National Anthem
21 Capítulo vinte – Changes
Notas iniciais
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“All your acting, your thin disguise
All your perfectly delivered lies,
They don't fool me, you're just lonely
You've been lonely too long
Let me in the wall you've built around
We can light a match and burn them down
And let me hold your hand,
And dance 'round and 'round the flames”
Dust To Dust – The Civil Wars
Eram aproximadamente nove horas da noite e Steve caminhava com passos firmes por um corredor da Torre Stark, rumo ao quarto de Natasha. Enquanto caminhava, inevitavelmente, ele se lembrou da última vez que conversou a sós com a ruiva, após uma histórica discussão entre ela e Bucky. Naquela ocasião, Steve pediu que Natasha confiasse nele e os dois acabaram se beijando no carro dela, enquanto uma chuva fina e contínua caía do lado de fora.
Depois daquele dia, tantas coisas aconteceram que Steve não teve tempo e oportunidade para conversar com Natasha sobre aquele beijo. Na verdade, ele nem sabia se devia conversar sobre aquilo. Afinal, o que tinha significado aquele beijo? Um momento de fraqueza? Uma recaída? Apenas uma demonstração de carinho? Uma prova clara de que eles ainda sentiam algo um pelo outro?
Steve não sabia. Ou talvez, até soubesse, mas não podia pensar nisso naquele momento. Ele tinha algo importante para contar para Natasha e sabia muito bem que, quando iniciasse o assunto, não haveria qualquer clima para os dois conversarem à respeito daquele beijo.
Pensando assim, Steve parou diante do quarto de Natasha. Mas, antes que ele batesse na porta, a ruiva a abriu e o fitou um tanto surpresa.
— Steve. — ela o cumprimentou, enquanto ele sentia o seu coração acelerar subitamente diante daquela imagem.
Natasha estava com os cabelos molhados e ligeiramente bagunçados. Provavelmente, tinha saído do banho há poucos minutos. Não havia nada de atípico em seu visual e aparência, mas mesmo assim, naquele momento, Steve a achou incrivelmente linda. Como se estivesse a vendo pela primeira vez. Ou como se nunca fosse se acostumar de verdade com a mulher linda que ela era. Não somente linda, mas uma mulher forte, direta, destemida e intimidante de um jeito... Sensual. A mulher que ele não tinha deixado de amar nem por um segundo.
Diante do silêncio de Steve, que estava um tanto boquiaberto e com o olhar perdido sobre ela, um leve sorriso surgiu no canto dos lábios de Romanoff, quando ela brincou:
— Posso ajudá-lo, senhor? Por acaso, você se perdeu na Torre Stark? Precisa de ajuda para achar algum lugar em específico?
Imediatamente, Rogers voltou a si, percebendo como estava sendo ridículo. Ele estava ali por um motivo muito importante e sério, era nisso que devia se concentrar. Seus sentimentos podiam esperar. Até quando? Isso ele não sabia.
— Hilária... — ele rebateu com um sorriso discreto, antes de começar de fato a explicar a sua presença ali: — Eu só vim dizer que amanhã nós temos uma missão. O Coulson me pediu para te avisar.
— Ah... Ele deve ter tentado me ligar, mas eu estava no banho. — supôs a Viúva Negra, um tanto pensativa.
— Provavelmente. — assentiu Steve, sem saber ao certo como contar o real motivo que o levou até ali, já que o recado do Diretor da S.H.I.E.L.D era apenas a parte mais fácil daquela conversa.
No fundo, Steve estava um tanto receoso com a possível reação que Natasha teria quando soubesse de uma certa novidade que ele tinha a contar. Não era nenhuma tragédia, muito pelo o contrário, mas quando o assunto era Bucky Barnes, todo o cuidado era pouco. Por algum motivo, ou vários, a ruiva tinha um pé atrás com ele. Para usar um eufemismo, é claro.
Notando uma certa ruga de preocupação na testa de Steve, Natasha cruzou os braços contra o peito e disse desconfiada:
— Eu te conheço. Você quer me contar alguma coisa. O que é? — antes que ele pudesse responder, a ruiva se lembrou da filha, descruzou os braços e perguntou com uma preocupação crescente: — É a Stella? Aconteceu alguma coisa com a nossa filha? Ela está bem?
Prontamente, o Capitão ergueu as mãos na altura do peito e esclareceu:
— A Stella está bem, não se preocupe. Não aconteceu nada com a nossa filha, okay?
