National Anthem
22 Capítulo vinte e um – Negation
Notas iniciais
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“Blood heat over tension
And I know it’s my fault
I’m tired of keeping lies,
You can see it in my eyes
I’ve got some damn bad intentions
I got secrets I forgot to mention,
Haven’t learned my lesson
I’ve seen evil reign over perfection"
Bad Intentions – Niykee Heaton
A luz do sol atingiu-a certeiramente, despertando Stella de um sono tranquilo e profundo. Ao perceber que já havia amanhecido, a garota abriu os olhos em um susto, afinal, não se lembrava o exato momento em que conseguiu voltar a dormir depois do ocorrido na sala de estar durante a madrugada. Não demorou muito para as lembranças do beijo voltarem à sua mente, e como consequência, um sorriso bobo desenhou-se nos lábios dela enquanto um sentimento irresistível começava a domina-la pouco a pouco.
Percebendo que devia ser cedo da manhã, Stella decidiu levantar-se da cama, ir até o banheiro e tomar um banho demorado para enfim acordar de vez. Poucos minutos depois, ela já encontrava-se pronta, e ao retornar ao quarto, uma preocupação palpável ameaçou domina-la quando viu que a cama de Louis estava vazia. Imaginou que talvez a amiga ainda não havia voltado da S.H.I.E.L.D, e tal fato a deixou mais angustiada. Se algo estivesse errado, ela já saberia, certo? Pelo menos, era o que imaginava. Preferia confiar nas habilidades de Louis a sequer pensar na possibilidade de alguma coisa dar errado. Era prudente, ela sabia.
Consequentemente, Stella também lembrou-se que Logan estava de volta à Torre Stark, o que fez com que a garota sentisse um frio percorrer seu corpo. Ela ponderou a ideia de passar o dia todo trancafiada no quarto apenas para evitar o ex-namorado, mas notando que tal fato não daria em nada e lembrando-se que precisava continuar uma certa conversa com uma certa pessoa, a ideia de se privar do mundo por causa de Logan rapidamente se dissipou. Um novo sorriso surgiu nos lábios dela, mais uma vez trazendo à vida certos... Sentimentos. Então, querendo sair logo daquele quarto e enfrentar o que viesse pela frente, a ruiva caminhou devagar até a porta e não hesitou em abri-la com um cuidado extremo.
Após deixar o ambiente, Stella começou a seguir seu caminho para a sala de estar, tentando ao máximo não fazer nenhum barulho, e estranhando o fato da Torre Stark ainda estar tão silenciosa. Entretanto, não conteve um sobressalto ao dar de cara com certa pessoa e deteve o passo no mesmo instante, parando bem no meio do corredor, ainda um tanto próxima à porta de seu quarto. Talvez realmente não devesse ter saído de lá, ou talvez poderia arriscar voltar, rezando para que não tivesse sido vista. Mas a garota parou de pensar nisso, e em qualquer outra coisa, assim que Bucky levantou o rosto e deparou-se com a ruiva ali, à poucos metros dele.
O Soldado também parou de caminhar no exato momento, e quando seus olhares se cruzaram, ele não conseguiu esconder um sorriso singelo e muito significativo, também não conseguindo deixar de lembrar do ocorrido durante a madrugada, e naquele instante que pareceu eterno, teve a certeza de que algo havia mudado. De fato, era um sentimento surgindo. Um verdadeiro sentimento. Stella, por sua vez, sentiu seu coração disparar, sua respiração falhar, e seu rosto ficar um tanto vermelho apenas por encarar Bucky. Mesmo assim, ela arqueou uma das sobrancelhas, e sorriu com certa ironia.
O silêncio perdurou por um bom tempo, fazendo com que a constante troca de olhares entre Bucky e Stella rapidamente se tornasse um tanto constrangedora. Nenhum dos dois pareceu se importar com aquilo, mas cansado da distância relativamente grande que os separava, não demorou para que ele desse alguns passos na direção dela, deixando a ruiva meio tensa e nervosa. Mas ela sabia que precisava terminar uma certa conversa com Bucky, apenas não imaginava que aconteceria tão cedo da manhã.
– Oi, Soldado. Dormiu bem? –finalmente cortando o silêncio, ela indagou com certa ironia, cruzando os braços sobre o peito e mais uma vez arqueando as sobrancelhas. Bucky estreitou o olhar sobre a garota, percebendo o brilho diferenciado nos olhos verdes dela. Ele sorriu de canto, a ironia também dando seus primeiros sinais, e sustentando o olhar em Stella, não hesitou em aproximar-se mais um pouco.
