Namoro Fajuto
25 Essa moça é muito estranha
Notas iniciais
Entediada, bato os meus dedos contra o balcão.
Hoje não tá tendo muitos clientes, então não tenho nada para fazer além de ficar aqui parada esperando alguém entrar na cafeteria.
Suspiro já sem paciência. Até cogito sair para dar uma volta — Mesmo que signifique que tenho que furar o meu horário de trabalho — Pelo canto dos meus olhos vi o loiro varrendo o chão. Naruto também parecia estar entediado.
— Ei! Ei Naruto. — o chamo. Naruto olha na minha direção — Depois que terminar o horário, vamos ficar no nosso ponto de encontro? Podemos tomar sorvete.
— … É. Pode ser. — diz em tom arrastado. Naruto volta a sua atenção para o chão.
Faço uma careta em decepção.
Depois que eu e o Naruto tivemos aquela conversa/pequena discussão, nosso relacionamento ficou um pouco estranho. O demônio loiro ficou um tanto mais frio, e às vezes, ele parece que está me evitando. Talvez ele se sinta desconfortável comigo por perto agora? Bem, vou tentar não importar com isso por agora, ou só vou acabar com uma dor de cabeça… Ah, mas é tão difícil estar na "friendzone"!
Suspiro em desistência.
— Ao invés de ficar olhando para o nada, por quê não vai trabalhar? — perguntou Fū enquanto parou na minha frente, do outro lado do balcão.
Sinto o meu sangue ferver e as veias da testa saltarem. Minha mão está coçando para jogar outra vez a garrafa térmica nessa vadia — E dessa vez, acertar a cabeça dessa filha da puta — Mas engoli minha raiva.
— Fū, caso não tenha percebido, nós estamos sem clientes agora. — dou um pequeno sorriso forçado.
— Claro que percebi. Eu não sou cega, "caso não tenha percebido". — comentou com deboche.
Sinto o meu sangue ferver ainda mais. Estou a ponto de jogar uma dessas cadeiras na cabeça dessa vagabunda dos infernos! Que ódio dessa garota com cabelo de repolho estragado!
— Fū, dá você para parar de provocar a Satsuki! — Naruto a repreende.
— Certo, certo. Eu não vou mais fazer isso. — ela se vira para o loiro e sorri.
Naruto revira os olhos e volta a varrer o chão. Fū se vira para mim ainda sorrindo, mas agora com um sorriso debochado.
— Pelo menos por hoje. — ela sussurrou para mim antes de ir na direção do loiro.
A vontade de jogar minha garrafa térmica na cabeça dela arrombada aumentou ainda mais, mas preferi fingir que não ouvir a provação da cabelo de repolho. "Acalme Satsuki, se acalme. Ainda é quarta-feira, você não quer ficar irritada no meio da semana" pensei.
Expirei com força e soltei o ar com mais força, em suspiro longe. Quando terminei de suspirar e expirar, finalmente me acalmei um pouco.
Decidi voltar atenção dos meus pensamentos para o cãozinho — que mais parecia um filhote de raposa — Ele estava se recuperando bem, e até que bem rápido. Naruto me contou que levou ele ao veterinário na sexta passada, para uns checaps e irsames. E até agora, tudo parece estar em ordem. Fiquei muito feliz em saber que o loiro adotou ele. Planejo ajudar o loiro a cuidar do filhote em que eu puder. Infelizmente, ele ainda não tem um nome.
— Fū!
A voz do senhor Sabaku me tirou dos meus devaneios. Olhei para ele.
O senhor Sabaku tinha uma expressão cansada e um olhar pesado. Faz sentido, já que ele tem trabalhado bastante nesses últimos dois dias.
— Fū. — pela segunda vez, ele a chamou pela garota insuportável.
Fū deu sorriso — falso — inocente e correu na direção do senhor Sabaku. Ao parar na frente dele, Fū fez uma continência.
— Sargento Fū se apresentando senhor!
Revirei os meus olhos com a ação da garota.
— Idiota. — sussurrei para mim mesma enquanto cruzei os meus braços.
