National Anthem
9 Capítulo oito – Trouble
Notas iniciais
.gif)
“I'm waking up to ash and dust
I'm breaking in, and shaping up
I raise my flag, and dye my clothes
It's a revolution I suppose
We'll paint it red to fit right in, whoa
I'm waking up, I feel it in my bones
Enough to make my systems blow
Welcome to the new age”
Radioactive – Imagine Dragons
Anapa – Rússia
Já era tarde da noite, uma noite fria e chuvosa. Os passos fortes e compassados ecoavam por todo o corredor elegante do prédio em que se encontravam. Daniel Whitehall e Brock Rumlow caminhavam lado a lado em um absoluto silêncio, não se importando um segundo sequer com todos os olhares curiosos dos funcionários que ali estavam seguindo ordens.
Claro que o tal prédio empresarial servia apenas de fachada para o que realmente acontecia por entre aquelas salas. Era ali onde a máfia russa se reunia, era ali onde a máfia russa ordenava seus ataques, e era ali onde a temida rainha da máfia torturava seus acusados. Ela, conhecida por ser uma mulher jovem, porém forte e misteriosa, possuía um passado obscuro e um sobrenome de peso.
A medida que se aproximavam da sala ao final do corredor, os dois representantes da HIDRA conseguiam perceber vários homens vestidos de preto e fortemente armados que estavam presentes para não deixar nada de ruim acontecer com a rainha da máfia, mesmo que essa conseguisse proteger-se sozinha. Mas ela gostava disso, ser considerada o centro das atenções no império que conseguiu conquistar.
Quando Rumlow e Whitehall finalmente pararam de frente para a sala, um dos seguranças da “rainha” abriu uma grande porta de madeira com detalhes prateados, revelando uma imensa sala moderna, coberta por uma pintura branca e decoração rústica. Mas com certeza, o que mais chamava atenção no ambiente seria a enorme janela que dava uma completa vista da cidade.
Devagar, os dois adentraram na sala, e quando seus olhos caíram sobre a moça sentada em uma mesa no meio do lugar, Daniel não pode deixar de conter um sorriso ao observa-la atentamente. Então, ali estava ela, a tão conhecida e temida rainha da máfia.
Aquela menina que tornou-se mulher. Fria. Calculista. Assassina. E acima de tudo, poderosa.
Natalie Pierce era uma bela mulher, aclamada por todos os homens em sua máfia. Loira, de olhos azuis e com um corpo sensual, ela sempre fora uma exímia agente da HIDRA. Pela manhã, era apenas a empresária prodígio que comandava uma grande empresa, mas quando a noite caía, tornava-se a verdadeira rainha, tomando conta da mais temida máfia em toda a Rússia. Natalie era sim uma bela mulher, entretanto, era uma mulher fatal, a qual não brinca em serviço. Filha de Alexander Pierce, deixou os Estados Unidos ainda muito jovem, mas este fato não a deteve de conquistar o posto máximo na máfia que agora comandava.
Ao perceber a porta de sua sala ser aberta, ela levantou a cabeça, e um sorriso irônico brotou em seus lábios rubros no mesmo instante em que seu olhar caiu sobre os visitantes. Estava surpresa, não podia negar. Logo, Natalie apoiou os cotovelos sobre sua mesa de uma maneira elegante, ajeitando-se melhor na cadeira em que estava sentada.
– Doutor Daniel Whitehall! A que devo a honra de sua presença? –indagou ironicamente enquanto observava os dois homens da HIDRA aproximarem-se.
Whitehall riu com escárnio.
– Natalie Pierce. Já faz tempo, não é? –rebateu ele, e ao seu lado, Rumlow conteve uma pequena risada.
Rapidamente, a loira indicou uma das cadeiras a sua frente, e Daniel sentou-se em seguida. Então, Natalie virou-se para os dois seguranças que permaneciam atrás de si, e falando fluente em russo, ordenou que eles se retirassem, e no mesmo momentos, os tais deixaram a sala. Mais à vontade, ela tornou a endireitar-se na cadeira, observando seus visitantes de uma maneira séria.
