Namoro por Aluguel

18 A mentira tem perna curta, como diria minha avó.


Notas iniciais
Agradecimentos: Giovannabrigidofic Wani Stars Ana fernandes Izzy Herondale a menina radiante Insano insone Anah Vi XD Leitores lindos do meu core *-*

Eu estava encarando-a por tempo demais, sabia disso. Mas o que poderia fazer? Correr seria inútil, eu já dera a oportunidade para que Valentina me reconhecesse. Mentir, dizendo que não sou Ana seria ainda mais inútil, e dizer que sou a irmã gêmea da conhecida dela seria muito clichê, Valentina sequer acreditaria.

Então, fiz minha melhor expressão de sem vergonha e falei:

– Valentina, que bom te ver.

– Bom, não pareceu que fosse bom. Por que ficou congelada no lugar? Aliás, por que está aqui?

– É... – Comecei, porém fui interrompida.

– Ela está cobrindo o lugar de uma moça que trabalha aqui, seu nome é Solange. Como deve saber, os pais de Ana são muito amigos da Sra. Austen, então ela quis fazer esse favor. – Melissa disse, sorrindo.

– Eu não acredito nessa história. – Valentina disse, rindo. – Seja o que for, acho melhor contar de vez. Sempre descubro uma mentira.

– Mas essa é a verdade, Valentina. – Falei.

– Tanto faz. Mas como me explica o fato de ter ficado sem reação?

– Não queria que um conhecido me visse nessa situação. Quero dizer, é humilhante. – Menti.

– Não sou a prima má, Ana Clara. Miguel sabe que está aqui?

– Sabe, avisei-o por mensagem. Ele não gostou, pois teve de cancelar nosso passeio no shopping. Disse que iríamos ao cinema ver aquele lançamento...

– Sabe o que minha amiga me disse uma vez? – Indagou Valentina. – Que, quando uma pessoa mente, costuma dar detalhes demais sobre as coisas. Também me disse que algum tique aparece no corpo dela. Agora, Ana, me diga: Está piscando tão depressa por quê?

Droga! Eu queria socar Valentina.

– Não preciso detalhar tudo sobre minha vida para você, Valentina. Pisco depressa por motivos pessoais e extremamente secretos. Agora, vai fazer um pedido ou não vai?

– Quero um prato cheio de “chega de mentiras”. Para beber, a verdade cairia bem.

Pelo visto, o sarcasmo era de família.

– Esse prato acabou de ser servido. – Falei. – Mas, o que acha de um café?

– Desde que não o adocem com adoçante, por mim tudo bem...

Minutos depois, ela bebericava em sua xícara. Vez ou outra olhava para o balcão, mas não parecia zangada, apenas intrigada.

Quando terminou o café, levou a xícara vazia para o balcão.

– Olha, Ana. – Disse, extremamente calma. – Não me interessa o que faz aqui e muito menos as coisas que esconde, mas se quiser uma amiga, ficaria honrada em ouvir sobre o que esconde. Uma hora ou outra irei descobrir.

“Se quer saber, eu vou falar toda a verdade. Sou contratada para fingir amar seu primo, pois ele não tem capacidade de arrumar uma namorada decente sem a ajuda do dinheiro. Mas, quer saber? Dane-se essa porcaria toda, cansei.” Foi nisso que pensei, mas a única coisa que saiu de minha boca foi “eu já disse a verdade, Valentina. Cabe a você julgar se a acha plausível ou não”. Por que isso tinha acontecido? Seria um castigo dos céus?

Sinceramente, eu não sabia.

Quando ela passou pela porta, indo embora, foi que soltei o ar que nem havia percebido ter prendido.

* * *

– E você só em fala isso agora? – Miguel berrou ao telefone.

– Queria que eu ligasse no meio do trabalho? Sinceramente, não deve saber do quanto preciso do precioso salário no fim do mês.

