Naruto - A História Reescrita:
5 Capítulo IV - Noitada e Convicção:
~Idade: Doze Anos – Primeira Saga:~
Ah, sim... onde parei? Ah, verdade! Haruno Sakura estava ali, de frente para Naruto, que o convidou a entrar. Já estava no início da noite, Naruto se agradava particularmente das estrelas do céu, nestas condições – lembravam a esperança que ele tinha por dias melhores, fotos maiores. Dias com menos discriminação, dias com uma vida que brilhasse na escuridão e, o mais importante: aos olhos de Hinata.
— Quer entrar e conhecer o Konohamaru, Sakura? – Naruto perguntou dessa forma. – Só que eu já estou de saída, vai ter que ser algo bem rápido – ele concluiu. Sakura sorriu.
— Mas é claro! – ela respondeu.
Bem, o garoto quase foi escapelado na base do soco, por reclamar do tamanho da testa de Sakura, que de fato era bem grande. Hinata teve que a segurar e Naruto dar um cascudo em Konohamaru.
— Por mais que tenha sido engraçado, isso não se fala, Konohamaru! – Naruto dizia.
— Como assim, “engraçado”?! – Sakura pergunta, com uma veia na testa. Naruto ri.
— Desculpa, desculpa... – Naruto diz, risonho. Hinata ria.
— Que coisa linda, o Naruto-kun já está provocando a Sakura-san! Já são dois bons amigos! – Hinata dizia, soltando a rosada, que cruzou os braços, como uma criança pequena, desviando a face para o lado. Naruto achou graça. – Naruto-kun, você concorda em falarmos sobre aquelas coisas com a Sakura-san? – Hinata decidiu perguntar, para acalmar aquele clima meio chato de irritação e nervosismo.
Naruto arregala os olhos, surpreso. Ele não sabia o que dizer, pensar ou sequer achar! Hinata talvez estivesse apressando demais as coisas, apesar de Sakura ser uma boa garota e uma nova amiga. Será que ela entenderia a história? Os motivos de Hinata, os motivos do próprio Naruto, as condições para que ambos pudessem passar suas vidas juntos?
Naruto fecha os olhos por alguns longos instantes, fato que preocupou Hinata e confundiu Sakura, que não entendera a reação – ela até pensou que, talvez, o melhor seria ela não ficar sabendo de nada, que a vida daqueles dois era um sonho distante, longe de qualquer mortal que, no máximo, sente um aperto no coração perto de um certo garoto arrogante e associal.
Então Naruto suspira fundo, abrindo os olhos, dizendo de maneira séria:
— Ela pode saber – ele diz. Em seguida, sorri; o sorriso de Naruto sempre era demorado para surgir, o que fazia com que todos prestassem atenção em suas feições, sempre. – Bem, vamos? – ele pergunta, de forma mais simpática. – Tenho que passar em casa primeiro, para me vestir melhor – ele se virou para o pequeno Konohamaru. – Amanhã vamos ser nós dois, pirralho, não se preocupe! Você vai saber o que é um bom ramen, considere isso como coisa de homem.
Konohamaru cruza os braços.
— Melhor mesmo! – ele quase resmunga.
E, assim, as meninas foram na frente, Naruto indo para seu apartamento se arrumar. Antes, claro, ele tomou um bom banho, apesar de não ter demorado demais – as garotas não comeriam o ramen sem ele, mas provavelmente estariam andando pela vila, falando daquelas insuportáveis, para ele, “coisas de mulheres”. Os três combinaram se encontrar no Ichiraku Ramen, um pequenino restaurante de ramen, em uma hora.
...
— Mas sério, o que você vê naquele Uchiha? – Hinata pergunta de maneira extrovertida, caminhando com Sakura pela vila. Hinata havia mudado muito desde os cinco anos: agora, aos doze, apesar de ser particularmente muito bonita, talvez linda, possuía um jeito travesso de agir, às vezes até mesmo irônico.
— O Sasuke-kun? – Sakura pergunta.
— Bingo! – Hinata responde. – Eu acho ele tão metido e chato!
— Ele é legal, Hinata! – Sakura diz, um pouco irritada. – É só que ele é meio... sozinho, sabe? – essa última parte, ela diz com pesar.
