Nascidos do Olimpo
3 Capitulo 02 - O primeiro obstaculo
Notas iniciais
Lake
— Mas o que? – perguntei. Enquanto o terrível diretor se transformava em algo que eu nunca vi
— Ai meu Deus! – exclamou Nancy
— Eu sabia – Brian disse assustado, mas estranhamente não estava surpreso como nós
— Vamos vazar daqui – Disse Connor
E foi o que nós fizemos, mas escutei ele em nosso encalço e derrubei um monte de lixeiras e galões nele, em um momento joguei uma lata de lixo de ferro em sua boca o fazendo parar para tirar o gosto de lixo. Achamos uma sala branca com porta dupla e entramos nela e seguindo a lógica do filmes de terror adolescente ela era sem saída.
— Me dá aquilo – Disse para Brian apontando para um machadinho na caixa de emergência do lado do extintor – Connor me ajude a bloquear as maçanetas com o cabo — E assim nós nos trancamos na sala.
Ficamos alguns minutos tentando nos acalmar, tentando processar o que acontecera eu estava apavorado, já vi coisas bizarras quando morei nas ruas mas nunca algo como aquilo; Connor tentava controlar sua respiração, acho que uma corrida repentina não era algo bom para alguém tão magro como ele, mas o bichinho bicho correu mais rápido que um gato selvagem; e enquanto isso a brava, fanfarrona e valentona da Nancy chorava como uma criança perseguida por um cachorro só que não havia sido um cachorro mas sim um puta de um leão com um rabo demoníaco que não parei para ver, uma cara tão feia que só a mãe amaria e olhe lá, e que adorava me suspender . Então após um tempo eu quebrei o silencio que nos pairava.
— Certo, agora o que era aquela coisa e como assim você sabia Brian? – Perguntei sério e indignado.
— É também não entendi – Disse Connor ofegante.
— O que você fez Brian!? – Perguntou Nancy, em meio ao choro
— Eu não fiz nada, fui enviado para aqui com a missão de encontrar vocês e protege-los-Disse Brian iniciando uns dos discursos mais estranho de toda a minha vida – E Negliglibe também, porém ele foi enviado por outra pessoa e com o objetivo de matar vocês ou pior.
— É, eu acho que ele deixou isso bem claro lá atrás – Falei
— Agora fala logo de uma vez, quem enviou você? – Perguntou Connor
— Eu fui enviado pelo Acampamento Meio-Sangue, — Disse Brian
— Meio... oque? – Perguntei
— Meio-Sangue! – Confirmou acenando a cabeça – Um acampamento para a sobrevivência de semideuses
— Semideuses, como nas histórias? Isso não faz sentido – Retrucou Connor
— Eu sei, explico isso mais tarde... – Disse Brian
— E o que isso tem a ver com a gente – Perguntei
— Tudo, vocês têm tudo haver com isso – Ele respondeu
— Está dizendo que somos semideuses?! – Perguntei
— Exato... Vocês nunca perceberam o quanto são diferentes dos outros? Ou coisa estranhas acontecendo com vocês
Com isso me lembrei dos acontecimentos que ocorreram no passado que sempre tentava esquecer, e assenti.
— No caso de vocês três terem, dislexia, déficit de atenção e hiperatividade. Esses são os “sintomas” de um semideus. Lake, você tem uma força incrível; Connor, você é ágil, meticuloso e calculista; e Nancy, você é a garota mais parruda que já conheci – Com essas simples palavras, Brian recebeu um lindo tapa em sua cabeça, fazendo cair sua querida toca do NY Knicks, revelando algo que um adolescente de 15 anos não deveria ter... CHIFREEEES!!!
— AAAAAAH!!! – Os três gritaram
— Que merda é essa na sua cabeça – Connor disse dando um rolamento alá Daiana dos Santos
— Puta merda... – Falei, logo puxando meu canivete que sempre levava no bolso da calça – Que isso cara você é o Satanás
— Calma, calma – Disse Brian assustado – Eu sou um sátiro, o protetor de vocês, o protetor dos semideuses
Então ele explicou tudo sobre os sátiros e latinhas... como assim?!.
— Tá, beleza.. vamos supor que tudo isso faz sentido, então o que faremos com o Manticore – Falei
— Temos que dar um jeito de nos proteger dele, pelo menos até o reforço do acampamento chegar, já mandei um pedido de resgate... Mas não podemos ficar aqui, temos que tentar nos armar com alguma coisa
— Bom na estufa da plantação de milho, vi uma foice no canto... podemos tentar chegar lá e pega-la – Disse Connor
— O negócio é... Como chegaremos lá sem sermos devorados vivos?! – Falei
— Talvez podemos usar isto...
