Namorada Adormecida
8 Capítulo 8 - End Of Time
Notas iniciais
Música da Beyoncé → http://letras.terra.com.br/beyonce/1891578/traducao.html
Ponto de Vista da Sam
Arrumei meu quarto depois que cheguei do colégio e comecei a estudar álgebra. Dessa vez eu ia me dar mal nas provas. Estava quase me afundando nessa matéria.
Eu poderia até pedir ajuda, mas não queria. Só havia uma pessoa que eu conhecia e que poderia me ajudar de verdade, mas essa pessoa era o garoto do qual eu vivia tentando evitar qualquer contato mais íntimo e agradável. E vivo empurrando ele pra longe de mim.
Há muito tempo eu sei que não sou indiferente a Freddie. Ele tem o poder de despertar o que há de pior em mim... E também o que há de melhor. Odeio isso. Beijá-lo foi errado, muito errado, pois nesse dia eu descobri que desejava tê-lo sempre por perto. Agora, eu saber disso é uma coisa; as outras pessoas saberem disso é algo totalmente inconcebível. Já admiti para mim mesma que estou apaixonada por ele e é isso que importa.
“Porcaria de sistemas lineares. Vou precisar dessa coisa pra quê?”
Uma mensagem soa no meu celular e tenho vontade de jogá-lo na parede. Mas o infeliz não tem nada a ver com meus problemas. Fico paralisada por alguns instantes olhando a mensagem no celular. Era Freddie.
Achei estranho. Ele já me enviou mensagens antes, claro. Mas ele nunca me perguntou o que estou fazendo. Por que essa curiosidade agora?
Resolvi responder a verdade, que estava estudando, mas o preveni que não contasse nada pra ninguém...
Depois ele me respondeu que não estava conseguindo estudar e que não sabia o motivo e a idiota aqui ficou preocupada com ele.“Freddie nunca teve dificuldade para estudar... Que raio de novidade era essa?” Perguntei se ele estava passando bem, se estava precisando de alguma coisa... Ele estava bem estranho.
Contei a ele que estava com dificuldades em álgebra e, imediatamente ele me ofereceu ajuda. Surtei. A gente já havia estudando juntos antes, mas sempre com a Carly e eu não participava muito...
De qualquer forma, eu não poderia ir à casa dele, pois estava aguardando um entregador que viria deixar uma encomenda para minha mãe. Foi aí que ele se convidou para vir até aqui em casa...
“Muito bem... Muito bem... Muito bem... Eu só teria que dizer não e tava tudo resolvido. E qual era a desculpa que eu ia inventar pra isso?”
Nenhuma. Nossa, minha mente não estava colaborando. Não saía nenhuma mentirinha, nem pequenininha... Quando dei por mim já tinha enviado a seguinte mensagem para ele: “Ok, então. Te espero”.
Ele me respondeu que em quinze minutos estaria chegando. Corri pro banheiro, pois ainda não tinha tomado banho desde que havia chegado da escola. Em menos de dez minutos eu estava banhada e arrumada. Fui a cada canto da casa e organizei uma coisa aqui e outra ali até que a campainha tocou. Era ele. Tentei espantar minha ansiedade e abri a porta. Senti o vento gelado que vinha de fora.
Freddie vestia jeans, camisa de mangas compridas e suéter.
_ Qual a novidade? – ele entrou perguntando e fiquei sem entender. Até que ele apontou para os meus cabelos. Senti meu rosto esquentar imediatamente.
_ Ah! Gosto de prendê-los quando estou em casa. É mais fácil para fazer algumas coisas. – justifiquei e emendei. _ Tá muito ruim?
_ Não! – ele respondeu. _ Você fica bem assim... – ele parecia constrangido. _Vamos começar? – ele perguntou.
_ Ok. – respondi. _ Vamos para meu quarto.
Enquanto eu buscava alguns materiais e arrumava a escrivaninha para estudarmos, Freddie passeava pelo meu quarto olhando minha“suntuosa” decoração. Tenho que admitir alguns exageros, mas em meu quarto ninguém vai encontrar nada frufru. Aquela decoração era minha e não tinha nenhuma influência materna. Eu me orgulhava disso.
Quando retornei da sala com uma cadeira para que ele se sentasse eu o vi, parado, com meu diário na mão a ponto de abri-lo e eu fiquei a ponto de estrangulá-lo, mas me contive. Ele não sabia o que era. Ali tinha muitas anotações pessoais e Freddie não podia ler de jeito nenhum.
_ Nem pense nisso! – gritei e me aproximei para tomar o caderno das mãos dele. Tranquei meu diário dentro do velho baú de madeira que tinha sido de minha avó e Freddie me pediu desculpas.
