Nascida da Violência.
3 Capítulo 3.
Notas iniciais
Horas haviam se passado. Dias. Semanas. Meses.
Cassie ainda não conseguia crer no que havia acontecido. Aquilo era irreal demais... Não, não podia ter realmente acontecido. Uma invenção da própria mente, talvez? Uma teia formada em sua cabeça, prestes a levá-la em direção à loucura? Ela... Não sabia.
Depois do ocorrido, a garota não tinha dito nada a ninguém. Não poderia. Era vergonhoso. Nojento. Ela era nojenta! Um trapo sujo. Durante o tempo que se passou, Cassie não havia derramado uma lágrima se quer. Jamais faria isto. Não desperdiçaria seu choro com algo tão baixo. Ela sentia apenas raiva. Ódio. Um sentimento desconhecido porém comunal crescia dentro de si, fazendo-a ter os piores pensamentos possíveis. Cenas se passavam em seu interior. Um desejo até então nunca sentido instalava-se em seu estômago.
Sangue... Sangue... Ela queria sangue. Queria causar dor. Fazer sofrer.
E aquilo assustava a si mesma. Nunca havia pensando em tais coisas. Era uma lutadora nata, mas não utilizava aquilo para a violência real. Era como uma peça de teatro. Ensaia e apresente, depois, abandone o papel.
Mas... Agora era diferente. Uma nova personagem se formavam em seu lugar, e aquela, ela não pretendia deixar tão cedo.
[...]
— Cassie? Uhn... Cassie? Querida?! – Chamava Santiago, balançando a palma da mão direita em frente ao rosto da filha.
Ambos encontravam-se em casa, jogados sobre os sofás da sala de estar. Sem erguer os olhos até o homem, Cassie manteve-os grudados na tela da televisão, onde podia-se ver um filme policial.
— O que é? – Indagou com a voz fria, como se fosse um grunhido.
Santiago arregalou os olhos, surpreso. A menina nunca havia agido daquela maneira... Mas de uns tempos para cá, seu comportamento havia sofrido uma grande mudança.
— Bem... Eu ia convidar você para ir até a casa do Josh. A esposa dele vai estar lá. Vamos jantar uma boa lasanha e assistir um jogo de baseball depois.
— Não – respondeu de maneira curta, levantando-se do sofá.
— Cassie... Querida... O que está havendo? Aconteceu alguma coisa? Você parece... Tão distante – o homem suspirou, fitando sua filha.
— Não interessa – rebateu ela, já subindo as escadas em direção ao quarto.
— Ei, ei! Cassie, volte aqui. Vamos mocinha, já! – Santiago tentou demonstrar braveza, ao ir atrás dela.
— SAIA DAQUI! – Gritou a garota, entrando finalmente em seu quarto e batendo a porta força.
Sem saber o que fazer, o homem encarou a porta escura e deixou os ombros caírem, soltando um suspiro alto. O que estava acontecendo, afinal?
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