National Anthem
14 Capítulo treze – Avengers
Notas iniciais
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“Some legends are told
Some turn to dust or to gold
But you will remember me
Remember me for centuries
And just one mistake
Is all it will take
We'll go down in history
Remember me for centuries”
Centuries – Fall Out Boy
Clint e Logan se encararam por longos minutos naquele silêncio constrangedor, não sabendo exatamente o que dizer ou como reagir. Parados, estáticos, sem moverem-se um centímetro sequer, raciocinando alguma maneira de encararem a realidade, aquela situação no mínimo estranha, e absorverem as informações as quais acabaram de receber.
– Jarvis, você... Você tem certeza disso? –perguntou o Gavião, quebrando de vez aquele silêncio, lutando para conciliar os míseros pedaços de sanidade que lhe sobraram. Logo, Clint passou a desviar seu olhar de Logan no mesmo instante em que o Stark começou a caminhar de um lado para o outro, claramente nervoso.
– Sim, Sr. Não há nenhuma dúvida –respondeu a inteligência artificial, quase provocando um ataque cardíaco no Gavião Arqueiro, que por um milésimo de segundos, imaginou que Jarvis estivesse enganado.
– E o que você está esperando, Jarvis? Ligue para o Coulson, avise que o Soldado Invernal foi encontrado. Rápido! –exclamou o garoto, sem decidir se encarava Clint ou continuava com aqueles movimentos repetitivos. Logan então deixou escapar um suspiro antes de indagar, um tanto alterado: – Jarvis, você me escutou?! Vamos, faça o que eu mandei!
Entretanto, Jarvis nada respondeu, fato que deixou Logan ainda mais transtornado. Mas afinal, por que o Stark estava tão mexido com aquilo? Porque sentia que sua vida estava prestes a mudar no mesmo instante em que aquele maldito Soldado colocasse os pés naquela Torre? Ele não sabia, simplesmente pressentia aquilo. Uma raiva irracional começava a domina-lo pouco a pouco, consumindo cada terminação nervosa em seu corpo inteiro.
– Não execute essa ordem, Jarvis –a voz do Homem de Ferro pôde ser escutada, ecoando por toda a sala de estar, e consequentemente, despertando a atenção de Logan e Clint. O Gavião deixou seu corpo cair sobre o sofá no mesmo instante em que visualizou Tony e Bruce fazerem-se presentes no ambiente. – Deixe-os subir e mantenha o Coulson fora disso até a situação ser resolvida –exigiu o moreno, e Jarvis automaticamente o obedeceu. Tony sustentou um olhar nada amigável sobre o filho enquanto caminhava em direção a ele.
Bruce lançou um sorriso torto na direção de Clint ao sentar-se ao lado dele no sofá, tentando transmitir alguma coragem, mas parecia quase impossível naquele momento. O Gavião o encarou, sério, sem esboçar reação nenhuma, e a confusão em seu rosto estava claramente o incomodando. Ele queria respostas. Respostas para tentar entender o que acontecia ali, o porquê de tudo aquilo. Havia algo errado?
– Pai, o que está acontecendo? Por que você deixou ele subir?! –quis saber Logan, incomodado com a decisão tomada por Tony. Logo, o moreno parou de frente para o filho, encarando-o com certa indiferença ao mesmo tempo em que a raiva nos olhos azuis do garoto era aparente. Logan cruzou os braços ao novamente perguntar: – Por que ele está aqui?
– Ele está aqui porque eu pedi –informou Tony, deixando Logan ainda mais confuso, e percebendo isso, ele rapidamente esclareceu: – O Steve me ligou há pouco tempo, disse que era uma emergência e precisava de ajuda. Bruce e eu conversamos, e estamos dispostos a ajudar. Não vejo nenhum motivo para não fazermos isso.
– Ah, você não vê nenhum motivo? E que tal o motivo que aquele é o Soldado Invernal?! –rebateu Logan, deixando-se vencer pela raiva que o apossou. Não querendo mais nenhuma confusão com Tony, o garoto logo tratou de se acalmar para então deixar claro seu ponto de vista: – Pelo amor de Deus, pai, ele é um assassino! Um louco o qual a SHIELD e a HIDRA dariam tudo para ver morto! Será que você é tão ingênuo assim a ponto de confiar nele?
