National Anthem

18 Capítulo dezessete – Hunted


Notas iniciais
Oi, meu povo e minha pova!!! Hunter Pri na área e se derrubar é pênalti! Cuma? Weeeeeeeeeell, hoje, especificamente, não vou escrever minhas notas quilométricas porque não tenho muito o que dizer sobre este capítulo. Só que eu ameiiiiiiiiiii, só que a Miss também amoooooooooou e não ficou negoçada com o que ela escreveu. Ah! Quem gosta do bromance entre Steve e Bucky vai amaaaaaaaaaaaar também. Eu acho, né? Por fim, um pequeno alerta: preparem seus corações porque o final do capítulo ficou beeeeem tenso e um pouquinho revoltante, viu? Prontinho, acho que é isso. Boa leitura para ocês!


“Sorrowing man,

Look how worn you've become

There's blood on our hands,

In this perfect madness

You're living on borrowed time

Oh, how you have lost your way?

But you've lived and breathed

More than any man I know”

Sorrowing Man – City And Colour

A tarde caiu lenta, o colorido tom alaranjado do céu de Nova Iorque agora dava lugar a cor escura da noite à medida que o sol escondia-se por entre as nuvens, e ele mal percebera as horas se passarem. Havia permanecido boa parte do seu dia trancafiado em um dos laboratórios de Tony na Torre Stark, rodeado por tanta tecnologia que julgava ser impossível existir, e a constante companhia de Jarvis ainda o incomodava. Bucky nunca sequer imaginou que conversaria com uma voz robótica, e a possibilidade o fez rir sem graça. Precisava admitir, aquela inteligência artificial mostrava-se mil vezes mais inteligente do que pensou. Não era tão ruim assim, só teria que se acostumar, e algo no fundo de sua mente teimava dizer que ele conseguiria.

A conversa com Tony e Bruce durou horas e horas, Steve não saiu de seu lado um instante sequer, sempre com aquele olhar preocupado sempre que os dois cientistas esclareciam o que fariam para despertarem as memórias de Bucky, trazer de volta o que lhe foi roubado. O Soldado, por sua vez, escutava atentamente as explicações ditas, e constatou que poderia confiar em Bruce e Tony, já que ambos mostraram-se dispostos a irem até o fim naquela nova “missão”. Talvez não estariam fazendo tudo isso por ele em si, mas sim por Steve, afinal, era um amigo, e agora dizer ou pensar em tal palavra não parecia tão assustador assim. Mas Bucky continuou com a postura rígida, sério, o olhar alternado entre confusão e entendimento, duvidoso ao que se passava ali. Vez ou outra, conseguia soltar um mínimo sorriso com as ironias do Homem de Ferro.

Pouco a pouco, já estava acostumando-se com isso. As oscilações de humor eram constantes, podendo variar sem nenhum problema entre confiança e indiferença, suavidade e agressividade, bravura e receio, franqueza... E desengano. Algo tão fácil de acontecer que ele não importava-se mais nos olhares indiferentes que recebia, podendo jurar que pensavam que Bucky fosse louco. Não louco, apenas confuso. Um ex-assassino soviético com um passado conturbado que agora tentava libertar-se de seus próprios demônios, pagar o preço por suas ações, mudar. Sua redenção. Uma nova chance de vida. Essa era a verdade, não havia mais como negar, não havia mais porque negar. E era isso o que ele queria. Estava cansado de sentir-se preso à arma que se tornou, ao inferno no qual colocaram-no. Queria viver, livre, e faria isso, assim que conseguisse pôr a mão nos responsáveis pelo o que fizeram com ele. Os responsáveis que roubaram sua vida. Vingança. Os faria pagar. Por tudo.

Hesitou. Bucky relaxou a respiração pesadamente enquanto balançava a cabeça na intensão de esquecer tais pensamentos. Ainda era estranho, tudo muito novo, a confusão arrebatadora em um simples olhar. Queria poder entender o porquê de imaginar tamanha mudança em si mesmo. Mas ele conseguiria. Ou pelo menos, tentaria.

