Nas mãos do inimigo
3 Capítulo III- Happy Hour depois do trabalho
Notas iniciais
Tris
Eu estava com um maço de tulipas colocando-as em um vaso, pela janela do apartamento eu podia ver os canais do Rio Amstel que atravessam a cidade, com seus barquinhos românticos, Amsterdã não poderia ser mais perfeita. Meu telefone toca no quarto, vou pegá-lo, está numa mesa cheia de desenhos meus, quando atendo são meus amigos chamando para ir ao Leidseplein, a região mais badalada da cidade, para a abertura de uma nova boate, confirmo minha presença e vou escolher uma roupa no meu enorme closet, estou experimentando vestidos maravilhosos e ...
Meu celular toca me acordando do sonho, olho no relógio ao lado da cama e ainda são 6:30 da manhã, não conheço o numero que aparece no visor, mas só pode ser alguém muito louco pra me acordar uma hora dessa da manhã, eu nunca acordo antes das 11 h.
–Quem é?
–Bom dia Beatrice, dormiu bem?
–O que você tem na cabeça em Tobias, pra me acordar uma hora dessas?
–Pode ir se acostumando porque a partir de agora esse vai ser o seu horário de acordar.
–Nunca que eu vou acordar nesse horário.
–Vai sim, ou você prefere que o seu pai receba um envelope com algumas fotos no escritório dele hoje? E pode ir levantando e se arrumando viu, daqui meia hora eu te encontro na porta da sua casa.
–Ei, eu não vou sair... _O desgraçado ainda desliga na minha cara.
Enquanto eu não descobria um jeito de me livrar de Tobias, o jeito era fazer o que ele pedia, me arrastei da cama até o banheiro, tomei um banho rápido, escovei os dentes, vesti um short, uma blusinha e uma sapatilha, desci para tomar meu café, antes que eu terminasse de por o primeiro gole de café na boca meu celular tocou, era Tobias.
–Eu já estou há um minuto aqui na porta de esperando, anda logo, não tolero.
–Mas eu ainda não terminei meu café da manhã.
–E daí, o que eu tenho a ver com isso, vem logo, ou vai ser pior pra você.
–Tá bom, já vou!
Desci as escadas de casa correndo, Tobias estava dentro do carro, quando ele me viu abriu os vidros.
–Tá esperando o que, anda logo, entra.
–Aonde nós vamos?
–Você não precisa saber, só entra._Como não tinha outro jeito, entrei no carro.
–Agora que eu já entrei você pode me dizer aonde a gente vai?
–Eu preciso comprar algumas coisas.
–E onde eu entro nisso, vou ser sua consultora de moda?
–Não, não preciso de você pra isso, até porque você se veste muito mal.
–Eu não me visto nada mal viu, você que é um horroroso._Pus a língua pra ele._O que eu vou fazer então com você?
–Você vai carregar as sacolas.
–Você só pode estar de brincadeira, eu nunca vou fazer isso!
–Então eu já posso autorizar a entrega pro seu pai?
–Você é um idiota sabia?
–Obrigada, você também.
Fechei a cara pelo resto do caminho, eu tinha que encontrar uma saída para aquilo rápido, mas um dia com aquele garoto e eu iria acabar cometendo um assassinato. E se minha raiva já estava enorme só aumentou, no shopping Tobias passou em praticamente todas as lojas, em cada uma ele me faz carregar uma sacola, eu ficava lá só sentada esperando por mais e mais sacolas.
–Você resolveu comprar o shopping todo, deixa eu pelo menos ir deixar algumas no carro.
–Não, você não pode sair daqui.
–Por que não?
–Porque eu não quero, agora fica calada, não trouxe você pra me irritar.
–Posso pelo menos comer?
–Depois você come, já estou acabando.
–Ai eu posso ir pra minha casa?
–Não, eu ainda tenho umas coisinhas pra você fazer pra mim.
–Que coisinhas Tobias?
–Logo você vai descobrir, agora fica caladinha sim, pra eu poder terminar aqui em paz, senão eu posso passar em outro shopping se você preferir.
–Não,não, pode continuar.
Ficamos lá por mais meia hora, depois que pus as sacolas no porta-malas e me sentei no carro, meus braços já estavam dormentes.
–O que foi Beatrice, já está cansada, você nem faz nada.
–Não fiz nada?Não fiz nada?! Não foi você que carregou 200 sacolas durante horas não querido!
–Não seja dramática, e o dia está só começando.
–Mal posso esperar pelo resto então, mas agora eu vou pelo menos poder comer?Já está quase na hora do almoço.
–Pode sim, assim que chegarmos você pode comer.
–Aleluia senhor, enfim um ato de bondade.
Depois de um tempo dirigindo paramos em frente a uma casa, alias uma mansão, era maravilhosa, mais bonita até que a minha própria casa.
