Finalmente, depois de dois dias que pareceram uma eternidade, eu estava no jardim do castelo, à espera de Renesmee. A noite estava clara, e o céu de Humman parecia um manto negro salpicado de pequenas luzes distantes. Aquele breve momento de silêncio me permitiu acalmar o coração, que batia acelerado à medida que a hora do nosso encontro se aproximava.

Eu estava vestido com um traje digno de um rei: uma túnica de tecido fino e negro que caía perfeitamente sobre meus ombros, adornada com bordados dourados que destacavam as insígnias de Quilay. Uma capa longa e pesada pendia das minhas costas, presa por um broche prateado em forma de lobo. As botas de couro macio me davam um ar ainda mais imponente, completando o visual que transmitia ao mesmo tempo poder e elegância.

Enquanto olhava para o céu, perdido nos pensamentos, a voz dela, suave como uma melodia, cortou o silêncio da noite, fazendo meu coração acelerar.

— As estrelas parecem mais distantes em Humman.

Virei-me e, ao vê-la, meu sorriso foi inevitável. Ela estava deslumbrante em um vestido vermelho que realçava ainda mais a beleza de sua pele clara. O tecido fino e sedoso do vestido fluía graciosamente ao redor de seu corpo, marcando sua silhueta de forma delicada. Pequenos detalhes dourados decoravam a cintura e os ombros, e uma fina camada de tule cobria os braços, dando-lhe um ar etéreo, quase como se fosse uma visão. Seus cabelos estavam presos em um coque elegante, mas algumas mechas soltas emolduravam seu rosto, dando-lhe um toque de suavidade que me deixava sem palavras.

— Sim — respondi, ainda sorrindo. — Talvez seja o ambiente, ou talvez seja porque estamos longe de Quilay. — Por um instante, não consegui tirar os olhos dela, admirando o quanto ela parecia perfeita.

Renesmee se aproximou devagar, e havia algo em sua expressão que a tornava ainda mais atraente, uma mistura de timidez e confiança que era difícil de resistir.

— Por um momento, achei que o príncipe havia desistido.

A proximidade entre nós se tornou palpável, e por um breve instante, eu me perguntei se ela podia ouvir meu coração batendo descontroladamente em meu peito. Foi então que o bracelete no meu pulso emitiu um sinal eletrônico suave.

" Limite de aproximação alcançado — a voz eletrônica de Kiwwi soou em um tom impessoal, interrompendo o momento. — Para continuar a aproximação, autorização de parceiros é necessária."

Sorri ao ouvir a mensagem e estendi minha mão para Renesmee. Ela hesitou por um breve segundo, mas então colocou sua mão delicada sobre a minha. Com um gesto suave, passei meu bracelete sobre o dela, ouvindo o som quase imperceptível do sistema ativando.

" Modo de parceiros ativado — Kiwwi anunciou em seu tom sempre neutro. — Aproximação de parceiros autorizada."

Renesmee riu suavemente, um som que fez meu coração se aquecer.

— O meu bracelete também fala — ela disse, olhando para o dispositivo em seu pulso. — Alice conversou com ele o dia todo.

Eu ri, imaginando as intermináveis conversas que Alice devia ter tido com o bracelete.

— Deveria sorrir mais, Jacob — ela disse, olhando-me de lado. — Fica mais bonito assim.

Segurei sua mão com mais firmeza, sentindo o calor que emanava dela. Quando nossos olhos se encontraram, percebi o leve rubor que tingia suas bochechas.

— Diante de Carlisle, já estamos casados, sabia? — disse, tentando suavizar a tensão que se formava entre nós.

Ela assentiu, seus olhos brilhando à luz das estrelas.

— Posso pedir uma coisa?

— Sim — respondi, curioso.

— Ainda não pedi.

Sorri novamente, lembrando-me das palavras que havia lhe dito antes.

— Lembra que eu disse que casar comigo tinha suas vantagens?

Renesmee sorriu, e o rubor em seu rosto se intensificou.

— Sim, me lembro.

— Então peça o que quiser — falei, sentindo que, naquele momento, eu estava disposto a lhe conceder qualquer coisa.

Ela respirou fundo, como se reunisse coragem para falar o que estava em seu coração.

Renesmee olhou para o portão do jardim, seus olhos se fixando em uma figura que emergia da escuridão. Segui seu olhar e também a vi—a silhueta de uma mulher parada à beira do jardim, envolta nas sombras, como se estivesse deliberadamente se mantendo distante.