O gosto do passado o atormentou. A visão que tinha de si mesmo era improvável até mesmo para ele, não sabendo muito bem como lidar com aquilo. Tantas informações. Mas ele possuía as armas certas, as pessoas certas, e só precisava treinar sua confiança neles, em boa parte deles. De repente, a imagem de Stella veio em sua mente, a garota ruiva que agora tinha certeza de que poderia confiar de olhos fechados, o motivo ele não conhecia. Pegou-se pensando se ela confiava nele do mesmo jeito que ele tentava. Aquela alegria nos olhos dela o deixava confuso. Sempre de bom humor, sempre exalando felicidade por todos os poros de seu corpo. A presença dela era tão otimista que chegava a ser irritante. Mas ainda assim, era apaziguadora, trazia um sentimento bom, como se ele não precisasse medir suas palavras, embora talvez ainda precisasse.

Agora, Bucky permanecia sentado sobre um confortável sofá naquele laboratório, acolhido pelo bonito pôr do sol que via da janela à sua frente. Em suas mãos estava diversos documentos da SHIELD que envolviam seu nome, os quais ele perdera a conta de quantas vezes já havia lido e relido, na esperança de despertar qualquer memória que fosse, tentando entender quem foi, quem era, quem viria a ser. Passado e presente chocando-se em uma mistura harmoniosa de lembranças.

– Sabe, você costumava ser mais magro – observou Bucky em um tom divertido ao perceber a aproximação de alguém, e ele pôde jurar ver um sorriso singelo formar-se no rosto do amigo. Ao parar de frente para o Soldado, Steve uniu as sobrancelhas na direção dele, em um claro e fiel sinal de dúvida, ou até mesmo ironia. Diante disso, Bucky deu de ombros e completou: – E mais baixo também. Com certeza, muito mais baixo.

O Capitão demorou longos instantes até finalmente compreender o que Bucky acabara de insinuar, absorvendo aquelas palavras com uma ponta de esperança martelando no fundo de seu cérebro. Com isso, não conseguiu conter um sorriso de formar-se em seus lábios, os olhos brilhando vívidos, enquanto ele continuava a observa-lo.

– Você está lembrando? –perguntou, ainda encarando o Soldado que agora mantinha uma expressão neutra, mas aquela pergunta pareceu mais como uma afirmação. Ele afirmou positivamente, deixando um sorriso ligeiro transparecer, e com isso, Steve não conseguiu esconder uma risada otimista enquanto puxava um pequeno banco e sentava-se a frente de Bucky, que relaxou o corpo no sofá de cor branca e polida.

– São apenas alguns flashes, mas sim, eu estou lembrando –expôs com certa agonia em seu tom de voz, soltando o ar com força, imaginando o porquê de estar iniciando uma verdadeira revolução em sua cabeça, todas aquelas memórias reprimidas, agora podia ser quem realmente era. Ou pelo menos, tentar. – Ainda estou tendo dificuldade para distinguir o que real e o que não é – ele murmurou em seguida, encarando Steve com uma seriedade sem tamanho ao perceber o porquê de pensar que estava vivendo em um universo alternativo e que a qualquer instante acordaria de volta à HIDRA. A possibilidade o assustava.

– Eles nos ajudarão. Vamos conseguir mudar isso, tenho certeza que sim. Você já conseguiu lembrar algumas coisas, agora será apenas questão de tempo –garantiu Steve, ciente do que estava dizendo, com total certeza que tudo o que Bucky estava vivendo não era uma utopia. Imaginou o porquê de ver o amigo sentir-se daquele jeito, as diversas lavagens cerebrais eram as culpadas. Mas a chance de mudar era real. Ele era real. E mostraria isso. O faria acreditar. O Soldado sorriu com paciência, fielmente disposto a prosseguir. Devagar, traria de volta. Traria de volta o velho e esquecido James Barnes. Entretanto, percebendo a expressão angustiada dele, Steve colocou um sorriso no rosto e não esperou ao informar com divertimento: – Eu tenho uma coisa para você.

