National Anthem
16 Capítulo quinze – Ending
Notas iniciais
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“See how I'll leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love, they leave me breathless
I can't help feeling we could've had it all
You had my heart inside of your hand
And you played it to the beat”
Rolling In The Deep – Adele
Uma forte dor de cabeça latejava em seu cérebro, deixando dolorida cada terminação nervosa em seu corpo, causando um choque de memórias nos mais profundos lugares de sua mente, confundindo-a da pior maneira possível, torturando psicologicamente, aflorando sentimentos os quais ela pensou ter esquecido há anos. Medo. Porque estava com medo? Aliás, do que ela estava com medo? Não tinha a resposta para isso, e talvez nunca teria.
Ignorando tudo o que rondava sua mente, continuou a caminhar. A Viúva Negra não importou-se com os pequenos pingos de água de começavam a molhar levemente seus cabelos e suas roupas. Mas quando aquela chuva mais uma vez passou a tornar-se mais intensa, a ruiva viu-se obrigada a apressar o passo até seu carro, que encontrava-se à poucos metros da Torre Stark, estacionado em uma rua lateral e pouco movimentada. O imponente Corvette Stingray destacava-se no meio dos outros naquele espaço.
Natasha entrou no veículo instantes depois, batendo a porta com certa força, não conseguindo mais conter a fúria que novamente passava a domina-la pouco a pouco. Ela soltou um longo e profundo suspiro à medida que levava as duas mãos até o volante, apertando com uma raiva palpável enquanto encostava as cotas no estofado negro e arqueava a cabeça para trás. Fechou os olhos, incomodada com aquela maldita dor de cabeça que teimava em persistir.
– Não estou com nenhuma vontade de conversar, Rogers –murmurou com firmeza, a voz um tanto falha ao perceber que não estava mais sozinha dentro do carro. Ela sabia que Steve iria procurá-la, claro que sabia, então fora fácil desconfiar ser ele a pessoa que adentrara no automóvel sem que percebesse.
– Eu não me importo –rebateu ele com ironia, arrancando uma risada forçada de Natasha. A ruiva abriu os olhos em um sobressalto, voltou-se para o Capitão ao seu lado à tempo de vê-lo despejar um sorriso repleto de sarcasmo.
– Você é muito petulante, sabia disso? –afirmou ela, sorrindo de leve, novamente voltando a fechar os olhos e agora apoiar a cabeça no volante, atordoada pela a dor que continuava firme e forte em sua mente confusa. – E é um idiota também –completou em seguida, ignorando a reprovação de Steve diante da reação dela. Ele sabia o que Natasha estava fazendo. Estava tirando sua atenção, provocando-o, adiando o assunto. Mas desta vez não ia funcionar.
– Nós Precisamos conversar, Nat –indagou sem rodeios, e a ruiva bufou de raiva, deixando-o ainda mais revoltado com aquela situação tensa e complicada. Steve não podia negar para si próprio que estava um tanto aborrecido com tudo o que ela havia dito alguns instantes atrás, surpreso com a reação ácida. Ele sabia que seria difícil, sempre soube, mas não imaginou que as coisas se complicariam ainda no início. Precisava de tempo para provar que seu “melhor amigo” não era uma má pessoa. Ou era? O Capitão balançou a cabeça para esquecer tais ideias.
– Não precisamos não –anunciou Natasha, continuando naquela mesma posição, sem mover-se um centímetro sequer, se mantendo firme na decisão de não olhar para Steve. Era estranho de se ver, era como uma criança fazendo birra, o que claramente, não era seu estilo.
– Você sabe que sim –contrapôs Steve, parecendo estar contendo uma antipatia em seu tom de voz, irritado com o modo de agir dela, algo que, mesmo depois de tanto tempo, ainda o deixava intrigado e... Encantado. Ele permaneceu sem dizer nenhuma palavra sequer, esperando que talvez ela se manifestasse, fazendo com que um silêncio constrangedor surgisse.
Nada. Steve então virou o rosto na direção oposta, passando a observar as grossas gotículas que escorriam pela janela do carro. Em um gesto claramente irritado, ele soltou a respiração de uma forma melancólica enquanto cruzava os braços, tentando imaginar o que rondava a mente de Natasha Romanoff naquele mesmo instante. Tantos segredos ela ainda escondia dele. Segredos os quais o Capitão nem sequer imaginava, e isso o deixava ainda mais confuso em relação ao passado da Viúva Negra. O que ela escondia? O que ela tanto escondia? Talvez fora esse o motivo da reação de pânico ao ver Bucky à sua frente. Ainda assim, não entendia o porquê. Mas ele descobriria, ele sempre descobriria, fosse por bem... Ou fosse por mal.
