Namoro Fajuto
20 Sentimentos de culpa
Notas iniciais
Eu estou ajudando a tia Tsunade com a louça do jantar — estamos terminando de secar. Infelizmente eu pedi no pedra, papel e tesoura contra o Naruto, Hinata e Dei. Nunca pensei que eu fosse tão ruim em um jogo tão simples… Ah, eu sou uma vergonha! Perder três vezes seguidas é muita humilhação.
— O que foi, querida? Por que está com essa expressão tão desanimada?- Tsunade me olhou preocupada.
Olha o que você fez, Satsuki! Fica aí com essa cara de cu! Agora ela está preocupada com você.
— Me desculpe deixá-la preocupada tia Tsunade. Não é nada de especial, a senhora pode ficar tranquila- dou um sorriso.
— Tem certeza?- ela me olha com desconfiança.
— Sim. É só uma bobagem, sabe? Eu fiquei um pouco frustrada por causa do Naruto e Hi-...
— Ah! Acho que entendi tudo, querida. Eu sei que é difícil, mas tente ser paciente com ele. O Naru é realmente um pouco frio, até com a gente ele é assim.
— Hãn?...- Ah, não! Ela entendeu tudo errado!
— Seria mais fácil se Naru se abrisse um pouco, né?
Bom, isso eu vou ter que concordar com a senhora. Realmente seria muito mais fácil se o Naruto fosse mais "aberto". Mas talvez essa seja minha chance de saber mais sobre o Naruto sem ficar fazendo perguntas "desnecessárias" para ele.
— A Hinata me disse que ele ficou com um trauma, pela morte dos pais.
— Sim. Desde que Kushina e Minato morreram ele ficou fechado e frio. Naru era muito apegado a eles. Eu nunca mais o vi sorrindo do mesmo jeito quando era pequeno- tia Tsunade dá um sorriso triste.
Sinto meu coração apertar. Só de pensar que o Naruto está sofrendo por dentro, pensar que ele não é feliz… dói. Dói muito.
— Já levaram o Naruto em um psicólogo?
— Tentamos, mas o Naru se recusou a ir. Ele sempre fugia nos dias das sessões e nós não conseguimos achá-lo. E como não queremos forçá-lo a nada, acabamos desistindo.
— Entendi…
Naruto é bem fechado com a vida pessoal, imagino que para ele contar seus problemas para um completo estranho, — mesmo que seja um psicólogo — para ele é muito difícil. Tipo, se para o Naruto já é difícil se abrir com a família, com o psicólogo então! Mas eu vou tentar fazer ele ir uma sessão, talvez eu consiga. Acho que não custa nada eu tentar.
— E também querida, o Naru não teve uma das melhores influências.- a expressão no rosto dela se torna sombria.
Fiquei surpresa e um pouco assustada pela mudança tão brusca nela. Sinto um arrepio na minha espinha.
— A senhora está falando da...
— Yamazaki Delta. Aquela cobra nojenta!- ela pega a faca de cozinha e a enfica no balcão.
Agora eu não estou um pouco assustada, agora estou totalmente assustada! Como a tia Tsunade pode emanar uma aura assassina assim?
— Me desculpa por isso Satsuki! Eu fico realmente brava com se trata daquela cobra.
"Isso tá bem óbvio" pensei. Nunca imaginei que a tia Tsunade podia ser assim, ela parece que vai matar alguém a qualquer momento. Mas finalmente eu sei o nome dela. Delta… é um nome um pouco peculiar.
— Ela e Naru são "amigos" de infância.- ela faz aspas com os dedos na parte dos "amigos"- Após a morte dos seus pais, Naru não tinha prazer na vida, ele nem se alimentava direito, brincava, quase não saia de casa. E isso tudo durou por um longo tempo.
— Quanto tempo exatamente?
— Um ano. Eu já não sabia o que fazer para ajudar o meu afilhado. Mas quando ele conheceu a Delta, de algum jeito ela conseguiu fazer o meu pequeno Naru voltar um pouco ao normal. Ele tinha voltado a sorrir, brincava de novo, comia pelo menos duas vezes por dia. Parecia que a amizade deles só fazia bem para o Naru.
— A senhora deve ter ficado aliviada.
— Fiquei querida. Mas esse sentimento de alívio não durou muito. Depois de um tempo, eu comecei a perceber que aquela amizade não era normal. A Delta era extremamente protetora com ele, não deixava outras crianças se aproximarem e incentivava ele a não se aproximar delas. Ela começou a ditar na vida dele, dizendo o que ele pode ou não fazer, com quem ele deve ou não falar.
Mas que vagabunda! Ela não tem o direito de fazer isso. Por que o Naruto não deu um basta nisso? Por que ele permitiu que ela ficasse mandando na vida dele assim? O Naruto que conheço nunca deixaria alguém mandar nele assim, então porquê?
Aperto minhas mãos em punhos. Sinto-me frustrada, com raiva e angustiada. Um sentimento de impotência cresce em meu peito. Tsunade me olhou com olhar triste e me puxou para um abraço. Ela pousou sua mão sobre minha cabeça e a acariciou.
— Sei como você se sentir querida, eu também já me senti assim: Impotente.
— Eu não entendo o porque o Naruto deixou ela fazer isso com ele.
— Eu também não. Quando tentei afastá-los, o Naru voltou a se fechar, não importava o que fizemos nada adiantava. Para ele aquela cobra era a única coisa que importava- ela se afastou o suficiente para vermos nossos rostos- Sem escolha, eu tive que aceitar aquilo que ela chamava de "amizade".
— Mas o Lee e Haruno são amigos do Naruto, certo? Ela parou de tentar dominar a vida do Naruto?
— Quem dera, minha querida- tia Tsunade desfaz o braço- Felizmente quando o Naru entrou para o ensino médio, ele fez amigos de verdade, isso fez que colocasse pelo um freio nas atitudes dela. E quando eu descobri que ele estava namorando isso me aliviou muito. Você me deu um grande alívio.
— Eu?- a olhei confusa.
— Sim. A Delta nunca deixaria ele ter esse tipo de relacionamento. Agora que ele está em um, significa que ele não está mais a escutando como antes.
— Entendi…- dei um sorriso fraco.
Me sinto culpada. O que tia Tsunade ficaria se descobrisse que esse "namoro" não passa de uma grande farsa e que é por isso que a Delta não fez nada até agora?
— Madrinha- escutei a voz do Naruto- Vocês já terminaram?
Olhei para a entrada do cômodo. O loiro estava em pé apoiado no batente da porta com os braços cruzados. Sua expressão era de tédio.
— Vamos assistir alguns filmes e a Hinata me pediu para vim te chamar, Satsuki.
— Vá minha querida, eu termino- tia Tsunade me dá um sorriso gentil, e me empurrou levemente para frente.
— A senhora tem certeza tia?- ela acenou positivamente.
Fui na direção de Naruto, parei na frente dele e encarei o seu rosto. O loiro me olhou confuso e desconfiado. Voltei a andar, quando saí da cozinha o loiro segurou o meu braço.
— Aconteceu alguma coisa?- apesar que seu rosto expressasse neutralidade, o seu olhar era apreensivo.
— Não aconteceu nada- dei um sorriso- Você não precisa se preocupar com nada, ok?
Soltei o meu braço e voltei a caminho em direção a sala. Naruto ficou parado por um instante, mas logo ouvi seus passos atrás de mim.
Fale com o autor