Um silêncio esteve ali, durante alguns instantes. As pessoas estavam alegres na rua, embora algumas estranhassem aquele para, justamente aquele par, de garotas estar junto. Mas Hinata quebra o silêncio, dizendo algo que havia observado.
— Naruto-kun e Uchiha Sasuke são garotos parecidos – Hinata diz. – Até mesmo eu me identifico um pouco – ela notou a profunda atenção e interesse de Sakura e continuou. – Eu só tenho o Naruto-kun e você porque escolhi por isso, eu poderia continuar no meu clã, até podia evitar que fizessem o que iriam fazer comigo – Sakura tomou um susto, mal conhecia essa história ainda. – Mas eu escolhi o Naruto-kun e nunca me arrependeria disso.
— Não mesmo? – Sakura pergunta.
— Não mesmo – Hinata responde, na mesma hora, mas depois suspira. – Mas com Naruto-kun, foi diferente, ninguém nunca antes de mim e, depois, de você, lhe havia dado uma chance de criar laços, de pertencer a algum lugar. Naruto-kun estava sempre sozinho, por um motivo que sequer tinha culpa, ele sequer conheceu os seus pais! – ela contava, com o olhar tristonho. – Uchiha Sasuke também é sozinho dessa forma, ele precisa de laços.
— Eu queria ser esse laço para ele – Sakura desabafa. – Eu sempre o admirei ao longe, a solidão dele meio que me machuca, não sei dizer o porquê – por algum motivo, ela estava se abrindo muito para Hinata, ela nunca revelou isso antes para ninguém.
Hinata sorriu.
— Nossos sentimentos são semelhantes – Hinata disse, de maneira acalentadora. – Talvez, um dia, você e ele tenham o mesmo coração – e tocou o ombro da amiga, sorrindo gentilmente. – Mas agora vamos voltar, tá?
Sakura sorri de orelha a orelha e então diz:
— Tá!
...
Naruto, o garoto da Kyuubi, sabia se vestir. Ele até ficou satisfeito ao se olhar no espelho: um pecado meu, leitor, foi mal falar da aparência do nosso protagonista – ora, ele era um rapaz até muito bonito, com uma pele bronzeada e com olhos convenientemente azuis como o céu, embora frequentemente mudassem de cor, por causa do chakra do seu demônio, assumindo uma coloração vermelho-sangue; apesar do demônio ter uma fenda em cada olhos, como toda boa raposa, os olhos de Naruto, mesmo quando vermelhos, não tinham essa característica.
Seu cabelo era loiro como o sol, o rapaz até se distraía, pensando em como a sua cabeleira sempre estava arrepiada. Ele sorriu, era realmente um garoto relativamente vaidoso, que gostava de se sentir belo. Uma característica, aliás, marcante no moreno, era as suas notáveis três marquinhas em cada bochecha. Em seu sorriso, quando ele sorria abertamente, também se notava seus caninos um tanto aflorados, exatamente como os de uma besta, embora em proporções menores.
Agora corrigi o meu pecado, continuando:
Naruto estava bem vestido, com uma camisa social branca, com a gola levantada e uma gravata laranja. Sua calça era também social e negra e usava sapatos negros. Hinata insistia para que Naruto tivesse roupas assim, para ocasiões especiais, como fotos na Academia.
De qualquer forma, Naruto tirou os pensamentos do assunto “preocupação extrema da minha perolada” para dar uns últimos toques no visual e sair para comer pra caramba.
...
Os três se encontraram no Ichiraku Ramen, Naruto não fez questão de mostrar que estava morrendo de fome. Fome e desejo pela sua comida favorita. Sakura, ainda pensativa sobre as palavras de Hinata, ficou atenta ao par de Uzumakis: como eles eram unidos, sentando perto um do outro e pedindo, curiosamente, o ramen ao mesmo tempo.
Era mesmo como se uma energia inexplicável os rodeasse e os envolvesse, como se um laço de calor e amor os unisse. Apesar dela ter notado que eles ainda não eram namorados, por algum motivo infeliz, então Sakura sorriu maldosamente: ela daria um jeito daqueles dois ficarem, oficialmente, juntos!
— Ei, Sakura! – Naruto a chama. – Tá pensando em algo engraçado? – ele estava na expectativa dela contar uma piada engraçada.
— Ah... não – Sakura diz, constrangida. – Você gosta de dar risadas, Naruto? – ela perguntou.
