Naruto - After the Moon
7 Side-Story Part I - The Twins
Notas iniciais
Enquanto o veneno corrompia o corpo de Hinata e a mãe de Maiko contactava Konoha para tentar negociar, Maiko andava de um lado para o outro, na sua pequena cabana, com os gémeos a olharem para ela, curiosamente.
— O que é que foi, mãe? – perguntou Takero, aventurando-se. Nenhum deles tinha visto a mãe tão preocupada até àquele momento.
Maiko parou e olhou para as duas crianças, extremamente parecidas com o pai e teve uma ideia que rejeitou imediatamente na sua cabeça.
— Eu preciso de ajudar uma pessoa. – disse Maiko – Mas é muito complicado, por isso estou a pensar em como fazê-lo.
— É a mesma rapariga que curaste no outro dia? – perguntou Misaka, adoravelmente – Também pudemos ajudar?
— Sim! – exclamou Takero – Nós queremos ajudar a rapariga!
Demasiado parecidos com o pai, pensou Maiko. E a ideia voltou à sua cabeça, seguida por um enorme senso de culpa. Estaria a usar os dois filhos que iam apenas fazer três anos na semana seguinte.
O que não podia negar, era que eles eram extremamente dotados e, mais do que provavelmente conseguiriam salvar Hinata se ela os protegesse devidamente.
— Têm treinado? – perguntou Maiko, num tom de voz severo.
Tinha-lhes dito várias vezes para eles não treinarem, principalmente um contra o outro. Tinham começado a fazê-lo um pouco depois do seu segundo aniversário e assustara Maiko demais. No entanto, agora precisava de uma resposta positiva.
— Desculpa, mãe. – murmurou Takero, fazendo Maiko sorrir – Temos treinado quando vais caçar ou curar as pessoas que caem no genjutsu que protege a nossa terra.
No entanto, a culpa veio logo a seguir. Eles deviam estar a brincar lá fora.
— Vocês podem ajudar. – disse Maiko, com o peso na consciência – Mas, se acharem que estão em perigo, ou que não conseguem continuar, basta dizer-me.
Os dois anuiram com a cabeça e um grande sorriso na cara.
Alguns minutos depois, Maiko já tinha colocado duas capas pretas nos filhos e o capucho para cima. Pegou na capa da Akatsuki e arranjou a franja depois de amarrar a bandana riscada atrás da cabeça.
— Agora, lembram-se do que disse para fazerem quando saímos da barreira? – perguntou Maiko, debruçando-se para pegar nos dois filhos.
— Nunca quebrar contacto. – responderam os dois ao mesmo tempo.
— Exatamente. Nunca podem largar-me…de forma alguma. – lembrou Maiko, agarrando-os com mais força depois de se levantar – Vamos correr, agora.
Percebendo o que a mãe queria dizer, eles agarraram-se ao pescoço da mãe.
Maiko suspirou antes de sair da barreira. Estava a quebrar a promessa que tinha feito ao pai deles.
…
Enquanto Maiko se dirigia para o País Natal, o que prometera nunca mais fazer, antes do pai de Misaka e Takero morrer, Hinata continuava no mesmo sitio, com as lágrimas a escorrer pela face, sentindo o coração a abrandar, lentamente.
Conseguia ouvir a mãe de Maiko do outro lado da porta, a gritar com outra pessoa. Konoha não acreditava que eles a tinham feito prisioneira e precisavam de confirmação. Mas que tipo de confirmação é que ela lhes podia enviar?
Era o que ela estava a perguntar ao ninja que lhe tinha trazido as más noticias. Quando ela entrou de rompante no quarto, Hinata só não se mexeu porque não conseguiu.
— Eles não acreditam que te temos aqui! E se não acreditam, não pudemos fazer a troca! – ela continuava a gritar, enquanto se aproximava de Hinata – O que é que lhe pudemos enviar para acreditarem que estás aqui?
Ela esticou a mão e pegou numa mecha do cabelo dela.
— Um pedaço de cabelo. – ela abanou a cabeça e levou a mão ao rosto de Hinata, limpando algumas lágrimas – Talvez um olho. Afinal, seria uma prova concreta que eu tenho uma Hyuuga comigo, certo?
E ela estava prestes a fazê-lo, quando ouviu uma comoção do outro lado da porta e depois um silêncio ameaçador.
— Será que eles mandaram alguém para te resgatar, apesar de dizerem que não acreditavam que estavas aqui? – ela pegou num punhal e apontou-o à garganta de Hinata — Talvez tenham-se apercebido que não estavas onde devias estar.
