Nas mãos do inimigo
17 Capítulo XVI – Não era o fim, era apenas um começo
Notas iniciais
Tris
Parecia cena de um filme, eu parada no topo da escada, vestida com um sobretudo branco de grandes botões pretos, acinturado por um cinto também preto, e scarpins vermelhos segurando uma enorme mala, enquanto um grupo de pessoas chorando me aguardavam abaixo. Um empregado veio e desceu minhas malas, saindo com elas para fora, em direção ao carro, eu desci lentamente as escadas e a primeira pessoa a me abraçar fortemente foi minha mãe, ela molhou meus cabelos com suas lágrimas, e me separar daquele abraço foi uma das coisas mais difíceis que já fiz, enquanto minha mãe continuava aos prantos papai me abraçou, seu cheiro forte de perfume masculino infestou minhas narinas, eu inspirei o mais forte que pude, queria aquele cheiro gravado em minhas memórias, a lembrança dele me traria segurança e paz.
–Papai vai sentir muitas saudades viu, temi que este momento chegasse durante toda minha vida, mas não tinha como fugir né, e apesar de tudo eu estou muito orgulhoso de você minha filha.
Abracei o meu pai com ainda mais força, ele realmente tinha o dom das palavras certas na hora correta. Lágrimas começavam a salpicar meus olhos quando senti um puxão e fui praticamente arrancada dos braços do meu pai, para um verdadeiro abraço de esmagar os ossos, Chris chorava e falava ao mesmo tempo.
–Tris, eu vou sentir muito sua falta, eu te amo muito amiga, eu vou morrer de saudade._Foi difícil de entender o que ela dizia, mas só a força do seu abraço já dizia tudo.
–Calma amiga, logo, logo eu estarei de volta, e ai vamos ficar mais juntas do que nunca, eu também de amo muito, muito, muito.
–Tá bom chega de melação vocês duas que eu quero despedir da minha irmã também._ Caleb sendo Caleb, apenas.
Eu e meu irmão demos uma braço gostoso, aquele abraço de irmão, enquanto Caleb afagava meus cabelos.
–Se cuida irmãzinha, juízo hein, qualquer coisa me liga, vou estar aqui pra tudo, te amo tá feiosa.
–OK, também te amo feioso.
–Acho que enfim chegou a hora de irmos para o aeroporto, senão a Tris pode perder o vôo._Meu pai me puxou pela mão e seguimos todos para o carro.
O trajeto para o aeroporto foi silencioso, papai foi na frente guiando, e Caleb ao seu lado, atrás mamãe e Chris me abraçavam e passavam a mão pelos meus cabelos, mas apesar de todo aquele carinho e afeto, de todos aqueles abraços, eu ainda me sentia vazia, estava faltando uma pessoa, faltava um abraço e acho que este abraço, esta pessoa era a que eu mais precisava.
Depois que toda aquela burocracia, e de mais uma longa de sessão de abraços e choro interminável, finalmente segui pelo corredor e embarquei no avião tentando secar as lágrimas que ainda brotavam dos meus olhos. Encontrei meu assento, e me acomodei, meu coração batia forte, eu ainda tinha esperança que Tobias aparecesse para um último beijo, foram longos os minutos antes que o avião enfim decolasse e acabasse que o pouco de esperança que ainda restava em mim.
Depois de assistir um filme, dormi quase toda a viagem, acordei apenas com o sacolejo do pouso. Peguei minha bagagem de mão, e sai para fora até o corredor de desembarque, um empregado de meu pai me esperava com uma plaquinha com meu nome.
–Seja bem vinda senhorita Prior, sou Adams, eu vou guiá-la até a sua nova casa e estarei disponível para levá-la para a faculdade e qualquer outro lugar que você queira ir, além de tirar qualquer dúvida sua.
–Obrigada Adams.
Depois de pegarmos o restante de minhas malas, seguimos para o carro, e apesar do vazio em meu peito não conseguia parar de admirar a cidade ao meu redor, Amsterdã era linda. Era tudo tão verde, tão colorido, e ao mesmo tempo antigo e moderno, eu estava fascinada. Chegamos enfim em um bairro residencial, e após algumas quadras paramos em frente a uma casa linda de dois andares, mas o que mais me chamou a atenção não foi a casa, mas sim uma pessoa sentada com a cabeça baixa em frente as escadas da porta, e com um lapso de reconhecimento meu coração deu um salto, não poderia ser, eu conhecia aquela pessoa, aqueles ombros, aqueles cabelos, aquele corpo esguio e musculoso, desci do carro em disparada, e assim que eu abri a porta ele levantou sua cabeça, minhas pernas ficaram bambas, Tobias olhava para mim com os olhos mais brilhantes e felizes que eu já tinha visto em toda minha vida, enquanto ele se levantava eu joguei minha bolsa no chão e corri o mais rápido que podia me jogando em seus braços, Tobias me levantou do chão e nós rodamos enquanto nos beijávamos.
–Seja bem vinda a Amsterdã!
–Nem acredito que você está aqui.
–Chicago não seria a mesma sem você, e eu seria um nada sem você também Tris.
–Então Amsterdã é nossa, para hoje e sempre.
Amsterdã não era um fim, era apenas um começo, de uma vida mais que perfeita.
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