Nas Mãos Do Destino

7 Capítulo 7 - Sensações de Déjà Vu


Depois disso, as duas não se desgrudaram mais. Até faltaram à aula. Era muita ansiedade, e muito papo em dia para ser colocado. A sensação de Urgência permanecia. Assim, Jen e Luka passearam pelo campus da faculdade, e depois foram no carro de Jen até o parque em que se conheceram.

Conversaram.

–- No início era tão ruim... eu sentia tanta falta... — disse, penosa, e Jen não pôde deixar de notar lágrimas que brotaram em seus olhos — mas o tempo foi passando, e passando, e aquela dor foi amenizando. Eu ainda lembrava de você, claro, nunca esqueci totalmente. Mas foi adormecendo, sabe?

Jen concordava com a cabeça, refletindo sobre a situação. De fato, acontecera o mesmo com ela. Dissera.

–- Por que será que a gente foi se esquecendo uma da outra?

–- O tempo mascara até os maiores sentimentos. — teorizou Luka. — E nesses 2 anos, mudou alguma coisa?

Jen se lembrou de Jú. Como ela estaria agora. Não teria ido para a faculdade, fato este que lhe trouxe um sentimento misto de alívio e preocupação.

–- Nossa, Luka. Te reencontrar me fez esquecer completamente de uma coisa. — pausa — Eu to ficando com uma menina há algumas semanas.

Luka a olhou, decepcionada. Sabia que 2 anos seria muito tempo, e que não podia simplesmente esperar que Jen permanecesse intocável até o reencontro. Ainda mais consciente de que fora um reencontro inimaginável. Bastante desejado, é verdade, mas inimaginável.

–- Ficando mesmo ou namorando? — perguntou, enciumada.

–- Ficando. Eu não namorei ninguém depois te conhecer.

Sorriu, sincera. Luka se emocionou com as palavras de Jen, e concordara.

–- Nem eu. Eu só tive uma relação depois da gente, mas quando começou a ficar sério, cortei o relacionamento. Não conseguia me envolver o suficiente.

De repente, Jen chegou a um pensamento, que a fizera sentir-se culpada.

–- Poxa! Ela é lá da sala. E se ela viu tudo e foi embora? Eu não lembro de ter a visto na sala de aula.

Luka refletiu sobre o problema que teria de enfrentar. O amor de sua vida, e a sua rival, na mesma sala. E ela seria obrigada a encontrá-las todos os dias...

–- E você gosta dela, Jen? — disse, impulsivamente, tentando analisar a intensidade do problema.

–- Gosto. — respondeu, de imediato, fazendo um breve silêncio depois — Mas gosto mais como amiga do que outra coisa... Na verdade, eu só fiquei com ela porque senti que ela gostava mesmo de mim... decidi tentar, sabe? E, não vou negar, ela também é bem bonita.

Luka se sentiria mais aliviada se ela não tivesse dito aquelas últimas palavras. Sentiu uma ponta de ciúmes.

–- Mas tenho certeza que não chega a seus pés. — disse, tocando na mão de Jen, que corou instantaneamente — Eu nunca vi alguém tão linda como você, sabia?

Jen encostou a cabeça na de Luka, e manteve-se assim, por um tempo, analisando de perto todos os traços de seu rosto. Aquela voz, aquele cheiro, aquele carinho, aquele beijo... era tudo tão familiar... a desconcertava por completo.

Mas Luka teria voltado logo agora?

–- E agora que a gente se reencontrou? O que nós vamos fazer? — questionou, tirando Luka do transe em que estava.

–- Cumprir o combinado? — sorriu, de nervoso. Jen reconheceu logo aquele sorriso. Mais sensações de "Déjà Vu" lhe invadiam a alma.

De repente, lembrou do passado. Com imagens claras, e em alto e bom som, lembrou de suas palavras de 2 anos atrás, quando as duas decidiram deixar a felicidade nas mãos do destino.

–- "Se for você mesma, e o destino nos aproximar novamente, nunca mais me afastarei de você", foi isso que pensei quando saí da sua casa naquele dia. — sorriu, enquanto limpava uma discreta lágrima que insistia em cair por seu rosto.

–- Então cumpra. — sorriu, impaciente — Não deixe que ninguém nos separe. — pediu ansiosa, deixando seu medo de perdê-la evidente.

Em resposta, Jen beija Luka. Um beijo dessa vez calmo, e sem nenhuma pressa. A sensação de urgência finalmente havia passado, e dado espaço a um nível imenso de tranquilidade. Jen encostou novamente a cabeça na de Luka, enquanto a mantinha segura em suas mãos, como se temesse que ela fugisse. Outra lágrima saiu de seus olhos e, tendo um insight, finalmente decidiu.