Disse para ele que estava tudo bem e começamos a estudar. Procurei me concentrar ao máximo naquilo que ele me explicava e aos poucos consegui relaxar e aprender. Estar com Freddie era como mergulhar num mar agitado onde havia um turbilhão de sentimentos e eu tinha a impressão que esse turbilhão seria capaz de mudar toda a minha vida. Era um misto de guerra e paz.
Finalmente consegui compreender aquele assunto e até achei bem fácil depois das explicações dele. Adorei receber seu elogio. Ele sugeriu que eu fizesse mais um exercício e eu disse a ele que fosse beber alguma coisa enquanto eu terminava.
Freddie retornou trazendo dois copos de suco. Achei que ele tinha demorado, mas foi bom, porque me deixou um pouco mais à vontade para resolver aquele último exercício de álgebra.
_ Já terminou? – ele perguntou, me encarando.
_ Quase. – respondi, tentando esconder o nervosismo que me assaltava quando ele me olhava assim. Freddie continuava a me encarar. Resolvi me concentrar no restante da questão, mas continuei sentindo os olhos dele sobre mim.
Quando falei pra ele que havia terminado, ele se debruçou sobre mim para olhar a questão no caderno. Eu podia sentir o calor que emanava do corpo dele mesmo através do tecido da camisa que ele usava. Senti o toque do seu braço nas minhas costas. Era preciso muito esforço mental para impedir meu cérebro de ter fantasias a respeito dele. A tensão que se instalara era palpável. Eu evitava até respirar mais forte. Já não aguentava mais quando perguntei:
_ Então... Está tudo certo?
_ Só mais um pouco. – ele falou. Seu hálito era doce e quente. Estremeci. _ Ok, Sam. Tudo certo! Parabéns!
Olhei para ele rapidamente, mas fiz de tudo para não manter contato visual. De qualquer forma eu fiquei tão eufórica com o resultado daquele estudo que praticamente me joguei nos braços dele.
_ Obrigada, Freducho! Vou preparar alguma coisa pra gente comer. Que horas são?
Eu falei tudo muito rápido e o soltei, pois minha vontade era beijá-lo e acabar de uma vez por todas com minha angústia, mas me contive. Mesmo após o abraço, ainda podia sentir os músculos fortes das costas dele contra meus dedos. “Eu estava pirando, definitivamente.”
Ele respondeu que eram cinco e meia. Ainda daria tempo de lanchar e ler alguma coisa de geografia entes de irmos para o AP da Carly. A encomenda da minha mãe ainda não tinha chegado. Sugeri para ele que descansasse um pouco. Eu precisava fugir por alguns minutos.
Já na cozinha, me segurei na pia e inspirei profundamente várias vezes, de olhos fechados. Essa era uma técnica muito boa para mandar a tensão embora. Precisava fazer isso antes que eu explodisse. “De onde tinha saído a idéia de ficar sozinha com Freddie na minha casa?”
Resolvi concentrar minha atenção no lanche. Um bom pedaço de torta de creme de coco do Galini’s era uma excelente forma de completar meu relax. Preparei uma bandeja com dois pratos de torta e dois copos de suco de amora.
Quando cheguei no quarto, ele estava deitado na minha cama e parecia incomodado com alguma coisa. Tentei fazê-lo falar, mas foi em vão.
_ Entediado? – perguntei, sentando na cama, mas tentei não ficar muito perto dele.
Ele respondeu que não, mas pareceu ficar bastante entusiasmado com a torta. Falamos sobre a primeira vez em que ele provou um pedaço daquele mesmo sabor de torta no Galini’s e lembrei do vídeo que fizemos... Mas cometi um grave erro e tive que mentir.
Sugeri que olhássemos o vídeo que está gravado no meu computador, no entanto não podia deixá-lo mexer lá, pois eu havia colocado uma foto dele como plano de fundo do meu monitor. Como mentira tem pernas curtíssimas, ele se ofereceu para consertar meu PC. Fiquei sem saber o que fazer e dei-lhe um puxão pela camisa quando ele já ia caminhando em direção ao micro.
O coitado ficou visivelmente espantado com minha reação. Tentei disfarçar, pois meu rosto estava pegando fogo por ter mentido pra ele e por ter agido tão rispidamente sem motivo aparente. Rapidamente recolhi as louças e insisti que ele as levasse para a cozinha. Assim, poderia ter uma chance de colocar minha cabeça em ordem novamente, afinal eu não podia esquecer que estávamos juntos para estudar.