Depois de respirar fundo, aliviada por Stella estar bem, Natasha perguntou intrigada:
— Então o que é?
Após um instante avaliando se seria melhor contar de uma vez, Rogers achou melhor preparar o terreno primeiro:
— Apenas me prometa que você não vai fazer um escândalo.
Ainda mais desconfiada e começando a perder a paciência, Natasha inquiriu:
— O que está acontecendo, Steve?
O Capitão pensou um pouco e percebeu que não podia mais adiar aquilo. Quanto mais cedo, Romanoff soubesse da novidade, mais rápido ela poderia assimilá-la. E, por isso, sem hesitar mais, ele revelou:
— O Coulson tomou uma decisão em relação ao Bucky. — após um instante, observando a expressão impassível da ruiva, Steve completou: — Ele foi incorporado como agente da S.H.I.E.L.D.
A reação de Natasha veio quase imediatamente. Após um breve momento de silêncio, encarando Steve e digerindo o que ele disse, ela soltou um suspiro incrédulo e indagou nada satisfeita:
— Como é que é?
— É uma boa notícia. — afirmou Rogers, sem gostar do tom de voz dela.
— Para quem? — rebateu Romanoff, antes de lhe dar as costas e voltar para o quarto com uma expressão que traduzia toda a raiva que ela estava sentindo naquele momento.
Steve a observou adentrar o quarto e, inconformado com aquela postura, ele também entrou no recinto, bateu a porta atrás de si, caminhou até Natasha, segurou em seu braço e a virou em sua direção antes de dizer:
— Para o Bucky, para mim, para todos nós. Ele está deixando o Soldado Invernal no passado, Nat. Tentando recomeçar. Por que é tão difícil para você enxergar isso como uma coisa boa? Qual é o seu problema com o Bucky, afinal?
Romanoff permaneceu em silêncio. Incapaz de responder. Um pouco porque não queria se abrir com Steve em relação ao seu passado nebuloso, mas também porque a súbita proximidade entre eles mexeu com ela de alguma forma.
Sem conseguir evitar e quase seguindo um instinto, Natasha olhou para a boca de Steve, a poucos centímetros da sua. Em seguida, voltou a fitá-lo nos olhos e, inevitavelmente, se lembrou não só do último beijo entre eles, mas também do que eles viveram no passado e do que ainda sentia por ele. Do que nunca deixou de sentir, na verdade.
Aos poucos, Rogers também foi sentindo aquela proximidade mexendo com ele, lhe despertando lembranças, sentimentos, o deixando meio atordoado e com o coração ligeiramente acelerado. Inevitavelmente, olhou para os lábios de Natasha também.
Mas, fazendo um esforço para manter o foco daquela conversa, ele soltou o braço da ruiva devagar, deu um passo para trás e lembrou com certa mágoa:
— Tudo o que eu te pedi era para que você confiasse em mim. Você sabe, em relação ao Bucky. Porque eu o conheço muito bem, eu sei que ele está de volta, se esforçando, tentando consertar as coisas, recomeçando. Ele não é mais o Soldado Invernal, ele é um de nós agora. E, apesar de ter pedido que você confiasse em mim, por algum motivo, você não consegue. — antes que Natasha dissesse qualquer coisa, Steve refletiu um pouco e chegou a uma triste conclusão. Então ele a fitou seriamente e ressalvou com certa raiva: — Quer saber? Talvez esse tenha sido o meu erro. Como eu posso te pedir algo assim, se eu mesmo não consigo mais te entender e confiar em você.
Imediatamente, Steve se virou e deu alguns passos a frente, disposto a deixar o quarto o mais rápido possível, enquanto sentia aquela raiva se expandindo dentro de si.
A verdade é que ele estava cansado daquele impasse, cansado de explicar inúmeras vezes que Bucky não tinha culpa e que estava tentando recomeçar, cansado por Natasha se recusar a entender isso, cansado de tentar entendê-la, cansado de tantos mistérios e segredos que a cercavam.
Cansando de tudo aquilo, Steve apressou o passo e logo alcançou a porta, segurou na maçaneta e estava pronto para girá-la, quando sentiu a mão de Natasha segurando o seu braço. Então, ele se voltou na direção dela e a encarou um tanto confuso.
Mexida com as palavras dele, com medo de destruir o que havia de bom entre os dois e tentando reverter aquele clima pesado que havia se instalado, Romanoff deixou que sua mão deslizasse pelo braço de Steve suavemente até alcançar a sua mão, entrelaçando os seus dedos em seguida.