Bucky não disse nada, apenas continuou a observar o Capitão, agora com uma curiosidade sem precedentes em seus olhos. Unindo as sobrancelhas em um gesto duvidoso, ele estranhou as palavras que escutou. Notando isso, Steve levou uma das mãos ao bolso da calça, retirando de dentro um objeto prateado e desgastado pelo tempo. Mas ainda assim, não perdia sua beleza. Faltou-lhe o ar. Os olhos de Bucky arregalaram-se levemente no mesmo instante em que ele recebeu a corrente militar, segurando-a com firmeza entre seus dedos, reconhecendo o alto-relevo gravado no pingente, as palavras que o assombravam com fervor. Sargento Barnes. Não parecia mais tão errado assim.

– Onde... Onde conseguiu isso? –perguntou vacilante ao balançar o acessório no ar, não sabendo se devia agradece-lo por aquilo ou simplesmente sorrir como resposta, tão cuidadoso que chegava até mesmo a ser irônico. Steve deu de ombros.

– Uma velha amiga guardou durante todos esses anos, e quando soube que você estava de volta, ela não hesitou em me ligar, exigindo me devolver –explicou com simplicidade, não contendo uma pequena risada ao se lembrar da voz deteriorada de Peggy Carter, que mesmo assim, conseguia mostrar-se firme o bastante para dar uma ordem. Perdeu a conta de quantas vezes já havia ido visita-la, ainda conseguindo lembrar claramente o brilho nos olhos de sua velha amiga quando apresentou Stella à Peggy. A notícia que Steve agora era pai deixou-a estupefata, e feliz, muito feliz por ele. Era bom saber disso.

– Peggy? –quis saber Bucky, perdurando hesitante, as palavras morrendo lentamente, e a imagem de uma morena jovem, forte e bonita apareceu em sua mente, com mais uma chuva de lembranças, em sua maioria boas. A corrente ainda girava devagar nos nós de seus dedos com facilidade. O Capitão assentiu, respondendo à pergunta, e outro sorriso mostrou, feliz em saber que Bucky lembrou quem era Peggy Carter. E pensando nisso, querendo ver as marcas que o tempo causou, ele tornou a observa-lo atentamente e se manifestou: – Será que eu posso vê-la algum dia? Conversar com ela, talvez? Depois de tudo, acho que a devo isso.

– Tem certeza disso? –perguntou Steve, não sabendo exatamente se ele estava falando sério. Mas ao perceber o olhar convicto do amigo, ele teve certeza do que Bucky queria. Não havia porque negar aquilo, e sem dúvidas, Peggy ficaria feliz com a visita, pois ela sempre deixou claro que acreditava na mudança. O Soldado Invernal não é de todo um mal. Não quando ainda se é humano. Não quando ainda há salvação. Se queria fazer as pazes com seu passado, estava indo pelo caminho certo. – Ela sempre me perguntou sobre você, e ficará feliz, vai te fazer bem vê-la. É uma ótima ideia, Buck – admitiu em seguida, com certa alegria, e Bucky sorriu consigo mesmo diante disso.

O Soldado soltou um suspiro profundo, deixando seu olhar desviar de Steve para o pingente metálico em suas mãos. Estreitou o olhar ao sentir as letras gravadas no material, tão perto de si mesmo, tão perto de encontrar a si próprio. Logo, sentindo o amigo sorrir mais uma vez ao observa-lo com firmeza, Bucky engoliu toda a insegurança e finalmente envolveu o pescoço com a corrente, a frieza do colar o acolheu no mesmo instante, mas ele não se importou. Tudo o que conseguia sentir de verdade era uma sensação apaziguadora. Estranha, mas apaziguadora, como se aquele objeto tivesse nascido para estar com ele. De fato. Era como retornar as origens, mesmo sabendo que teria um longo caminho pela frente. Sorriu tímido ao esconder o mais novo acessório por debaixo da camisa que vestia.

– Só agora consigo ver o quanto eu perdi da minha vida por culpa deles. Os desgraçados da HIDRA que fizeram o que fizeram... Comigo. Quero faze-los pagar por isso –assumiu com desgosto, o ódio lentamente lhe dominando, pouco a pouco, e o Capitão o escutou com atenção, pois no fundo, também buscava vingança. Por tudo o que fizeram-no sofrer, ele faria em dobro. Estava disposto a qualquer coisa para alcança-los e destruí-los. E Bucky sabia disso. Claro que sabia, sempre soube. Então, voltou a encarar o amigo, juntou forças suficientes, e deixou que as palavras fluíssem: – Obrigado por não desistir de mim, Steve.

