Naquela Noite de Verão...
1 Capítulo único
Uma noite abafada de verão, estava tarde... E eu estava cansado de todo trabalho que tinha feito durante o dia, embora o fato de meu guardião da névoa estar me procupando um pouco, já que não tenho notícias faz alguns dias. Mas eu o conheço bem, de certo está sendo difícil para ele se acostumar com tudo isso, mesmo não querendo demonstrar. Já é hora de dormir, deitei semi-nu na cama que parecia ferver, mesmo com o ventilador ligado, a sensação de calor não passava nem um pouco, tentei ignorar, mas isso estava me deixando nervoso, virando de um lado para o outro, com mil coisas vindo na cabeça, morrendo de calor e com sono, mas eu não conseguia me concentrar para dormir. Que droga, dei um tempo e abri a janela um pouco, para me refrescar. Era bom sentir aquela brisa gostosa, me esfriando e relaxando, dessa vez dava vontade de abaixar a cabeça e dormir alí mesmo...
-Huhuhu~ Está com sono?... — Dizia uma voz distante e fria, mas que parecia vir da minha frente. Eu como estava muito cansado nem levantei direito minha cabeça para ver quem era alí.
-É o que está vendo. — Sorri de leve, estava feliz em finalmente ter notícias dele. — Então, como você está?
-Hm... Não vai me convidar para entrar?
-Você tem a chave, podia ter feito isso. — Provoquei.
-É, mas a perdi, não tenho tempo de me preocupar com coisas pequenas assim. — Pulou a janela e foi para dentro de casa.
-Hm... E se alguém invadir? — Falei acendendo a luz e tirando e pendurando a jaqueta dele num cabide do meu armário.
-Isso não será um problema para nós.
-É, você tem razão. — Ri de leve. — Está com fome?
-Não.
-Então vá dormir. — Deitei.
Ouvi os passos dele até desaparecerem e fechei os olhos imaginando finalmente um momento de paz. Embora estivesse bem mais relaxado e refrescado, ainda não estava conseguindo pregar o olho. Passou um tempo, eu estava até de olhos abertos, pensando na vida, esperando o sono chegar, e começo a escutar uns barulhos suspeitos na cozinha. Então, já que tava mofando na cama mesmo, fui ver o que diabos estava acontecendo. Abri a porta de leve e parece que ele não percebeu, mas eu o peguei fuçando na geladeira.
-Heh? Você me disse que não estava com fome... — Falei acendendo a luz e dando um grande susto nele, que parecia que tinha visto um fantasma.
-Mas agora estou... — Corou.
-Não se faça de difícil, esta na cara que tava com fome antes também!
-...
-O que você quer comer então?
-Qualquer coisa serve.
-Para você não é qualquer coisa, vamos, fale.
-...
-Se não responder vou entupir sua boca com biscoitos. -Peguei o pote que estava em cima da geladeira.
-Me da isso aqui! — Arrancou o pote da minha mão com violência.
-Vai com calma, aceita um suco? -Falei já servindo para nós dois, já que eu não esperava uma resposta mesmo.
Depois disso, ficamos em um longo periodo de silêncio, até eu perceber que ele já tinha acabado, e mesmo assim estava na mesa, me fitando um pouco, mas estava cabisbaixo, parece que algo estava o encomodando, mas ele não seria quem tomaria a iniciativa, pela cara de cachorro abandonado que ele tinha, então não tive escolha.
-Já está satisfeito?
-...
-Eu estou aqui para te servir, afinal aqui é nossa casa, a casa dos Vongola, não precisamos ter segredos se tem algo te encomodando também...
-Sabe... Eu não consigo entender...
-Não entende o que, Daemon?
-Você, seu loiro ridículo. -Respondeu em tom de provocação. — Não importa o quanto tempo eu passe sem dar notícias, você me trata sempre do mesmo jeito e...
-É por que eu te amo. -Falei rasgando a sua fala.
-... Como assim? — Corou.
-É, você ouviu bem. — Sorri.
-Está falando sério?!
-Sim, amo você e todos os outros guar...
-AH, por favor né? Ama todos? Até o Alaude que parece que nunca olhou na sua cara direito?!
-Sim, até o Alaude... Está com ciúmes? — Provoquei.
-NÃO! — Corou ainda mais.
-Huhuhuhuhuhu~ Tem certeza? — Aproximeu o meu rosto do dele.