Ainda mais confuso, Rogers observou a ruiva se aproximando mais dele. E mais um pouco. E um pouco mais, enquanto seus olhares se cruzavam o tempo todo.
Então, movida por um impulso e por um turbilhão de sentimentos e angústias que a acometiam naquele momento, Natasha levou sua outra mão à nuca de Steve, se aproximou mais um pouco e inclinou o rosto em sua direção, roçando o seu nariz no dele enquanto fechava os olhos.
Instintivamente, ele também fechou os seus e então os dois sentiram suas respirações pesadas se misturando no curto espaço entre eles. Finalmente, Natasha encontrou os lábios de Steve e os envolveu calmamente, com um beijo suave e relativamente demorado.
Lentamente, a ruiva foi afastando o rosto e logo encontrou o olhar de Steve. A poucos centímetros dele, ela percebeu que o Capitão estava mais confuso do que nunca. E não dava para tirar a sua razão, afinal ela tinha o beijado no meio de uma discussão.
— O que foi isso? — indagou Rogers, por fim. Não como uma bronca, mas sim como alguém que queria muito entender o que estava acontecendo ali, pois tinha ficado mexido com tal atitude.
Incapaz de explicar o beijo em si, Natasha se convenceu de que precisava, pelo menos, explicar a sua postura naquela discussão e em relação ao seu passado.
Então, enchendo-se de coragem e enquanto acariciava a nuca de Steve com as pontas dos dedos, ela disse:
— Meus segredos são tão... Sombrios, que eu tenho medo de te perder, quando você souber de tudo. — enquanto a raiva e a confusão de Steve começavam a se dissipar diante daquelas palavras, Natasha acrescentou: — Eu sei, é ridículo que a Viúva Negra tenha medo de alguma coisa. E é ridículo ter medo de te perder, sendo que nós nem estamos mais juntos, mas...
De repente, a ruiva foi interrompida. Isso porque, tocado pelo o que ela disse, principalmente porque Natasha insinuou que ainda o amava e que tinha medo de perdê-lo, Steve não resistiu a um impulso e, quando deu por si, seus lábios estavam colados aos dela, os envolvendo com sofreguidão e urgência.
Pega de surpresa, mas incapaz de resistir àquilo, Romanoff passou os braços em volta do pescoço dele e correspondeu ao beijo com a mesma intensidade e paixão, enquanto as mãos de Steve seguravam o seu rosto e se emaranhavam em seus cabelos, aprofundando ainda mais aquele beijo cheio de sentimento e significado.
Quando se afastaram um pouco, os dois se encararam profundamente, um tanto ofegantes e visivelmente atordoados pelo sentimento que ainda tinham um pelo o outro. Era como se não tivesse se passado anos desde que eles se apaixonaram e se envolveram. Era como se o tempo e os segredos de Natasha não importassem, fossem pequenos diante daquele forte sentimento e daquele desejo latente que se espalhava por seus corpos.
Sendo assim, enquanto acariciava o rosto da ruiva com carinho, Steve tentou tranquilizá-la:
— Você sabe que pode me contar qualquer coisa, Nat. Mas só quando você estiver pronta para falar. De qualquer jeito e seja lá o que for que você esconde, eu não vou te julgar. Eu vou entender. E sabe por quê? — após um breve momento em silêncio, a fitando profundamente nos olhos, Steve completou: — Porque eu também não quero perder você. Porque eu não posso perder você. E porque mesmo separados, eu sempre senti que nós estávamos juntos. Eu sempre fui seu. Assim como você sempre foi minha.
Ao ouvir aquelas palavras, Natasha sentiu um alívio profundo e o seu coração já acelerado, passou a bater em um ritmo ainda mais frenético. Sem conseguir mais lutar contra o que sentia por Steve e contra a saudade que a consumia por dentro, ela o beijou de novo e de uma forma mais intensa.
Ele correspondeu imediatamente, também sem conseguir mais lutar contra aquela força que o empurrava para Natasha, contra aquele amor e contra toda aquela saudade que o fez sofrer durante tanto tempo.
Aquele sofrimento não importava mais, porque não existia mais ali, naquele momento. Tudo o que existia era um sentimento forte e verdadeiro pedindo para ser vivido, e um desejo crescente pedindo para ser saciado.
