Namorada de Natal

13 Capítulo 13: O fim do acordo, por outro ponto de vista.


Notas iniciais
Hello! Chegamos ao fim e eu só queria agradecer a todo mundo que comentou e favoritou a história. Obrigada a todos os leitores, vocês estão todos guardados em meu coração.

Primeiro de janeiro. Penso com meus olhos ainda fixos no teto de meu quarto, a cor branca já iniciando ali uma irritação em meu interior da qual eu jamais pensei que me dominaria. Suspiro ao ver o horário, quase três da tarde do primeiro dia de um novo ano. Remexo-me em minha cama quando a inquietação me domina por completo deixando-me agitada mais que o normal. Olho para meu celular, o qual posicionei de forma inteligente ao lado de meu rosto, sua tela apagada e nenhuma nova notificação.

Após o fiasco do fim de ano, sai do grupo da família de Diogo, cortando assim qualquer relação que ele ou seus parentes poderiam ainda terem comigo. Até mesmo exclui seu contato e apaguei nossas mensagens trocadas por longas três semanas. Quando fiz isso percebi que um lado de mim lutava para que isso acontecesse, contudo fui forte em executar tal tarefa que para mim mostrou-se difícil.

Pois eu bem sabia que após excluí-lo de minha vida, tudo voltaria ao seu normal de antes de nos conhecermos.

Geralmente quando o ano acaba, o dia primeiro de janeiro passa rápido. Para a minha infelicidade, foi bem diferente naquele início de um novo ano. Sentia que existia algo no universo que fazia o tempo passar mais devagar, meus pensamentos ainda me levavam sempre para minha última noite com Diogo, como um tipo de castigo do qual eu não conseguia livrar-me como gostaria.

Do momento exato em que desejamos feliz ano novo para o outro como uma forma de despedida eu já me preparava para afastá-lo da minha vida, após isso foi como se nos tornássemos apenas como dois colegas passando uma virada de ano. Não consegui ficar na festa de sua mãe por razões óbvias e muito menos comer na mesma mesa que todos eles, voltar para a casa da chácara e receber tantos olhares foi difícil, mas ficar até às dez da manhã com sua família foi o pior. Não pelo fato de todos terem seus olhares sobre mim, mas pelo fato de eu ter de enfrentá-los como uma moça mentirosa que inventou um namoro que nunca existiu.

Eu não seria idiota em negar o que houve durante o mês passado, apesar de muitas das vezes agirmos como cão e gato, era inegável que um sentimento maior crescera entre nós em pouco tempo. E que se intensificou quando nos beijamos pela primeira vez. Também não negaria que perdi o controle da situação quando menos pensei que aconteceria e que permiti que isso continuasse.

Não mentiria, Diogo mexera comigo como nenhum outro rapaz fez antes, antes pensei que seria apenas por ser fã do ótimo escritor que ele era, mas no momento em que consegui desvincular a imagem do autor para o rapaz normal, entendi que meu coração bater mais rápido quando estávamos juntos não era de ansiedade. Inevitavelmente também gostei de sua família, tiraria alguns parentes, mas numa forma geral, acabei me apegando a todos em questão de uma semana.

Errei ao deixar isso acontecer tão facilmente quando eu sabia que após do dia 31 de dezembro, nada mais teríamos.

Fui tola em achar que ele acabaria querendo algo, quando eu mesma deixei claro muitas vezes que nossa relação era apenas uma farsa difícil de ser mantida por tanto tempo. Talvez meu maior erro tenha sido este.

Eu não tinha com quem falar a respeito, para minha mãe, Diogo era um amigo e para meu pai... Um rapaz que significava um grande risco para sua filhinha. Remoía tudo sozinha, lutando comigo mesma para esquecê-lo a todo custo antes que o sentimento nutrido por ele se tornasse maior do que já estava e quem acabasse se machucando nisso tudo fosse eu.

— Jéssica? — Minha mãe adentra em meu quarto, trazendo um prato pequeno com um alguns pedaços de carne. Ela e meu pai inventaram de fazer um churrasco apenas com os amigos mais chegados, uma razão para passar o primeiro dia do ano fazendo algo que não fosse apenas ficar sentados no sofá sem nada fazer. — Não vai comer?

Nego com o rosto, sentando-me na cama e olhando para a figura mais velha mais adiante.

— Eu tô sem fome — Menti descaradamente, em meu estomago existia um buraco grande que pedia para ser preenchido por qualquer alimento, porém eu simplesmente não conseguia encontrar vontade alguma de me alimentar. Pelo menos por enquanto.

