Narcisista
1 Narcisista
Notas iniciais
{narcisista}
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Narciso definhara contemplando o próprio reflexo. Morrera apaixonado por si mesmo.
Vaidoso.
Arrogante.
Narcisista.
Estúpido.
Homem.
Narcisa Malfoy ouvira aquela maldita história um milhão de vezes e, em todas elas, reprimira a vontade de revirar os olhos, se portando como a dama que deveria ser. Ainda assim, continuavam a lhe narrar aquele mito imbecil como uma espécie de alerta. Como se precisasse de mais motivos para odiar o próprio nome, aquela lembrança perpétua de sua inadequação como uma Black. Nome de flor. Aparência de Rosier. Errada de formas demais para uma mente tão perfeccionista como a da moça.
De qualquer modo, ela não precisava de avisos descabidos. Nunca seria Narciso. Não era estúpida a esse ponto. Não era um homem. Não fora dado ao seu gênero o privilégio de se amar acima de todas as coisas. Não fora dada especialmente a ela tal regalia. Narcisa Black fora criada para ser a filha perfeita, a esposa perfeita, a dama perfeita.
Legado. Família. Pureza do sangue. Ouvira seus pais e tios discursarem sobre tais conceitos vezes o suficiente para compreender que aquilo era o mais importante. Quando todos eles morressem, sua família e valores iriam continuar intactos. Por séculos e séculos, a herança de seus antepassados seguiria viva. Aquilo era poder, aquilo era nobreza, aquilo era imortalidade.
A jovem Narcisa, entretanto, parecia a única de sua geração a entender o que os mais velhos diziam. A compreender a importância dos sacrifícios pessoais, para que a família triunfasse. A desejar que o legado de seu sangue se mantivesse eterno. Suas irmãs e seus primos nunca escutaram, nunca entenderam, nunca foram tão ambiciosos como ela e, assim, trouxeram apenas vergonha e extinção para aquela dinastia.
Andrômeda caíra em desgraça, casando-se com um nascido trouxa; Bellatrix e Sirius apodreceram e enlouqueceram em Azkaban, Regulus encontrara seu próprio caminho para a morte. A pequena narcisista – o delicado narciso dos Rosier – fora a única Black a fazer sacrifícios, para manter a linhagem de sua família. Sempre pura. E quando todos as estrelas caíram, a flor fora a única que se manteve inteira e triunfante. Crescendo forte.
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