– Sim, Srta. Romanoff, eu dormi muito bem. Obrigado por perguntar –rebateu instantes depois, mostrando-se completamente envolvido pelo jogo de ironias travado entre os dois, e com certeza estava disposto a jogar. Quase adivinhando os pensamentos de Bucky, Stella deixou transparecer uma leve risada enquanto mordia os lábios em claro sinal de nervosismo. Entretanto, ele não pareceu se importar com isso, e de novo, não hesitou em dar mais alguns passos na direção dela ao mesmo tempo em que insinuava: – Você sabe que nós temos uma conversa para terminar, não é? Uma conversa muito importante, por sinal.
– Tem razão, precisamos mesmo continuar... Aquela conversa. Uma conversa muito importante mesmo –redarguiu Stella, o brilho nos olhos agora aparentemente interessados, e ao contrário do que Bucky imaginava, foi a vez dela dar alguns passos na direção dele, aproximando-se mais um pouco, até que então parou frente à frente com ele, deixando-o não constrangido, mas sim completamente surpreso e extasiado. – Bucky, o que aconteceu ontem entre nós dois... Foi imprudente. Não pode se repetir –afirmou Stella com seriedade em seu tom de voz, sem saber exatamente se aquilo era o certo a se fazer. O Soldado aquiesceu, balançando a cabeça em um gesto positivo. Ele entendeu o que ela quis dizer, e concordava em todas as palavras. Pelo menos, tentou concordar.
– Nisso nós concordamos, Stella. Eu não devia ter te beijado, não devia ter acontecido. Não pode se repetir. E não vai se repetir –garantiu Bucky, mostrou-se sério, firme, e a ruiva quase acreditou no que escutou. Isso porque, em um gesto repentino, pegando-a de surpresa novamente e deixando-a ainda mais confusa, o Soldado não conseguiu resistir e tornou a aproximar-se dela, enquanto, de uma maneira simultânea, Stella dava alguns poucos passos para trás, não parecendo querer se afastar dele.
– Absolutamente. Não vai se repetir –respondeu Stella, percebendo sua própria voz começar a falhar com a súbita proximidade. Sua respiração desregulou-se mais, seu coração disparou mais, o corpo ficou mais tenso, mas em nenhum momento sequer ela pensou em desviar seu olhar do dele, e Bucky continuou ali, encarando-a profundamente enquanto a curta distância entre os dois tornava-se menor ainda.
O silencio mais uma vez se fez presente, e quando ele ameaçou dar mais um passo a frente, a ruiva não se intimidou, permaneceu firme, e não tentou afastar-se como havia feito antes. Bucky sorriu com isso, completamente preso nos olhar irresistível que Stella lhe lançava. Ela engoliu em seco, mas não conseguiu deixar de sorrir também, mais uma vez não sabendo muito bem o que estava fazendo, sem controle sobre suas ações. Era assim que ambos estavam. Cada um mais fora de controle do que o outro, e nenhum dos dois imaginou pensar no que estava prestes a acontecer. Ele precisava se controlar, precisava se afastar, precisava sair de perto dela. Não conseguiu, e algo lhe dizia que Stella também não ousaria se afastar.
Pensando nisso, o Soldado quebrou de vez a pacata e difícil distancia que ainda pairava, a distância ensurdecedora que os separava por meros centímetros, e desta vez, Stella não se surpreendeu ao sentir uma das mãos dele repousar sobre seu rosto pálido, acariciando sua pele sutilmente, desejando a todo custo fazer aquele ato imprudente de novo. Bucky sabia que era errado, sabia que não podia, mas apenas não conseguiu mais lutar contra todos os sentimentos que passaram a domina-lo. Era tão errado assim? Parecia tão certo. Tão certo que ele não conseguia se culpar pelo o que estava por fazer. De novo.
– Bucky... –murmurou Stella, e automaticamente, ele voltou a fita-la diretamente nos olhos. Atordoada pelo azul que a consumiu, a garota o encarou com mais seriedade, agora sentindo as duas mãos dele sobre seu rosto, o corpo perigosamente próximo ao seu, e inquiriu com firmeza, não se importando mais com as consequências: – Para de me torturar e me beija logo.