Diante daquelas palavras, o Homem de Ferro estreitou seu olhar na direção do filho, encarando-o com total desaprovação pelo comportamento imaturo de Logan. Então, fazendo um grande esforço para manter-se calmo, Tony deu um passo à frente, segurou em um dos braços do garoto com certa força, e continuou a observa-lo.
– Não estou o defendendo, mas se o Steve me garantiu que ele quer mudar, você não acha que o Barnes merece uma segunda chance? Uma chance de se reconciliar com o passado, Logan, uma chance para recomeçar –respondeu Tony firmemente, ainda segurando o filho pelo braço, forçando-o a o encarar mesmo que ele não quisesse.
– Mesmo depois de tudo o que ele fez? –questionou Logan ao finalmente soltar-se de Tony e dar alguns passos na direção oposta, ficando de costas para o pai ao parar de frente para a janela da sala, deixando toda sua indiferença transparecer naquele gesto.
– Filho, mesmo depois de tudo o que fez, ele continua sendo uma vítima da HIDRA. Então sim, se ele realmente quer isso, merece sim uma segunda chance – afirmou Tony ao sentar-se em uma ponta mais afastada do sofá, tão convicto de si que até mesmo Clint admirou-se. – É por isso que nós estamos aqui. Iremos traze-lo de volta, custe o que custar. Devemos isso ao Steve, afinal, ele é um amigo. E eu não acredito que o Bucky seja de todo mal. Pelo contrário, faremos a SHIELD também perceber isso –completou em seguida, e Logan revirou os olhos diante daquelas palavras, custando a acreditar que o Soldado Invernal era a vítima ali.
Bruce havia explicado toda a situação enquanto os dois Starks conversavam, e agora, após tudo o que escutou, o Gavião parecia mais convicto de que Bucky realmente precisava de ajuda. Mesmo que aquilo não o agradasse, Clint precisava concordar que o Soldado Invernal não era o verdadeiro vilão ali, mas sim as pessoas que fizeram todas aquelas atrocidades com ele. Então naquele momento, Clint Barton pareceu cair em si, pareceu finalmente perceber o real propósito de ser um agente da SHIELD. Tomou sua decisão. Faria tudo o que pudesse para ajuda-lo, e faria Natasha entender tal fato, como ele entendeu.
– Tem razão, Tony. Sair por aí matando o que vier pela frente não é a melhor maneira de consertar as coisas, nunca foi. E acho que finalmente consigo ver isso –admitiu o Gavião, dessa vez, deixando Logan completamente chocado com suas palavras. Ao levantar o olhar para Tony e Bruce ao seu lado, ele concordou de vez: – Sinto que devo isso ao Steve também. Eu quero ajudá-lo no que for preciso, podem contar comigo.
Tony e Bruce trocaram rápidos olhares e sorriram diante da reação de Clint, felizes por verem que ele realmente estava disposto a mudar sua opinião a respeito de Bucky. Ainda havia muito para ser feito e enfrentado, mas aquilo já era um começo, já era uma mudança. Uma grande mudança. Transtornado com aquilo, Logan murmurou um xingamento, amaldiçoando a si mesmo por ter que passar por essa situação nada agradável, e não querendo mais presenciar tudo aquilo, deixou a sala de estar, caminhando a passos fortes até seu quarto.
– É bom ter você conosco, Clint –fora a vez de Bruce se pronunciar, sempre com aquela calmaria, lançando mais um sorriso amigável na direção do companheiro ao apoiar uma das mãos em seu ombro. – Ainda teremos muito trabalho pela frente –admitiu o doutor ao ajeitar-se melhor sobre o sofá e repousar as costas no encosto acolchoado, não conseguindo conter toda a empolgação com aquela nova “missão” que lhe foi dada.