– Porque vir até aqui, Whitehall? Uma mera ligação não bastava? –perguntou seriamente, e ao voltar-se para Rumlow, provocou: – Sempre tendo que trazer seus cães de guarda, não é? Nada muda.
Brock sorriu, e ao olhar fundo nos olhos azuis dela, replicou com ironia estampada em sua voz:
– É um prazer revê-la, Srta. Pierce.
– Pena que eu não posso dizer o mesmo, Brock –rebateu com classe, fato que fez ambos rirem levemente. Impaciente, Natalie novamente virou-se para Whitehall, e perguntou, firme: – O que diabos você está fazendo aqui? Qual o problema desta vez?
– Sinto muito pelo o que houve com seu pai –respondeu o doutor, mas a garota não pareceu feliz com as palavras proferidas por ele. Percebendo isso, ele sorriu mais uma vez, admirando a astúcia dela, e explicou-se melhor: – Preciso da sua ajuda, Natalie. Preciso que você volte à ativa. De volta à HIDRA.
Natalie soltou uma risada irônica, espantada com o pedido de Daniel, e rapidamente, como resposta, indagou com firmeza em sua voz:
– Mesmo? Depois da queda, pensei que eu não fosse a agente mais qualificada para fazer parte desta sua pequena... segregação que você chama de HIDRA.
– Nós dois sabemos muito bem que essa não é a minha opinião a seu respeito –interrompeu o Doutor antes que Natalie sequer pudesse pensar em alguma resposta à altura. Depois de um curto momento de silêncio, ele continuou: – Você sempre foi uma das minhas melhores agentes, Natalie. Eu sempre soube disso, todos sempre souberam disso. Seu pai era o maior exemplo disso. Ele lhe admirava acima de tudo, ele tinha orgulho da mulher independente que você se tornou. E eu estou aqui para lhe dar mais uma chance, Natalie. Mais uma chance de provar o seu valor. Para provar a sua lealdade a HIDRA.
– É uma nova era que está surgindo, Srta. Pierce. E queremos que você seja parte dela. Queremos que junte-se a nós –para surpresa de Natalie, desta vez fora a voz de Rumlow que ecoou na sala, mas ao contrário do que ela pensava, ele estava realmente falando sério. A HIDRA a queria de volta.
Daniel soltou outro longo suspiro mantendo o olhar fixo na loira à sua frente, enquanto ao seu lado, ainda de pé, Rumlow cruzou os braços sobre o peito de uma maneira nervosa, adquirindo sua postura firme e séria, também encarando-a, à espera de uma resposta. Qualquer resposta fosse. Natalie, por sua vez, tinha a dúvida estampada em seu rosto. Seu olhar era distante, e ela parecia estar pensando em como sairia daquela delicada situação.
Pensando em tudo isso e tentando disfarçar o nervosismo que sentia, a garota simplesmente encarou os dois à sua frente com certa indiferença, tentando assimilar tudo o que estava acontecendo ali. Mas ela permanecia inabalável, sem deixar nenhuma emoção transparecer. Logo, depois de também cruzar os braços na altura do peito e encostar as costas no encosto da cadeira, ela ordenou, com a voz firme e tenebrosa:
– Daniel, vamos ser honestos um com o outro, não? Você não veio aqui simplesmente para me trazer de volta. Não veio aqui para me dar os pêsames pela morte de meu pai. E com certeza não veio até esse fim de mundo para admirar o meu trabalho com a máfia. Portanto, como herdeira única de Alexander, eu exijo saber o que está acontecendo.
Whitehall sorriu mais uma vez, encantado com toda a astúcia de Natalie. Sem dúvidas, ele a admirava, mas ela não conseguia ver isso. Ou talvez, não quisesse ver o que estava bem à sua frente. Negava-se a ver que era uma das melhores.
