Natural Disaster
13 Capítulo 13 - Todo dia é dia
Notas iniciais
Algumas semanas se passaram desde o acontecido e Derick fumava como um velho viciado, bebia como um alcoólatra e tocava como um rockstar inconseqüente, movido apenas pelas paixões e delírios menos saudáveis. Apesar de seu comportamento, em sua casa estava tudo correndo normalmente, a empresa da família crescia exponencialmente, o que deixava todos satisfeitos e atiçava os instintos mais ambiciosos de Ralf.
– Pai, você até prometeu que iríamos viajar. Eu, de verdade, estou bem entediado, a escola tá um saco. — Disse Peter sentado na beira da piscina, observando Ralf trabalhar com seu notebook, sentado em uma cadeira de madeira, bem relaxado.
– Temos uma casa com piscina, você tem dinheiro para ir ao shopping comprar o que quiser, visitar os melhores clubes, as melhores festas, uma viagem pode esperar. Além do que, você vive seguindo o perdido do seu irmão, acha que eu não sei que andam fazendo showzinhos por ai? – Ralf disse naturalmente, não parecia nem um pouco estressado. – Ainda ousa reclamar de falta de diversão?
– O Derick não é um perdido, eu queria ser como ele. – O filho do meio disse sério.
– Como ele? Você sabe onde ele está agora? Porque eu não sei. – O pai parecia ter desistido do filho mais velho.
– Ele deve estar com alguma garota. – Peter disse com convicção. – Todas lá de Bergenthal morrem por ele.
– Pelo menos esse muleque tem que saber fazer alguma coisa direito. Mas e você? Como vai com as garotas?
– Eu...- O jovem disse enquanto dava um gole no suco de laranja servido por uma das empregadas. – Eu aproveito por tabela. – Ambos riram.
Repentinamente, apareceu Derick na porta da varanda. O pai o olhou com desprezo e se levantou imediatamente da cadeira. Em um segundo a expressão do homem mudou e seu rosto ficou rígido:
– Onde você estava, porra!? – Ele foi andando em direção ao filho mais velho. – Você sumiu, seu irresponsável. É quarta-feira e você não me aparece em casa desde Domingo.
– Eu avisei para minha mãe e para o Peter que só iria voltar hoje. Minha intenção não foi deixar ninguém preocupado.
– Acontece é que, eu estou ficando velho, estou exausto de ter que ficar lidando com gente incompetente. – O pai estava transtornado. – Está na hora de você virar homem e assumir suas responsabilidades.
– Que responsabilidades?
– Você passou para Bergenthal para fazer Medicina e eu permiti, afinal, o que iriam pensar de mim caso eu te proibisse? Tive que ouvir as asneiras de todos que souberam disso, mas acontece que preciso expandir meus negócios. Você tem de aprender a parar de ser egoísta e entender o significado da palavra família.
– O que quer dizer com isso?
– Que você vai fazer Direito, tem que cumprir com as suas obrigações. Você fica brincando de cientista e brincando de rockeiro, mas você não é mais nenhuma criança. O tempo da diversão acabou. Também precisa se tratar, está fedendo a maconha, deve ter se entupido de drogas.
– Mas e a minha faculdade?
– Você tranca sua matrícula e após terminar Direito, se quiser pode voltar. Não acho errado que um homem tenha Hobbies, porém o dever deve vir primeiro. E você já brincou demais. A Alemanha é um país lindo, você irá logo esquecer essa palhaçada quando pisar em Berlin.
– Eu não vou. – Derick disse sem expressão. – Não vou.
– Você vai, vai sim. – Ralf o encarou. – Eu já te deixei muito a vontade, fez o que quis por anos, não tem o direito de não cumprir a única coisa que eu sempre exigi.
– A única coisa? Você sempre me tratou como uma máquina, um robô que deve seguir o seu projeto de vida. – O garoto olhava para o pai com tristeza. – Você tem noção do quanto eu sempre me esforcei para agir como o senhor queria? – Respirou fundo. –O senhor não tem dedos para contar em quantas competições acadêmicas entrei para que o seu ego fosse satisfeito, eu não ligo pra nada disso!
– É um imbecil. Está jogando fora sua capacidade acadêmica. Já temos uma empresa gigantesca e quer começar do zero. Nunca permitirei que faça essa estupidez, sou o seu pai e quem dita as regras sou eu. – Gritou alteradamente.
– Algumas regras devem ser quebradas. – Derick continuava calmo.
O garoto podia ver o ódio nos olhos do pai, que não aceitava suas escolhas. Decidiu sair para andar de skate e ver o que havia de novo para se fazer naquela cidade. Sua cabeça doía e estava triste, afinal, seu pai sempre fora seu grande ídolo.
Logo que saiu de casa, foi em direção à pista de skate mais próxima. Lá costumava encontrar os amigos, e é claro, as garotas também. Talvez dessa forma conseguisse esquecer as palavras do pai e as palavras de Catherine, as quais ele não conseguia tirar da cabeça.
Ao chegar na pista, logo acendeu um cigarro e se sentou num banco de concreto.
“E você está muito melosinho...” – Derick pensou pondo as mãos na cabeça. – “Isso me dá náuseas”.
– Melosinho! – Esbravejou zunindo seu skate em uma direção aleatória.
– É Derick, o que houve pra você ficar tão estressado? – Mariah disse enquanto colocava uma das mãos no ombro do garoto.
– Oi. – Ele disse impaciente, se virando para cumprimentá-la.
– Mais que má vontade, amor! – Ela lhe deu um beijo na bochecha.
– Não é isso, gata. Apenas estou estressado.
– Não quer desabafar? – A garota sentou ao lado dele.
– Não é nada demais.
– Tá bem. E aquela loirinha, vocês ainda estão juntos? – Ao ouvir essas palavras, Derick esteve a ponto de se entregar. – Faz tempo que nós dois não nos vemos, estou por fora.
– Quem? – Franziu o cenho, fingindo realmente não saber a quem Mariah estava se referindo.
– Aquela que faz projeto contigo. Realmente não se lembra? – A garota o olhou assustada.
– Ah sim, é que eu nunca estive com ela.
– Mas eu vi vocês dois ficando. O que me diz disso? – Ela realmente não estava entendendo.
– Com quantas pessoas já me viu ficando? – Derick riu. – Não era nada sério, óbvio.
– Que alívio. – Ela abriu um sorriso exagerado. – Mas você sabe que não é assim, tivemos até uma conversa estranha sobre você estar nos ignorando para ficar com ela por tempo integral.
– Gatinha, carne nova, sabe como é né? — Debochava. – Ela de fato era bem bonita, não podemos negar, obviamente teria que aproveitar ao máximo.
– Mas a defendia quando debochávamos e dizíamos que ela era seu lanchinho.
– É claro! Você estavam sendo completamente inoportunos, como iria falar na frente dela uma coisa dessas?
– É verdade. Desculpa, viu. É que seria muito ruim se estivesse acontecendo algo a mais. – Mariah disse olhando triste para o chão.
– Ah para! Sou eu! Relaxa Mari. – Ele a abraçou. – Chama todo mundo, que hoje vamos sair.
– Mas é quarta-feira, está louco?
– Qualquer dia é dia para se divertir. – Derick riu ironicamente.
Fale com o autor