-... Sim. — Falou depois de virar rapidamente para o lado em resposta da minha ação.
-Ta bom... Já está na hora de dormir, boa noite. -Peguei no rosto dele e virei para o meu e dei um pequeno beijo em seus lábios para provocar, mas sabia que não teria nada em resposta, fui para o meu quarto e assim que deitei logo dormi, não ouvi nada do que aconteceu depois.
Fui acordado pelo G. que foi abrir as janelas e pensou que eu já estivesse despertado. A manhã estava bonita, mas ao horizonte podia se ver um nevoeiro chegando, o que me lembrou de ontem a noite, então começei a rir quando fui ver a paisagem.
-O que tem de tão engraçado, Primo? — Disse se juntando a mim para admirar a paisagem na janela.
-Nada não... Só lembrei de uma coisa...
-Entendo. — Me encarou. — Você não vai se vestir?
-Ah, depois.
-Como quizer. — Desviou o olhar para o lado, afinal, G. não é daqueles que gostaria de me ver semi-nu.
-Que horas são? Fui dormir tarde ontem, então perdi a noção do tempo...
-São quase duas e meia da tarde, você perdeu o almoço, não está com fome?
As palavras do guardião da tempestade me fizeram cair na risada outra vez.
-Não, não. Qualquer coisa eu me compro algo depois, nem se preocupe, arqueiro. Acho que vou deitar mais um pouco, se der licença.~
-É claro, Primo, bom descanço. -Fechou a porta.
Yare, yare, a porta do meu armário estava aberta, e aparentemente, a jaqueta do Daemon não estava mais lá. É, eu esperava que ele desse sumiço outra vez, afinal ele é e sempre foi assim, ainda depois da noite de ontem. Como as portas dos armários não se fecham sozinhas, não tive escolha a ir lá. Estava prestes a fechar quando eu vi uma coisinha suspeita lá dentro, parecia um bilhete, e de fato era. Adivinha de quem? Huhuhuhu~
Ele dizia : ''
Então... Se passaram três anos depois disso. Sinto como se o tempo tivesse passado entre meus dedos e sinceramente sinto que quase nada mudou, apenas a frequência dele, que de pouco foi para nada. É, desde então, ele nunca mais apareceu, nunca mais mesmo, nem os outros guardiões tiveram notícias. O que antes não me encomodava estava me dando pontadas violentas. Sinto também um enorme vazio dentro de mim, mesmo meu coração já tendo dona. É, eu me casei e tenho um lindo filho, se chama Guilhermo e tem dois anos. Minha vida está boa, é. Ainda trabalho com a máfia, mas quando me casei eu deixei a casa que todos os guardiões moravam, mas mesmo assim passo a maior parte do meu tempo lá, onde fiz meu escritório. Minha mulher não sabe, para ela sou advogado, assim consigo dar justificativa as minhas viajens.
-Papai, você já vai trabalhar?
-Sim... Você sabe que eu preciso. -Falei me abaixando e pegando nas mãos dele. — Mas eu brinco com você amanhã, que é minha folga.
-Mas... Por que você precisa trabalhar no sábado?
-Porque tem pessoas que precisam de mim. Se comporte bem dai eu digo para a mamãe comprar um doce no mercado para você, Ok?
-OK!
-Querida, estou indo. — Falei puxando minha jaqueta que estava na cadeira e procurando a chave que estava nela.
-Cuide-se. — Gritou em quanto estava lavando a louça da cozinha.
-Compre um doce para ele no mercado mais tarde, está bem? — Gritei em resposta, já abrindo a porta.
-Ta bom, pode ir já.
É, somos um casal jovem, mas muito distantes. Os dias começaram a virar rotineiros como nossa relação. Mas eu não tenho por que me estressar com isso, nunca fui de olhar para mulheres mesmo, se ela está contente comigo, deixarei como está se eu não sinto desejo de outra pessoa. Caminhei duas quadras e como de costume me transformei de ''advogado'' para mafioso. Liguei para o motorista, Giaccomo, vir me buscar lá, aliás é claro que deveriamos ser discretos e não ter uma mansão bem no meio da cidade. A ida até lá leva em cerca de 40 minutos, se o trânsito estiver bom em quando saímos da cidade e vamos para o inteiror.
