Naruto - Final Alternativo

10 Reencontro Com Um Amigo


Na madrugada seguinte, o conselheiro Homura dormia no quarto de seu apartamento, sendo vigiado por duas tropas ANBU escolhidas a dedo para a missão de proteção. Longe do alcance dos seguranças e mesmo do sistema de detecção de invasores que a Vila da Folha dispunha, Zetsu penetrou no quarto de Homura, atravessando com suavidade seu assoalho de madeira que contrastava com as paredes de tijolo pintadas de branco. Homura dormia profundamente e não pôde sentir quando Zetsu se sobrepôs ao seu corpo, absorveu parte de seu chakra e sugou sua carne, para em seguida se transformar no próprio e deitar-se, fingindo sê-lo e cumprindo sua missão.

No meio do dia seguinte, dois viajantes adentravam o perímetro da Vila da Areia. Suados por conta do calor local, Naruto e Shikamaru sentaram sob a sombra da muralha que cercava a Aldeia, para dar o descanso final antes de entrar nela. Temari, que vestia suas tradicionais camisa e calça pretas junto de seu leque nas costas, os avistou e perguntou:
— O que fazem aqui? Trazem algum recado do Hokage?
Shikamaru a olhou com pouco interesse e respondeu:
— Não, viemos fazer uma visita. Achei que seria bom trazer o Naruto para conversar com seu irmão
— Ah, entendo. Gaara ficará feliz em revê-lo, faz tempo que não se falam! Venham comigo, acesso VIP ao gabinete do Kazekage.
— Mulheres... Sempre se achando.
Seguido de Naruto, Shikamaru acompanhou Temari à sala do líder da Vila da Areia, marcada por sua arquitetura arredondada e sua coloração opaca de tom palha com o ideograma “areia” em sua fachada. Após terminar de cumprimentar os aldeões locais que o acenavam, Naruto subiu a porta de entrada da Sala. Temari a abriu e perguntou:
— Você tem uma visita maninho, é o Naruto.
— Que surpresa agradável, pode deixar ele entrar.
Respondeu Gaara, que trajava o manto de Kage. Naruto adentrou a sala, hesitando ao ver por alguns instantes um pássaro de tinta sobrevoar a aldeia e pediu a Shikamaru:
— Não venha, quero ficar sozinho com Gaara.
— Tudo bem, eu entendo.
Após a porta ser fechada, Shikamaru bufou:
— Eu o trago até aqui, ignoro meus acessos de fome e sede para chegar o mais rápido possível e ele me exclui da conversa? É cada amigo que eu tenho...
— Deixa disso, tem coisas que apenas um igual entenderia e, você não é igual a eles, assim como nenhum outro em nossas Vilas é.
Temari sorriu levemente e prosseguiu:
— Já que está com fome, podemos ir à minha casa e eu te dou alguma coisa gostosa para comer, não tem ninguém lá mesmo. Tá a fim de ir?
Desinteressadamente, Shikamaru concordou:
— Claro, o que eu tenho a perder? Espero que cozinhe melhor que a minha mãe.
Temari suspirou olhando para o chão pedregoso e guiou Shikamaru para sua casa.