Havia escutado direito ou estava apenas delirando? O Capitão podia jurar ter perdido os sentidos por minutos, pego de surpresa com as palavras que acabara de ouvir. Não esperava por tal reação, mas não conseguiu negar que gostou daquilo. Era bom saber que já estava conseguindo resgata-lo do mundo das sombras. Seus demônios? Ele afogaria todos. A máquina não era mais tão máquina assim. Só precisava de paciência, e isso tinha de sobra. Parecia tão certo. E era. Completamente certo.

– Eu estou com você até o fim da linha, parceiro –respondeu Steve, ainda com aquele sorriso singelo e carinhoso, despertando novas memórias na mente de Bucky. As palavras tão conhecidas, perdidas no tempo. Lembrou-se do confronto no aero-porta-aviões da SHIELD, de toda a confusão que causou, aquela fora a última frase dita por Steve antes de despencar em queda livre. E foi salvo pelo próprio Soldado Invernal, o qual antes tentou o matar. Um sentimento de culpa ousou invadi-lo.

– Até o fim da linha –repetiu, soltando um pequeno riso, com certo pesar, sentindo a respiração se desregular com tamanha agitação. Não demorou muito para que Steve o acompanhasse na risada. Um momento que pareceu eterno.

Seus olhares se encontraram, como dois irmãos que acabaram de trazer de volta um ao outro. Por um instante sequer, o tempo pareceu não tê-los separado, cicatrizes que curavam com o remédio certo, a amizade que nunca morreu de verdade. Ambos sabiam disso. Aos poucos. Lentamente. Ele conseguiria. E não iria desistir. Não quando estava tão perto de encontrar a si próprio. Era esse o caminho. Ele seguiria o caminho. Seu destino.

“Yeah, I'll be good, I'll be good

For all of the times that I never could

Maybe I'm waking up today”

[...]

Já era tarde da noite quando Louis saiu do quarto vestida com seu típico uniforme azul escuro da SHIELD, destacando as curvas em seu bonito corpo, as letras iniciais da organização gravadas nos ombros do tecido apagado. Os cabelos ondulados e um tanto molhados estavam presos em um rabo de cavalo alto. Um coldre preso no uniforme carregava duas elegantes armas, uma em cada lado de sua cintura, deixando-a perigosamente pronta para qualquer surpresa, sua mente fulminando uma conhecida percepção de adrenalina. A respiração, ao contrário, continuava calma e relaxada.

Havia recebido uma ligação de Coulson alguns minutos atrás, exigindo a presença dela em uma missão de última hora, e Louis não hesitou em acatar tal ordem. Por mais que preocupasse seus pais a cada vez que saía de casa, ela amava aquilo, a sensação de bravura, salvar pessoas. As missões à favor da SHIELD eram sua vida, faziam-na se sentir imbatível, como se nada pudesse lhe abalar. E quando colocada em campo, seu trabalho era realizado divinamente, para ninguém por defeito, como uma grande e merecida agente nível sete, sempre com disposição a ajudar a todos, em tudo e mais um pouco. Suas técnicas de lutas eram fantásticas, nunca errava um tiro sequer. Se continuasse daquele jeito, não demoraria muito para subir para nível oito.

A garota terminou de descer as escadas que davam acesso à sala de estar, carregando uma mochila nas costas enquanto soltava a respiração de uma maneira pesada. A postura tornou-se rígida pouco a pouco, suas botas negras que iam na altura dos joelhos provocavam um baque surdo no chão lustrado da Torre à medida que caminhava devagar.