Rumlow permanecia quieto, sem dizer uma palavra mais sequer, apenas observava e escutava atentamente a conversa entre os dois ali presentes.
– A real situação é confidencial. Mas, se você aceitar voltar, eu lhe deixarei por dentro de tudo. Tudo o que você precisa fazer é voltar, Natalie. Eu preciso da sua ajuda. Preciso da minha melhor agente de volta –respondeu Whitehall, inclinando o corpo para frente e aproximando-se levemente da loira.
Ela não se intimidou. Muito pelo contrário. Mantendo o contato visual com o doutor, Natalie também inclinou o corpo um pouco para a frente, apoiou os cotovelos mais uma vez sobre a mesa, e lançou para Whitehall um sorriso repleto de ironia.
– Chega desta palhaçada, Whitehall! Eu cansei da brincadeira! –esbravejou a garota, a voz angustiante, e os olhos, repletos de uma fúria incontrolável que até mesmo Rumlow assustou-se. Dito isso, Natalie novamente sorriu, e com um gesto rápido, abriu uma gaveta em um pequeno móvel a seu lado, retirando uma arma de dentro e já engatilhando-a.
Rumlow engoliu em seco enquanto murmurava vários palavrões, amaldiçoando a si mesmo por ter sido tão estúpido em entrar ali desarmado.
– Natalie... –murmurou Whitehall ao perceber a intenção da garota, mas ela não se importou.
– Meu império. Minhas regras. Então, Dr. Whitehall, eu irei perguntar mais uma vez, e agora, você vai me dizer exatamente o que está acontecendo –ordenou ela mais uma vez, e antes de colocar a arma por cima da mesa, ameaçou: – Ou terei que ser um pouco mais persuasiva, e você sabe muito bem quais são os meus métodos para conseguir informações, não é mesmo? E eu garanto... não será nada bonito.
O doutor riu fortemente, tornando a encostar as costas sobre o encosto da cadeira, e ao seu lado, Rumlow permanecia tenso, encarando Natalie com dúvida. Whitehall lançou um olhar para o agente, avisando que tinha a situação sobre controle, e Rumlow pareceu acreditar. Em seguida, Daniel voltou-se mais uma vez para Natalie, e finalmente, revelou o real motivo por estar ali:
– Nós o perdemos, Natalie. Depois da morte de seu pai e com a queda, ele escapou das nossas mãos, e sumiu do mapa. Nós não o encontramos ainda, e a HIDRA precisa dele. Há muito a ser feito, você sabe disso. Quero a sua ajuda para encontra-lo e traze-lo de volta, vivo... ou morto.
– Você perdeu quem eu estou pensando que perdeu? –perguntou Natalie, mas no fundo, ela já sabia a resposta.
– O Soldado? Sim, é ele mesmo. Quero encontra-lo, e sei que você é a agente mais qualificada para isso. Me traga o Soldado Invernal, Natalie, e nós dois, mudaremos o mundo. A HIDRA ressurgirá das cinzas, e a SHIELD, morrerá de uma vez –constatou Whitehall quase de imediato, e a garota não conseguiu conter um singelo sorriso.
Logo, Natalie continuou a encarar Daniel, e depois de um longo e constrangedor silêncio se instalar na sala, ela pensou, pensou por muito tempo. Então, ao tomar uma posição, ela assentiu com um meneio de cabeça, e olhando firmemente nos olhos do doutor, respondeu:
– Bem, então vejo que nós temos uma caçada para começar. Não podemos desperdiçar mais nenhum segundo sequer, e o que estamos esperando para começa-la? Está na hora do Soldado retornar para casa.
“Ready or not, here I come. You can't hide”
[...]
Dois meses depois...
Torre Stark – Nova Iorque
Era cedo da manhã. O vento frio balançava levemente as cortinas do quarto, e devagar, finos raios de Sol invadiam o ambiente. Deitada sobre a cama, agasalhada por debaixo das cobertas, Stella dormia profundamente, em um sono calmo e tranquilo, enquanto os sons da cidade já eram escutados. Mais um dia começava, e com certeza, seria mais uma manhã ensolarada.