– Mas havia alguém mais junto dela? – Indagou ele.

– Ninguém que eu conhecesse.

– Menos mal. – Ele falou,bufando. – O que eu te disse sobre ser cuidadosa?

– Queria que eu desse um golpe ninja na cabeça dela? O que teria feito no meu lugar, Miguel? Ah, se toca. – Reclamei, apesar ter gostado da ideia de dar um golpe ninja. Imaginei-me saltando no ar enquanto minha roupa virava um macacão ninja e uma trilha sonora típica dos filmes mal feitos tocava ao fundo.

– O que disse para ela? Por favor, não diga que usou o típico “Quem é Ana? Sou apenas uma mortal parecida com ela.”

– Tenho cara de mocinha burra de filme, Miguel? É claro que usei algo plausível. Falei que estava cobrindo o lugar de uma funcionária, já que meus pais conheciam a Sra.Austen, dona do Mocca, há muito tempo.

– Tá, essa não foi tão ruim. Agora vamos rezar para que Valentina não saia por aí contando para todo mundo.

– Não acredito que ela sairá por aí contando, mas aposto que irá tentar buscar a verdade.

Apertei a campainha que indicava que um passageiro queria descer, e o ônibus parou algum tempo depois. Com e telefone na orelha, caminhei até a esquina de casa.

– Agora preciso desligar. – Falei para Miguel.

– Lembre-se de que sábado a tarde temos que fingir que vamos ao cinema. Depois você vai para minha casa e ficamos lá até umas seis ou sete da noite.

– Não vai dar. Minha mãe vai achar estranho se eu sair de casa de novo.

– Invente algo, ué. Não é tão boa em mentir?

– Seu filho da... – Mas, antes que eu pudesse terminar o xingamento, Miguel desligou na minha cara. Praguejando, segui caminho até minha casa.

* * *

– Ei! – Gritou Miguel, buzinando. – Moça!

– Que foi? – Gritei de volta. Tinha que andar até o Mocca café antes que meu turno começasse.

– Quanto está a hora? Se for menos de cinquenta, pode entrar no carro.

Bufei. Estava sem paciência para Miguel e suas gracinhas.

– Que tal sua cabeça como pagamento? Seria legal pendurá-la como um lustre.

– Credo, mulher, onde está seu bom humor?

– Pergunte para minha TPM.- Falei. – Aliás, porque estou te dando satisfações sobre minha vida?

– Porque somos namorados, ué. – Falou, debochando.

– Se me dá licença, preciso chegar ao meu trabalho antes de meu turno. É o horário que tenho para almoçar.

– Ah, ok. Só queria te perguntar sobre o que aconteceu na faculdade hoje.

– Você faltou de novo. Sinceramente, por que não abre mão dos estudos de vez?

– Porque eu gosto da faculdade, mas não de estudar.

Revirei os olhos.

– Fora as novas matérias, nada mais aconteceu. Talvez um ou dois trabalhos.

– Ah, então foi um tédio. Minha manhã foi bem mais animada...

– Dá para perceber. – Falei. – Aliás, sua boca está cheia de batom borrado. Quem foi a pobre moça dessa vez?

Ele levou a mão aos lábios, limpando-os na manga da camisa.

– Uma bela jovem que estava enviando currículo para ser secretária na empresa de meu pai...

– Poupe-me dos detalhes. – Falei, enojada.

– Acho que o tom de seu batom combinaria muito com esse que rabiscou meus lábios. Por que não vem provar que estou certo, sua linda?

– Cantada de pedreiro? Vá se ferrar, Miguel.

– Um dia meu charme será demais para você aguentar, Ana. Vai acabar cedendo aos meus encantos.

– Sonhe com isso. – Falei.

Ele riu, acelerando o carro. Partiu antes que eu pudesse piscar.

Não sabia se eu ria ou me sentia ofendida.

Notas finais
A coisa está ficando feia... Bjus *-*