Atendendo ao pedido dela, Bucky não hesitou em segurar o rosto de Stella com mais firmeza e trazê-la pouco a pouco mais para perto, ansiando por aquele contato profundo e romântico. Incrivelmente romântico. Tão romântico que, ao sentir os lábios dele contra os seus de uma forma impetuosa, a ruiva dissipou cada pedaço de sanidade que ainda ousava restar em sua mente. Ambos fecharam os olhos no mesmo instante, embalados pelo momento e pelo calor do corpo um do outro. E com isso, ela passou um dos braços em volta do pescoço dele enquanto o Soldado descia as duas mãos em direção a cintura de Stella, que estremeceu com o toque, mas não o afastou em nenhum momento sequer.
Bucky envolveu os lábios dela com mais fervor, com mais paixão, fazendo assim que Stella não conseguisse esboçar nenhuma reação, e como consequência, ela nem sequer pensou em afastar-se dele. Não queria. Não tentaria. E não tentou. A respiração dela logo tornou-se desregulada, e não demorou muito para que ele também sentisse sua respiração se alterar e a sanidade também escapar de sua mente.
O momento pareceu eterno, e por um instante, os dois se esqueceram completamente que estavam no meio do corredor da Torre Stark, e mesmo que ainda fosse cedo da manhã, alguém poderia aparecer ali a qualquer instante. Nem Stella nem Bucky escutaram passos firmes e contínuos subindo as escadas em uma calmaria extrema, e então, o flagra foi imediato. Repentino.
– Santo Deus! –a voz exasperada de Louis finalmente pareceu despertar a atenção de Stella e Bucky, que afastaram-se um do outro em uma velocidade absurda. O susto e a surpresa no rosto da Stark com certeza já era esperado, mas eles não imaginavam ver um sorriso divertido surgir nos lábios dela. Stella engoliu em seco enquanto Bucky franziu o cenho, ambos encarando Louis com uma curiosidade absurda. – Desculpem, pombinhos, eu garanto que não queria interromper –brincou com certa ironia, e em seguida, Louis não resistiu, estreitou o olhar na direção dos dois à sua frente, e insinuou: – Por acaso vocês dois...
– Não! Não aconteceu nada entre a gente, okay? –assegurou a garota, as bochechas começando a ficar vermelha de vergonha, e ao seu lado, Bucky reprimiu uma pequena e mínima risada com aquela situação. Stella revirou os olhos, claramente constrangida.
– Isso mesmo, não aconteceu nada. Nós somos apenas... Amigos –defendeu-se o Soldado, e ao observar Stella de canto, se lembrando do momento que haviam vivenciado durante a madrugada, e agora, de novo. Ele suspirou profundamente, ponderando as diversas possibilidades que pairavam em sua cabeça, e deixou escapar: – Bons amigos.
– Bons amigos, claro –concordou Louis, mais uma vez não negando a ironia em suas palavras. Com isso, ela observou Stella, e depois, voltou a observar Bucky, até que, sorrindo com divertimento, finalmente voltou a se manifestar: – Acho que vocês dois combinam mais em bons amigos com possibilidade de upgrade. Melhor assim, não é?
– Louis! –repreendeu Stella, os olhos arregalaram-se em susto, enquanto o rosto da ruiva mais uma vez se contorcia em vergonha e constrangimento. Então, ela voltou-se rapidamente para Bucky, que permanecia ao seu lado, e os dois trocaram olhares cúmplices, concordando mentalmente um com o outro. Em seguida, Stella aproximou-se da amiga, olhou-a nos olhos, e indagou com seriedade: – Presta atenção, Louis, isso que você viu... Precisa ficar entre nós. Ninguém pode saber, tá? Ninguém.
– Ei, relaxa ruiva! –replicou a Stark, o sorriso ainda desenhado nos lábios rosados, e novamente, Louis observou os dois antes de garantir com firmeza: – Não se preocupem, o segredo de vocês está à salvo comigo. Eu juro que não vi nada. Não vi nada – ao escutar as palavras dela, Stella e Bucky soltaram a respiração ao mesmo tempo, a tensão em seus corpos se dissipando pouco a pouco. Mas, antes que pudessem dizer alguma coisa, ela adiantou-se, apontou o dedo em direção a Bucky, e o confrontou, séria: – Se você sequer pensar em machuca-la, eu não vou esperar para acabar contigo, Barnes.
– Claro! Entendido, Srta –ele concordou em seguida, os olhos beirando uma mistura amistosa de divertimento e incerteza, não sabendo exatamente como reagir, mas ficou claro que Louis não estava brincando. De fato, ela não estava. Ao lado de Bucky, foi a vez de Stella reprimir o riso ao perceber toda a confusão instalada no rosto dele.