Ao finalmente chegar no recinto, encontrou Stella, Pepper e Natasha sentadas sobre o chão da sala enquanto dividiam um grande balde de pipoca, sem preocupação nenhuma. Romanoff estava com as costas apoiadas na parte inferior do sofá. Stella permanecia deitada no carpete escuro e com a cabeça encostada no colo da mãe. Próxima as duas, Potts, assim como a Viúva Negra, também mantinha as costas apoiadas no outro sofá as pernas relaxadas por cima das de Natasha. Todas riam e conversavam alegremente, e a cena daquelas três ruivas reunidas em um clima agradável fez Louis deixar transparecer um sorriso irônico, feliz por ver a amiga bem. Ou pelo menos, parecia bem.

Ao perceberem a chegada de Louis, as três deixaram seus olhares caírem sobre a garota à medida que as risadas diminuíam, e Pepper passou a observa-la com certa preocupação. Com isso, a Stark revirou os olhos com divertimento enquanto caminhava em direção à elas. As ruivas colocaram-se de pé no mesmo instante em que ficaram frente à frente com Louis. Stella e Natasha mantinham uma expressão neutra em seus rostos, conseguindo sorrir de vez em quando.

– Onde estão os garotos? –ela perguntou com curiosidade, arrancando sorrisos tímidos vindos das três ruivas ali presentes. Estranhou tanto silêncio.

– Clint e Sam foram chamados para uma missão. Tony e Bruce ainda estão trancafiados naquele laboratório com a mais nova dupla dinâmica –explicou Natasha, revirando os olhos com certo desprezo ao lembrar-se da presença nada agradável que teria que conviver constantemente. Louis a escutou com atenção.

– Mãe, não fala assim... –repreendeu Stella, e a Viúva Negra levantou os braços em sinal de rendição, fazendo-se de desentendida.

Stella e Louis trocaram rápidos e cúmplices olhares uma com a outra.

– É apenas mais uma missão, mãe, não precisa me olhar assim. Eu vou ficar bem –Louis virou-se na direção da outra ruiva e assegurou, convicta de si ao perceber o nervosismo palpável que se instalava em Pepper, não conseguindo esconder um sorriso bobo ao segurar firmemente as duas mãos da mãe, que também sorriu como resposta.

– Ok! Eu sei que você ficará bem, querida. Mas você sabe que eu não consigo deixar de ficar preocupada –justificou-se Pepper, fazendo um esforço sem tamanho para controlar o medo e a insegurança que atingiam-na. Ela sempre confiou nas habilidades de Louis para se defender sozinha, sabia que ela conseguia cuidar de si mesma, mas ainda assim, simplesmente não conseguia ignorar toda a tensão que sentia toda vez que presenciava sua filha sair em missão.

Com as palavras de Pepper, a garota sorriu ainda mais, não hesitou mais nenhum segundo sequer para aproximar-se mais ainda da mãe e abraça-la com todas as forças que conseguiu, sentindo um beijo suave em sua testa. Stella e Natasha também sorriam com a cena que presenciavam, reconhecendo o carinho que as duas tinham uma pela a outra, tão unidas que nada no mundo poderia separa-las. Louis afastou-se ainda que relutante, mantendo um olhar afetuoso na direção de Pepper.

– Promete que vai se cuidar, tá? –pediu Stella ao puxar a amiga em um abraço caloroso e repleto de preocupação, e Louis riu com a recomendação que recebera, parecendo que estava indo para uma guerra e nunca mais voltaria. Quanto exagero, era apenas uma missão. Mais uma missão em meio a tantas outras.

– Eu prometo me cuidar se você também se cuidar –replicou com ironia ao afastar-se de Stella e observa-la com curiosidade, lhe lançando um sorriso sugestivo. A garota arregalou os olhos ao entender o que ela quis dizer com aquilo. Logo, não resistiu e deu um leve empurrão no ombro de Louis, que novamente riu brincalhona.

Natasha observou as duas com ternura, admirando profundamente a amizade entre aquelas duas garotas, feliz por Stella sempre ter Louis à seu lado. As duas realmente tinham uma linda relação, como verdadeiras irmãs, fato que a deixava ainda mais orgulhosa. Não só Natasha, pois assim como ela, Pepper também prezava muito a amizade de Louis e Stella. Entretanto, quando Romanoff fez menção de aproximar-se da Stark para também abraça-la, algo a impediu. Não algo, mas sim, alguém. E as quatro sabiam muito bem a quem tal voz pertencia.

