrer de suas narinas. Sangrava muito e todos começaram a se pronunciar, três dos vizinhos do apartamento de Rui, que também estavam presentes na delegacia para registrar, concordaram e aplaudiram os métodos educacionais do pai.
– É isso mesmo! Tem que botar limite nesses jovens! – Disse uma das vizinhas, já uma senhora de aproximadamente 40 anos.
Outros comentários surgiam e desordem por todos os lados, os policiais tentavam calar as vizinhas, que estavam histéricas, porém nada parecia adiantar, fato que deu início a uma discussão feia.
– Calem a boca! – Lilian gritou esgotada. — Já chega! -Todos se assustaram com o ímpeto da mãe, que de uma hora para outra se transformou em uma fera. – Calem-se, eu vou ficar louca!
Todos se calaram e o lugar ficou silencioso rapidamente. A mãe, zelosa, ajudou o filho a limpar o rosto e o abraçou novamente enquanto observava o marido sentado de cabeça baixa. Cinco minutos depois, o delegado liberou Mariah que, envergonhada, saiu da delegacia sem trocar uma palavra sequer com ninguém.

– Os pais de Derick Garrett Becker já chegaram? – Perguntou o delegado em voz alta em frente à porta de sua sala.
– Somos nós. – Disse Ralf.

– Podem entrar os três.
Na sala, a família olhava o delegado totalmente constrangida, exceto Derick, que parecia estar em um universo paralelo. O garoto, mesmo sentado de frente para o delegado, olhava para a parede. Damian Ross era um homem alto com aproximadamente 50 anos, de ombros largos e cabelo cortado bem baixo, no rosto algumas cicatrizes pequenas e uma expressão de seriedade. Com uma postura extremamente profissional, citou todo o ocorrido e esclareceu todas as questões com os pais. Diante disso, Ralf percebeu que se tratava de um homem honesto, que não seria comprado, ou seja, não havia saída, senão aceitar o que fosse imposto ali.
– O responsável pelo apartamento está em uma situação bem pior do que a de Derick, pois a quantidade de drogas ilícitas ali encontradas era exorbitante, quantidade mais do que suficiente para evidenciar tráfico de drogas. – Notavelmente os pais se sentiram de certa forma aliviados. – E como Derick tem 17 anos...
– Ele não sabia de nada, apenas estava viajando e eu pedi ao Rui que nos reuníssemos lá para um encontro de amigos. Eu comprei todas as drogas e distribuí, se alguém tem realmente culpa, esse alguém sou eu. – A declaração de Derick fez a mãe se desesperar de novo e o pai o olhar com ainda mais fúria.
– Preste atenção, e fale a verdade, não tente proteger ninguém. – Disse o delegado.
– Estou falando a verdade! – Derick foi firme, porém ainda sem encarar o delegado e o homem pareceu se convencer. – Eu fiz a merda, e agora tenho que pagar o preço por isso.
– Você vende drogas, rapaz?
– Não, acho que pode perceber olhando para os meus pais que não tenho necessidade disso. Só comprei para todos os meus amigos sem pensar em nenhuma consequencia.
Perante à declaração do garoto e após ouvir todos os outros presentes naquele caso, ficou claro que Derick dizia a verdade. Apesar disso, a quantidade de drogas apreendidas no local configurava tráfico, o que garantiria uma pena não tão branda. Damian Ross comunicou aos pais que, apesar de ser adolescente Derick seria fichado, deveria assinar um termo circunstanciado e comparecer a uma audiência onde seria decidida a pena. Os outros também foram liberados, mas teriam audiências para explicações.
Após o ocorrido, o clima na mansão dos Becker foi tenso e dramático até o dia da audiência, que ocorreu em menos de um mês. Pai e filho não se olhavam, não se cumprimentavam e não existiam um para o outro. O estado de Derick era cada vez mais degradante, estava preso em sua própria casa, não comparecia à faculdade e não tinha contato com ninguém que não fosse da sua família. Passou os dias debruçado em livros, mas não estava saudável, visto que vivia à base de remédios para dormir.
No dia da audiência, tudo aconteceu normalmente. Todos os menores envolvidos no incidente foram chamados para comparecer, ouviram uma advertência sobre os efeitos das drogas e a pena foi de prestação de serviços à comunidade. Derick, como foi identificado como traficante, deveria sofrer pena de reclusão em um reformatório.

Apesar disso, desde que o mundo é mundo, apenas pobres sofrem consequências e penas realmente severas. Os burgueses são superprotegidos por convenções sociais e pelos melhores advogados. Caso fosse um menor morador de alguma favela, iria para um lugar em que supostamente os menores de idade entram para se recuperar com possibilidade de reintegração à sociedade, mas na realidade, é uma escola em que se aprende crueldade e que se saí pior do que se entrou.
Um dos melhores advogados da empresa dos Becker foi escolhido para defender o primogênito, e, com o uso de sua retórica apuradíssima, conseguiu que Derick apenas pagasse cestas básicas e que ele comparecesse a um programa educativo. Apesar da audiência satisfatória, Ralf não conseguia disfarçar a raiva que estava em seu coração. Ao entrarem no carro para voltar para casa o pai falou com o filho pela primeira vez em vinte dias:
– Já me informei das datas em que haverá as últimas provas do seu semestre na universidade. Você só voltará lá para fazê-las, já consegui um atestado médico para justificar todas as faltas desse semestre. Você irá ser aprovado e após isso trancarei sua matrícula. – O garoto ouvia tudo em silêncio, mantendo sempre um olhar perdido. – E, a partir de semana que vem você irá para a reabilitação. Pronto.

Notas finais
Cara.. desisto de ter uma regularidade no tamanho dos capítulos KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Comentem!