– Eu sabia que tinha alguma coisa entre vocês dois. Rolou um clima, estava quase na cara, até que fim vocês perceberam isso –Louis, riu, logo voltou a manifestar-se, mais uma vez despertando a atenção dos dois. Então, percebendo isso, ela sorriu levemente, segurou as duas mãos de Stella e afirmou com certa preocupação: – Só... Promete que vai tomar cuidado, tudo bem? Eu não quero te ver machucada de novo, Stella –com isso, a ruiva também sorriu, apertou as mãos da Stark com mais força e, em seguida, puxou-a para um abraço carinhoso. Louis deixou-se levar pelo momento, retribuindo ao gesto, e encarando Bucky por cima do ombro de Stella, murmurou inaudível: – Confio em você.
Bucky não escutou o que ela disse, mas entendeu a linguagem labial de Louis, e aquelas simples palavras fizeram a mente dele dar voltas e mais voltas. O que aquilo significava? Isso ele não sabia, e faria o que a Stark disse. Não sabia explicar o porquê exatamente, apenas queria ser digno da confiança que acabara de ganhar. Ela confiava nele. Mas a pergunta era... Ele confiava nela? Talvez. Havia algo escondido ali, algo que não estava certo, Bucky conseguira perceber nos olhos dela. E mais uma vez, ele viu-se envolto em uma rede de segredos. Entretanto, tentando esquecer tais pensamentos, o Soldado apenas sorriu como resposta à Louis, que encarou aquilo como a resposta que precisava.
Porém, o olhar de Louis tornou-se aflito quando ela sentiu Stella quase desfalecer em seus braços, e com isso, Bucky franziu a testa novamente em um claro sinal de dúvida. Então a Stark se afastou lentamente da amiga, encarando-a com uma preocupação fora do comum, e não demorou muito para o Soldado aproximar-se das duas, medindo a mesma preocupação que a outra. Stella parecia mais pálida do que o normal, seu corpo ficou um pouco mais frio, e seus lábios perderam a cor. A garota parecia estar prestes a desmaiar, mais em nenhum momento deu sinais que estava perdendo a consciência, fato que fez Bucky e Louis estranharem. O que acontecera, afinal?
– Eu... Eu preciso ir –informou a ruiva, desvencilhando-se de Louis no mesmo momento em que sentiu seu corpo falhar. A Stark não entendeu, mas não teve escolha a não ser dar espaço para que a amiga passasse. E foi o que ela fez. Stella observou o Soldado a sua frente com certa timidez, e arriscou: – Vejo você depois, Soldado.
Claro que ele percebeu que ela não estava bem, mas mesmo com a preocupação aparente, Bucky apenas aquiesceu com a cabeça e também deu passagem para Stella, que logo voltou para dentro de seu quarto.
Louis e Bucky simplesmente ficaram ali, em silêncio, sem saber exatamente o que pensar ou o que dizer, ambos confusos e preocupados. Ficou claro que havia algo errado, mas o que diabos estava acontecendo com Stella Romanoff? As mais sombrias possibilidades rondaram a mente dos dois, que enfim fitaram um ao outro, sem uma resposta exata para tudo.
– O que acabou de acontecer aqui? –a pergunta de Louis pairou no ar, enquanto o olhar perdido da garota traduzia toda a angustia que subitamente passou a sentir.
Bucky, por sua vez, mascarou sua preocupação palpável e deu de ombros. Seu olhar caiu sobre a porta do quarto de Stella, e novamente, a dúvida instalou-se, levando-o à beira da loucura. Algo estava errado, algo estava acontecendo com a ruiva, e agora, mais do que nunca, o Soldado iria descobrir o que era. Precisava descobrir. E iria. Sempre iria.
“Got a secret,
Can you keep it?
Swear this one you'll save”
[...]
Base de operações da S.H.I.E.L.D – Algumas horas depois
Skye parecia concentrada. Só parecia, afinal, sua mente poderia estar em qualquer lugar menos ali. Sentada de frente para uma mesa, ela possuía em suas mãos uma réplica do INDEX dada por Coulson, e agora, não conseguia mais pensar em outra coisa senão o simples fato de seu nome estar contido em uma lista nada amigável. Sabia que ainda havia muita coisa a ser descoberta, em relação à seus “dons”, e sem dúvidas teria tempo suficiente para desvendar tantos mistérios que rodeavam seu passado e... Seu futuro.
