Nation: A garota da capa vermelha

40 Jacob - O Resgate da Rainha


As aeronaves pousaram com precisão sobre a clareira árida e silenciosa. O ar parecia mais denso ali, quase impossível de respirar. O calor era seco, e a poeira avermelhada do solo cobria tudo como um manto de abandono.

O coração batia forte em meu peito. O bracelete ainda queimava contra minha pele, mesmo em silêncio.

Ela estava aqui. Ou estivera.

Saltamos, um a um, da nave. Claire e Bree lideravam a formação de reconhecimento, seguidas por Paul e Sam. Carlisle desceu ao meu lado, os olhos pesados, escaneando o horizonte da cidade devastada à frente.

Ruínas. Vidros quebrados, construções consumidas por raízes grossas e escuras. A cidade parecia ter sido engolida por uma guerra antiga e esquecida.

Seth caminhou até mim, sua expressão ainda carregada de medo e arrependimento.

— Foi aqui. Seguimos os rastros de um grupo que levava humanos... para alimentar vampiros ilegais. O cheiro de sangue estava por toda parte. Renesmee achou que era nossa chance de erradicar esse núcleo. — Ele respirou fundo. — Mas caímos numa emboscada.

— Por quem? — Perguntei, rangendo os dentes.

— Não vimos. Sombras... ruídos nas paredes, nos esgotos. Levavam um por um. Quando tentamos recuar, ela… — Seth abaixou o olhar. — Ela ficou para proteger os humanos que conseguimos libertar.

Meu punho cerrou.

— Por que não recuaram antes? Por que diabos não me avisaram?

Sam ativou o mapa holográfico sobre uma mesa improvisada entre dois escombros.

— Vamos discutir isso depois, Jacob. Agora precisamos montar a estratégia de entrada. Se ela estiver viva, vai estar nas zonas mais profundas. Por aqui. — Ele apontou para uma rede de túneis sob o setor oeste.

De repente, Emmett surgiu ao nosso lado, escoltado por Mike e Jessica. Seus olhos se fixaram em mim.

— Você acha que vai liderar essa missão sozinho? — Disse Emmett. — Se tentar se meter no nosso caminho, vai acabar no chão.

— Se vocês atrapalharem, eu mesmo dou um jeito — rosnei, os olhos flamejantes.

Emmett riu e deu um tapa firme no meu ombro.

— Você não conhece os caçadores. Ninguém aqui vai parar até trazer ela de volta.

Jessica e Mike passaram por mim, armados com lâminas forjadas em Hummam, e sumiram na névoa baixa da cidade.

Bree se aproximou, firme como sempre.


— Sua rainha precisa de limites, Jacob. Está se arriscando como uma soldada.

— E eu não estou preocupado com limites agora. Ela está viva é o que importa.

Ela ficou em silêncio por um instante, depois se afastou.

Carlisle se posicionou ao meu lado, com o olhar distante.

— Essa cidade costumava pulsar com vida… — murmurou ele. — Agora… tudo aqui respira morte.

Eu olhei para a entrada dos túneis ao longe, onde os primeiros passos seriam dados.

A manhã estava apenas começando.

E minha caçada também.


A luz tênue da manhã mal atravessava as nuvens carregadas de poeira enquanto avançávamos pela cidade abandonada. O mapa de Sam indicava os túneis subterrâneos como o provável ponto de captura, e todos estavam em formação tática — cada passo em silêncio, cada movimento estudado.

— Estão sentindo isso? — Murmurou Paul atrás de mim.

— Sangue. E recente — respondeu Bree, os olhos atentos varrendo os becos estreitos.

De repente, um som seco, como unhas arranhando metal, ecoou por entre os prédios desmoronados. E então... silêncio absoluto.

Meu instinto rugiu por dentro.

— Formação defensiva! — Gritei, mas era tarde demais.