Guiado por tudo isso, Steve segurou na barra da blusa de Natasha e os dois interromperam o beijo para que a peça pudesse ser retirada. Em seguida, foi a vez da ruiva abrir os botões da camisa do Capitão às pressas enquanto voltava a beijá-lo com paixão.
Quando esta peça se juntou a blusa dela no chão, Romanoff empurrou o loiro contra a porta e aprofundou o beijo, enquanto as mãos dele acariciavam suas costas nuas, a trazendo para mais perto dele, lhe causando arrepios e fazendo aquele desejo se multiplicar por cada terminação nervosa dos seus corpos.
Envolvidos por beijos desconcertantes e abraços calorosos, o casal começou a caminhar em direção a cama. Não demorou muito para que caíssem sobre ela. Então, Rogers passou a beijar não só a boca de Romanoff, como também o seu pescoço, ombros e colo, enquanto suas mãos apertavam o quadril e as coxas da ruiva, de uma forma luxuriosa e gentil ao mesmo tempo.
Em dado momento, as mãos de Natasha alcançaram a calça de Steve e abriram o seu zíper com urgência. Como resposta, ele se afastou um pouco a fim de se livrar da peça de uma vez, e também dos sapatos, enquanto a ruiva fazia o mesmo com os dela.
Antes de voltar a se posicionar sobre Natasha, Steve abriu o zíper da calça dela também e começou a retirar a peça lentamente, enquanto mantinha seus olhares fixos um no outro. Logo depois, ele voltou a beijá-la com uma paixão e um desejo imensuráveis.
Seus corações batiam cada vez mais forte à medida que as peças íntimas vinham ao chão. Suas mãos acariciavam seus corpos mutuamente. Suas pernas se enroscavam de uma forma contínua à medida que o casal se envolvia mais, até que seus corpos quentes e trêmulos finalmente se uniram de uma forma carnal e prazerosa, fazendo uma onda de calor percorrê-los e envolvê-los profundamente.
Logo, seus suspiros e gemidos se espalharam pelo quarto à medida que Steve investia contra a intimidade de Natasha, e ela acompanhava os seus movimentos com avidez.
“Hold, hold on, hold onto me
'Cause I'm a little unsteady
If you love me, don't let go
Oh, but if you love me, don't let go”
[...]
Mais tarde...
Depois de se virar algumas vezes na cama, Stella fechou os olhos, respirou fundo e tentou desligar os seus pensamentos, para que assim conseguisse dormir. Porém, por mais que se esforçasse, ela simplesmente não conseguia parar de pensar em uma certa pessoa e, com isso, o sono não vinha de jeito algum.
Incapaz de tirar Bucky dos seus pensamentos e de negar para si mesma que estava pensando muito nele ultimamente, Stella abriu os olhos e fitou o teto por alguns instantes. Em seguida, e um tanto impaciente, ela afastou o lençól que cobria o seu corpo, sentou-se e passou as mãos pelo rosto.
Depois de olhar para a cama e perceber que não ia conseguir dormir naquele momento mesmo, a ruiva decidiu se levantar e caminhar um pouco pela Torre Stark, talvez comer algo na cozinha ou pelo menos tomar um copo de água.
Antes de sair do quarto, Stella vestiu um robe por cima do shortdoll e fechou a porta com cuidado para não fazer barulho, afinal estava bem tarde e ela não queria acordar ninguém.
No entanto, quando ela desceu a escada e chegou na sala, percebeu que não era a única pessoa acordada na Torre Stark. Isso porque, Bucky estava sentado em um dos sofás e de costas para ela.
Sentindo um certo nervosismo e uma emoção genuína que fizeram o seu coração disparar subitamente, a ruiva deteve o próximo passo e ficou olhando para ele enquanto decidia o que fazer.
Uma parte de Stella lhe dizia para se dirigir à cozinha, como tinha planejado, ou então voltar rapidamente para o quarto antes que Bucky percebesse que tinha companhia. Mas, esta parte era tão insignificante perto da outra parte, daquela que dizia para Stella falar alguma coisa ou quem sabe até se aproximar dele, que após um breve conflito interno, ela respirou fundo, tentando se acalmar, pigarreou e murmurou:
— Oi.
Quase no mesmo instante, Bucky se mexeu um pouco, apoiou o braço no sofá e se virou para ver a dona daquela voz que ele havia reconhecido imediatamente.
