Nascida da Tormenta
1 Mundo dos Mortos
Notas iniciais
Escuridão.
Essa era sua única certeza, estava na mais completa escuridão.
De tempos em tempos ouvia o barulho de sinos e gritos, o cheiro de carne queimando enquanto se sentia voar.
“ — Ponham-na aqui”
Quando não, se sentia ser carregada, com o vento passando rápido ao seu redor, trazendo o choro de seu filho.
“- Ainda há chances”
Pareciam tocar seu corpo, as vezes vislumbrava uma mulher em vermelho, falando palavras desconhecidas.
Então voltava para o escuro.
Não. Ela entoava.
Então ela saiu da escuridão.
Estava em pé em um grande salão, neve entrava pelas paredes e teto destruídos.
Para onde olhasse só se via destruição no grande salão, grandes pedras do que antes era magnífico se encontravam espalhadas pelo chão, em muitas podia-se ver manchas negras, marcadas pelo fogo.
Fogo.
Então ela entendeu. O que caia não era neve, mas sim cinzas. Mais uma vez ouviu os sinos e gritaria. Tudo aquilo aprecia tão distante, tão perdido. Sabia o que tinha feito, sabia porquê gritavam. Aqueles seriam seus novos demônios.
Olhou para frente, para a grande foco da sala. Havia um trono assustador ali, forjado com espadas e fogo de dragão, ela sabia. Um trono de ferro.
O Trono de Ferro.
Chegou até ele e quando finalmente pode trocá-lo, começou a ouvir o entoar da mulher retumbando pelo local, cada vez mais alto, a convocando para algo.
Começou a procurar desesperadamente de onde a voz vinha, andava para longe daquele trono, sentia que perdeu muito para aquele simples toque.
O que restava das paredes caiam ao seu redor. Sentia que o salão girava ao seu redor, ouviu Drogo rugir e em instantes o trono se encontrava derretido no fundo do salão. Andou mais rápido para sair dali, todo o local desmoronava, a escuridão vinha reclama-la uma vez mais, já estava a meio caminho da saída quando aconteceu.
Em sua frente olhos cinza penetravam seu olhar nos seus violeta. O homem todo vestido em negro, um auguro. O grande salão deixou de existir, estava na completa escuridão nos braços daquele homem cujo corpo conhecia tão bem. De algum lugar que ela não sabia vinha o reflexo de chamas, deixando sombras alaranjadas sobre eles, viu as mesmas refletidas no olhar cinza.
Ele também tinha fogo. Também era fogo.
Ela sabia o que sentia por ele. Sabia que era forte.
E sabia o que viria. Se permitiu uma lágrima.
Quando sentiu mais uma vez o punhal em seu coração pelas mãos do homem que amava, a voz da feiticeira estava no seu auge. Sentiu-se desfalecer uma vez mais olhando para Jon Snow, os cinza dele refletindo toda sua angústia, tristeza e ,ela sabia, mesmo que preferisse o contrário, amor.
Ele lhe segurava com força e delicadeza, a deitando levemente no meio das cinzas, sem nunca desviar seu olhar, agora com leve lágrimas acumuladas. No final, Daenerys fez o que prometeu não fazer, foi Rainha das Cinzas.
Jon não a largou em nenhum momento e quando sentia a escuridão a engolir uma vez mais, um vento soprou em seu ouvido direito.
A voz foi sussurrada repentinamente, fazendo-a arrepiar sentindo um frio súbito começando pela nuca indo até seus pés.
Olhou uma última vez para a imensidão cinza de Jon Snow e fechou seu olhos para sempre.
Quando tornou a abrir os olhos, se levantou de súbito, levando a mão ao local da apunhalada, a respiração pesada e difícil, como se não tivesse ar nos pulmões a muito tempo. Do frio súbito para o calor pulsante, sentia cada poro seu buscar toda aquela energia.
Sentia-se tonta, desorientada. Percebia o fogo ao seu redor, uma mulher de cabelos e vestes vermelhas estava além das chamas, podia sentir seu dragão atrás dela e seu grito de glória.
Daenerys Stormborn estava de volta ao mundo dos vivos.
Fale com o autor