Nancy encontrou um armário com algumas pás, vassouras e carrinhos de limpeza
— Serio? Como é que a gente não viu tudo isso aqui? – Disse Connor frustrado
— Isso parece promissor – Falei
— Perfeito... poderemos distrai-lo com essas ferramentas enquanto o resgate não chega – Brian disse esperançoso
Justamente nesse momento escutamos um grande barulho vindo da porta. O diretor gengibre nos encontrou e não estava feliz com nosso reencontro, ele socava, dava cabeçada e até rabada na porta.
— Bom, é hora do Show — Falei.
Connor
Ele estava na porta, furioso, enlouquecido, louco para devorar três semideuses no jantar e um sátiro para sobremesa.
— Se separem... Brian e Nancy distraia-o, Lake venha comigo.
Com isso, Brian e Nancy pegaram algumas ferramentas e foram ganhar tempo enquanto que Lake e eu pegávamos alguns esfregões e carrinhos de limpeza para a fuga, pensando em usa-los como um “carro á remo”.
Nos armamos da melhor forma possível, encontrei dois machados menores no armário do zelador que possivelmente usava para podar/retirar algumas plantas, Nancy carregava uma pá com um odor de esterco em uma mão e um “escudo” de tampa de lata de lixo que Lake amassou para caber no braço dela, e Lake estava carregando um ancinho nas mãos.
(Ancinho: Um tipo de garfo gigante que fazendeiros usam para pegar feno)
— E você Brian? – Perguntou Lake.
— Haha, eu tenho isso... – Ele pegou suas duas muletas e juntou ambas as transformando em um bastão de beisebol com o autógrafo de Lebron James
— Serio? Lebron James? – Falei
— Não me culpe, sabia que é difícil um autógrafo de Tiger Woods
— Tiger Woods joga golf. – Disse Lake
— Ah... — *pokerface* — Mas o nome dele tem Woods— respondeu Brian com um sorriso no rosto apontando para o bastão de madeira
— ... *suspiros*
Depois dessa gostosa conversa, subimos todos no carrinho e nos atiramos pela porta atingindo o Negliglibe o arremessando para trás, tacamos o pau o mais rápido possível remando usando os esfregões. Negliglibe rapidamente se levantou e começou a correr atrás de nós.
— Vai tomar um banho – Disse Lake jogando um balde cheio de água e sabão nele e no chão, fazendo-o escorregar e cair, mas logo se levantou e estava nos alcançando de novo – Mas que droga ele não para – Ele jogou o balde no rosto do ex-diretor apenas enfurecendo-o mais ainda.
— Piso molhado seu mané – Disse Nancy batendo com a plaquinha de piso molhado no rosto da fera.
O diretor novamente estava em nossa cola, não podia deixar que ele nos pegasse, então, fiz algo imbecil, mais que nos deu tempo, pulei do carrinho em direção a besta. Foi a pior sensação que já tive, seu pelo era como espinhos penetrando em meu corpo, parecia que tinha caído em uma plantação de cactos.
— Connor!! – Gritou Lake – Idiota – Lake pulou do carrinho em seguida.
Saquei os dois machados de minha cintura e os cravei nas costas do monstro, fazendo o mesmo perder um pouco de suas forças e cair.
— Saia daqui Lake!! – Gritei
— Jamais... não deixarei ninguém para trás
Pela primeira vez percebi que alguém se importava comigo, alguém que nunca conversei e nunca convivi acabou virando um amigo? Quem sabe. Com esses pensamentos acabei me distraindo, dando a chance do ex-diretor me lançar para o outro lado do corredor.
— Maldito – Gritou Lake avançando para cima do Negliglibe com seu garfo o gravando em seu ombro o fazendo grunhir de dor.
Não podia ficar ali caído que nem um covarde, tinha que ajudar aquele cara. Olhei para o lado e vi a tal estufa dos milhos. Corri meio mancando para a estufa enquanto Lake lutava contra o Negliglibe na mão, já que seu garfo tinha quebrado e logo depois havia virado poeira. Percebi que ele não aguentaria muitos mais do que dois minutos ali.
Cheguei na estufa procurando a bendita foice, mas logo que vi, fiquei desapontado, a lâmina da foice estava completamente cega na parte superior e a parte inferior estava bastante desgastada, a ponta estava perfeita, porém a lâmina se partiria assim que atingisse o osso de Negliglibe, as partes danificadas deixariam a foice mais pesada tornando o golpe mais poderoso, contudo, eu só conseguiria dar um golpe e então a foice se despedaçaria. Logo após refletir sobre isso pensei: Como é que eu sei de tudo isso sobre foices?