Sem conseguir conter um certo brilho no olhar diante do motivo da sua insônia, ainda mais porque Stella estava com trajes um tanto íntimos, ele respondeu:
— Oi. — e após uma longa troca de olhares, Bucky cortou o silêncio, indagando: — Você não devia estar dormindo? Está meio tarde, não?
Tentando conter um sorriso bobo que lutava para se formar no seu rosto ligeiramente ruborizado, Stella retorquiu:
— Eu poderia te perguntar a mesma coisa. — em seguida, fazendo um esforço para se recompor e não parecer uma idiota na frente de Bucky, ela explicou: — Eu acordei e perdi o sono. — Stella achou melhor dizer isso, do que confessar que não tinha conseguido dormir um minuto sequer naquela noite. E encarando o motivo da sua insônia, ela perguntou: — E você? Perdeu o sono também?
— Na verdade, faz muito tempo que eu não tenho uma boa noite de sono. — desconversou, embora no fundo, não deixasse de ser verdade, já que toda vez que fechava os olhos e tentava dormir, Bucky acabava tendo pesadelos horríveis com o seu passado. Pelo menos agora, graças a Stella, ele não estava mais conseguindo pegar no sono.
Enquanto Bucky refletia sobre isso, a ruiva reparou que ele não estava vestido com um pijama e sim com roupas comuns. Ou seja, ele nem sequer tinha ido para a cama.
Intrigada, Stella começou a se perguntar se deveria sair dali logo e ir até a cozinha, ou se deveria ficar, continuar aquela conversa e quem sabe entender o que estava acontecendo. Ela não sabia o que exatamente estava planejando com aquilo, mas a parte que lhe dizia para se aproximar de Bucky, porque gostava muito da companhia dele e queria entender certas coisas, foi mais forte novamente.
Então, contendo o nervosismo mais uma vez, Stella deu alguns passos a frente, sem conseguir desviar do olhar de Bucky nem por um segundo, depois deu a volta no sofá e, um tanto sem jeito, se sentou à certa distância dele. Só então Stella desviou do seu olhar e, com isso, acabou não reparando em um leve sorriso que se formou de um jeito discreto nos lábios de Bucky.
Alguns instantes depois, um tanto desconfortável e sentindo que precisava dizer alguma coisa logo para acabar com aquele silêncio constrangedor, Stella se encheu de coragem e decidiu arriscar:
— Algum motivo específico para a insônia?
A resposta demorou um pouco e veio de forma evasiva:
— Talvez. — com os olhos fixos na ruiva, Bucky também arriscou: — E você?
Stella engoliu em seco e tentou obrigar o seu coração a voltar ao ritmo normal. Não conseguiu. E achou melhor responder mesmo assim:
— Talvez também.
Diante daquela resposta, Bucky desviou seu olhar de Stella e uniu as mãos entre os joelhos, enquanto pensava um pouco. Era incrível e um tanto assustador como o simples fato dela estar ali, ao lado dele, o fazia se sentir mais... Vivo. Stella iluminava a escuridão que ele tinha dentro de si, o fazia se sentir apenas Bucky Barnes. Era como se o Soldado Invernal nunca tivesse existido, quando ela estava por perto.
Stella lhe fazia bem, simples assim. Sua companhia era reconfortante e, ao mesmo tempo, perturbadora, porque fazia muito tempo, muito tempo mesmo, que ele não sentia algo assim por alguém. Bucky não sabia como agir perto dela. Não quando não sabia se Stella se sentia daquele jeito também. Não quando ele não sabia se tinha o direito de se sentir daquele jeito. Ainda mais porque Stella era filha do seu melhor amigo.
Incomodada com o novo silêncio que se instalou entre eles, ela resolveu dizer:
— Você devia ir para o seu quarto. E tentar dormir um pouco.
Aquelas palavras despertaram Bucky dos seus pensamentos e o fizeram olhar imediatamente na direção da ruiva. Então, quando ela finalmente o fitou de volta, e seus olhares se encontraram e assim ficaram, ele replicou:
— Você devia voltar para o seu quarto também e fazer o mesmo.
Após um instante em silêncio, sentindo o seu coração acelerando mais um pouco diante da imobilidade de Bucky e da sua própria incapacidade de se mover dali, Stella perguntou quase com um sussurro:
— Se nós devíamos fazer isso, por que não estamos fazendo?
Com o olhar fixo no olhar dela e sentindo uma forte emoção se espalhando dentro de si, Bucky respondeu de um jeito sério e contido:
— É uma ótima pergunta.