– Eu não confio nele, Steve. Simplesmente não confio –a voz de Natasha se sobressaltou no eco do silêncio, despertando a atenção do Capitão, que virou-se em sua direção com um movimento rápido e repentino, mas não importou-se com tal fato. A ruiva o encarava com certa dúvida, ainda com as mãos coladas no volante, o corpo rígido e firme, a feição preocupada, travando uma guerra interna consigo mesma. Ela mordeu os lábios, controlando uma pequena parcela de raiva, e esperou mais alguns segundos antes de esclarecer: – Ele tentou te matar. Que garantia teremos que não tentará outra vez? Steve, aquele desgraçado está sendo caçado por duas organizações até o inferno! Eu tenho certeza que a HIDRA não vai desistir tão fácil assim de tê-lo de volta, e a SHIELD o quer morto! Ajuda-lo é colocar todos em risco... –mais uma pausa, e Natasha desviou o olhar do dele ao completar, nervosa: – É colocar a Stella em risco. Não posso fazer isso. Não consigo fazer isso.
– Ele quer mudar, ele realmente quer mudar. Você não precisa confiar nele, Nat, só precisa confiar em mim –pediu ele ao virar-se de vez na direção dela, aproximando-se um pouco mais e tirando as mãos frias dela de cima do volante. Em seguida, entrelaçou suas próprias mãos com as dela, e Natasha mais uma vez viu-se mexida com tamanha proximidade, mas em nenhum momento sequer pensou em afastar-se. – Eu disse que sei o que estou fazendo, não disse? –perguntou logo depois, apertando mais um pouco as mãos dela e sorrindo levemente.
Com os olhos fixos nele, praticamente hipnotizada pelo azul eletrizante que a consumia, ela assentiu, balançando a cabeça de uma maneira positiva, e por um milésimo de segundos sequer, conseguiu enxergar toda a confiança que Steve exalava, deixando-a em um estado atordoado de êxtase. Como resposta, o Capitão levou uma das mãos ao rosto dela, aproximou-se mais um pouco e, fazendo-a estremecer diante da proximidade, não esperou por mais nada ao pressionar os lábios contra os dela, carinhosamente.
Em um gesto automático, Natasha fechou os olhos, correspondendo de imediato, incapaz de solta-lo ou afasta-lo. A verdade era que ela havia sentido falta daquilo, sentido falta do toque dele em seu corpo, da sensação agridoce que ele causava em sua mente, deixando-a atordoada, roubando-lhe qualquer traço de sanidade restante. Tão envolvente, tão difícil de resistir. Ah, ela ainda o amava, é claro que ainda o amava. Bastava saber se Steve também mantinha sentimentos por ela, mesmo depois de todas as mentiras. Seria capaz de perdoa-la?
Quase sentindo um certo desejo começar a domina-lo e com a respiração um tanto desregulada, Steve interrompeu o beijo, afastando-se lentamente com um sorriso brincalhão nos lábios ao mesmo tempo em que Natasha continuava a fita-lo de uma maneira profunda, ainda em choque com o que acabara de acontecer ali, ainda tentando raciocinar o mesmo desejo que também começava a domina-la, pouco a pouco.
– Isso não quer dizer que eu te perdoei por ter escondido a verdade todo esse tempo –murmurou ele, a voz falha, sustentando o olhar sobre ela, e a ruiva logo conseguiu visualizar a mágoa ali, presente em cada parte sensível de seu corpo. Um sorriso brotou. Leve, quase improvável. – Confie em mim, Natasha –repetiu antes de abrir a porta do carro e sair do veículo repentinamente, não mais se importando com a chuva que já o deixava encharcado em questão se segundos.
Romanoff continuou naquela mesma posição, extática, não sabendo ao certo como reagir diante das palavras ditas por Steve, ainda sentindo o gosto dos lábios dele nos seus, fazendo assim com que um turbilhão de pensamentos e sensações invadisse sua mente, desnorteando-a mais do que nunca. “Confie em mim”. A bendita frase martelava sua cabeça, confundindo-a, torturando-a de novo. Então era isso. Era tudo o que ela poderia fazer. Confiar nele. Confiar em Steve Rogers. A pergunta é: ela conseguiria? Superar suas próprias provações e confiar no Capitão América? Ela tinha suas dúvidas que conseguiria.