Enfim entrei no meu canto... Não, não é meu canto, é o canto dos meus fieis guardiões, melhores amigos que eu posso ter. Todo peso que eu carrego com problemas na família se dissolvem naquele ambiente, e passo a ser quase outra pessoa, sério, nem o trabalho consegue me desanimar. Era aproximadamente uma hora da tarde, assim como eu todos recem tinham almoçado e já deveriam estar trabalhando. Era meio raro ter todos alí, meio não, era completamente raro, ele nunca aparecia... Mas fora isso, muitos partem para missões. Nesse momento, Lampo, Knuckle e G.e Alaude estavam fora, mas pelo que eu saiba, o Alaude volta hoje, se já não voltou.
-Asari...? — Gritei subindo as escadas.
-Estou aqui! Na cozinha, chefe!
-Ah, como sou tonto! -Desci na velocidade da luz.
-E então, como vão as coisas com sua mulher, a Estella? — Falou secando as mãos para me saldar.
-O mesmo de sempre, né.
-Não está se sentindo feliz com ela?
-Não sei, acho que não é isso... -Nervoso olhei para a pia. -Mas tem muita louça aqui para ser só sua, não? O Alaude já voltou? — Desviei o assunto.
-Sim, mas não foi só ele não...
-Como assim? Quem mais?
-Veio também ontem de noite uma figurinha que não aparecia aqui faz tempo...
-Você está falando... dele??!!
-Se ele for o Daemon, sim, estou.
-Onde ele está agora?! Me diga! — Falei surpreso.
-Calma, ele não vai fujir, eu acho... — Riu de leve. — Bom, ele está no seu antigo quarto, mesmo estando um pouco sujo e empoeirado... Eu ofereci o quarto do G. em quanto ele não volta, mas sabe como ele é teimoso...
-Vou lá vê-lo, não é sempre que temos alguém tão especial aqui.
-Entendo. Vá lá, aposto que ele vai ficar feliz em te ver.
Mal escutei o que Asari disse e fui voando para o quarto do guardião da névoa. Parei de frente a porta, não sabia nem com que cara aparecer. Bateu uma emoção forte, como se fosse aqueles reencontros de pai e filho que a gente vê na televisão, parecia que algo ia explodir em meu peito. Meu coração acelerou, minhas mãos começaram a suar e senti meu braço pesado quando botei a mão sobre a maçaneta da porta. Fechei os olhos e me concentrei, e quando ia girar... A MALDITA PORTA SE ABRE!
-Huhuhuhuhu~ Bem vindo, estava te esperando. — Falou tranquilo e com a maior naturalidade, mas não contendo o riso de me ver no chão pelo susto que levei, sentado na cadeira na frente de sua escrivaninha.
-QUER ME MATAR DO CORAÇÃO, DESGRAÇADO?! — Disse desesperado e ainda em choque.
-Suas ameaças não funcionam comigo, e não era minha intenção te assustar tanto assim, se bem que... Huhuhuhu~
-O que está fazendo aí parado então?! Vem cá e me ajude!
-Certamente. — Se levantou e foi até a mim, tirou uma de suas luvas e me deu a mão para levantar.
-Então... Estava me esperando, é?
-Sim, entre, quero falar com você.
-Mas antes tenho uma per... AAAAH! — Gritei quando a porta se fechou sozinha. — ESSA PORTA TEM ALGUM PROBLEMA??!!
-Huhuhuhuhu~ Não, não tem. Não se assute, é apenas um velho truque meu. Mas o que estava dizendo mesmo?
-Que eu tenho uma pargunta... — Falei me jogando na cama, sem graça e envergonhado por me assustar tão fácil. — Você limpou bem esse quarto, não? — Reparei.
-Deixe suas perguntas para depois... Sim, limpei por que pretendo passar um tempo aqui.
-Sério? — Levantei e sentei na cama.
-Sim, e é sobre isso que quero falar, chefinho. — Disse se sentando ao meu lado, tirando a outra luva e botando as mãos em meu rosto.
-... — Corei.
-Se lembra daquela... Noite?
-Sim, o que tem? — Retruquei inoscentemente.
-É... Eu sentia que precisava me afastar de você, pelo meu orgulho... Mas o mesmo eu quebrei para vir para cá, te ver novamente.
-Seu orgulho? Como assim.
-Aquele beijo... Pequeno e talvez vazio para você, seguido de palavras carinhosas mas que reprimiam meu coração.
-Você está dizendo que...