– Daremos um jeito em tudo, Bruce, e eu estou realmente confiante com as chances que temos de trazer o Picolé 2.0 de volta –replicou Tony, sorrindo ironicamente, e Clint reprimiu uma risada diante do novo apelido que acabara de escutar. Mas a voz do Homem de Ferro tornou-se tensa quando ele virou-se para Barton e alertou: – Precisamos avisar a Romanoff sobre isso o mais rápido possível antes que ela descubra por si só.
O Gavião suspirou pesadamente, concordando com um meneio de cabeça e logo respondeu:
– Com a Tasha eu me entendo. Temos que deixar a Louis e o Sam à par de tudo também, e faremos isso assim que possível. Só então pensaremos em como lidar com o Coulson e a SHIELD.
– Parece um plano para mim –supôs Bruce em seguida, ao observar os dois ali presentes por um longo período, e Tony rapidamente concordou com as palavras ditas pelo doutor.
– É um bom plano –elogiou o moreno no mesmo instante em que Bruce concluiu sua frase.
Logo, eles passaram a encararem um ao outro, cada um em seus mais profundos, perdidos e diferenciados pensamentos, tentando encontrar uma maneira de encarar aquela complicada situação sem perderem a sanidade de uma vez. Logo, um silêncio tornou a reinar entre os três ali presentes, embalando o nervosismo que começava a os alcançar. Mas quando a voz robótica de Jarvis foi escutada novamente, despertando a atenção de todos os heróis na sala, a tensão que parecia ter sido controlada agora atacou com mais ferocidade, deixando-os a mercê do destino a partir de então.
Steve soltou um longo e contínuo suspiro quando a porta do elevador se abriu perante ele. Então, o Capitão lançou um olhar cúmplice na direção de Stella, que parada ao seu lado esquerdo, apenas sorriu como resposta e balançou a cabeça positivamente. E antes de dar um passo à frente, observou atentamente o Soldado a seu lado direito, e quando Bucky, ainda sério, também balançou a cabeça em um gesto positivo, ele teve total certeza de que poderia prosseguir.
– Boa noite, Capitão Rogers. Sargento Barnes. E bem-vinda de volta, Srta Romanoff –recepcionou Jarvis quando os três saíram do elevador, a princípio assustando Bucky com sua voz eletrônica, que cerrou os punhos pronto para atacar qualquer um que se metesse em sua frente.
– O que é essa coisa? E como sabe quem eu sou? –perguntou o Soldado, e Stella não conseguiu deixar de rir diante da reação assustada dele. Ao seu lado, Steve apenas reprimiu um pequeno sorriso.
– Bucky, esse é o Jarvis, a inteligência artificial que controla toda a Torre – ela explicou pausadamente ao virar-se para Bucky, que a encarou com certa dúvida antes de compreender o que Stella quis dizer com aquilo. – Obrigada, Jarvis. É bom estar de volta –completou em seguida, disfarçando um singelo sorriso.
Já era um pouco tarde, e por isso, a Torre Stark estava mais vazia do que o costume. Os três caminhavam cautelosamente pelos corredores que davam acesso até a sala de estar, e um perfeito silêncio os acolheu durante todo o percurso. Mas a ideia de dar meia volta e sair correndo dali ainda se fazia presente na cabeça de Bucky. No entanto, ele precisava continuar, não podia desistir, não queria desistir, mesmo que aquela situação o deixasse um tanto nervoso.
Era uma promessa. E promessas são feitas para serem cumpridas. Custe o que custar. Ele sabia das consequências, claro que sabia. Mas estaria disposto a enfrenta-las? Seria possível enfrenta-las? Teria que confiar em si mesmo a partir de agora.
Bruce e Tony sorriam, quase pressentindo algo, e estavam certos. Assim que visualizaram os três, Clint se pôs de pé em um gesto sobressaltado, lançando apenas um pequeno e desconfiado olhar para Bucky e Steve, afinal, não conseguiu conter o impulso de encarar Stella com um sorriso nos lábios.