— Você está bem estranha desde que voltou. — Observou. Era óbvio que ela percebesse isso, até porque fui burra em deixar em evidência que eu não estava em meus melhores dias e também, eu nunca fui do tipo de chegar de algum passeio ou viagem — por mais curta que ela fosse — e já fosse direto para meu quarto. Agindo como uma adolescente. — Você saiu com aquele seu amigo escritor de um jeito e voltou completamente estranha. Aconteceu alguma coisa durante essa uma semana?

Fico em silêncio por mais tempo do que pensei, percebo que de certa forma eu preciso me abrir com minha mãe. Contar tudo à ela e torcer para que não haja julgamento pelo que concordei em fazer para ajudar um completo desconhecido.

Desembucho de uma vez, revelando a ela como Diogo chegou em mim na cafeteria do centro puxando assunto como qualquer rapaz e logo fez a proposta para que eu fingisse ser sua namorada falsa durante a última semana do mês. De nossos encontros e conversas, de tudo o que houve durante o tempo que passamos juntos como um casal e claro, de que fazer tudo isso gerou um sentimento a mais.

Minha mãe limitou-se em olhar-me com um misto de expressões, naquele momento o prato com carne sequer estava em sua mão e ela estava sentada na beirada da minha cama.

— Jéssica... Todo esse tempo, essas saídas que fez várias vezes e toda aquela cena quando ele veio te buscar, era tudo uma grande farsa? — Pergunta, ela parecia um pouco confusa em relação a tudo o que lhe foi contado.

— Sim. — Respondo. Evitei de mencionar o acordo de receber o dinheiro por passar uma semana com ele e sua família porque não queria entrar naquele ponto do assunto, nem mesmo lembrar-me de que Diogo não me pagou.

Percebo que nem mesmo fazia mais questão do dinheiro, ele não pagou, mas eu também não me importei muito com isso. Não achava certo receber por algo que não durou e mesmo se tivéssemos conseguido manter a farsa pelo tempo que foi determinado, eu não aceitaria a quantia.

— Você realmente pensou que não iria acabar gostando dele? — Sua pergunta veio juntamente com um riso curto e discreto.

Não vou dizer que isso nunca passou pela minha mente, o que eu e Diogo iríamos fazer era como aqueles filmes clichês de amor e ódio dentre outros existentes. Imaginei que chegaríamos a um ponto onde ele se declararia para mim na frente de toda a sua família e nos beijaríamos, mas fui esperta em manter em minha mente que era apenas uma farsa e dizer em voz alta por um mês todo tornou algumas coisas mais fáceis.

Claro que, a vida mostrou-se ligeira em passar a perna em mim e derrubar-me, fazendo com que Diogo fosse mais do que uma mentira em minha vida.

— Só não queria que isso acontecesse para não perder o foco — Dei com os ombros. — Mas acho que a vida tinha outros planos.

— Deveria ir falar com ele.

— Não! Eu não posso fazer isso! — Protesto, orgulhosa demais para admitir que eu queria mesmo fazer isso.

— Jéssica, no dia que o escritor veio te buscar para ir passar as festas com ele eu percebi algo que nunca vi moço algum fazer com você: Te olhar com aquele olhar bobalhão de apaixonado. — Minha mãe falou, naquele momento eu me sentia presa em um filme clichê onde precisava que alguém próximo a mim jogasse na minha cara o óbvio que eu tentava negar. — E eu sei que você também percebeu isso, então trate de pentear esse cabelo porque ele está lá na sala querendo falar com você.

— O quê?! — Saio da cama num pulo, assustada e ansiosa ao saber disso. Perguntei-me quando que ele apareceu e porque minha mãe nada disse antes. — Por que não me disse?

— Não era a hora.

Minha mãe saiu do meu quarto, fiquei alguns minutos sem saber o que fazer, como agir... A notícia de que Diogo estava na sala esperando por mim deixou-me agitada. Tirando por fim qualquer dúvida existente dentro de mim. Obedecendo a ordem de minha mãe, arrumei meu cabelo passando o pente para deixar-me com uma aparência mais apresentável.

Não percebo o quão apressada deixo meu quarto e desço a escada até a sala até que o vejo sentado, Diogo está de costas para mim e não percebe minha presença. Tenho tempo suficiente para observá-lo melhor, o cabelo sempre com a aparência meio bagunçada e as roupas no estilo nerd fazem meu coração bater acelerado. Ansioso.

— Diogo? — O chamo após quase cinco minutos ali parada, ele imediatamente se coloca de pé e vira em minha direção. Sorrindo com o canto dos lábios ele faz menção de se aproximar de mim, porém parece mudar de ideia e recua meio passo. Vejo o quão nervoso ele estava e como sempre não consegue disfarçar.