– Já de saída, irmãzinha? –indagou enquanto adentrava na sala de estar, e o tom de voz de Logan esbanjava ironia por todos os lados. Ele manteve uma distância segura das garotas, ainda assim permanecendo em uma posição que conseguisse ter uma visão completa de Stella, a qual o observava com uma raiva palpável, não imaginando o porquê dele estar ali.

– Não sei se você é estúpido ou corajoso de aparecer aqui na maior cara de pau –redarguiu Louis, devolvendo a ironia no mesmo nível que o irmão. Logan apenas riu com o comentário feito pela garota.

– Talvez um pouco dos dois –provocou, claramente irritando a irmã de todas as maneiras que conseguisse. Pepper encarava o filho com um profundo desgosto, e não demorou muito para que a ruiva deixasse seu corpo cair por cima do sofá, sentando-se sobre ele da maneira mais relaxada que pudesse. Logan apenas deu de ombros, seu olhar ainda fixo em Stella.

Pepper fechou os olhos, e prevendo uma confusão se aproximar, deixou o local, não aguentaria presenciar tudo aquilo.

Louis bufou de raiva e pensou em rebater aquela resposta mais uma vez. Porém, foi impedida de tal ação quando, subitamente, três rostos muito conhecidos também adentraram no ambiente, os passos firmes e decididos em direção a Logan. Ao vê-las, Natasha percebeu uma surpresa domina-la, e Stella, por sua vez, sentiu seu coração disparar no mesmo instante. Seu corpo ficou tenso, seus olhos se arregalaram mais uma vez, sua respiração tornou-se entrecortada. Com certeza a visita de Melinda May, Skye e Barbara Morse não podia significar boa coisa, principalmente quando as agentes estavam armadas até os dentes.

– O que está acontecendo aqui? É uma invasão, por acaso?! –bradou Louis com certa raiva, observando as companheiras de trabalho, a curiosidade dando espaço a uma fúria sem precedentes. Mas a Stark não era boba, não demorou muito para cair em si. O aborrecimento aumentou quando Louis voltou-se na direção do irmão e insinuou: – Eu não consigo acreditar nisso. Logan, o que foi que você fez?

Stella também percebeu o que Louis desconfiou, e sentiu seu coração doer ainda mais. Como poderia ter sido tão baixo? Mas o garoto pareceu ofendido com as palavras da irmã. Moveu seus olhos na direção dela, fazendo um grande esforço para manter a calma enquanto respondia simplesmente:

– O que eu fiz?! Eu fiz o que tinha que fazer, Louis, o que realmente era preciso ser feito, e que nenhum de vocês teve a maldita coragem de fazer!

– Nós precisamos falar com o seu pai, Louis, e com urgência –manifestou-se May, a voz firme e direta, dando um passo à frente na direção de Louis e Stella, e interrompendo o falatório de Logan, o qual apenas sorriu com aquilo e afastou-se um pouco mais para trás.

As garotas engoliram em seco ao mesmo tempo, já imaginando o porquê daqueles agentes estarem ali. Um frio percorreu a mente de ambas só de sequer pensarem no que viria pela frente, e a raiva maior que sentiam era por Logan, que mostrava-se o único culpado por aquela situação. Se não fosse por ele, teriam mais tempo para pensar em alguma estratégia.

– Será que eu posso saber que palhaçada é essa na minha casa, agente May?! –a chegada repentina de Tony despertou a atenção de todos, surgindo de um dos laboratórios da Torre. Sua voz se sobressaltou, e Louis o encarou, buscando qualquer tipo de apoio. À seu lado, Bruce mantinha um olhar indiferente, conseguindo sentir a onda de perturbação lhe atingir.

– Sr. Stark, precisamos conversar –respondeu Melinda, tentando manter-se a mais pacífica possível. Ao lado dela, Skye e Bobbi cruzaram os braços com impaciência, ambas adquirindo uma postura séria. Mas Tony não sentiu-se abalado, muito pelo contrário, arqueou as sobrancelhas na direção da agente. Diante disso, May não esperou para expor: – Acho que você já desconfia do porquê de nossa visita. Nós sabemos que ele está aqui, Tony, e só queremos que você coopere conosco.