– Clint? –perguntou ela ao fitar o Gavião com certa surpresa, e um sorriso alegre também desenhou-se em seu rosto à medida que começava a caminhar apressada na direção dele, e ao parar diante de Barton, as risadas de ambos foram escutadas no mesmo instante em que Stella o abraçou com todas as suas forças.
– Vejo que você também sentiu minha falta, pirralha –murmurou ele, irônico, enquanto passava a segura-la firmemente em seus braços. O Gavião lançou um olhar compreensível para Steve, que apenas sorriu diante da cena. Ele não podia negar que era bom ver e saber que sua filha e Clint tinham uma boa relação.
– A minha mãe... –a garota não conseguiu deixar de perguntar quando afastou-se relutante de Clint, que riu levemente diante da reação preocupada de Stella.
– A Tasha chegou exausta, precisou descansar um pouco antes de ver vocês. Mas ela está bem, não se preocupa –explicou ele, deixando Stella e Steve mais relaxados, felizes por saberem que ela estava bem.
Bucky apenas observava tudo aquilo. Quieto, calado, sério, não sabendo exatamente o que fazer. Mas uma vez, sentia a confusão lhe dominar.
– Você sabe que a sua mãe é dura na queda. Tenho certeza que a Natasha ainda vai durar muito tempo, viuvinha –afirmou Tony, observando Stella ao aproximar-se de Steve, ficando ao lado dele, sempre com aquele sorriso sarcástico no rosto. Entretanto, recebeu um empurrão do Capitão, e o Homem de Ferro não conseguiu deixar de rir diante daquilo.
– Tony, eu não acredito que você apelidou a minha filha de... Viuvinha. Pelo amor de Deus –replicou Steve, novamente dando um leve empurrão no ombro do companheiro, fingindo indignação, pois no fundo, achou aquilo um tanto engraçado.
– Ah, qual é, Capitão! Admite, foi divertido –insistiu o Stark, arrancando uma nova onda de risadas. Logo, Tony observou Steve por longos segundos antes de voltar a ficar sério, adquirindo uma postura firme. – Agora se me der licença, Capicolé, o assunto do dia não é você, e sim o Picolé 2.0 ai –disse, parecendo estar brincando com aquela piada, mas continuou sério ao ficar frente a frente com Bucky, o analisando de cima a baixo.
– Picolé 2.0? Desculpe, eu... Não entendi a referência –respondeu ele, encarando Steve como se estivesse buscando uma resposta para aquilo. O Capitão revirou os olhos diante daquilo.
– Vai por mim, nem tente entender –brincou Stella, em uma falha tentativa de aliviar o nervosismo que se estabelecia ali. Logo, percebendo que ele havia ficado ainda mais tenso com aquilo, o olhar do Soldado cruzou com o dela quando a ruiva aproximou-se e se postou ao seu lado, transmitindo uma confiança sem tamanho. Tentando acalma-lo, Stella buscou pela mão dele, e sustentando o olhar sobre ela, Bucky não relutou em entrelaçar sua mão na dela, provocando um êxtase em ambos. – Não se preocupa, ninguém aqui vai te machucar –afirmou ela ao sorrir confiante para ele.
– Já vi que isso vai ser complicado... –murmurou Tony, encarando Bucky com certa curiosidade.
O Soldado concordou, acreditando fielmente nas palavras ditas por ela, e agora tudo o que poderia fazer era confiar naqueles heróis. E faria isso. Se queria realmente mudar, confiar nas pessoas que Steve confiava já era um bom começo. Aquela era a esperança surgindo, a sua chance de redenção. Ele aceitaria.
“He's a stranger to some
And a vision to none
He can never get enough”
[...]
O cheiro de sangue fresco ainda era aparente em suas roupas escuras, destacando alguns semicírculos de cores rubras, deixando um rastro diferenciado por cada trecho de seu corpo.
Presos em um rabo de cavalo alto e bem feito, os cabelos loiros de Natalie balançavam graciosamente de um lado para o outro, ressaltando sua beleza a cada passo dado por ela. Os saltos da bota a qual usava batiam no piso branco do lugar, ecoando pelos corredores, chamando a atenção da qualquer agente que cruzasse seu caminho. Mas ela não se importava com tantos olhares sobre si, mantendo a cabeça erguida e o olhar fixo no horizonte, quase sendo possível visualizar um sorriso irônico no canto de seus lábios.