Na sala do Kage, Gaara recebeu Naruto com um abraço e o convidou a se sentar. Naruto retirou os livros que estavam sobre uma cadeira de madeira acolchoada e se recostou nela, igualmente, Gaara puxou uma cadeira semelhante e se sentou a frente de Naruto. Com alegria em suas palavras, Gaara começou:
— A que devo sua visita? Não é algo comum, a última vez em que veio eu estava morto.
— Eu queria conversar um pouco sobre tudo o que vem ocorrendo. E, te perguntar algumas coisas.
— Pois bem, pergunte o que desejar.
— Então, o que te faz ser contra Danzou?
— Entendo aonde quer chegar. Sasuke não é a razão, ele se tornou um criminoso internacional e deve ser detido, mas em respeito a você não proclamei sobre o assunto nem nada do gênero. O que não gosto em Danzou é a sua política armamentista e a forma com que trata os soldados, como flechas de um arco e não como seres humanos. Essa mentalidade é a mesma da Aldeia da Pedra, pode acabar gerando uma guerra e, quero evitar uma guerra, a qualquer custo. Acredito que colocar o peso diplomático em cima dele o fará desacelerar seu processo de criação de conflitos. Mas enfim, creio que isso não seja relevante para você, meu caro amigo, Sasuke é o que lhe interessa, estou certo?
— Está. Recentemente eu enfrentei um inimigo que me ensinou o que é a dor e como ela causa conflitos. Perdi meu mestre e sinto um pouco do que é perder o clã, acho que estou compreendendo melhor Sasuke e seus objetivos. Sei a razão pela qual ele quer destruir a Folha.
— E qual é?
— Não posso dizer, mas envolve Danzou.
— Imagino do que se trate. Mas prossiga.
— Agora que já sei a visão de Sasuke e a minha própria, quero saber a sua. Como lidou com a dor da perda? O que te fez se tornar o que se tornou? O que te fez mudar novamente?
— Já te contei a minha história, tudo se resume a esperança. Tiraram-me a esperança e eu me agarrei ao ódio para preencher o vazio em meu peito, você me devolveu a esperança e eu pude compreender a força do amor que marquei em minha testa.
— E como eu te devolvi a esperança?
— Amigo, não tente repetir uma receita para ajudar Sasuke, não vai funcionar. Eu não aprendi com suas palavras, aprendi com suas ações.
— Não quero que ele ataque a Vila. Quero honrar nossa amizade!
— Louvável sua honra, mas, se quer mostrar o quanto o considera, o deixe seguir seu caminho. A maior prova de amizade possível é respeitar a decisão do outro.
— Mas, a decisão dele é destrutiva!
— Não importa, a decisão é dele e ele arcará com as consequências de sua escolha. Não estou dizendo para que concorde com ele, mas sim que entenda: palavras não vão mudar a escolha dele.
— Como você sabe? Não o conhece.
— Conheço os olhos obstinados que ele tinha e, se ele tem uma razão forte, palavras não irão adiantar. O Vale do Fim já prova isto, não é mesmo?
— Então, se não posso conversar com ele e o convencer, o que farei?
— Lute com ele, defenda Konoha e mostre a ele que o amor é a maior força de todas, assim como me mostrou e me salvou.
— Mas...
— Naruto, pare de querer aliviar as costas dele! Ele foi homem para buscar isso, é homem para escolher atacar a nação mais poderosa do mundo por honra. Ele merece o seu respeito, e respeitar ele significa o enfrentar com todas as suas forças quando a hora chegar.
Naruto desviou o olhar para o chão, forçando Gaara a ser mais incisivo. Gaara se levantou, tocou o ombro de Naruto e lhe falou olhando nos olhos:
— Nesse momento, salvar o Sasuke pode significar tentar matá-lo. Salvar Konoha de sua fúria significa tentar matá-lo.
— Não! Eu vou proteger a Vila e salvar Sasuke, sem ninguém ter que morrer!
— Se entrar na batalha querendo poupar ele, vai acabar perdendo Sasuke e deixando a Vila ser destruída. Não aja como se ainda fosse aquele garoto hiperativo, você é um herói, e heróis precisam de maturidade para salvar quem amam!
— Mas eu amo o Sasuke!
— E precisa de maturidade para salvá-lo.
Naruto ergueu o olhar e se levantou, desta vez, com firmeza, compreendeu:
— Agora eu entendo, preciso ser forte para detê-lo. Assim como eu tentei no Vale do Fim, minhas palavras não o convenceram, então tive de lutar com força total. Ainda mais agora, preciso ir com tudo!
— Exatamente.
Naruto abraçou Gaara e lhe agradeceu:
— Obrigado por me ajudar a entender, agora sei o meu dever. É hora de crescer!
— Não me agradeça, estou apenas retribuindo o favor que me fez no passado.
Dito isto, Naruto apertou a mão de Gaara, deixou a Sala do Kazekage e foi até a entrada da Aldeia. Após minutos esperando, Shikamaru apareceu e se desculpou:
— Foi mal pela demora, estava comendo um pouco na casa da Temari. Tudo resolvido?
— Sim, agora eu sei exatamente o que fazer. Vamos retornar!
— Não quer comer primeiro?
— Tenho vários bolinhos na mochila, eles vão me saciar.
— Mas por que raios me deixou passar fome então? Podia ter dividido sua comida comigo!
— Você não pediu, ué.
Ambos riram e, aliviados, seguiram caminho de volta a Konoha.

Notas finais
Deu pra perceber que gosto de reforçar a amizade dos personagens? Acho essa mensagem legal.