Entretanto, dado certo momento, o silêncio que reinava no quarto e, por hora, acolhia Stella em seu sono, fora interrompido quando uma melodia ecoou no ambiente. Ao longe, a garota conseguiu escutar a música que aumentava gradativamente, e ainda negando-se a entender o que estava acontecendo, ela manteve os olhos fechados, tentando voltar a dormir. Em vão, pois aos poucos, ela foi despertando.
Percebendo que aquilo não iria parar e vencida pela raiva que sentia, Stella abriu os olhos e fitou o teto do quarto enquanto sua respiração aos poucos tornava-se desregulada. A música continuou a tocar, fato que a deixou ainda mais raivosa. Ela sabia muito bem quem estava por trás daquilo, sabia quem era a culpada, e com certeza, Louis Stark iria pagar caro por ter acordado a filha da Viúva Negra em pleno sábado.
Stella se sobressaltou, e em seguida, visivelmente irritada, sentou-se sobre a cama depois de correr o olhar pelo quarto que dividia com Louis. Estava sozinha, mas a música ainda continuava a tocar.
Logo, a ruiva passou as mãos pelos cabelos de uma forma nervosa, e sem aguentar mais tanta provocação, jogou as cobertas para longe, espalhando-as pelo chão com extrema raiva ao mesmo tempo que levantava-se da cama, praticamente lutando para permanecer de pé.
– Jarvis, pelo amor de Deus, desliga essa porcaria de música. Agora –pediu, e automaticamente, o ambiente voltou a ficar em silêncio, fato que a agradou. Stella começou a massagear levemente suas têmporas no mesmo momento em que sentiu sua cabeça latejar, e ainda irritada, bradou com a voz firme: – Você me paga por isso, Louis!
Ela não obteve resposta, mas isso não a surpreendeu. Sabia muito bem do que a amiga era capaz para irrita-la, e sabia também o quanto era divertido para Louis provoca-la, afinal, aquilo já era praticamente uma atividade diária para a Stark. Isso, é claro, quando ela estava em casa, pois desde que entrou para o time de agentes liderados por Phil Coulson, Louis mantinha-se sempre ocupada.
Então, Stella resolveu tomar um banho, e enquanto percorria o caminho para o banheiro, repassou em sua mente todas as atividades que havia previsto para fazer naquela manhã, tentando-se manter distraída a qualquer custo. Afinal, dois meses já haviam se passado e até agora, não recebera nenhuma notícia de Steve ou Natasha. Ela não conseguia negar que tal fato a preocupava, mas ainda assim, confiava em seus pais. Sabia que eles estavam bem.
Tomou um banho demorado, sem pressa, deixando que a água fria percorresse cada centímetro de seu corpo pálido, torcendo para que as gotículas levassem para longe toda a tensão que sentia. Alguns minutos depois, ela saiu debaixo do chuveiro, fez sua higiene matinal e se vestiu, escolhendo uma camisa verde de mangas compridas e um short jeans de cor escura. Seus cabelos permaneceram soltos para secarem naturalmente.
Depois de pronta e já mais calma, a garota voltou para o quarto, mas toda a sua tranquilidade se esvaiu quando percebeu que Louis estava deitada sobre sua cama, encarando-a com um sorriso brincalhão nos lábios. Stella revirou os olhos ao mesmo tempo em que a Stark soltou uma risada irônica.
– Bom dia, sunshine. Dormiu bem? –provocou Louis no exato momento em que Stella começou a ir na direção da morena. Não podia-se negar que realmente era uma situação engraçada.
Permanecendo séria, Stella parou frente a frente com a garota deitada na cama, e depois de cruzar os braços acima do peito, ela assumiu, mesmo que algumas coisas não fossem verdade:
– Eu odeio você. Eu odeio tanto você, Louis Stark, que simplesmente não consigo ficar com raiva de tudo o que você faz para me irritar. Eu deveria ser considerada uma heroína por te aturar todos os dias da minha vida, sabia?