Os dois continuaram se olhando até que Bucky se convenceu de que por mais que talvez ele não devesse se sentir daquele jeito, ele se sentia assim e simplesmente não tinha como mudar isso. Bucky não queria nem conseguiria mudar isso. Sentir aquilo por Stella podia ser errado, mas ao mesmo tempo, parecia tão certo que, sem conseguir resistir, ele colocou sua mão sobre o sofá e, aos poucos, foi a aproximando da mão dela, também sobre o estofado.
O coração da ruiva disparou, quando ela sentiu a mão de Bucky encostando suavemente na sua, os dedos dele procurando pelos seus e os encontrando por fim. O contato de pele com pele fazendo um arrepio se espalhar pelos seus corpos.
Também sem conseguir resistir ao que estava sentindo por Bucky, Stella correspondeu ao gesto e entrelaçou seus dedos aos dele, apertando a sua mão com certa força logo depois.
Aquilo foi praticamente um convite para que Bucky desse o próximo passo: se aproximar mais um pouco de Stella. E foi o que ele fez em seguida, sentando mais perto dela, sem soltar a mão da ruiva nem por um instante.
Stella sentiu-se um pouco tensa diante daquela súbita proximidade. Mas era uma tensão inquestionavelmente boa, quase viciante. No fundo, tudo o que ela queria era que Bucky se aproximasse ainda mais.
Porém, ao invés disso, ele desviou do olhar dela, ficou em silêncio por alguns instantes, e só então resolveu se abrir de verdade:
— Eu me sinto... Diferente. Em relação à você. — Stella quis dizer que também se sentia assim, mais precisamente desde que ele entrou em sua vida. Porém, incapaz de dizer qualquer coisa naquele momento, ela apertou a mão de Bucky mais um pouco e ouviu o que ele disse na sequência: — E intrigado.
Desta vez, a curiosidade falou mais alto que o nervosismo e Stella questionou:
— Como assim?
Depois de voltar a encará-la, Bucky resolveu explicar porque estava intrigado, através de uma pergunta:
— Por que você me defende tanto? Você sabe... Em relação à sua mãe, a enfrentando daquele jeito.
Após um momento de hesitação, se fazendo a mesma pergunta, Stella achou melhor dar uma resposta evasiva, mas que não deixava de ser verdade:
— Talvez porque eu não suporto injustiças.
Bucky a observou por alguns instantes e, insatisfeito com aquela explicação, ele decidiu insistir um pouco mais:
— Só por isso? É só por isso que você me defende tanto assim, Stella?
A ruiva sentiu o seu corpo ficando mais tenso diante daquela conversa. No fundo, não conseguia acreditar que ela e Bucky estavam mesmo tendo aquele tipo de conversa. Não tinha pensado que isso aconteceria, não se preparou para tal momento.
Porém, querendo muito saber aonde aquilo ia dar, Stella respondeu:
— Não só por isso. — na sequência, percebendo um ar de interrogação na expressão dele, indicando que aquilo não era uma resposta suficiente, ela completou: — Digamos que você não é o único que tem se sentindo... Diferente por aqui. — e deixando-se levar pelo seu coração, que batia ainda mais acelerado, foi a vez de Stella se aproximar mais um pouco dele. Em seguida, ela franziu o cenho um tanto sem graça e confessou: — Você está me mudando, Bucky. Desde que você entrou na minha vida, eu tenho sentido certas... Coisas.
Stella mordeu o lábio inferior e revirou os olhos discretamente, se amaldiçoando por ter se declarado daquela forma, afinal para que dizer que você está perdidamente apaixonada por alguém, quando você pode resumir com "eu tenho sentido certas coisas", não é mesmo? É tão mais romântico...
Para alívio de Stella, Bucky não pareceu achar aquilo um problema. Na verdade, ela percebeu um certo brilho no olhar dele ao ouvir aquelas palavras e, logo depois, ele indagou visivelmente interessado:
— Que tipo de... Coisas?
— Sentimentos. — esta palavra praticamente escapou da sua garganta sem que a ruiva pensasse muito sobre ela. Porém, temendo que Bucky perguntasse que tipo de sentimentos eram esses, Stella decidiu dizer outra coisa. Algo que estava a deixando aflita desde que começou a se sentir daquele jeito em relação a Bucky: — Mas, ao mesmo tempo, eu me sinto tão... Insegura e confusa.