– Filho da mãe... –murmurou para si mesma, amaldiçoando qualquer ser vivo que rondasse sua mente. Aquele sentimento de insegurança mais uma vez voltando. Precisava fazer algumas coisa antes que fosse tarde demais. Só não sabia o que exatamente.
“Tell myself it's time now, gotta let go
But moving on from him is impossible”
[...]
A chuva que começou de mansinho agora não parava, praticamente transformando-se em uma grande tempestade que atingia Nova Iorque, e ele mais uma vez pegou-se observando as gotículas de água que escorriam sobre a grande janela da Torre, ainda hipnotizado por tanta tecnologia. Deslocado em um século diferente do seu. Era assim que Bucky Barnes se sentia.
Agora, sentado no amplo sofá da sala de estar, encarando fixamente o vidro transparente da janela, perguntava-se de uma maneira constante se aquilo era mesmo o certo a se fazer. Um acerto de contas, uma redenção, uma nova chance de vida... Aquela velha e conhecida esperança. Ele não conhecia o que era esperança de verdade, não com toda a dor que sofreu, todo o inferno que foi obrigado a passar.
Mas vendo-se diante de um pedaço do seu passado – Steve Rogers, o tal melhor amigo –, a ideia não parecia tão assombrosa assim. Não era mais uma utopia, só precisava tentar. Enfrentar seus passados com uma dose de indiferença e seguir em frente. Já estava na hora, não?
– Muito bem, chega. Acho que já está mais do que na hora de conversarmos sobre a sua real situação, Soldado –a voz firme de Tony Stark ecoou no ambiente, cortando o silêncio constrangedor que havia se instalado desde então. Bucky despertou, logo desviando o olhar para o Homem de Ferro, sempre sério, sempre com aquela postura rígida. Não disse uma palavra sequer, apenas esperou que ele continuasse, e foi o que Tony fez: – Graças ao Jarvis, já sabemos que a SHIELD quer sua cabeça em uma bandeja, isso não é uma novidade, e governo americano... Sabe lá Deus o que eles farão se colocarem as mãos em você.
– Precisamos ser cuidadosos a partir de agora. Qualquer movimento em falso pode ser o fim, para todos nós, ou o começo de uma catástrofe global –fora a vez de Bruce manifestar-se ao juntar-se ao grupo e se sentar em uma poltrona ao lado de Clint, que de pé próximo a janela, a essa altura permanecia calado, apenas observando tudo o que acontecia.
– Isso sem contar na ameaça da HIDRA, que também sabemos muito bem que não caiu totalmente –Tony arqueou uma sobrancelha na direção de Bruce, que concordou prontamente. Em seguida, mais uma vez tornou a observar Bucky ao seu lado enquanto explicava: – O Coulson e os amiguinhos coloridos ainda não sabem que você está do nosso lado agora, então eu suponho que nós temos uma vantagem sobre eles.
O Soldado hesitou. Por um segundo sequer, ele hesitou. Que garantia teria de que aquilo daria certo? Que garantia teria de que conseguiria prosseguir com aquilo? Estava tão assombrado pelos fantasmas do passado que a simples menção a SHIELD ou HIDRA, dois lados da mesma moeda, fazia cada parte em seu corpo contorcesse de raiva. Ele não era parte disso, pelo contrário, era o culpado disso. Com certeza ainda precisaria trabalhar muito sua confiança naquela gente. Mas já confiava em Steve... E em Stella. Era um avanço, um começo. O próximo passo? Não sabia ainda.
– Conheço bem essa situação. Eles, seja SHIELD ou HIDRA, não vão desistir de me terem de como um prêmio –Bucky afirmou com convicção, ainda sem encarar nenhum dos presentes ali, quase como se estivesse falando consigo mesmo. Soltou a respiração de uma maneira antipática, fechando a mão metálica em punho, deixando a raiva que sentiu se esvair lentamente, fazendo um esforço enorme para conter os piores pensamentos que o rondavam. Logo, em um gesto improvável, lançou um mínimo olhar para Tony ao anunciar: – Não vou dar esse gosto a eles. O que for preciso, eu faço. Pagarei pelos meus crimes, mas a HIDRA vai à baixo também, nem que seja a última coisa que eu faça.