Ainda juntas lado a lado, mais uma vez, Stella e Louis trocaram olhares nervosos, e Natasha, apenas postou-se próxima a Bruce, querendo permanecer alheia aquela situação que não lhe agradava nem um pouco. O Dr. Banner parecia ter uma visão diferente da ruiva, pois faria o que fosse necessário para impedir que um desastre acontecesse ali.

Diante das palavras que escutou, Tony soltou um suspiro raivoso, continuando a encarar May.

– Jarvis, chame os dois –pediu com antipatia, e a inteligência artificial rapidamente o obedeceu. Silêncio. Tony então deixou que seu olhar caísse sobre Logan, e indagou severamente: – Você não tinha o direito, Logan. Não tinha.

Louis concordou mentalmente com as palavras do pai, enquanto Logan engoliu um grunhido de raiva. Seus olhos voltaram a observar Stella, mas a ruiva desviou o rosto no mesmo instante em que percebera o encarar. Ela não conseguia descrever o sentimento que a dominava naquele momento, uma mistura perfeita de insegurança, raiva e pavor, todos juntos em uma completa confusão de pensamentos, os piores possíveis. Nem sequer conhecia mais o garoto por quem um dia havia se apaixonado. Parecia tão utópico agora que via claramente quem ele realmente era.

Entretanto, Stella não conseguiu pensar em mais nada quando visualizou Steve subir as escadas que davam acesso ao andar de baixo, e um pouco mais afastado dele, Bucky o seguia a passos firmes e rígidos, os punhos cerrados com força, sério, de volta com a tão conhecida frieza em seu olhar. O coração dela despedaçou-se em preocupação, o corpo tenso novamente. Nenhum dos dois manifestaram-se. A garota permaneceu inerte ao sentir ambos passarem por ela, e agora postando-se à sua frente, cara a cara com May e Skye. Bobbi levou uma das mãos ao coldre em sua coxa em um claro sinal de tensão. Não demorou muito para que Tony se aproximasse, agora ficando ao lado do Soldado, que continuou a encarar as agentes com certo ódio, desconfiança pura.

– Muito bem, aqui estamos – disse o Capitão, mantendo-se o mais calmo e compreensível possível, ao contrário de Bucky, que, do seu lado, não tentou parecer sociável. Não diante daquela situação.

Louis apertou a mão de Stella com força e sorriu na direção da amiga antes de afastar-se, e a ruiva não conseguiu mover-se um centímetro sequer. Tony cruzou os braços, preparado para qualquer confronto que fosse, e deixou um sorriso transparecer em seus lábios no mesmo instante em que sentiu Louis aproximar-se e ficar ao lado do pai, também sorrindo cúmplice. Natasha engoliu em seco, não sabia como reagir, e Bruce observava tudo de longe, atencioso. Já Logan... Havia deixado o ambiente minutos antes.

– Sargento Barnes, creio que deva nos acompanhar até a SHIELD. Temos um mandado de prisão expedido pelo governo americano, mas acho que não será necessário se o senhor cooperar conosco. Posso lhe garantir que o Diretor Coulson quer apenas conversar –a explicação pausada de May deixou Stella ainda mais tensa. Mandado de prisão? A simples ideia de vê-lo preso em uma cela fazia sua cabeça rodar. Sabia que não seria nem um pouco fácil.

– Você tem certeza de que quer fazer isso? –perguntou Steve ao virar-se na direção do amigo, que apenas balançou a cabeça em um gesto positivo, sempre mantendo uma expressão séria e insensível, indecifrável. Precisava fazer isso. O Capitão assentiu, lançou um rápido olhar na direção de Tony, que entendeu completamente sem que ele dissesse uma palavra sequer. Em seguida, Steve virou-se para Melinda mais uma vez, e respondeu: – Se o Coulson tentar alguma coisa contra ele, pode esquecer qualquer tipo de acordo, agente May.