— Por quê? — quis saber ele, unindo as sobrancelhas, enquanto a fitava de um jeito ainda mais intrigado.
Depois de respirar fundo, Stella despejou um tanto afoita:
— Porque eu não sei se... Eu não sei se você sente... Essas coisas também. E eu quero saber e, ao mesmo tempo, eu não sei se devo perguntar. — instantes depois, incomodada com o silêncio que se seguiu e querendo muito aquela resposta, Stella soltou um suspiro e inquiriu praticamente aos sussurros: — Você sente?
A pergunta de Stella ecoou pela mente de Bucky e, aos poucos, foi fazendo uma certeza se solidificar em seu coração. A tal ponto que, ao invés de responder com palavras, ele resolveu fazer isso com um gesto.
Então, sem hesitar nem por instante e com o coração acelerado e mais vivo do que nunca, Bucky se aproximou mais um pouco de Stella, que o fitou com uma ansiedade palpável. Em seguida, ele soltou a mão dela apenas para poder segurar em seu rosto. Na sequência, os dedos dele se fixaram em sua nuca com uma força gentil, deixando Stella completamente arrepiada e ainda mais ansiosa.
Em seguida, Bucky inclinou o rosto, buscando o encaixe perfeito, e a fitou por um instante antes de fechar os olhos e se aproximar mais um pouco. Stella, por sua vez, piscou algumas vezes como se tentasse acreditar no que estava prestes a acontecer, depois se obrigou a permanecer com os olhos bem fechados, sentiu a respiração entrecortada de Bucky em sua face e, por fim, deixou que ele encaixasse os lábios nos seus de uma forma carinhosa e doce.
Suspirando profundamente, Stella seguiu um instinto, passou os braços em volta do pescoço de Bucky e se permitiu viver aquele momento, o acompanhando de um jeito ritmado à medida que ele envolvia seus lábios e sua língua de uma forma intensa e sem pressa, a deixando ainda mais arrepiada, ao mesmo tempo em que um frio reverberava pelo seu estômago.
Nem Bucky nem Stella saberiam descrever ao certo o que estavam sentindo naquele momento, mas, quando seus rostos se afastaram, uma felicidade plena estava estampada em seus olhares, enquanto suas respirações ofegantes se cruzavam no curto espaço entre os dois.
Atordoada e sem conseguir conter um sorriso, a ruiva se lembrou da pergunta que fez a Bucky, sobre ele se sentir do mesmo jeito que ela, e brincou:
— Eu acho que posso encarar isso como um sim.
Igualmente atordoado e inquestionavelmente feliz, Bucky acariciou o rosto de Stella por um tempo, enquanto mantinha seus olhos fixos nos dela, até que, lembrando-se de algo que ela disse antes, ele finalmente se pronunciou:
— É você que está me mudando, Stella. De um jeito que eu nem sabia mais que era possível. — e após uma breve pausa, murmurou: — Droga...
Temendo que Bucky estivesse arrependido ou que houvesse algo errado, Stella franziu o cenho e perguntou:
— O que foi?
— Eu não sei se eu devia, mas... Eu quero te beijar de novo. — confessou ele seriamente.
Uma felicidade ainda maior inundou Stella naquele momento e, ignorando o fato de que seu rosto tinha ficado vermelho ao ouvir aquilo, ela manteve o seu olhar fixo no dele e indagou:
— O que você está esperando?
Imediatamente, Bucky voltou a fechar os olhos e, sem pensar duas vezes, Stella fez o mesmo. Suas mãos se fixaram no rosto um do outro e logo seus lábios se encaixaram e se envolveram de uma forma mais intensa e profunda. Atordoante. Apaixonada.
Não demorou muito para que as mãos de Stella procurassem pela nuca de Bucky, aprofundando ainda mais aquele beijo, enquanto uma das mãos dele procurava pela cintura da ruiva, se fixando ali por alguns instantes, antes de subir por suas costas e encontrar a sua nuca também, trazendo Stella ainda para mais perto de si.
Sem fôlego, ela diminuiu um pouco o ritmo do beijo até que Bucky fez o mesmo e seus rostos se afastaram mais uma vez. Os dois se olharam e Stella sentiu uma emoção diferente quando viu um sorriso genuíno se formando nos lábios dele.
Bucky costumava ser tão sério a maior parte do tempo, como se estivesse sempre mergulhado dentro de si mesmo, remoendo o passado ou tentando encontrar um sentido para seguir em frente, que vê-lo sorrir convenceu a ruiva de que ela realmente estava mudando alguma coisa nele. Profundamente.