Tony não pôde negar em abrir um largo sorriso ao escutar aquilo, afinal, também queria derrubar de vez a HIDRA, e não iria se importar em também por a SHIELD à baixo se Phil Coulson sequer ousasse se meter na justiça que seria travada ali. Se o Solado Invernal queria vingança contra a organização que fez da sua vida um inferno, era exatamente isso o que ele teria. Primeiro, Bucky acertaria contas com seu passado, iria fazer de tudo para lembrar o homem que foi um dia, e então, faria cada um deles pagar por tudo. Estaria livrando o mundo de uma constante ameaça, e estaria livrando a si próprio do peso que carregou por tanto tempo. Agora era real, agora era para valer. A hora da mudança havia chegado. Ele iria mudar.
– Ótimo! Vejo que temos um interesse em comum, não? –mencionou Tony, concordando com a decisão tomada por Bucky. Aquilo era sim o certo a se fazer, tinha plena certeza disso. Conseguia ver com clareza. Redenção já não parecia uma palavra tão distante.
– Não vai ser fácil, mas pela primeira vez vejo que temos uma boa chance contra aqueles miseráveis –informou Bruce, já não conseguindo conter toda a euforia que sentia diante da situação ali. Claro que seria complicado, ele sabia disso, mas estava realmente disposto a seguir em frente com aquilo. – Agora basta saber se a SHIELD está ou não a nosso favor –completou em seguida, sentando-se de uma maneira mais confortável na poltrona que estava, cruzando os braços à medida que encarava Tony e Bucky.
– Precisamos de um plano para pôr o Coulson na linha –finalmente Clint fez-se presente, despertando subitamente a atenção dos três, que se admiraram com tal ato, já que o Gavião Arqueiro ainda não parecia ter aprovado a decisão de ter o Soldado Invernal do lado “amigo”. Mas não era tão ruim assim, certo? Afinal, ainda que com todas as diferenças, eles compartilhavam o mesmo objetivo, a mesma vingança: acabar com a HIDRA. – Não creio que ele vá aceitar essa situação de primeira. Querendo ou não, sendo culpa dele ou não, a situação complicou-se graças ao Soldado Invernal –ele explicava com certa controvérsia enquanto aproximava-se dos companheiros e se sentava em uma outra poltrona à frente de Bucky e Tony e ao lado de Bruce. O olhar, entretanto, continuou sério.
– Então esse vai ser o plano. Faremos a SHIELD, o Coulson, o Fury, ou seja lá quem diabos for... Faremos eles enxergarem a verdade por bem ou por mal, de uma maneira ou outra –relatou Tony, mais uma vez atraindo a atenção dos heróis ali, e sem conter certa satisfação com aquilo, arremeteu de vez os planos que tinha em sua mente: – Vamos tirar o Bucky da mira da SHIELD e do governo, e ai sim, o xeque mate. Adeus HIDRA. De vez.
– Parece um bom plano. É um ótimo plano –concordou o Gavião, novamente surpreendendo a todos, Bucky em principal, que até aquele momento estava em dúvida de até quando Clint esperaria para acerta-lo com uma flecha no meio do peito. A irritação dele diante daquela situação ainda era aparente, mas com certeza, conseguiria controlar. Por mais que sua lealdade fosse à SHIELD, ele realmente estava disposto a sacrificar isso em prol de uma causa maior, mesmo que isso ainda o deixasse desconfortável. Era necessário. Extremamente necessário.
Os quatro ali presentes entraram em consenso. Aquele realmente seria o plano que seguiriam. Não havia mais o que discutir, agora que sabiam as reais intenções de Bucky, a vingança que ele travara contra a HIDRA, apenas não havia mais porquê não unirem-se a causa. Precisavam combater fogo contra fogo, e se as consequências se fizessem presentes, iriam enfrentar o que fosse preciso. Estava na hora de consertar os erros do passado.
– Pai? –repentinamente, a voz doce e forte de Louis fez-se presente, logo despertando a atenção de todos ali à medida que a garota caminhava a passos lentos na direção dos heróis. Ao seu lado, Pepper Potts mantinha um olhar confuso em seu rosto. – O que está acontecendo aqui? –perguntou ao deparar-se com o Soldado. Mas ao contrário do esperado, seu olhar não parecia assassino, ela não parecia demonstrar nenhum sentimento negativo com relação a Bucky. Claro, assim como sua mãe, queria uma explicação no mínimo coerente para o que se passava diante de seus olhos, mas em momento algum exasperou-se ao chegar em casa e dar de cara com o próprio Soldado Invernal.