Louis simplesmente riu diante da reação da ruiva. Logo, Stella não conseguiu se segurar, acompanhando a amiga ao rir divertida com aquela situação, e naquele momento, toda a raiva que sentia momentos antes se dissipou. Quando as risadas cessaram, Louis sentou-se na cama, dando espaço para Stella fazer o mesmo, e foi o que ela fez. Minutos depois, ambas já estavam envolvidas em uma conversa amigável enquanto Jarvis as deixava a par de todas as notícias do dia, exibindo diversas reportagens na televisão à frente das duas.
– Pensei que o Logan fosse esperar você acordar para poder ir até a empresa –em certo momento da conversa, comentou Louis sem muito interesse, ao mesmo tempo em que mudava os canais a todo instante em um movimento tedioso.
Stella virou mais uma página da revista que tinha em mãos antes de responder:
– Não. Na verdade, ontem ele me avisou que sairia mais cedo do que o de costume. Ao que parece, ele e a Pepper terão uma importante reunião hoje. Não me disse o que era, e eu não insisti.
– Nem eu mesma sei sobre o que é essa tal reunião. Meu pai também está fazendo suspense e não quis me contar, e isso está me dando nos nervos –assumiu a garota em resposta, soltando a respiração com certa indiferença.
– Falando nisso... onde está o Tony? –perguntou Stella.
– Ah, ele e o verdão estão enfiados naquele laboratório há horas. Jarvis não me deixou descer até lá, então eu não faço ideia no que os dois estão trabalhando –informou Louis, e desta vez, fora a vez de Stella soltar um suspiro aflito.
Mas a ruiva não conseguiu conter um sorriso ao lembrar de Bruce Banner. Depois de todos os acontecimentos em Washington, Tony convidara Bruce para morar na Torre Stark, e para a surpresa de todos, ele aceitou, o que foi bom para Stella, já que com a ausência de Clint, ela não tinha muita coisa para fazer ali. Então, era sempre comum ver Stella e Bruce trabalhando juntos no laboratório da Torre. Eram praticamente uma grande família, e depois de Steve ter se mudado de vez para Nova Iorque, dividindo um belo apartamento com Sam no Brooklyn, ela sentia-se em casa.
Mesmo com Natasha continuando a viver em Washington, mesmo não podendo sempre ter a presença da mãe por perto, Stella sentia como se Nova Iorque fosse seu lar. E realmente era.
– O Steve e a Nat já deram notícia? –perguntou Louis cautelosamente, pois sabia que aquele era um assunto delicado a amiga.
Stella suspirou pesadamente, e depois de jogar no chão a revista que tinha em mãos, a ruiva deitou-se na cama, apoiando a cabeça sobre o colo de Louis, que por sua vez, continuava a passar os canais em busca de algo interessante.
– Nada. Até agora, só o que eu recebo do meu pai são cartões postais, mas ao que tudo indica, ele e o Sam estão bem –responde tristonha, e enquanto fitava o teto mais uma vez, completou: – Já minha mãe e o Clint continuam percorrendo o país nessa... perseguição pela HIDRA. Eles devem estar bem. Eu espero, pelo menos.
– É, o Coulson também não está me dando folga por isso. Depois que o Fury o elegeu como novo diretor, ele realmente não vai descansar até combater a HIDRA de uma vez por todas –refletiu Louis, e ao olhar de relance para Stella, ela encorajou: – Eles vão voltar, Stella. Você sabe disso.
– Talvez. Pode ser que meu pai nunca chegue a encontrar esse tal... Bucky. O Steve é um cabeça dura, ele não vai desistir. Pode ser que ele nunca volte, Louis –admitiu a ruiva, e ao observar que a Stark escutava-a atentamente, Stella resolveu mudar de assunto: – Mas então, tudo certo para hoje à noite?