Algo naquela papelada em suas mãos chamou sua atenção. Assustou-se ao ver o nome de Stella e Logan constando na lista do INDEX, e passou a se perguntar se Coulson tinha feito aquilo de propósito. Com certeza, ainda havia muita coisa escondida ali, e Skye finalmente caiu em si e percebeu que, mais do que nunca, precisava ter uma longa conversa com o Diretor da S.H.I.E.L.D. Mas ele possuía as respostas? Talvez. Imaginava que sim.
Entretanto, a atenção da agente foi desperta no mesmo momento em que Skye escutou passos em sua direção. Logo, estreitou o olhar sobre a figura loira que aproximava-se devagar, e pôs-se de pé ao perceber que a moça parou à sua frente, lançando-lhe uma expressão serena e amigável. A morena deu a volta na mesa, e ao também parar de frente para a tal loira, esboçou um sorriso sem graça.
– Posso ajuda-la? –perguntou cordial, e a loira sorriu ainda mais. Skye estranhou tal ação, mas pareceu não se importar. Em seguida, cruzou os braços sobre o peito e ergueu uma das sobrancelhas. A moça mostrou-se estar procurando as palavras certas.
– É Skye, não é? –replicou ela com uma outra pergunta, e quando a agente afirmou com a cabeça, com sua sobrancelha ainda arqueada em ironia, a loira suspirou pesadamente, e informou: – Eu sou uma velha amiga, e estou aqui para conversar com o Diretor Coulson. É extremamente necessário, e urgente.
Skye ponderou a possibilidade de abrir espaço e dar passagem para a sala de Phil, mas hesitou. Quem era aquela mulher, afinal? E porque se disse uma “velha amiga”? Mais uma vez, os segredos do Diretor deixou uma dúvida pairar em sua mente. Entretanto, antes que a agente pudesse responder alguma coisa ou agir de alguma maneira, a porta do escritório de Coulson foi aberta, revelando sua imagem sempre tranquila e amigável.
– Natalie Pierce. Já faz tempo, não é? –afirmou o Diretor enquanto saía de sua sala e caminhava em direção à loira. Natalie riu em resposta, e Skye, por sua vez, observou os dois com certa curiosidade.
– Phillip Coulson. Já faz um bom tempo mesmo –replicou a loira, cumprimentando-o com um aperto de mão amigável. Logo, Skye notou que o Diretor não precisava de ajuda para lidar com aquele assunto ali, e então, sorriu com certa admiração e finalmente deixou os dois à sós.
– Alguns anos, para ser exato –ele sorriu novamente, sentando-se sobre a cadeira a qual Skye antes estava sentada, e então, indicou uma das cadeiras à frente para que Natalie também se sentasse. E foi o que ela fez, sempre mantendo uma expressão relaxada e sem medo. Em seguida, Coulson não resistiu, e fez-se por perguntar: – Bom ver você, Natalie. Mas me diga, Srta. Pierce, a que devo a honra de sua visita?
Ela desviou seu olhar do dele. Natalie suspirou profundamente, imaginando as milhares de respostas que pairavam por sua cabeça. Tudo estava correndo bem, conforme seu plano, e aqueles corredores da base da S.H.I.E.L.D já não pareciam tão estranhos assim. Então, silêncio. Alguns segundos se passaram até que a loira voltou a observar Coulson, dando certeza de que estava sendo sincera. De que estava dizendo a verdade. Estava mesmo? Ele não duvidava.
– Coulson, desde a morte do meu pai, eu pensei muito, e estou disposta a limpar meu sobrenome a favor da SHIELD. Acho que devo isso à você, depois de toda a traição a respeito da HIDRA –explicou pausadamente, e Phil escutou-a atento, prestando atenção em cada palavra dita por ela. Mais um suspiro, até que Natalie recomeçou, e logo revelou o porquê de realmente estar ali: – Eu quero voltar à ativa, Diretor. Eu quero voltar a ser uma agente. Quero que me coloque de volta ao seu time.
De fato, ele ainda lembrava-se dos tempos em que Natalie Pierce, a filha de Alexander Pierce, era uma das melhores agentes da organização, e a sua saída repentina causou certo transtorno, não só em Fury como em toda a S.H.I.E.L.D. Phil sorriu mais uma vez, afinal, já esperava que ela diria aquilo. No fundo, não admirou-se de tal fato, e no fundo, também não conseguiu negar para si mesmo que talvez poderia ser bom ter Natalie de volta à sua equipe. Algo a se pensar? Com certeza, se ela queria voltar, por que não? O que tinha a perder?