– Tony... Você vai me explicar isso? –indagou Pepper, encarando o marido com um tom duvidoso, mas assim como a filha, não esbanjava nenhuma raiva ou rancor. Apenas confusão.
Louis sustentou o olhar sobre Bucky enquanto aproximava-se mais um pouco e sentava em um canto mais afastado do sofá. Não conseguiu conter um sorriso repleto de ironia diante daquela cena. O Soldado franziu a testa na direção dela, mas rapidamente desviou o olhar, não querendo nenhuma confusão ali, mesmo sabendo que essa não era a intenção da garota, afinal, ela teve a escassa oportunidade de mata-lo, mas não o fez.
– Desculpa pela confusão, Pep, mas eu juro que posso explicar –murmurou Tony, sorrindo na direção da ruiva, que logo sentiu-se mais aliviada diante daquilo. Não demorou muito para que Pepper também sentasse ao lado de Tony no largo sofá. Em um gesto automático e carinhoso, o Homem de Ferro passou um dos braços sobre os ombros da esposa e lhe deu um beijo suave sobre a testa. – O Steve nos pediu ajuda, e nós vamos ajuda-lo. Você está de acordo com isso? –perguntou, parecendo óbvio demais.
– Você sabe que eu nunca concordei com os métodos da HIDRA, e nunca sequer ousei pensar que o Soldado Invernal era de todo um mal –afirmou ela, lançando um singelo sorriso na direção de Bucky, que simplesmente aceitou de bom grado o gesto. Em seguida, Pepper suspirou profundamente ao virar o rosto para Tony. – Estou completamente de acordo com isso, Tony, e fico feliz que você esteja envolvido nisso –dito isso, a ruiva deu-lhe um beijo casto sobre os lábios, afastando-se em seguida, sempre com um sorriso no rosto, e tal fato também o fez sorrir.
– E você, iron girl, o que acha de tudo isso? –perguntou novamente ao virar-se para a filha, fitando-a com um sorriso nos lábios enquanto Pepper se aconchegava em seus braços, fazendo Bruce e Clint rirem fracos diante daquele apelido carinhoso que Louis tanto odiava. Pela primeira vez, Bucky não escondeu um mínimo sorriso diante da cena. Já estava se acostumando com aquilo. Ou quase.
– Eu confio nele, pai. Não acredito que seja o vilão aqui. Então ficarei feliz em ajudar a derrubar de vez a HIDRA –afirmou a Stark, segura de si, lançando um olhar amigável na direção do Soldado enquanto proferia aquelas palavras. Tony sorriu, conhecia bem a filha que tinha, sabia que ela sempre estaria do lado certo da razão, e essa era uma das características que ele mais apreciava nela. Logo, Louis soltou um longo suspiro, voltou-se para o pai, ergueu o queixo e impôs sem nenhuma dúvida: – Acho que o Bucky ficar na Torre. Ele fica.
Clint e Bruce trocaram olhares suspeitos, mas ao contrário do Gavião, o Dr. Banner concordava com a decisão de Louis, afinal, a Torre Stark era um dos lugares mais seguros no momento. Surpreso, Bucky automaticamente virou-se na direção da garota, que apenas o ignorou e continuou a encarar Tony, que a essa altura, já sorria diante da reação de Louis. Com certeza ele já sabia que sua filha tomaria tal decisão, e ele aprovava aquilo.
– O que?! –bradou Clint, levantando-se em um sobressalto, não entendendo muito bem qual o sentido daquela maldita decisão. Tudo bem, agora Bucky era um aliado e era a sua chance de uma nova vida que estava em jogo, mas ele também não era um santo. Havia cometido crimes, era culpado. A ideia de conviver dia e noite com o Soldado Invernal não lhe agradava nem um pouco.
Tony observou Clint, que nada disse, e então Bruce por um longo período. O doutor apenas sorriu e balançou a cabeça positivamente, afirmando que, diferente do Gavião, concordava com tal decisão. Em seguida, o Homem de Ferro virou o rosto na direção de Pepper, que o encarava com um doce sorriso desenhados nos lábios.
