Nation: A garota da capa vermelha

13 Jacob- A união dos reinos


O sol ainda não havia dado as caras quando fui abruptamente acordado por Kiwwi, meu fiel assistente.

" Bom dia, Majestade. São 4:45 da manhã, seu banho real está pronto, suas vestes estão à disposição. Vossa Majestade tem exatas uma hora para estar pronto na área de embarque de Quilay."

Bocejei, tentando espantar o cansaço que ainda me prendia à cama. Concordei com um aceno de cabeça, lamentando a decisão de ter celebrado até tarde com meus irmãos de combate. O efeito da bebida ainda latejava em minha cabeça, e minha boca estava seca como o deserto. Levantei-me com dificuldade e segui para o banho. A água quente aliviou um pouco o peso nas têmporas, mas não o suficiente para me sentir totalmente renovado. Usei exatos 45 minutos para me recompor, vestir-me adequadamente e tentar parecer o rei que meu povo esperava ver.

Quando finalmente saí, senti-me um pouco mais humano. Ao chegar ao veículo, lá estava Renesmee, me esperando com sua serenidade habitual. Ela já parecia completamente desperta, a postura impecável, um leve sorriso nos lábios.

— Bom dia, princesa — disse ao entrar no veículo, tentando soar mais alerta do que realmente me sentia.

— Bom dia majestade — respondeu ela, sorrindo gentilmente. — Você está bem?

Antes que eu pudesse responder, Seth, sentado no banco à frente, virou-se com um sorriso zombeteiro.

— Acho que a princesa está conhecendo o outro lado de seu futuro marido: o rei com ressaca.

Lancei-lhe um olhar que expressava exatamente o que eu queria fazer naquele momento — jogá-lo para fora do veículo em movimento. Renesmee olhou para mim por alguns segundos, analisando meu estado com um olhar perspicaz, antes de falar com a mesma gentileza de sempre.

— Não se preocupe, Majestade. Tenho certeza de que o café de Humman vai te ajudar.

Assenti, apreciando sua preocupação, embora estivesse mais preocupado com o que o dia nos reservava.

— Obrigado, princesa, tenho certeza que até chegarmos estarei recuperado.

O veículo começou a se mover, e seguimos em direção ao setor de embarque de Quilay, onde a guarda real já nos aguardava. A viagem até Humman estava prestes a começar, e com ela, uma nova etapa em nossas vidas. Por mais que o cansaço ainda me assombrasse, a perspectiva de oficializar o compromisso com Renesmee me dava forças para continuar. Mesmo que, no fundo, a ansiedade ainda rondasse, o apoio silencioso da princesa ao meu lado tornava tudo mais suportável.

No setor de embarque, as preparações estavam em pleno andamento. A guarda real, sempre disciplinada, estava alinhada e pronta para a jornada. Ao sairmos do veículo, os primeiros raios de sol começaram a despontar no horizonte, banhando Quilay com uma luz dourada, uma despedida silenciosa antes da nossa partida.

O sol estava mais forte quando cruzamos a floresta e avistamos a entrada de Humman. O exército de humanos estava em alerta, suas armaduras brilhando sob a luz matinal. Ao verem a princesa Renesmee e a escolta de Quilay, os soldados abriram os portões, anunciando a nossa chegada com formalidade.

Quando Renesmee saiu do veículo, a expressão de alívio no rosto de seu pai, o rei Carlisle, era evidente. Ele a abraçou calorosamente, e eu me aproximei para cumprimentar o rei.

— Sua Majestade, eu devo explicações — disse, tentando manter a compostura diante do rei e de sua família.

Carlisle assentiu, sua expressão séria mas compreensiva.

— Espero que você tenha uma boa explicação para ter desaparecido com minha filha — respondeu ele.

Edward, o filho mais velho do rei, lançou-me um olhar de reprovação, suas sobrancelhas franzidas. Aproximou-se da irmã com um gesto de afeto que, no entanto, não pareceu trazer satisfação para Renesmee. Ela se manteve rígida e reservada, como se a situação estivesse apenas começando a se complicar.

Carlisle e Edward conversaram em murmúrios enquanto Renesmee permanecia ao meu lado, visivelmente desconfortável com a recepção. O rei e sua família estavam claramente preocupados com o que havia ocorrido durante nosso tempo fora. A tensão no ar era palpável, e eu sabia que precisaria lidar com as expectativas e o descontentamento que se formavam. A chegada a Humman seria um teste não apenas para meu compromisso com Renesmee, mas também para a nossa habilidade de resolver questões diplomáticas complexas e garantir uma transição suave para a nova fase de nossas vidas.

Jacob estava trancado no salão real com o rei de Humman, Carlisle, e sua escolta. O ambiente era imponente, com tapestries antigas nas paredes e uma atmosfera carregada de expectativa. Carlisle ocupava seu trono ao lado do filho mais velho, Edward, enquanto a rainha havia levado Renesmee para uma conversa privada, preparando-a para o que estava por vir.

Carlisle começou a conversa com uma voz ponderada:

— Jacob, você sempre foi um grande amigo de Humman. Acredito que você tem uma explicação para o ocorrido.

Refleti por um momento sobre como abordar a situação. Não queria revelar a verdade sobre os crimes da filha caçula de Carlisle contra o reino, então optei por uma versão mais diplomática.

— Encontrei a princesa — comecei, tentando manter a calma — que havia sido sequestrada e ferida por saqueadores. A levei para Quilay porque, no momento em que a vi, percebi que ela havia sido escolhida pelo lobo.

Carlisle olhou-me surpreso, seus olhos brilhando com uma mistura de dúvida e curiosidade.

— Então as lendas sobre como os lobos escolhem suas parceiras são verdadeiras — comentou ele, ainda processando a revelação. — Mas, minha filha...

— A razão de minha vinda a Humman — interrompi — é para pedir a mão da princesa Renesmee em casamento.

Um sorriso de satisfação se formou no rosto de Carlisle.

— Não esperava menos do Rei de Quilay. Essa união será também a união de dois reinos, trazendo abundância para ambos.

Assenti, aliviado por seu apoio.

— Quero que saiba que essa união não é uma proposta comercial. Eu amo a princesa e estou disposto a aceitar qualquer condição que sua Majestade estipular para que o casamento seja realizado o quanto antes.

Carlisle olhou para mim com um olhar pensativo, e pude ver que ele estava considerando minha proposta com seriedade. A tensão do momento parecia se dissipar um pouco, substituída por um sentimento de esperança e possibilidade.

— Entendo — disse ele finalmente. — Se você está realmente comprometido, então precisamos discutir os termos e garantir que todos os aspectos estejam em conformidade com as tradições e expectativas de ambos os reinos.

A conversa continuou com discussões sobre os detalhes e condições do casamento. Apesar da gravidade da situação e das complexidades envolvidas, a sensação de que um novo começo estava se formando me deu um leve sentimento de esperança. A união entre Quilay e Humman poderia ser o início de uma nova era para nossos reinos, e eu estava pronto para enfrentar os desafios para garantir que isso se concretizasse.