–O que estamos fazendo aqui?
–Eu moro aqui.
–A tá, e você quer que eu entre?
–Claro né, ou você vai fazer as coisas que eu quero aqui na porta, nossa Beatrice achei que você era mais inteligente, mas me enganei mesmo.
–Vai se foder Tobias! Eu não sabia que os Prior eram bem-vindos à casa dos Eaton.
–Nesse caso estamos abrindo uma exceção.
Se a casa era bonita por fora, ela era de se tirar o fôlego por dentro, mas o que mais me chamou a atenção foram a quantidade de quadros que havia ali, na minha casa eu sempre precisava chorar para o meu pai comprar mais quadros, ali parecia que o Sr. Eaton não fechava tanto a mão. Tobias pareceu notar meu interesse.
–Aprecia a arte Beatrice?
–Sim, muito.
–É, você não é tão vazia quanto pensava._Foi a primeira vez que sorri para aquele idiota, ele ficou me olhando um tempo, eu também não conseguia desviar o olhar, mas graças a Deus a empregada apareceu para acabar com aquele momento estranho.
–Sr Eaton, ainda bem que você chegou, o almoço já está pronto.
–Pode por a mesa então.
–Ótimo, eu já estava morrendo de fome, onde a gente senta?
–Pera ai Beatrice, você vai comer na cozinha, você não é convidada aqui, tem um sanduiche de mortadela em cima da bancada, pode se servir lá.
–Um sanduiche de mortadela, você tá de brincadeira né?
–Eu nunca falei tão sério em toda minha vida.E é melhor ir logo, antes que eu mude ideia e te deixe com fome, seria até bom pra você, ai você emagrecia um pouco, você tá meio gorda.
–Faça qualquer coisa comigo, agora não me chame de gorda, isso pra mim já deu, eu estou indo embora.
–Pode ir então, só espere eu autorizar uma entrega pro seu pai._ Como não tinha outro jeito, eu só mostrei o dedo do meio pra ele.
–Onde fica a cozinha?
–Pode seguir por aqui, bom almoço Beatrice, espero que goste do seu sanduiche.
–E eu espero que você morra entalado com seu almoço.
Até que o sanduiche de mortadela não estava tão ruim, e com o suco de maracujá (meu preferido, diga-se de passagem) desceu mais fácil do que pensava. Assim que terminei, Tobias já me gritou da sala.
–Cadê você Beatrice? Você precisa começar logo seu trabalho.
–Já vou!
Assim que me viu Tobias começou a subir as escadas para o andar de cima, simplesmente o segui, paramos em uma porta e nós entramos.
–Beatrice esse é meu quarto, agora você pode pegar as comprar que fiz e organizar tudo no meu closet, e as camisas são por ordem de cor viu, depois disso você pode tirar o pó, organizar meus livros na estante, e por fim tem uma vassoura e um balde com água, pra você terminar o serviço limpando meu quarto.
–Aqui não tem empregada pra fazer isso não?
–Tem sim, mas eu quero que você faça.
–E você vai ficar fazendo o que enquanto eu me faço de escrava?
–Vou ficar aqui deitadinho na minha cama, te supervisionando.
–Ótimo isso foi o melhor de tudo.
Eu me matei pra organizar todo aquele quarto, foram horas e mais horas, quando terminei estava toda suada, e Tobias lá deitado só me olhando o que foi o pior de tudo.
–Pronto vossa alteza, o serviço está terminado, está feliz de me ver toda cansada e suada.
–Não, ainda não estou feliz, falta uma coisa ainda.
Tobias me agarrou pelo braço e me puxou para dentro do banheiro, ligou o chuveiro e me enfiou debaixo, entrando também, ele segurou forte em minha cintura, encostou a boca por toda a extensão do meu pescoço, só aquilo já me deixou com as pernas bambas e toda arrepiada, meu coração estava a mil por hora, então Tobias parou em frente ao meu rosto, me olhou nos olhos e me beijou, e nossa que aquele miserável beijava bem, logo me agarrei em seu cabelo, enquanto ele me prensava na parede, eu podia sentir todo seu corpo colado no meu, seus beijos descera pro meu pescoço, enquanto ele tirava minha blusa, e eu a sua, seu corpo era perfeito, o abdômen definido, mas sem exageros, os ombros largos e os braços fortes, eu já havia perdido completamente o juízo, nem sabia mais o que estava fazendo, ela voltou a me agarrar, já podia sentir sua ereção pressionando sobre minha barriga, foi quando no meio do beijo, Tobias parou, olhou pra mim e sorriu.
–Agora sim estou feliz, pode ir agora Beatrice, te uma toalha ali, o motorista vai te levar em casa._E saiu, sem dizer mais nada.
Naquele momento eu queria morrer.
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