– Eu confio na opinião da nossa filha, Tony. Será uma honra tê-lo conosco –informou a ruiva, com uma enorme certeza daquela decisão, e ao entrelaçar sua mão com a do marido, opinou por fim: – Nós temos quartos de hóspedes suficientes. Por mim, ele fica.
Bucky passou então a observar Pepper com um olhar um tanto curioso, ainda acostumando-se com todas aquelas ideias. Ainda acostumando-se com o fato de ter pessoas que agora estavam do seu lado, e não contra ele. Por um momento, por um mísero momento, conseguiu sentir que não estava tão sozinho quando pensou. Sim, aquela era a sua chance de redenção. Sua nova vida, sim, a hora de consertar os erros, a hora de fazer tudo certo. E ele faria. Recomeçaria do zero. Afogaria de vez seus demônios. Seus fantasmas.
– Bem, se as duas mulheres da minha vida concordam com isso, então eu também não vejo nenhum problema no Bucky ficar aqui na Torre –respondeu Tony, fazendo com que Louis e Pepper sorrissem diante daquilo. Em seguida, voltou-se para o Soldado, que não sabia ao certo como reagir diante daquilo, e sendo o mais direto possível, determinou: – Vou avisar ao Steve, você fica conosco até segunda ordem. Seja bem-vindo à Torre Stark, Barnes.
– Eu não estou acreditando nisso... –murmurou Clint, nada feliz com aquilo, soltando uma risada sem humor nenhum no mesmo instante em que voltou a sentar-se sobre a poltrona, e Louis revirou os olhos diante da reação exasperada do Gavião. Aquilo não seria tão fácil quanto parecia.
O Soldado apenas deixou-se levar pelo momento e sorriu, sem precisar dizer mais nada, concordando a decisão de Tony com um meneio de cabeça. Não tinha muitas opções, afinal. Viu-se sem saída, e se conviver com aqueles heróis era o único jeito de provar que não era o vilão, então que assim fosse. Faria isso não por obrigação, mas sim por Steve. Pelo seu melhor amigo. Era essa a verdade.
– Amor, porque você não mostra ao Bucky qual será o quarto dele? –pediu Tony ao perceber o olhar nada amigável de Clint sobre si. Com certeza precisaria conversar com o Gavião, já que a situação estava complicada para todos ali. Notando isso, Pepper sorriu como resposta, acatando ao pedido do marido. Então, deu-lhe um beijo rápido e pôs-se de pé.
– Filha, que me ajudar com isso? –fora a vez da ruiva perguntar, encarando Louis com um sorriso muito significativo, e a Stark logo percebeu que aquela era a sua deixar para deixar Tony, Clint e Banner conversarem sozinhos. Ela nada respondeu, apenas sorriu e levantou-se do sofá no mesmo instante em que Bucky também o fez.
Logo, eles caminharam em direção ao andar de cima enquanto Louis explicava cada trecho da Torre para o Soldado, que parecia cada vez mais encantado com tanta tecnologia. Perguntava-se constantemente se aquilo era normal. Não demorou muito para que os três sumissem do campo de visão de Tony, deixando-o sozinho com Clint e Bruce, pronto para iniciar uma nova rodada de conversar e explicações.
“But which one am I,
The man or the one behind the mask?”
[...]
Incapaz de se pronunciar, Stella cruzou os braços enquanto encarava Logan de uma maneira claramente furiosa. Os dois permaneceram naquela mesma posição por um longo tempo, apenas observando um ao outro, sem saberem ao certo o rumo que aquela bendita conversa levaria. No fundos dos olhos dela, o Stark conseguiu ver toda a mágoa que a dominava, estava quase estampado no rosto dela o quanto parecia decepcionada. De fato, ela estava. Decepcionada. O ar parecia lhe faltar naquele momento.
– Você tem razão, nós precisamos conversar –a ruiva cortou o silêncio, cansada daquela situação constrangedora que se instalava ali, bem diante dela. Entretanto, quando Logan deu um passo à frente em sua direção, em um gesto automático, Stella deu um passo para trás, encarando o namorado enquanto explicava melhor: – Mas isso não quer dizer que eu quero conversar agora.