No entanto, quando a porta se abriu, a primeira coisa que ela viu foi a capa da Akatsuki, que fez a sua mão tremer durante alguns segundos. Mas reganhou compostura quando viu que era a bastarda.
— Maiko. – ela endireitou-se – Afinal, nem tive que continuar as negociações com Konoha para te trazer aqui. Esta rapariga é assim tão importante para ti?
— Dá-lhe a cura, mãe. – disse Maiko, soturnamente.
Ela odiava quando Maiko a chamava de mãe.
— Queria saber como é que chegaste até aqui. – disse ela – Já que não consegues usar nenhum tipo de jutsus.
Os gémeos saíram de trás de Maiko, fazendo-a suspirar quando a mãe começou a rir histericamente. Mais uma vez, se Hinata se conseguisse mexer, tinha-o feito, ao ver a aparência dos gémeos.
— Sabes…Konoha vai querê-los, se souberem como eles são. – informou a mãe, mas tentou não olhar para eles – Parece que, afinal, não és tão burra quanto imaginei. Já que conseguiste seduzir…
— Cale-se! – gritou Maiko, interrompendo o que a mãe ia dizer – Misaka, Takero, vamos acabar com isto rápido, para voltarmos para casa.
E assim o fizeram. Os gémeos conseguiram que a “avó” olhasse para eles e…era só o que precisava de ser feito. Maiko dirigiu-se a Hinata e pegou-lhe na mão.
— Não te preocupes. Vais estar curada daqui a nada. – prometeu Maiko, enquanto os gémeos guardavam a porta…e depois suspirou…porque sentiu a presença dele e porque sabia que os gémeos não conseguiam “ligar” e “desligar” os poderes como desejavam, ainda – Naruto.
Naruto, que tinha ido até ali com intenções de salvar Hinata, estava a olhar agora para as duas pequenas crianças que olhavam para ele, inocentemente.
Ele não sabia o que dizer, mesmo estando a olhar para aqueles olhos vermelhos que conhecia tão bem. Só lhe veio uma palavra à cabeça: “Uchiha”.
…
Tinha demorado mais tempo do que Naruto esperava para que Maiko conseguisse curar Hinata completamente e, quando o conseguiu fazer ainda tiveram que esperar um pouco até Maiko conseguir respirar apropriadamente. Isso também deu tempo para os gémeos se acalmarem e para controlarem os poderes.
A mãe de Maiko e os guardas que deviam estar a guardar a casa, estavam agora dentro de um genjutsu, por isso tempo não era problema.
Naruto não perguntou nada sobre as crianças nem sobre o pai delas, mas teve de pedir a Maiko para o seguir até Konoha, para que explicassem o que tinha acontecido ao Hokage.
Iria ficar tudo bem. Foi o que Naruto lhe tinha prometido.
No entanto, enquanto Maiko caminhava pela floresta, com Naruto atrás dela e os gémeos ao seu lado, conseguia sentir o seu olhar.
— Eu não vou tirar a capa. – disse Maiko, surpreendendo Naruto – Nem a bandana. Estou a ir convosco de boa-vontade. Já podia ter escapado se bem me entendesse.
— A capa e a bandana são do nosso pai! – defendeu Takero, olhando para Naruto, com as sobrancelhas franzidas – Agora é da mãe!
— Eu não estou a querer tirar-lhe a capa e a bandana. – clarificou Naruto – Mas seria mais seguro se ela as guardasse dentro da vila.
— Ela não vai tirar! – foi a vez de Misaka – Ela nunca tira quando sai da barreira!
— Ele não quis dizer por mal. – garantiu Hinata, direcionando um sorriso a Misaka – Só está preocupado.
— Obrigada. – agradeceu Maiko, sem olhar para trás – Mas eu estou bem.
Maiko sentia-se mais confiante com a capa e tinha sido ela a salvar a princesa dos Hyuuga. Não tinha nada que temer.
No entanto, quando entraram na vila e as pessoas começaram a olhar e a sussurrar, ela sentiu-se como da primeira vez que tinha entrado no esconderijo da Akatsuki. Puro medo. E o seu coração começou a acelerar.
— Estás bem, mãe? – perguntou Misaka, vendo a mãe com dificuldade em respirar.
— Não é nada. – Maiko olhou para a filha e forçou um sorriso – Só estou um bocado entusiasmada demais por ir conhecer o Hokage.
— Nós protegemos-te, mãe. – garantiu Takero, apertando mais a mão da mãe.
Maiko continuou a sorrir, mas era a sua vez de os proteger.
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