— Eu... — Ele limpa a garganta antes de completar a frase. — Esqueci que tinha de lhe pagar e como não tinha os dados da sua conta nem nada do tipo... Achei que seria melhor dar o dinheiro pessoalmente.

Tento disfarçar minha decepção ao ouvi-lo por imaginar que ele tinha outra razão para ter ido até minha casa.

— Eu sei que combinamos, mas não quero o dinheiro. — Recusei o mais gentil possível. Levemente ofendida por ele achar mesmo que depois de tudo eu ainda iria querer o dinheiro.

— Jéssica...

— Não completamos o acordo até o último dia então não há razão para o pagamento. — O interrompi. — Mesmo se tudo tivesse seguido conforme o plano eu não teria aceitado, não seria algo justo com você.

Seu rosto adquire um ar mais leve e aliviado, mesmo que exista certa confusão escondida em seus olhos.

— Mas... — Ela avança exatos dois passos até mim e para abruptamente, como se pensasse melhor no ato feito. — Tínhamos um acordo.

Foi tudo o que ele conseguiu dizer sem que parecesse que as palavras se perdessem antes mesmo que pudessem sair de sua boca. Engulo seco reunindo em mim a mesma coragem usada para enfrentar alguns de seus parentes durante a última semana de dezembro.

— É eu sei disso. — Digo num sorriso fraco que não dura muito. — Mas eu acho que o acordo se desfez depois... De uma forma implícita eu quebrei a parte do meu acordo.

Vejo o momento exato em que a expressão de Diogo muda drasticamente, sua boca se abre, porém nenhuma palavra sai dela.

— Diogo? — O chamo mais uma vez quando percebo que ele passa longos minutos calado.

— Está dizendo que... — Ele não completa a frase, acho que ele não sabia como fazê-lo. Mas entendo sua pergunta antes mesmo que ela fosse finalizada.

Concordo com a cabeça. Tomando ali uma atitude que poderia ou não acabar sendo correspondida.

— Serei sincera com você Diogo, em certo momento de toda a nossa farsa eu agi movida por meus sentimentos. Em cada toque, olhar, foto tirada e... — Hesito antes de falar a palavra. — Beijo, fui sincera. Quebrei o protocolo de só fingir e agi por vontade própria.

Novamente Diogo nada diz por um tempo e logo vejo-me brava com ele por deixar que eu tome uma atitude referente a nós. Contudo o sentimento é algo bobo, sinto-me até mais leve após dizer a verdade para ele.

Eu estava pronta para continuar a falar, quando o vejo novamente avançar.

— Parei de fingir quando eu me dei conta de que ficava ansioso esperando por alguma ligação ou mensagem sua — Ele confessa e dessa fez fui eu a ficar calada por completo. Tomada pela surpresa em ouvi-lo dizer que, assim como eu, ele também já não fingia mais. — Eu queria ter lhe dito algo na virada, principalmente depois do que me falou durante a queima de fogos... Mas eu fui tão burro que só percebi o óbvio depois que eu te deixei em sua casa. — Ele volta a andar, mesmo que seus passos pareçam um tanto hesitantes ele continua. — Olhei nossas fotos juntos e vi que eu seria um grande tonto se te deixasse sair da minha vida.

Travo meu corpo, meu coração já disparava de forma assustadora. Pisco muitas vezes ainda sem palavras ou algo coerente para dizer. Eu tremia dos pés à cabeça como nunca e sentia um grande frio em minha barriga, um sentimento bom e bem-vindo.

Percebo naquele momento que as palavras de Diogo também poderiam serem aplicadas a mim, em um mês conheci um dos meus autores preferidos do gênero terror e concordei em fingir ser sua falsa namorada. Tendo um conhecimento sobre sua pessoa muito além do que era dito no Google, conheci sua família e acabei gostando demais dele.

Apaixonando-me por ele como uma adolescente boba.

Sem demora eu também avanço até ele, cortando assim toda distância existente entre nós. Paro em sua frente erguendo meu rosto para melhor olhá-lo.

— Eu também seria uma tonta se deixasse que você saísse da minha vida. — Sorrio ao repetir suas palavras numa confissão que me surpreende. Recebo dele um sorriso mais largo até que Diogo envolve-me com seus braços apertando-me contra seu corpo alto num abraço gentil. Aquecendo-me da cabeça aos pés.

— Posso te contar um segredo? — Ele pergunta com a voz baixa.

— Claro.

— Meu pedido foi você, Jéssica.

— E você foi o meu, Diogo.

Notas finais
Fim. Obrigada por lerem e que 2019 seja melhor para todos nós.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!