– Não faz isso, Stella. Você sabe que nós precisamos conversar. Precisamos resolver a nossa situação –afirmou ele, mais uma vez dando um passo à frente, e desta vez, a garota não moveu-se um centímetro sequer, apenas ficou ali, cara a cara com ele. – Me deixa explicar... –Logan tentou começar, mas foi interrompido repentinamente. Isso porque, cega pela raiva e mágoa que sentia, Stella não conseguiu segurar-se, e sem dar chance para ele pensar, desferiu um forte tapa sobre o rosto dele, fazendo-o recuar alguns centímetros para trás.
– Eu não quero escutar nada do que você tem para me dizer –rebateu curta e grossa, fria, ignorando completamente o fato de um pequeno filete de sangue escorrer no canto de sua boca. Ela não imaginava colocar tanta força assim, mas no final, acabou admitindo para si mesma que Logan merecia aquilo. – Nós não temos nada para conversar –repetiu em seguida, enquanto o garoto tornava a olha-la nos olhos, não estando nem um pouco surpreso com a reação dela.
– Tudo bem, eu sou um idiota, eu mereci isso –previu ele, levando uma das mãos aos lábios, tingindo a ponta dos dedos com a cor rubra. Logan engoliu em seco, controlando a todo custo a raiva que começava a atingi-lo. Raiva por ter sido tão estúpido. Estava arrependido?
– Você merece isso e muito mais –insinuou Stella, sentindo seu subconsciente gritar por respostas. Pegou-se pensando o que faria dali para a frente, qual caminho seguir. Ela sabia o que fazer, e faria, apenas não tinha total certeza se conseguiria. Logan sentiu aquelas palavras como mais um tapa forte, mas ainda assim, permaneceu firme. – Eu te amei com a minha alma, e você quebrou minha confiança da pior maneira possível, Logan! –continuou, a voz alterada, já sentindo seus olhos se encherem de lágrimas.
– O que aconteceu na noite passada foi um erro, Stella, eu sei disso! Mas não significou nada, tudo o que me importa é você –insistiu ele, mais uma vez aproximando-se dela e segurando uma de suas mãos com certa força, tentou começar a explicar-se mais uma vez. Entretanto, quando Logan levantou o olhar para Stella, percebeu que ela continuava séria. Logo, ele afastou-se, rindo com ironia enquanto afirmava: – E você não acredita em mim.
– Como eu posso? Me diz? –ela perguntou sem muita certeza, dando um passo na direção dele, segurando-se para não desabar em lágrimas ali mesmo. Logan continuou a observa-la. – Como eu posso acreditar em uma palavra que sai da sua boca?! Você mentiu para mim, Logan, você me traiu! –esbravejou, seu coração se despedaçando a cada minuto que se passava.
– Eu sempre fui isso. Instável. Você me conheceu assim, e em nenhum momento sequer eu duvidei do seu amor por mim! – prosseguiu, medindo a força do tom de voz, difamando aquela frase com certa frieza. Stella enxugou uma lágrima que teimou em escorrer antes de escuta-lo dizer: – Mas eu não consegui. Eu não consegui te amar da maneira certa, Stella.
– Então você me fez de idiota todo esse tempo, não é? Me iludiu, me usou, fez mil e uma promessas de amor, e agora, só o que nos resta são mentiras –ela insistiu novamente, ainda mais ferida com a situação. Mas Logan nada respondeu, apenas desviou o olhar do dela. – Você é um imbecil mesmo! –alterou o tom de voz mais uma vez, fazendo com que ele torna-se a fita-la nos olhos.
– E você foi uma boba ao se apaixonar por mim. Uma boba, Stella, porque foi assim que eu acabei me apaixonando por você, e não soube te amar como realmente deveria –contrapôs Logan, não sabendo ao certo se deveria prosseguir com aquela conversa.
Entretanto, Stella não conseguiu mais segurar e deixou que as lágrimas rolassem por sua face, claramente destruída por dentro. Estava cansada, precisava dar um basta de vez naquilo, e essa parecia ser a única solução viável naquele momento. Pesando nisso, a ruiva suspirou de uma maneira profunda, ergueu o olhar para Logan, e preparou-se.
– Chega. Eu não consigo mais fazer isso, não tenho mais sanidade para fazer isso –disse, a voz vacilante, e Logan sabia exatamente o que ela queria dizer com aquilo. Silêncio. Os segundos passaram se arrastando até que Stella voltou a se pronunciar: – Chega, Logan, eu cansei! Você e eu, nós dois... Acabou.
“I knew you were trouble when you walked in
So shame on me now”
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