A loira apressou o passo no mesmo instante em que visualizou Brock Rumlow parado à porta da sala de seu chefe, aparentemente esperando por ela. Natalie deixou escapar um grunhido raivoso de sua boca, não conseguindo mais controlar toda a raiva que sentia naquele momento. Não demorou muito para que Rumlow erguesse o olhar e a visualizasse ali, em pé diante dele, com uma expressão nada amigável em seu rosto.
Uma tensão se estabeleceu. Nenhuma palavra foi dita por um bom tempo.
– Loirinha... O que você estava pensando, hein? Queria acabar com a missão ou o quê? Natalie, você quase o matou, e quase se matou também! –indagou o agente com um desgosto profundo, mas ela não se abalou com aquilo, muito pelo contrário. Natalie simplesmente cruzou os braços no mesmo instante em que Rumlow recomeçou: – Tem noção do que Whitehall faria com você se algo desse errado? Nós não podemos perder o Barnes de vista, ou então, tudo terá sido em vão!
– Eu tinha ele na mira, Brock. Por que diabos você foi se meter?! Se você não tivesse se metido, agora o Barnes estaria morto com um buraco na cabeça e nada disso estaria acontecendo! A culpa é toda sua! –replicou ela, quase no mesmo instante, soltando um suspiro raivoso. Em seguida, depois de encarar Rumlow com insatisfação, a garota assegurou: – Eu recebi uma missão, e missões devem ser cumpridas. Desta vez não vou falhar por sua culpa. Não de novo!
– As ordens são claras! Whitehall não quer o Soldado Invernal morto, Natalie. Precisamos dele vivo, e precisamos logo. Não podemos desperdiçar mais nenhum segundo sequer, porque se a SHIELD colocar as mãos nele antes de nós, será o fim –expôs o agente, claramente incomodado com as palavras ditas por Natalie. Quem ela pensava que era para o confrontar daquele jeito? A verdade era que Brock Rumlow sentia uma raiva descontrolada percorrer seu corpo toda vez que Natalie Pierce o confrontava daquele jeito.
Entretanto, aquela discussão entre os dois foi interrompida no mesmo instante em que um rapaz de cabelos escuros aproximou-se dos dois. Logo, Natalie e Rumlow passaram a observa-lo, e Grant Ward cruzou os braços de uma maneira exasperada.
– O Dr. Whitehall deseja vê-los –informou com desgosto, quase sendo possível sentir uma ironia em sua voz. Estava cansado daquilo. Já estava há meses trabalhando para a HIDRA, e mesmo depois da queda da SHIELD, continuou com a missão de “permanecer infiltrado, permaneça bonzinho”. Mas ainda assim, ele também era um agente, e agentes servem para seguir ordens. Era exatamente o que ele faria então.
– Você virou garoto de recados do Whietehall agora, Ward? –perguntou Rumlow, rebatendo na mesma altura o tom de ironia as palavras de Ward. Ao seu lado, a loira revirou os olhos tediosamente.
– Pelo menos não fui eu quem estragou uma missão inteira, não é mesmo? –rebateu o rapaz, desta vez não se importando em abrir um enorme sorriso irônico, fazendo Natalie rir com aquilo, deixando Rumlow ainda mais furioso. Então, querendo deixar as coisas bem resolvidas ali, Ward deu um longo suspiro e insinuou: – Se nós vamos trabalhar juntos, precisamos ter o mínimo de respeito uns com os outros. Certo, Brock? –e ao virar-se na direção de Natalie, completou: – O que me diz, Srta. Pierce? Estamos de acordo?