— Quem é ela? — perguntei, sentindo uma ponta de preocupação se formar em meu peito.

Renesmee desviou os olhos da mulher e os voltou para mim, seu olhar suplicante, cheio de uma emoção que eu não conseguia decifrar completamente.

— Tem a ver com o seu pedido? — perguntei, minha voz firme, mas não agressiva.

Ela assentiu com a cabeça, seus olhos brilhando de algo que se assemelhava a medo. Uma hesitação passou por seu rosto, mas então ela respirou fundo e falou:

— Jacob, quando eu for definitivamente para Quilay, quando me tornar sua rainha... — Ela hesitou, a voz dela era suave, quase um sussurro. — Você permitirá que eu a leve comigo?

Olhei para ela, sentindo a seriedade do pedido que fazia. Era mais do que uma simples solicitação, era algo que vinha do fundo de sua alma. Senti um leve desconforto se instalar, algo que me dizia que havia mais nessa história do que eu conhecia.

— Quem é ela? — perguntei novamente, meu tom mais suave desta vez. Renesmee abaixou os olhos por um momento, e pude ver a luta interna que ela travava. Quando finalmente ergueu o olhar novamente, havia uma determinação em seus olhos que eu não podia ignorar. — Não importa quem ela seja, Renesmee — disse, tentando tranquilizá-la. — Nada mudará o que temos, ou o que estamos construindo.

Ela mordeu o lábio, como se estivesse decidindo se deveria ou não confiar em mim. Depois de um breve momento, ela sinalizou para a mulher, que começou a se aproximar lentamente, quase como se tivesse medo de ser vista mais de perto.

Quando a mulher finalmente parou diante de mim, ela fez uma reverência, a cabeça inclinada em respeito.

— Majestade — disse ela, a voz dela era baixa e reverente.

Olhei para Renesmee e, antes que ela pudesse responder à minha pergunta, meus olhos voltaram para a mulher. E então, como se uma peça final de um quebra-cabeça tivesse se encaixado, compreendi. As feições da mulher, a forma como seus olhos brilhavam com uma intensidade familiar—eram as mesmas de Renesmee. O mesmo olhar, a mesma expressão.

— Você quer levar sua verdadeira mãe para Quilay — eu disse, mais uma constatação do que uma pergunta.

Renesmee e a mulher ficaram em silêncio, seus olhares alarmados, como se eu tivesse descoberto algo que deveria permanecer oculto. A mulher abriu a boca para falar, mas foi Renesmee quem tomou a dianteira.

— Como sabe disso? — respondeu ela, a voz dela tremendo ligeiramente.

— Está muito óbvio — Respondeu Jacob— Você é a perfeita combinação dessa senhora com seu irmão, Edward.

— Isso é uma longa historia, e não posso explicar agora, mas eu quero levá-la comigo, Jacob. Por favor.

Olhei para Renesmee, e depois para a mulher ao seu lado. A revelação era grande, e a importância disso não me escapava. Carlisle, Esme, e todo o reino de Humman haviam mentido? Eu me vi diante de uma escolha, uma que poderia mudar tudo entre nós.

Mas ao olhar nos olhos de Renesmee, vi a verdade nua e crua—ela estava me pedindo não apenas para aceitar essa mulher, mas para aceitar tudo o que ela significava. E, de alguma forma, eu sabia que essa aceitação não era apenas por amor a Renesmee, mas também por respeito a ela e a tudo o que ela havia vivido.

— Ela irá conosco para Quilay — afirmei, minha voz firme e decidida.

Os olhos de Renesmee se encheram de gratidão, e a mulher—sua mãe—parecia não acreditar nas palavras que ouvia. Mas eu sabia que isso era o certo a fazer, por Renesmee, por nós dois.

— Obrigada, Jacob — disse Renesmee, sua voz carregada de emoção. Ela deu um passo à frente, aproximando-se de mim, e eu a recebi de braços abertos.

Enquanto a segurava perto de mim, senti a importância do momento. Não éramos mais apenas o rei e a princesa; éramos duas almas ligadas por algo muito maior do que qualquer um poderia imaginar. E juntos, enfrentaríamos o que viesse, começando por trazer essa mulher, essa mãe, para o lugar onde Renesmee realmente pertencia—ao meu lado, em Quilay.