Das sombras surgiram criaturas magras, olhos opacos e dentes afiados — vampiros ilegais, famintos, selvagens. Suas roupas estavam rasgadas, pele cinzenta, e as mãos manchadas de sangue fresco.

Sam uivou a ordem para a tropa, e os primeiros lobos saltaram à frente, rugindo com fúria. Os vampiros hesitaram — o medo que tinham dos nossos era real — mas a fome era maior. O confronto explodiu.


Gritos, estalos de ossos, a dança mortal de caçadores e guardiões. Claire cortava com precisão, Bree lutava com raiva nos olhos, Emmett esmagava um oponente contra a parede.

Foi quando senti.

Meu bracelete queimou no pulso.

Vibrou com força.

A luz rubra pulsou intensamente, e a voz fria de Kiwwi surgiu, metálica, cruel:

— Alerta. Rainha em estado crítico. Energia vital: 50%. Recomendamos extração imediata.

Meu coração parou. Os sons da batalha desapareceram por um instante.

— Não... não, Nessie — murmurei, desesperado, já correndo por entre os becos.

Seth me alcançou, os olhos arregalados.

— Jacob?! O que houve?


— Ela está ferida! — Gritei. — Está viva, mas perdendo força rápido. Temos que achá-la agora!

— Vamos dividir! — Gritou Emmett. — Jessica, Mike, comigo!

— Paul, Quil, comigo! — Comandei, e logo seguimos pelos corredores estreitos da zona oeste.

Cada metro percorrido doía. O bracelete continuava a vibrar, pulsando como o coração dela — cada vez mais fraco.

Ela precisava de mim.

E eu não ia deixar que a levassem de mim.

Não dessa vez.

As ruas quebradas da zona oeste pareciam todas iguais, mas o bracelete vibrava com força crescente. A cada passo, a pulsação rubra ficava mais intensa. Ela estava perto. Eu podia sentir.

— Aqui! — Gritou Seth, apontando para uma trilha de arranhões no concreto e manchas escuras espalhadas pelo chão. Sangue.

Paul parou abruptamente, farejando o ar.

— Tem muitos deles aqui… — rosnou.

Antes que pudesse reagir, um grupo de vampiros saltou das sombras, rugindo como animais encurralados. Emmett, Mike e Jessica recuaram, surpresos com a quantidade.

— Droga, são muitos! — Gritou Emmett, puxando Jessica para trás. — Eles estão desesperados!

— Sam! — Gritei;

Ele me olhou por um segundo. Bastou.

— Agora. — Ordenei com minha voz alfa.

Sem hesitar, Sam, Quil e Paul correram para frente — e se transformaram diante de todos.

O som da pele rasgando, dos ossos se reconfigurando, encheu o ar como trovões. Os três lobos surgiram imponentes — enormes, imensos, olhos brilhando com fúria selvagem. O chão tremeu sob suas patas. Um silêncio absoluto tomou conta da rua.

— O… o que…? — Mike recuou, os olhos arregalados.

Jessica caiu sentada no chão, boquiaberta. Emmett, por sua vez, só conseguiu murmurar:

— Isso... isso é real…

Mas não havia tempo para mais. Os lobos investiram contra os vampiros, abrindo caminho entre os becos como uma força da natureza. Uivos, gritos, estalos de ossos. O bracelete agora queimava no meu braço, como se ela estivesse gritando por mim.

— Mais à frente! — gritei, correndo por entre os destroços.

Passei por um muro semi-destruído e vi a casa.

Pequena. Silenciosa.

Mas com cheiro de sangue.


Empurrei a porta com força e entrei.

O cenário era um pesadelo.

Ela estava no chão. O vestido rasgado. O rosto pálido. Havia cortes em seus braços. E sobre ela, um dos desgraçados, os olhos cheios de fome e perversidade.

Meu mundo escureceu.

Rugi como um monstro.