– Completamente, agente Ward. Tenho certeza que essa parceria de nós três ainda renderá muito. Não se preocupe, Whitehall e Von Strucker ficarão felizes com os resultados disso –respondeu a garota, sorrindo mais uma vez por apenas um milésimo de segundos, pois logo em seguida, seu rosto tornou a adquirir um tom sombrio ao ameaçar: – Apenas tenha cuidado para não se meter onde não é chamado. Eu estou aqui para capturar Bucky Barnes, e farei isso, mas não abrirei mão da minha vingança, e não me importarei de matar qualquer um que ficar em meu caminho. Qualquer um!
– Acha mesmo que o Alexander iria querer isso? –quis saber Ward, não se deixando abalar pela clara e inconsequente ameaça de Natalie, uma ameaça velada. Logo, Brock estreitou o olhar na direção do agente, como um sinal de desaprovação.
A loira riu sarcasticamente antes de mais uma vez virar-se na direção de Ward e o encarar com certa indignação, não escondendo a raiva que aquelas palavras lhe trouxeram.
– Não haja como se soubesse o que Alexander Pierce iria querer, agente Ward! –rebateu Natalie, aproximando-se mais um pouco e apontando o dedo na direção do rapaz, o fazendo sorrir diante daquilo. Então, rapidamente, ela assegurou: – Eles mataram o meu pai. Agora eu irei mata-los. Acredite, isso é uma promessa. E promessas precisam ser cumpridas. Como uma missão. Uma missão a qual eu terei orgulho em finalizar.
Dito isso, Natalie engoliu toda a raiva que a consumia no mesmo instante em que virou-se na direção da porta atrás de si e a empurrou com certa sofisticação, adentrando na sala de Daniel Whitehall sem precisar de convite algum. Não demorou muito para que Ward e Rumlow seguissem os passos daquela garota explosiva.
“You’ll never know what hit you
Won’t see me closing in”
[...]
Um vento frio e acolhedor balançava levemente as finas cortinas, enquanto em meio a escuridão, a luz da lua iluminava grande parte do ambiente. Calmaria. Tão quieto e silencioso que ela mal conseguiu ver as horas passarem diante de seus olhos.
Depois de ter chegado há poucas horas, Natasha encontrava-se tão cansada que tudo o que conseguira fazer foi desempacotar todas as suas malas, tomar um banho rápido, e após vestir uma roupa mais confortável, finalmente acomodou-se na cama king size daquele quarto, adormecendo em questão de segundos, tentando relaxar seu corpo e sua mente, e uma visível apatia formava-se em seu olhar.
A Viúva Negra demorou alguns segundos para acostumar-se com a escuridão do quarto ao abrir os olhos, despertando lentamente à medida que sua mente voltava a realidade. Acabou dormindo mais do que o esperado, e só agora percebia que não conseguira conversar com Pepper e Louis desde sua volta, ainda não havia avisado a Steve que retornara antes do previsto, e principalmente, ainda não havia visto sua filha desde então.
Natasha conhecia sua garota. Precisava vê-la logo, afinal, se Stella descobrisse que sua mãe já estava de volta e não a comunicou, ela não ficaria nada satisfeita com aquilo.
Ao pensar nisso, a ruiva não conseguiu conter um sorriso divertido ao pensar em Stella, e só então percebeu toda a saudade que sentira de sua filha. Então, querendo aliviar aquele sentimento que lhe dominava, Natasha não esperou mais nenhum segundo para levantar-se da cama em um sobressalto. Caminhou rapidamente até o banheiro da suíte, e optou por tomar outro banho, dessa vez mais demorado e relaxante.
Alguns segundos depois, já encontrava-se pronta, vestindo um típico conjunto de calça jeans e camiseta básica, completamente à vontade, sem deixar de lado todo o charme de suas corriqueiras botas pretas as quais não vivia sem. Seus cabelos ruivos ainda estavam um tanto úmidos, mas não perdiam a leveza e a graciosidade em seu balançar. Nos olhos, aquele brilho de felicidade estava de volta, deixando-a com uma sensação maravilhosa.
Natasha abriu a porta do quarto com certo cuidado, tentando não fazer barulho e acabar com a surpresa que veria estampada no rosto de sua filha. Isso porque Jarvis havia lhe avisado que Stella e Steve já encontravam-se na Torre, fato que a deixou ainda mais contente. Ansiava por abraça-la, ansiava por vê-la de novo, ansiava por ver seu rosto novamente, mais do que qualquer coisa nesse mundo.