Pensado nisso, Coulson avaliou a expressão neutra da loira à sua frente, e logo formulou sua resposta ao pedido dela. Suspirou profundamente por um bom tempo, deixou alguns segundos se passaram, e então, ergueu o olhar na direção dela. E enfim, respondeu:
– Muito bem então, você sabe que o seu lugar sempre esteve guardado aqui, Natalie. Será uma honra tê-la de volta conosco. Seja bem vinda à SHIELD, agente Pierce. Temos muito trabalho pela frente.
“Ever deceitful and ever unfaithful
You're not that saint that you externalize
It's all so playful when you demonize
Words are weapons of the terrified”
[...]
Torre Stark
– Tudo bem, promete que vai tomar cuidado? –a voz de Stella pôde ser escutada mais uma vez, e Clint revirou os olhos diante da preocupação extrema da ruiva. Logo, respirou profundamente, levantou-se do sofá em que estava sentado e se colocou de pé à frente da afilhada. Ele então segurou o rosto dela com certo cuidado, encarando com firmeza os olhos esverdeados, notando enfim toda a sua inquietação.
– Stella, você já me fez prometer isso dezenas de vezes. E eu também já te respondi dezenas de vezes –ele respondeu com divertimento, sentindo o corpo da garota relaxar um pouco com suas palavras, e um leve sorriso surgiu no rosto de ambos. – É só mais uma missão, nada dará errado. Eu vou ficar bem, todos nós vamos ficar bem –garantiu em seguida, acariciando com as pontas dos dedos o rosto de Stella entre suas mãos de uma forma carinhosa e protetora.
– Eu sei, Clint, e confio em você. Sabe disso, não é? –ela fez-se perguntar, e o Gavião aquiesceu no mesmo instante. Só então notou que Stella parecia estar um pouco pálida, e caiu em si ao perceber que, como já era de noite, a garota havia ficado no quarto durante toda a tarde e a manhã, alegando que não estava se sentindo bem. O fato pareceu tê-lo acordado, e tentando ignorar seus pensamentos, Clint voltou a si a tempo de tornar a escutar a voz dela: – Não quero ver nenhum arranhão nesse seu lindo rosto quando voltar, ou eu mesma farei isso.
– Credo! Você pareceu a Natasha falando assim –reclamou Clint, zombeteiro, uma risada divertida alcançou seus lábios instantes depois. Stella, por sua vez, arqueou uma das sobrancelhas e cruzou os braços sobre o peito de uma forma desafiadora.
– Ah, por favor! Eu sou filha dela, tenho o sangue Romanoff nas minhas veias. Você queria que eu parecesse com quem? A Mary Jane, por acaso? –alfinetou Stella, o divertimento e o sarcasmo se juntando em uma perfeita combinação no tom de voz dela. A risada de Clint mais uma vez foi escutada diante das palavras dela. Sem dúvidas, ele sabia que aquilo poderia ser o início de uma guerra... De provocações, e certamente, ambos ali possuíam o mesmo nível em questão de criatividade a nível de ironia. Sem dúvidas, seria algo interessante de ser visto.
– Muito engraçada... –ele devolveu no mesmo segundo, o típico sorriso de deboche desenhado no rosto, e Stella revirou os olhos em contradição, não segurando sua leve e insistente risada zombeteira.
– Cala a boca, Gavião... –foi a vez dela rebater, novamente beirando divertimento em seu tom de voz. Então, Stella desviou seu olhar de Clint, já parecendo estar um tanto mais tranquila e sensata. Ele percebeu, e não evitou certa satisfação com isso.
Em um canto mais afastado na enorme sala, Tony e Louis mantinham uma conversa afiada e constante, e pelo olhar centrado de ambos, o Homem de Ferro parecia estar dando algumas instruções importantes, pois com a expressão séria no rosto da garota se deduziu que ela escutava atentamente tais informações, sempre balançando a cabeça de uma forma positiva, como sinal de que entendera tudo.
Clint sorriu de canto ao presenciar a cena. Logo, virou-se na direção oposta, e seu olhar se estreitou na ruiva e no doutor que dialogavam ali, longe de todos, perigosamente sérios e contidos, suas vozes quase saindo em breves murmuros. Ele percebeu que algo estava errado, e que Natasha parecia estar conversando algo muito importante com Bruce, ambos concordando um com o outro em alguns momentos. O Gavião rezou para que Stella não percebesse o diálogo entre Romanoff e Banner, afinal, conhecia-a muito bem e sabia que a garota não iria descansar até ter saber o que estava acontecendo.