— Acabou a tinta da impressora. Então, por favor, você poderia comprar mais para mim?- questionou o senhor Sabaku.
— Sim senhor! — disse Fū em tom animado. Ela pegou o dinheiro e correu na direção do loiro- Naruto, me acompanha até a papelaria?
— Por quê eu deveria te acompanhar? — perguntou com indiferença.
Tentei segurar a vontade de rir depois de ouvir a fala do loiro, mas acabei bufando de maneira cômica. Fū me fuzilou com um olhar assassino. Mas eu a ignorei.
— Além disso. — Naruto continuou — Eu estou ocupado no momento.
— Naruto, você não vai deixar uma dama sair por aí desacompanhada, vai?
"Dama o caralho! Não vem com esse negócio de 'dama' pra cima de mim!" Pensei.
— Pode ser perigoso para mim, sabia? E já faz um tempo que não ficamos sozinhos. — ela segura o braço do loiro — Vai ser divertido, vamos Naruto — choramingou.
— … Certo. — ele concordou desanimado.
Ao ouvir a fala do loiro, fiz uma expressão de total desgosto. Nem me importei em esconder que situação não me agradava nem um pouco.
Fū deu um grande sorriso animado. Ela segurou o braço dele com mais força antes de puxá-lo em direção a saída. Mas antes deles saírem, a cabelo de repolho olhou na minha direção e mostrou a língua.
Sinto as minhas veias voltar a saltar e o meu sangue ferver.
— Ela não tem jeito. — a voz do senhor Sabaku me assustou um pouco.
Com toda essa confusão eu acabei esquecendo que ele ainda estava aqui.
— Me desculpe por isso, senhorita Uchiha. Eu vou repreender ela quando voltar.
"Seria bom se isso realmente adiantasse alguma coisa. É como você disse: 'Ela não tem jeito'." Pensei.
— O senhor não precisa se desculpar por isso. O senhor não tem culpa de nada.
— Mesmo assim, peço desculpas em nome dela. Bem, eu estarei no meu escritório, qualquer coisa pode me chamar.
— Sim senhor. — dei um pequeno sorriso.
O senhor Sabaku vai para seu escritório.
"Definitivamente ele é uma pessoa muito gentil e amigável" pensei.
Como eu estava sozinha aqui, peguei meu celular e enviei mensagem para Ino.
Sei que não é muito legal mexer no celular no horário de trabalho, mas eu não tenho muita escolha. É isso, ou fica sem fazer nada.
Fiquei trocando mensagem com a Ino por alguns minutos, quando escutei a porta ser aberta. Desviei minha atenção do celular para a entrada. Uma bela moça de cabelos curtos ondulados e loiros estava parada a alguns centímetros da porta. Parecia analisar o lugar, ou procurando algo…?
— Eh… Seja bem vinda. — a comprimentei com um sorriso.
Ela olhou para mim por alguns instantes antes de retribuir o meu sorriso. A loira se aproximou do balcão.
— Obrigada. Bem, eu gostaria de café sem açúcar pra viagem, por favor.
— Claro. Só um instante. — vou preparar o pedido dela.
Enquanto preparo o pedido, sinto os olhos da loira queimarem as minhas costas. Comecei a me sentir muito desconfortável.
— Você é muito bonita. Eu aposto que tem um namorado. — ela comentou.
— Aham… Obrigada pelo elogio. — respondi meio sem jeito — Sim. Eu tenho um namorado.
— Claro que tem.
Sinto um arrepio na espinha. Me apreciei o máximo que posso para terminar o seu pedido.
— Obrigada por esperar. — entrego o café para ela.
— Por nada. — ela começou a se afastar.
— Moça o dinheiro! — gritei.
— Ele está aí em cima do balcão. — ela aponta para o balcão.
Olhei para o balcão, e o dinheiro realmente estava lá. Peguei, a quantidade de dinheiro era correta, nem mais, nem menos.
Estranhei como ela sabia a quantidade certa, mas deduzi que ela era uma cliente que só não tinha visto ainda.
— Essa moça é muito estranha. — comentei.
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