Porém parei de pensar nisso, pois ouvi os gritos de medo de Brian e Nancy e o grito de fúria de Lake. Peguei a foice mesmo em seu estado atual e corri para ajudar Lake que ainda estava na mão com o monstro, mas agora com Brian e Nancy o dando cobertura. Os dois rolavam um em cima do outro enquanto brigavam, era soco contra garra, Negliglibe tinha a cara inteira roxa e com leves hematomas em seu corpo que nem queria saber como ele havia o golpeado lá e Lake tinha o canto do rosto escorrendo sangue, o tórax todo arranhado pelas garras e havia um corte leve em seu ombro esquerdo. Os dois lutavam como dois leões disputando território, o que é meio irônico já que Negliglibe era meio leão, Lake estava fora de si, parecendo um animal, contudo não aguentaria por mais muito tempo.
Ele me viu e sorriu ao ver a foice, com apenas uma trocada de olhar sabíamos o que devíamos fazer, ele pegou seu canivete e um “facão de cortar carne” que vai saber da onde tirou isso, e avançou contra Negliglibe que começou a tomar cuidado para não ser acertado pelas lâminas e chutes que Lake desferia, fui com cuidado sem fazer barulho por atrás de Negliglibe, Brian bateu na perna traseira direita dele com o bastão e Nancy atingiu a outra perna com sua pá. Com isso dando a Lake uma brecha, ele enfiou o canivete e o facão nos dois ombros de Negliglibe e entendi, ele estava me dando a chance que precisava, pulei o mais alto que pude e cravei a foice no meio de suas costas, o fazendo gritar de dor, frustração, agonia, raiva, tudo ao mesmo tempo antes de desmoronar no chão quase em cima de Lake que rolou para o lado rapidamente.
O Manticore berrou de dor, mais não acabará assim, mesmo com um canivete, um “facão de cortar carne” (ainda não me acostumei com essa ideia), dois machados e uma foice cravada nele, Negliglibe ainda não estava derrotado, o que mais poderíamos fazer? Fizemos tudo o que podíamos para detê-lo.
O monstro tentou atacar
não havia mais escapatória, foi quando vi um extintor de incêndio, não era a melhor arma para aquela situação, mais era a única coisa que restava. Peguei o extintor esvaziando todo em cima do Manticore, deixando-o sem visão de nada, logo após ter esvaziado o extintor todo no diretor fiquei pensando no que fazer, Lake estava acabado no chão depois de sua luta intensa conta o monstro, Nancy desesperada e Brian só rezava para os Deuses nos abençoar, foi logo que pensei, já que o Manticore está sem visão aproveitei e subi em suas costas.
— Ei diretor gengibre – *sorri* – Vamos ver se você é bom mesmo de pontaria às cegas.
Nesse exato momento o diretor investiu com seu rabo em minha direção, pulei para o lado caindo em cima de Lake, foi quando o feitiço se virou contra o feiticeiro. O Manticore se perfurou com o próprio rabo na parte central das costas.
Após tudo isso, um grupo de quatro adolescentes entrou no corredor, percebi que eles eram a tal ajuda que Brian havia falado. Os quatro estavam com uma camisa laranja escrito “Acampamento Meio-Sangue”. Um dos garotos tinha cabelos preto, olhos verde mar e carregava uma espada. A outra garota era loira, olhos cinza e empunhava uma adaga. O outro era um sátiro parecido com Brian e carregava um bastão... Tipo o de Brian. A outra garota, tinha cabelos preto (curto), olhos azuis elétricos, carregava em mãos um arco, nas costas uma aljava repleta de flechas e no seu cinto havia duas adagas. Então um dos garotos quebrou o silêncio.
— O que ouvi aqui? – Disse o garoto
— Quase fomos mortos por essa besta, nada demais – Falei dando um sorriso de canto nada muito animador
— Haha... Isso está longe de acabar.
Nos viramos e vimos no chão, o Sr.Negliglibe usando suas últimas forças para nos deixar uma linda mensagem.
— Isso apenas começou, mais virão atrás de vocês garotos, e é melhor vocês estarem preparados, a guerra ainda não acabou, e vocês... irão... Perder! (E morreu)
— Pode até ser, mais a sua vida acaba aqui. – Disse o garoto cortando a cabeça do Manticore com sua espada.
— Finalmente, bom, podíamos passar em uma lanchonete? Estou morrendo de fome – Disse Lake
— Ah claro, uma “droga” de lanchonete – Disse uma das garotas rindo.
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