Entretanto, ao voltar seu olhar para Stella, ainda à sua frente, reparou que ela já mantinha o olhar fixo em outra pessoa que havia acabo de pôr os pés na sala de estar. Duas pessoas, na verdade. E com isso, Clint virou-se na direção de ambos, seguindo atentamente o campo de visão da ruiva, não deixando de sorrir singelo na direção do Capitão e do Soldado. Até que não parecia tão ruim, e mesmo que não confiasse totalmente no “ex-assassino soviético” ali presente, a presença constante de Bucky na Torre Stark seria algo que ele precisava se acostumar. E faria isso. Ou pelo menos, tentaria.
Stella engoliu em seco com a visão que teve, e antes de afastar-se de Clint e caminhar hesitante na direção de Steve e Bucky, sorriu em concordância com o Gavião. Ele a acompanhou com o olhar até ela se afastar de vez dele. Em um rápido momento, virou-se mais uma vez na direção de Natasha, que agora o encarava com certa raiva. Em resposta, arqueou as sobrancelhas para Romanoff e deu de ombros. Louis e Tony aproximaram-se de Bruce, e logo Clint juntou-se à eles, parando então ao lado de Natasha, e a troca de olhares foi contínua. No final, o time estava se reunindo, bastava saber se aquilo era um ponto positivo... Ou negativo. Sem dúvidas, o conflito de ideias ainda seria insensato.
Enquanto isso, o olhar de Bucky encheu-se de surpresa quando Stella parou à sua frente e à frente de Steve, e ambos pareciam compartilhar do mesmo sentimento de preocupação ao verem que ela finalmente havia saído do seu esconderijo depois de passar quase o dia todo enfurnada no próprio quarto. Mas a pergunta que circulava na mente dos dois era se Stella estava de fato bem... Ou não. O rosto dela mantinha uma cor um tanto pálida, muito diferente da cena que presenciara no começo da manhã.
– Princesa, está tudo bem? Você passou o dia todo no quarto, eu fiquei preocupado. Todos nós ficamos preocupados, na verdade –disparou Steve, a angústia logo tornando-se visível em seu tom de voz, e não demorou muito para Stella perceber isso. Bucky permaneceu calado e sério, talvez também angustiado, apenas acompanhando a constante troca de olhares entre pai e filha, não deixando transparecer qualquer traço do ocorrido naquela manhã.
– Está tudo bem sim, pai, não precisa se preocupar. Eu só estava indisposta, nada demais. Estou ótima agora, okay? Eu garanto, foi apenas passageiro –afirmou ela, mesmo que aquilo não fosse de tudo verdade, e Bucky praticamente sentia que havia algo mais que Stella estava escondendo de todos. Ou pelo menos, era o que ele imaginava, e Steve também. Conhecia muito bem a filha que tinha para não perceber que algo não estava certo Mas ambos preferiram acreditar na palavra dela, e concordando com isso, Steve aproximou-se da garota e depositou um beijo suave em sua testa, enquanto, tipicamente, o Soldado deu de ombros.
– Tudo bem então, mas não me dê esse susto de novo. Pensei que algo mais grave tivesse acontecido –respondeu o Capitão ao afastar-se alguns centímetros de Stella, segurando com carinho as duas mãos dela. Ela sorriu para o pai, e ameaçou lançar um olhar cúmplice na direção de Bucky, mas ele desviou o rosto no mesmo instante, tentando não dar nenhum sinal de que se importava. A garota sabia muito bem o porquê, e entendia. Claro que entendia.
– Não quero ver você nem a mamãe machucados, então preste atenção lá fora. E por favor, vê se não tenta se matar –ela mudou de assunto, mais uma vez fechando o rosto em pura aflição. Em seguida, respirou profundamente, olhou de relance para Bucky, e refez a afirmação: – Não tentem se matar. Isso serve para vocês dois.