Louis riu levemente enquanto Stella, ainda com a cabeça apoiada no colo da amiga, sorriu divertida. Logo, a Stark desligou a televisão e finalmente voltou-se Stella. Depois de um silêncio, ela respondeu, vencida:
– Claro! Eu ainda não sei porque fui convidada para ir jantar com você e o Logan, mas eu vou sim. Pelo menos será melhor do que fazer parte da noite romântica entre Tony Stark e Pepper Potts. Isso eu não quero presenciar.
Stella riu diante das palavras dela, e rapidamente, respondeu:
– Eu chamei você porque nós vamos comemorar o meu aniversário de namoro. E o Logan quer te apresentar... Um amigo.
Ao ouvir tais palavras, Louis se sobressaltou. A morena revirou os olhos enquanto Stella riu mais uma vez.
– O que?! Pelo amor de Deus, quando você vai parar de tentar me arranjar um namorado? –perguntou Louis, mas a ruiva apenas deu de ombros, ignorando a pergunta da amiga.
As duas continuavam aquela animada conversa por horas e horas, sem se importarem com absolutamente nada, porque ali naquele momento, não havia perigo nenhum. Não havia com o que se preocuparem. Até que, em certo momento, leves batidas despertaram a atenção das garotas, que logo voltaram seus olhares para a porta, e quando ela foi aberta, Stella não conseguiu conter um enorme sorriso de alegria.
– Atrapalho, senhoritas? –perguntou Steve de uma maneira divertida, com um sorriso sereno no rosto, olhos azuis brilhando ao ver a filha, mas ainda assim, parecia um pouco perdido. Chateado talvez.
– Pai? Eu não acredito! –comemorou Stella no mesmo instante em que levantou-se da cama com um sobressalto, indo de encontro ao Capitão parado à porta com os braços abertos, pronto para recepciona-la.
Louis também levantou-se, caminhando lentamente na direção dos dois, e também não conseguiu conter um sorriso de satisfação ao presenciar aquela cena. Steve abraçou a filha com todas as forças que possuía, sentindo que ela estava fazendo o mesmo.
– Senti sua falta –murmurou a ruiva com o rosto apoiado no ombro de Steve.
O Capitão suspirou, aspirando o cheiro doce de Stella, enquanto a apertava ainda mais em seus braços, como se ela fosse algo precioso demais. Talvez fosse mesmo. E depois de longos minutos ainda abraçado a ela, Steve depositou um beijo carinhoso sobre a testa da filha.
– Eu também senti sua falta, meu anjo. Muita –respondeu na mesma intensidade, e pode ouvi-la rir aliviada. – Mas agora eu voltei, ok? E vou cuidar de você, Stella. Sempre –garantiu em seguida, e mais uma vez, ela sorriu, agarrando-se nas palavras ditas por ele.
Depois de um bom tempo, Stella afastou-se do pai e o observou atentamente. Algo estava errado, ela sentia. E pensando nisso, não conseguiu se segurar, e perguntou:
– E então? Vocês o encontraram?
Steve suspirou mais uma vez enquanto as duas garotas continuaram a encara-lo, ansiando por uma resposta. E logo, ela veio. Não uma resposta muito boa, mas foi uma resposta. A voz do Capitão saiu um pouco falha quando ele explicou:
– Infelizmente não. Percorremos todo o país, só que as pistas esfriaram, nós o perdemos. Ele pode muito bem ter voltado para a Rússia, não sei. Mas eu ainda não desisti. Vou continuar a procura-lo.
Louis e Stella sorriram uma para a outra, e depois de segurar as duas mãos de Steve, a ruiva o encorajou:
– Você vai encontra-lo, pai. Eu tenho certeza.
O Capitão não conseguiu deixar de esconder um sorriso sereno com as palavras de Stella, e então, depositou mais um beijo suave sobre a testa da garota.
Fale com o autor