– Tenha certeza que as nossas intenções são as melhores possíveis, Capitão Rogers –redarguiu, e ao seu lado, Skye retirou um objeto metálico de dentro do uniforme. Logo, May explicou novamente: – Um Quinjet espera por nós a alguns quilômetros daqui e nos levará direto até a base da SHIELD onde o Diretor Coulson estará lhe esperando.

– Isso é mesmo necessário? –Louis apontou para o objeto que Skye carregava com cautela, e a pergunta da garota veio com certa indignação. Não precisavam fazer tudo aquilo. Ou precisavam? Bucky estava disposto a cooperar, deu todos os sinais de que agiria pacificamente. Porém, a SHIELD também teria que fazer sua parte. Nada de trata-lo como um animal enjaulado, ou a situação se complicaria.

– Procedimento padrão, agente Stark –redarguiu Bobbi, os olhos firmes sobre o Soldado à sua frente, e ele permaneceu com a expressão severa, ora observando as três agentes, ora observando Steve e Tony, ambos parecendo tensos, receosos que algo ali desse errado. Mas Bucky não queria nenhum problema ali, estava mesmo disposto a enfrentar tudo e mais um pouco, não daria outro passo em falso dessa vez. Não de novo.

Skye suspirou pesadamente enquanto aproximava-se de Bucky, segurando em suas mãos um par de algemas... Diferenciadas. Pareciam machucar mais do que o necessário. Não demonstrou medo. Mas para a surpresa dela, o Soldado não hesitou, apenas estendeu os braços, deixando que a agente apertasse as algemas ao redor dos pulsos dele. Mostrou-se sério, sem um pingo de humanidade sequer. Quão difícil era de entender que ele não era um monstro? Então por que toda essa revolução?

Tudo foi tão rápido, e ela não pôde fazer nada para impedir, apenas observou tudo com seus próprios olhos, jurando ouvir seu coração pular algumas batidas. Sentia-se culpada. Stella mal o reconheceu, tão diferente do homem o qual havia conversado horas atrás, tão escondido por detrás daquela máscara insensível que apossou seu rosto. Ele nem sequer dignou-se a encara-la. O motivo? Desconhecia. Mas ainda assim, a ruiva não pareceu temer, pelo contrário. Compreendeu. Bucky precisava agir assim, precisava esconder suas emoções e sua recente capacidade de sentir para não acabar ficando vulnerável diante da SHIELD, o que seria muito pior. Era necessário.

– O Bucky vai ficar bem, Stella. Não se preocupa, eu não deixarei nada acontecer com ele, confia em mim – disse, uma rapidez absurda, quase tropeçando nas palavras. Louis não teve tempo de esperar uma resposta de Stella pois precisou apressar-se para seguir o caminho das duas agentes. A ruiva acreditou fielmente nas palavras da amiga. Não entendia o porquê, mas sabia que Louis faria o que era certo. Ela conseguiria.

A garota observou a cena com pavor. À frente, iam Bobbi e May, que seguravam o Soldado pelos braços, uma de cada lado, guiando-o com rudeza aparente. Ele ainda mantinha uma postura confiante, e Louis, que seguia os três, sorriu de canto. Mais atrás, iam Steve, Tony e Skye, os escoltando com certa tensão. Não demorou muito para que sumissem das vistas de Stella. E com isso, ela não conseguiu mais controlar a angústia que a dominou. Tudo o que lhe restava fazer era esperar. Confiaria nisso. Talvez tudo ficaria bem. Talvez.

“Don’t care if he’s guilty, don’t care if he’s not

He’s good and he’s bad and he’s all that I’ve got

He did what he had to do”

Notas finais
E aí? O que acharam? Gostaram? Odiaram? Querem matar o Logan? Querem ajuda? Bem, eu, particularmente, estou confiando no bom senso do Coulson, então... Vamos aguardar e ver no que isso vai dar. Mas que deu uma dózinha do Bucky, isso deu. Ô judiêra... O coitadinho lá, tentando retomar a sua vida, conversando com o Steve, pensando na Stellinha, pensando nele mesmo, no que vai fazer e aí... Pimba! O caldo entorna desse jeito? Ô judiêra again... Bem, vou passar a bola para ocês! Reviews? Bjs! Fiquem com Odin!