Avancei e o arranquei de cima dela com tanta força que seu corpo voou pela parede. Antes que tocasse o chão, minhas mãos já estavam em seu pescoço. Um estalo. O som seco de ossos quebrando. O silêncio.

Caí de joelhos ao lado dela.

— Nessie… — minha voz tremeu.

Seus olhos se abriram, marejados.

— Você está atrasado… — sussurrou, com um sorriso fraco.

— Eu te disse para quebrar o bracelete antes, amor — murmurei, puxando-a contra o peito. — Eu vim. Eu estou aqui.

Ela se aconchegou em mim, a respiração fraca.

E naquele momento, com ela nos meus braços e o mundo pegando fogo lá fora, tudo fez sentido de novo.

— Ela está envenenada — a voz de Claire soou firme atrás de mim, seus olhos avaliando Renesmee com precisão.

— Veneno? — Meu coração gelou.


— Mordidas múltiplas. Eles… — Claire hesitou — Eles estavam drenando a energia vital dela.

Senti meu sangue ferver. Desgraçados.

— Leah precisa saber — ordenei. — Preparem o retorno. Agora.

Claire assentiu, tocando seu próprio bracelete.

Ativei o meu com um toque e falei entre dentes:

— Kiwwi, emergência. Transferência de energia vital.

A voz eletrônica respondeu instantaneamente:

— iniciando transferência. Atenção: essa ação reduz a vitalidade de Vossa Majestade em 40%.

— Faça. — Grunhi, apertando Renesmee mais forte.

Uma luz suave envolveu o bracelete no pulso dela e no meu. Senti a fraqueza me atingir como um soco, mas não importava. Ela primeiro.

Os olhos dela se fecharam completamente.

— Ela vai ficar desacordada durante o processo — disse Claire, colocando a mão no meu ombro. — Mas ela vai sobreviver, meu rei.

Assenti, mas não confiei na minha voz.

Lá fora, o caos ainda reinava. Vampiros sendo rasgados pelos meus lobos. Gritos abafados. O som de ossos estalando.

Quil uivou, parando ao meu lado na forma de lobo — gigantesco, quase do tamanho de um carro, os olhos dourados me encarando com determinação.

— Você sabe o que fazer — murmurei, montando em suas costas.

Segurei Renesmee contra meu peito, protegendo seu corpo frágil com os braços. Quil se abaixou para facilitar minha subida e depois se ergueu, uivando novamente.

— Sam, cobertura! — berrei.

O lobo cinza à distância respondeu com um uivo, posicionando-se à frente para abrir caminho.

— Rei de Quilay em retirada! — a voz de Embry ecoou pela cidade.

Paul e Claire surgiram logo atrás de nós. Vampiros tentaram se aproximar, mas foram despedaçados antes que sequer chegassem perto.

Quil disparou.

A velocidade de um lobo lendário era algo que nenhum humano jamais imaginaria. Saltávamos sobre escombros, paredes quebradas, atravessávamos ruas inteiras com apenas um impulso.

Eu segurava Renesmee com toda minha força, sentindo sua respiração fraca contra meu peito.

— Aguenta, minha rainha — sussurrei contra seus cabelos. — Eu prometi que sempre te traria de volta.

Quil rugiu ao ver a aeronave de Quilay já aterrissada na clareira próxima.

Sam, ainda em forma de lobo, tomou a dianteira, enquanto Paul cobria nossa retaguarda. Os caçadores de Hummam ficaram para trás, atordoados com o que haviam testemunhado.

Assim que chegamos na nave, Bree já nos aguardava na rampa de acesso com equipamentos.

— Ela precisa de estabilização! — Disse Bree, o olhar determinado.

Desci de Quil com um salto cm Renesmee nos braços. O coração parecia que ia explodir dentro do peito.

O bracelete no pulso dela piscava lentamente… transferência de energia vital: 67%.

Fechei os olhos por um momento, respirando fundo.

Ainda não acabou.

— Vamos para casa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.