Romanoff então deixou o quarto e seguiu em direção a sala de estar, conseguindo ouvir as vozes se intensificarem a cada centímetro que se aproximava. Entretanto, a ruiva deteve o passo ao ver Logan aproximar-se na direção contrária. Distraído, o Stark não reparou na presença de Natasha, mas ela conseguiu perceber toda a raiva aparente no rosto do garoto. Tal fato a intrigou. Porque ele estaria daquele jeito? O que havia acontecido que ela não sabia?
– Logan? –perguntou ela ao parar diante da escada, pronta para começar a descer os primeiros degraus, preparando-se para seguir seu percurso até a sala. Logan continuou seu caminho sem olhar para trás, mas ao ouvi-la chama-lo pela segunda vez, fora a vez do Stark reter o passo, virando-se na direção de Natasha no mesmo instante que ela perguntou: – Está tudo bem?
O garoto engoliu em seco, sem saber muito bem o que responder, estreitando o olhar na direção de Natasha, completamente sem reação. Parecia ter travado ali mesmo, ainda sentindo a raiva lhe corroer por dentro, indignado com o visitante em sua sala de estar, na sua própria casa. E aquilo o incomodava profundamente.
– Claro! Não poderia estar melhor, Natasha –replicou, sua voz carregada em ironia, e não demorou muito para a Viúva Negra perceber que algo ali estava muito errado. – Acho bom você se apressar, não vai querer perder a conversinha com os seus amigos –afirmou em seguida, de uma maneira tão ácida que até mesmo Natasha admirou-se.
Entretanto, Natasha não teve sequer chance de perguntar o que ele quis dizer com aquilo, pois quando deu-se por si, o Stark já havia voltado a caminhar em direção ao seu quarto, ignorando completamente a presença dela. Estranhou, afinal, Logan não era de agir assim. Ela o conhecia muito bem, e sempre desconfiava quando algo estava o incomodando, mas naquela momento, não tinha ideia do que se passava na mente do garoto. Aliás, não tinha ideia do que estava acontecendo até então.
Algo estava estranho, era óbvio. Mas iria descobrir, como sempre descobria.
Pensando nisso, a ruiva tratou de começar a descer as escadas apressadamente, as conhecidas vozes aumentando cada vez mais, e com uma destreza absurda, chegou instantes depois na sala de estar. A visão que teve de sua filha fez seus olhos se iluminarem no mesmo segundo. Mas a visão do homem ao lado de Stella fez com que o sorriso que Romanoff carregava desaparecesse em um piscar de olhos. Parecia um pesadelo o qual ela não podia acordar. Não conseguia acreditar no que seus olhos viam.
– Alguém pode me explicar o que diabos está acontecendo aqui? –indagou rigidamente, sua voz se sobressaltando sobre as outras, a raiva fulminando em seu olhar. Logo, todos os heróis ali presentes passaram a encarar Natasha no mesmo instante em que a viram parada perante eles, com um ódio quase mortal em seu rosto sério.
– Mãe, não faz isso. –pediu Stella, estreitando o olhar na direção de Natasha, tentando a todo custo chamar sua atenção e mudar o curso de sua raiva. Mas não pareceu ter dado muito certo, afinal, a Viúva Negra continuou a encarar o Soldado, controlando sua enorme vontade de mata-lo ali mesmo. Sentiu seu corpo inteiro ficar tenso, e estava furiosa, era claro.
Com certa relutância, Natasha moveu seu olhar até o Capitão, que agora aproximava-se dela lentamente, cuidadosamente, medindo seus passos. Então, observando Steve com aquela raiva aparente e indiscutível, a Viúva Negra apontou o dedo em riste na direção de Bucky, e perguntou, não medindo esforços em suas palavras ásperas:
– Steve, o que esse desgraçado está fazendo aqui?!
“Got a real good feeling
Something bad about to happen”
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