Conseguimos estudar geografia por mais de uma hora e eu tinha que admitir que era muito legal estudar com Freddie. Discutíamos os assuntos de igual pra igual, apesar de que ele era muito mais entusiasmado do que eu quando falava. Ele era muito nerd mesmo, mas em poucas coisas divergíamos. Normalmente nossas idéias se completavam.
Até comentei sobre isso com ele quando terminamos de estudar, pois até na hora de fechar os livros, fizemos gestos que pareciam ter sido ensaiados.
_ Nossa, Freddie! Já disse que temos que parar com isso.
_ Quê? – ele perguntou meio aéreo. Estávamos sentados lado a lado, no chão.
_ Isso de pensarmos juntos sobre a mesma coisa, falarmos juntos. Até gestos repetimos iguais.
_ Ah, isso! E como faz pra parar?
_ Não sei. – pior é que eu não sabia mesmo.
_ Eu também não sei. – ele respondeu fazendo uma pausa prolongada, como se estivesse pensando no que me responder. _ Preciso falar com você sobre uma coisa... – ele me pareceu nervoso, pois não me encarava.
_ Sobre o quê? – fiquei imediatamente curiosa e nervosa também. A tensão ameaçava retornar. Pareceu-me que ele demorou um século para responder minha pergunta.
_ Melanie. – ele falou. Não sei se escutei direito.
_ Melanie?! – perguntei sem entender patavina. _ O que tem a minha irmã, Freddie? – ele nada respondeu. Insisti _ Fala, Freddie, o que tem a Mel?
_ É que ainda não acredito nessa história de irmã gêmea. – ele falou.
_ E...? – eu ainda não estava entendendo nada.
_ Bom, é que eu acredito que nós dois tivemos um encontro, que eu dancei com você e que você me beijou...E nós nunca mais falamos sobre isso nem sobre nosso primeiro beijo...
Nossa! Quando ele enfatizou nós tivemos um encontro, dancei com você e você me beijou eu quase tive um troço.
_ Nós prometemos nunca mais tocar nesse assunto, Freddie. – lembrei a ele, a fim de que, por glória, ele desistisse.
_ Eu sei, Sam. Por favor não fica zangada, mas é que... Preciso saber... Foi você quem saiu comigo e me beijou novamente ou foi a Melanie? Ela existe mesmo?
“Eu tinha sido mesmo uma menina muito má a minha vida inteira e os deuses resolveram conspirar contra mim e me castigar naquele exato momento. Eu iria expiar todos os meus pecados... Como Freddie poderia estar desconfiado dessa história? Já fazia tanto tempo...”
De qualquer maneira, a mentira um dia termina e eu tinha experiência nisso. Voltei minhas lembranças para aquele dia. O pior é que a Melanie existe e somos gêmeas idênticas e ela veio nos visitar naquela época. Freddie deu azar e não nos viu juntas nenhuma vez. Só que ela marcou o encontro e eu fui no lugar dela. Tudo para enganá-lo. Ela sabia que eu gostava dele pois já havia descoberto mexendo nas minhas coisas e gêmeos sempre brincam dessa forma. No final, até a Carly nós enganamos, pois eu não queria que ela também desconfiasse de nada.
Resolvi contar a verdade para ele, mas por partes.
_ A Melanie existe Freddie. – olhei bem nos olhos dele e continuei. _ Ela é minha irmã gêmea sim. Somos idênticas. Venha. – puxei ele e o levei ao meu painel de fotos. _ Veja, essa aqui é a Melanie. – disse a ele mostrando uma foto dela. _ Aqui somos nós duas. – mostrei outra foto em que estávamos juntas.
_ Mas pode ser montagem – ele argumentou... Olhei para ele e fiz que não com a cabeça. Ele pareceu começar a aceitar.
_ Tudo bem. – falei. _ Admitamos que a Melanie exista. Mesmo assim quero saber: Com quem saí naquele dia? Foi com você ou com ela?
_ Você saiu com... – quando fui explicar que tinha feito outra brincadeira com ele e era eu naquele dia, a campainha tocou. Fiquei imensamente aliviada. Não menti. A conversa foi adiada pelas circunstâncias... E se ele não se lembrasse de perguntar novamente...
DINDON! DINDON!
_ Desculpe, Freddie! A campainha... Deve ser a encomenda da minha mãe... Que horas são?
_ Quase sete. – ele respondeu.
_ Nossa! Já é tarde... E a gente ainda tem que ir para o AP da Carly. Arruma nossas coisas... Depois a gente conversa mais.
Notas finais
Eu sempre vou achar que foi a Sam quem foi naquele encontro no lugar da Melanie.
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