O loiro aponta para si mesmo.
— Você está falando com o maior fã de stand up de Konoha! – Naruto diz, com orgulho. Hinata solta uma melodiosa risada.
— O Sandaime-sama nos arrumou uma televisão recentemente, isso é um pouco caro, mas ele conseguiu. Eu fico fazendo o almoço, enquanto o Naruto-kun fica rindo com shows de comédia – Hinata explicou, Sakura olhou feio para Naruto, que estranhou.
Ele estava assustado com Sakura? Mas ninguém o assustava! Seria porque ela era sua amiga?
— Naruto, você tem que ajudar a Hinata a cozinhar! – a rosada diz, de forma assustadora. Naruto sua frio.
— O Naruto-kun só ia atrapalhar, eu faço melhor sozinha, tenho os meus segredos culinários – Hinata responde por ele, orgulhosa de si.
Os três decidiram, então, fazer os seus pedidos: Naruto pediu oito tigelas de ramen de porco, Hinata pediu cinco de legume e Sakura, de regime, pediu uma de ervas.
Sakura, enquanto comia, não sabia ainda como conversar com aqueles dois. Ela tinha tanta coisa para perguntar! Mas como? Como ela faria?! Estava ficando um pouco nervosa, brincando com a comida.
Os três comeram em silêncio por um tempo, Naruto apenas não falava nada porque queria dar a palavra para Hinata, que por sua vez entendeu o recado inaudível. Hinata apenas disse:
— Sakura-san, está disposta para ouvir a história e depois algumas piadas bestas do Naruto-kun? – Hinata perguntou.
Sakura olhou apressadamente para ela, surpresa.
E Hinata contou tudo aquilo, sobre como eles se conheceram, sobre a vida dela no Clã Hyuuga, sobre os anos que passaram juntos: treinando, se divertindo, dividindo alegrias e também lágrimas. Foi um longo tempo, enquanto Sakura, nesse mesmo tempo, não sabia o que dizer: ela nunca ouviu nada como aquilo antes!
Ela teve certeza de que, a todo custo, queria ir no casamento daqueles dois, o que não demoraria – porque, mesmo torcendo pelos dois, ela soube e se espantou com uma das condições do Hokage para que Hinata fosse uma Uzumaki.
Primeira condição: Hinata, JAMAIS, poderia usar novamente o estilo de luta Hyuuga e nem ensiná-lo para ninguém, sob pena de voltar para o Clã Hyuuga, embora pudesse usar o Byakugan.
Segunda condição: os dois morariam sempre na mesma casa, a não ser que um dia morassem legalmente fora de Konoha.
E a última condição, bem... foi o que fez Sakura pular da cadeira:
Hinata se tornaria a noiva de Uzumaki Naruto quando este se tornasse um chuunin e, aos dezoito anos, caso Naruto fosse chuunin, eles teriam a permissão de reerguer o Clã Uzumaki, depois do casamento oficial – mesmo sendo nova, Sakura entendeu bem o que essa última parte significava.
— Quer dizer que vocês vão mesmo se casar?! – Sakura perguntava, espantada. Hinata abraça o braço de Naruto, que por sua vez se aconchega em Hinata.
— Vamos! – Hinata responde, e Naruto apenas assente com a cabeça, com um sorriso sereno em seus lábios.
Sakura apenas ficou se perguntando que, se eles se amam e se estão destinados a estarem juntos, por que diabos ainda não namoram?! Mesmo achando aquela condição bizarra, ela se sentia no dever de dar um empurrão, pelo bem de seus amigos!
Haruno Sakura estava decidida!
...
— Oh, que interessante, Iruka-sensei... – diz um homem, bastante belo, mas com um sorriso falso em seu rosto. – Uzumaki Naruto-kun tem as melhores notas práticas, mas as piores teóricas.
— Sim, Mizuki-sensei, mas por que isso te chamou a atenção? – Iruka, o sensei da turma em que Naruto estudava, perguntou.
— Eu apenas estou preocupado com o futuro ninja de uma criança – ele mentiu, sentindo vontade de soltar uma risada de satisfação.
Uzumaki Naruto seria perfeito para o que ele pretendia, assim ele pensava em fazer. Um delinquente seria perfeito para essa missão, tudo que era necessário era uma leve dose de manipulação, não?
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