– Nós vamos tomar cuidado, pode ter certeza que sim –retorquiu Steve, dando total certeza de suas próprias palavras. Ao lado dele, Bucky mostrou-se inquieto, mas concordou com o amigo dando um meneio de cabeça, ainda que permanecesse calado e incrivelmente sério. Stella sorriu, mais aliviada, mesmo que o fato do Soldado parecer distante não a deixarem muito feliz. Deu de ombros, afastando tais pensamentos e ideias. Não era hora para isso. – Eu já volto. Me esperem aqui –a voz de Steve despertou a atenção de ambos, e ela estranhou o fato do pai estar tentando mascarar um certo brilho no olhar quando encarou Natasha. O olhar da Viúva Negra também se iluminou quando o loiro passou a caminhar na direção dela, e com isso, Stella deixou um leve sorriso transparecer nos lábios. A curiosidade a aguçou, mas com certeza, saberia de tudo no momento certo.
– Você está bem mesmo? –Bucky perguntou, despertando Stella e trazendo-a de volta à realidade. Logo, a ruiva mordeu o lábio inferior para conter um novo sorriso, mas seu olhar estava estampado certa satisfação por notar que ele ainda se importava com ela. Afinal, havia ficado muito claro na noite anterior que nasceu certo sentimento ali, e não seria agora que isso iria mudar. Ela esperava isso, e ele também, por mais que não parecesse.
– É. Estou –respondeu simplesmente ao virar-se na direção dele, mantendo certa distância, deixando o Soldado insatisfeito com o grau de sinceridade de Stella, mas ela não percebeu isso. E querendo mudar de assunto, a garota deu outro pequeno sorriso, respirou com calma, e desta vez, perguntou com seriedade, mesmo que houvesse um leve e disfarçado tom irônico em suas palavras: – E você? Pronto para sua primeira missão em nome da SHIELD?
– Claro. Minha confiança está sendo testada e Coulson colocou em minhas mãos um batalhão de agente para não matar. É, vai ser divertido –ele rebateu com desdém, friamente, a expressão sem nenhum traço de suavidade, pelo contrário.
Ficou claro que Bucky não estava nem um pouco feliz com aquilo, mas faria, sim porque era o começo de sua mudança. Odiava ter que provar suas intenções à outros, à S.H.I.E.L.D. E porque não desistia de tudo aquilo? Talvez porque estava cansado da visão que tinha de si mesmo. O assassino frio e sem memória. Queria mudar isso, e enfrentaria tudo o que fosse necessário, ainda que não gostasse.
– Olha só isso, James Barnes sabe ser irônico! –zombou Stella, mais uma vez cruzando os braços sobre o peito e arqueando uma das sobrancelhas. Ela sorriu, por mais que soubesse que estivesse desdenhando, Bucky estava sendo sério, disse a verdade. A sua verdade. Ele ameaçou sorrir, e então, finalmente seu olhar cruzou com o dela, de novo despertando aqueles sentimentos atordoantes. Ambos tentaram mascarar. Com isso, Stella desmanchou seu sorriso pouco e pouco, tornou a ficar séria, e elogiou: – Gostei do novo uniforme. Combina com você, Soldado. – A referência ao símbolo da S.H.I.E.L.D. gravado no tecido escuro do uniforme que vestia o deu certa estranheza. Logo, foi a vez dele tentar esboçar um sorriso de canto, mas não disse nada, apenas aquiesceu, e então, Stella prosseguiu: – Como eu disse ao meu pai, repito agora. Vê se não tenta se matar, e volte vivo. Nós ainda temos uma conversa para continuar.
Dito isso, Stella escondeu toda sua aflição e sorriu sugestivamente antes de dar as costas para ele, passando a caminhar na direção dos outros presentes na sala. As palavras dela ecoaram em sua mente, e desta vez, Bucky não escondeu um sorriso satisfeito. Ela se importava. Ele gostou disso. Observou a ruiva se afastar devagar, e então, não demorou muito para que, ainda hesitante e ignorando o olhar furioso de Natasha, o Soldado também se aproximasse do grupo, ficando ao lado de Steve. Permaneceu quieto e calado enquanto os outros conversavam sobre assuntos diversos, vez ou outra encarando cada um ali.
Ele não era um herói, muito menos um vilão, mas se queria fazer as coisas certas dali para a frente, reescreveria sua própria história. Sendo conhecido ou não como Soldado Invernal ou James Barnes, não se importava mais. Bucky sabia muito bem que estava começando as primeiras linhas de sua redenção, e agora, continuaria até o fim da linha. Por ela. Por Stella. Pela garota que estava o mudando. A certeza se solidificou, e as consequências, ele esqueceu de todas.
“Keep me locked up in your broken mind
I keep searching, never been able
To find a light behind your dead eyes
Not anything at all”
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