Talvez Stella estivesse ajudando Bucky a seguir em frente. De uma forma que nenhum dos dois esperava, é verdade, mas ela estava o ajudando. E ele também estava a ajudando a deixar todo o sofrimento causado por Logan para trás.
Enterrando tal sofrimento em um lugar remoto de sua mente e também se sentindo mais viva do que nunca, foi a vez de Stella dizer:
— Eu também quero te beijar de novo.
O sorriso de Bucky se alargou e o coração de Stella disparou quando, atendendo ao seu pedido, ele voltou a envolver o rosto dela e a procurar por sua boca. Porém, antes que seus lábios se tocassem, um barulho ecoou entre os dois e eles se encararam, reconhecendo o tal som. Cortando o clima, o celular de Bucky continuou tocando em seu bolso, enquanto ele amaldiçoava aquela interrupção.
Também insatisfeita com aquilo, mas convencida de que para alguém ligar àquela hora devia ser importante, Stella orientou:
— Atende, pode ser importante.
Bucky ainda hesitou por alguns instantes, antes de aceitar o argumento da ruiva e se afastar um pouco. Stella aproveitou para se recompor, passando as mãos pelo rosto e cabelos, e controlando a sua respiração ainda ofegante.
Depois de retirar o celular do bolso e ver quem estava ligando, Bucky revelou:
— É o Coulson.
— Viu? Como eu disse, é importante. — articulou a ruiva. — Atende. Está tudo bem. — tranquilizou, percebendo que Bucky ainda estava insatisfeito com a interrupção.
— Eu só vou atender porque realmente preciso. — fez questão de se justificar, afinal agora Bucky fazia parte da S.H.I.E.L.D e isso, entre outras coisas, significava que ele tinha que atender o Diretor a qualquer momento.
— Eu sei. — Stella o tranquilizou mais uma vez.
Após observá-la por mais um instante, Bucky finalmente se levantou do sofá com os olhos fixos no aparelho em sua mão. Deu alguns passos a frente, enquanto Stella o seguia com o olhar, até que parou no centro da sala, ainda sem atender a ligação e hesitou antes de olhar para trás, na direção da ruiva.
Então, quando Bucky deu um passo a frente, Stella não pensou duas vezes e se levantou do sofá imediatamente. Quando ele caminhou até ela, a ruiva fez o mesmo e foi de encontro a ele. Enquanto o celular continuava tocando, Stella passou os braços em volta do pescoço de Bucky, ele envolveu o seu rosto mais uma vez e os dois se beijaram novamente por um momento que pareceu eterno.
Quando seus lábios finalmente voltaram a se afastar, Bucky encostou sua testa na da garota e admitiu:
— Eu também sinto certas... Coisas por você, Stella.
Sem conseguir conter um riso divertido, ela brincou:
— Se você não tivesse dito, eu nem teria percebido.
Sorrindo também, ao se lembrar de todos aqueles beijos, Bucky avisou:
— Nós precisamos continuar esta conversa.
Enquanto acariciava o rosto dele, Stella assegurou:
— Nós vamos. Mas agora você precisa atender o seu chefe.
— Sim, eu preciso. — concordou Bucky.
Após uma longa troca de olhares, Stella fechou os olhos, uniu seus lábios aos dele com um selinho demorado, depois se afastou e, enquanto deixava a sala, desejou:
— Boa noite, Soldado.
Bucky a seguiu com o olhar, incapaz de responder e, por um momento, quase se esqueceu de que o seu celular continuava tocando. Por fim, Stella subiu a escada, com um sorriso bobo no rosto, e Bucky finalmente despertou e atendeu a chamada de Coulson.
Quando chegou no quarto, Stella apoiou-se na porta por alguns instantes e levou uma das mãos aos lábios recém beijados por Bucky. Sorrindo e ainda um tanto incrédula, ela caminhou até a cama e praticamente despencou sobre ela.
Enquanto fitava o teto, ela disse sozinha:
— Agora que eu não vou conseguir dormir mesmo.
Sentindo-se mais feliz do que nunca, e inquestionavelmente apaixonada, Stella riu de si mesma e abraçou um travesseiro, antes de fechar os olhos e suspirar profundamente.
“I see it in your eyes
Do you see it in my eyes?
I'll give you a love that can not last
And all our eyes light like flames”
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