Nas Mãos Do Destino

1 Capítulo 1 - O sonho, início de tudo


Eram às 17:30 da tarde


As duas se conheceram em um parque, de uma forma bastante inusitada.

Jen andava rápido, parecendo atrasada para algum compromisso, sem prestar muita atenção em sua volta, e acabou colidindo com outra mulher, que cortara a esquina. Era Luka, uma morena de cabelos cacheados e olhos verdes, estudante de administração de uma faculdade próxima dali, que seguia seu caminho para casa. Após a colisão, Luka a observara em silêncio, enquanto a outra balbuciava pedidos de desculpa, sem parar, embora continuasse abaixada, pegando as coisas que deixara cair no chão, sem ao menos encará-la. Luka se apaixonou à primeira vista, e não conseguiu indentificar se tinha gostado mais do perfume que emanava da outra, do seu jeito estabanado, de sua voz grave, ou de sua linda aparência.

Impulsiva como sempre, Luka seguiu a garota que seguiu seu destino, após recolocar as coisas em mãos. Parou à distância próxima a um banco da praça, onde Jen se sentara, misteriosa. A garota parecia esperar alguém. Luka esperou por muitos minutos, apenas analisando a sedutora mulher que avistava de longe. Jen tinha cabelos lisos, na cor castanho claro, que ao contato direto com o sol, tornava-se levemente dourado, e possuía traços bastante femininos, e a pele bastante lisa, e sedosa. Seus olhos cor de mel, quando expostos ao sol, transformava-se em tons esverdeados, o que chamava mais atenção ainda para o belo rosto que possuía. Jen vestia uma saia jeans branca, e uma blusa regata ao estilo bata, apertada na parte de cima, e folgada na parte de baixo.

Seja quem fosse a pessoa que Jen estaria esperando, parecia que não iria aparecer. Luka, então, decidiu se aproximar da moça para puxar assunto. Se aproximou, mas quando Jen a viu, à primeira vez, diga-se de passagem, a olhou, surpresa, aparentemente assombrada. Parecia até que ela também não acreditava que viria alguém encontrá-la, e que por isso estranhou tanto à aproximação de Luka.

Embora fosse tão estranha e enigmática, Jen atraía Luka, que sentou no banco, sorrindo para a mulher do lado. Puxou assunto:


–- Vejo que você está esperando alguém.


–- Eu?! — Exclamou, assustada. — Não!


Luka a olhou sem entender. O que Jen poderia estar fazendo ali, há tantos minutos, parada, olhando para o relógio, e observando os arredores do parque, se não esperava ninguém?? A outra pareceu compreender a confusão nos olhos da morena desconhecida, e preferiu dizer a verdade. Não gostou de imaginar que alguém pudesse estar achando que ela era louca.


–- Quer dizer... A verdade é que eu tenho feito isso nos últimos dias.


Luka começou a ficar curiosa, e a encarou com mais interesse. Até pensara em perguntar "Por qual motivo?", fala esta que teria invadido a sua mente imediatamente após ouvir as palavras de Jen, mas que fora cortada pela continuação da misteriosa garota, que agora corava e dava um sorriso nervoso.


–- Não pensa que eu sou maluca, tá? — Luka, cada vez mais curiosa, apenas fez um gesto, para acalmá-la — Mas foi depois de um sonho. Eu encontrava o amor no sonho, exatamente aqui nesse banco.


Achando muito interessante a quase "insanidade" de Jen, Luka que sempre havia sido tão incrédula com a vida, questionara.


–- E como era o sonho?


Pela primeira vez, Jen olhou profundamente para Luka, e suspirou. A morena sentiu seu olhar penetrar sua alma, respondendo ao leve desconconforto que sentira, movimentando-se no banco, fugindo de seu olhar por alguns segundos. Ainda encarando Luka, a estranha garota continuou.


–- Eu estava atrasada para ir à algum lugar, mas não sabia ao certo aonde. Me sentia angustiada, via um relógio em minha mente, que dizia para mim mesma "Seu tempo está acabando". Aí via um lindo canário vermelho que voava bem próximo a mim, e senti que devia seguí-lo. Pegava meu carro, e ia atrás dele. Chegava aqui, exatamente nesse parque, e aqui encontrava alguém sentado, que não conseguia ver direito. A imagem ficava imbassada sabe? Tinha uma luz muito forte em cima. Mas eu sentia que essa pessoa seria muito importante pra mim, e que, de alguma forma, mesmo sem conhecê-la, eu já a amava.