-Quieto, deixe-me falar. — Botou os dedos em meus lábios. — Eu sumi para pensar no que senti. Descobri que não era apenas o amor que você sentia sobre mim e sobre todos os outros, e por isso resolvi não voltar mais, mas eu não aguentei e... Preciso ficar aqui, do seu lado... É difícil falar, por que sei que não me corresponderia, apesar que não deve sentir nem o que sentia antes, já que falhei como guardião... Mas... E-eu te am... -Fraquejou. — É, eu te amo.
-... — Estava com cara de parede. Também nunca vi o durão Daemon Spade agir deste jeito.
Não sabia o que falar... Eu não correspondia o sentimento dele, e aposto que não sabia da minha família, o que seria como um choque. Só me restava a ficar quieto, por em quanto. Fiz-o deitar a cabeça em meu colo e ficamos lá, até ele dormir. Então sai de fininho e me internei no meu quarto, trancado. Não... Só podia ser brincadeira... Mas... Ele nunca se rebaixou tanto para mim... Ou pensando melhor, isso não é se rebaixar, é que... Nunca tivemos uma conversa sobre sentimentos, talvez ele estivesse falando a verdade... Ou talvez ele não saiba o que é amor, o que me parece que nunca sentiu por ninguém... Ou... Ou... Sei lá, são tantas idéias diferentes. Tenho que saber como lidar com o que ele está passando... Não seria certo eu iludir ele e nem ser rude.. O que faço, Deus??!!
Estava atormentado de mais para trabalhar, me sentia completamente pesado e sem vontade de fazer nada, é, isso tirou meu ânimo, completamente. E eu ainda nem tinha visto o Alaude... Não, não vou lá, eu não saberia lidar se Daemon já estivesse acordado. Era assustador o que eu sentia...
-Huhuhuhuhuhu~ Quer um chá chefinho? — Entrou depois que a porta se abriu ''misteriosamente''.
-EITA PORRA, NÃO APRENDEU A BATER NA PORTA??!! VOCÊ ABRIU ELA MESMO TRANCADA??!!
-Ah, desculpe, não queria encomodar, só servir um chá e...
-Tudo bem... — Respondi abaixando a cabeça.
-Então pega!
-Não, eu recuso dessa vez.
-Oh, que pena que já tinha feito para você. -Falou botando a bandeja com as xícaras no chão e se jogando em cima de mim na cama. — Gostaria de algo a mais? -Sussurou no meu ouvido, fazendo a porta de fechar e trancar.
-Não.
-Nada meeesmo? -Insistiu.
-Não... Você poderia por favor se retirar? — Empurei-o.
-...
-Não leve a mal... Apenas...
-Sim, eu sei, como eu pensava...
-É, você sabe e sempre soube que não iria dar. Pode sumir o tempo que você quizer... Mas se for para me atormentar com esse assunto de novo não venha mais, está bem?
-... — Mudo, me jogou contra a parede e começou a me estragular.
-Pare com isso, eu tenho família! — Gritei.
Logo após de eu ter dito isso, senti a mão dele tremer até que perdeu as forças e largou meu pescoço. Se retirou silenciosamente, deixando algumas lágrimas cair no piso de madeira. Esperei um tempo, mais ou menos uma hora, até as coisas acalmarem e peguei a bandeja com as xícaras e levei para a cozinha. Fui dar uma cheirada no suposto chá. Bom, eu já devia imaginar, pelo cheiro aquilo contia afrodisíaco. Fail, Daemon Spade. Quando ia me virar, senti algo me agarrando pelas costas, levantou minha camisa e me botou algo frio... Com certeza era uma arma.
-Daemon?! O que está fazendo?
-Nada de mais, querido. Dois tiros para você, acha que está bom?
-Mas que... — Fui interrompido
-Huhuhuhu~ Estou pouco me importando que você é meu chefe, sabe, tenho até um seccondo para seguir, mas se eu não posso te ter, então ninguém pode. Sim, é tarde de mais para mudar de idéia, já estou decidido. É, o jogo acabou, você não está em posição de revidar.
...''Mesmo com o que fez, você ainda é um dos meus amados guardiões. Você é e sempre foi digno de ser meu guardião da névoa. Lembra-te que a chama alaranjada do verdadeiro guerreiro nunca vai se apagar. A chama que brilha discretamente e que sempre ilumina o futuro da sua grande conquista, sim, o Céu da harmonia, Giotto Ieyasu ainda vive, não só no seu, mas no coração da Vongola.''
Bye, Bye.
Esse amor ainda vai te matar.
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